O encalhamento de mais de dez golfinhos na praia da Redinha, em Extremoz, no último domingo (4), mobilizou banhistas para devolver os animais ao mar. Mas especialistas chamam atenção sobre os riscos do resgate sem orientação técnica. O episódio foi presenciado pelo comunicador potiguar Raphael Dumaresq, que acompanhava o pôr do sol quando percebeu uma movimentação incomum próxima à faixa de areia.
“Eramos eu, um amigo e um grupo de mais seis, sete pessoas perto do local. Estávamos um pouco assustados e inertes no primeiro momento, com medo de tocar nos animais. Não sabíamos o que fazer, quando dei um grito e falei: ‘vamos botar eles na água’. Foi a minha primeira atitude, um impulso”, conta Dumaresq.
“Começamos a puxar pela cauda porque eles eram muito pesados. Os animais não estavam violentos e isso facilitou muito, então conseguimos”, relatou o comunicador. Apesar de cansativa, a ação foi gratificante: “foi muito bonito olhar para o lado e ver que um golfinho tinha voltado ao mar, depois outro, e a gente começou a ver a praia vazia novamente”.
Vídeo de Raphael Dumaresq
Segundo Dumaresq, durante a ação eles ligaram para os bombeiros e para o Cemam — Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental. “Quando chegaram já tínhamos colocado todos de volta ao mar, exceto um, que veio a falecer”, declarou o comunicador.
O Cemam, organização da sociedade civil que atua em resgate de animais na costa oriental potiguar, afirma que, apesar da excelente intenção dos banhistas, quando o encalhamento de animais ocorre o correto é esperar pelos profissionais.
“O atendimento médico veterinário garante que o animal tenha condições reais de sobreviver antes de voltar ao mar, evitando sofrimento e novos encalhes”, explica Daniel Solon, presidente da organização.
Os veterinários do Cemam prestaram atendimentos ao golfinho que ainda estava encalhado na praia, mas ele foi a óbito. Segundo Solon, a prioridade no momento, além da identificação da espécie, é continuar monitorando o lugar.
“Nossa equipe passará o dia na praia e nas adjacências para ver se algum outro animal vem a encalhar. Também, já está sendo feita a necrópsia do animal para tentar elucidar o que ocorreu”.
Divulgação Ceman
Segundo o Cemam, nesse período do ano, existe uma maior ocorrência de entalhamento. Isso se deve a variados motivos, como maior movimentação dos animais, relacionada a deslocamentos para áreas de alimentação e desenvolvimento. Além de condições oceanográficas e meteorológicas, como ventos e correntes, que favorecem tanto o deslocamento dos animais quanto o transporte de indivíduos debilitados ou mortos para a costa.
A organização, que faz resgate de forma voluntária, alerta para caso alguém encontre alguma situação como essa, entre em contato pelo número (84) 99943-0058 para receber orientações de como proceder até a sua equipe chegar ao local.
O Cemam atua entre as praias de São Bento do Norte e Baía Formosa. Já o Projeto Cetáceos da Costa Branca da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PCCB-UERN) faz resgate entre Caiçara do Norte e Tibau e o contato deve ser por meio do número (84) 98843-4621.O número de emergência dos bombeiros é 193. O órgão também é capacitado para atender situações como essas, coordenando esforços com as outras instituições para devolver os animais ao habitat natural.
Fonte: saibamais.jor.br




