O festival de gastos com shows e bandas de pirita, contratadas a peso de ouro pelas prefeituras do Brasil, entre elas, as de Natal, Mossoró, Parnamirim e Caicó, chamaram a atenção pelo volume de valores drenado dos combalidos cofres públicos para irrigar um esquema que movimenta milhões.
O cachê pago pela prefeitura de Natal por um show, por exemplo, deveriam acender a luz de alerta sobre essas tenebrosas transações que envolvem o agenciamento de artistas para o setor público.
Pelo valor de um dos contratos, o do cantor baiano Durval Lelys, a prefeitura de Natal pagou R$ 800 mil, quase meio milhão a mais do que ele costuma cobrar para cantar para o povo de sua terra, Salvador.
Tá certo que existem custos de deslocamentos do artista, de seus músicos e de sua equipe de produção, mas seria ingênuo demais pensar num tamanho aumento de custos desses.
Para tentar justificar a injustificável diferença de preços entre Salvador e Natal, dir-se-á até que o baiano, que ficou conhecido pela sua animação nos tempos áureos da banda Asa de Águia, teve que deixar o aconchego de sua casa para passar as festas de fim de ano trabalhando, longe da família, dos amigos e de sua terra natal.
Infelizmente, o rei Durvalino não é o único beneficiado por esse esquema tão comum entre as prefeituras brasileiras. Há outros artistas que faturam milhões com esses negócios pouco republicanos, operados por uma rede que há anos sorve dinheiro público por um método suspeito, menos para os órgãos de fiscalização do governo.
A relação de artistas contratados por agentes públicas é longa, tenebrosa e bastante ramificada. Até o sem voz Zezé de Camargo continua liderando o ranking dos artistas mais bem pagos nesse esquema.
E a pergunta que não quer calar: quantos resistiriam a uma investigação séria, honesta, inteligente e criteriosa dessas operações, que movimentam muita grana às custas de pouca ou nenhuma transparência.
E onde estão as autoridades que ganham bem demais para fiscalizar esses desvios de dinheiro público, com essas festas e outros esquemas criminosos?… Alguns deles costumam ser vistos em lugar de destaque na fila do gargarejo ou no camarote dos VIPs.
Até quando essa farra paga por todos nós vai continuar irrigando os esgotos e subterrâneos que custeiam campanhas eleitorais e a mordomia dos poderosos que vivem de oferecer esse circo das ilusões, armados pelas prefeituras e governos, para financiar seus negócios escusos?…
Quem souber – e tiver coragem – que responda. E quem tiver espírito republicano que honre seu salário e zele pela verdadeira destinação do dinheiro de todos nós.
Fonte: saibamais.jor.br




