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Onde buscar atendimento em saúde para pessoas trans e travestis no RN

No Rio Grande do Norte, o acesso à saúde pública para pessoas trans e travestis tem avançado de forma gradual, especialmente a partir da criação de ambulatórios específicos e da qualificação de serviços já existentes no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, o estado conta com atendimentos especializados em algumas cidades, além do acolhimento realizado em Unidades Básicas de Saúde (UBS), compondo uma rede ainda em expansão, mas fundamental para garantir cuidado integral, digno e humanizado a essa população historicamente excluída dos serviços de saúde.

Na capital potiguar, o Ambulatório Transexual e Travesti de Natal, conhecido como Ambulatório TT, segue como uma das principais referências do estado. Criado pelo município, o serviço atende pessoas trans, travestis e não-binárias, oferecendo acompanhamento médico voltado ao processo de transição de gênero, além de atendimentos em enfermagem, psicologia e assistência social. O ambulatório também realiza o acompanhamento e a administração de hormonoterapia, especialmente para homens trans, com monitoramento clínico e exames periódicos.

O acesso ocorre por demanda aberta, sem necessidade obrigatória de encaminhamento da UBS, e o agendamento pode ser feito diretamente com a equipe do serviço. Para muitas pessoas, o ambulatório representa a primeira experiência de cuidado em saúde sem violência institucional ou constrangimentos relacionados à identidade de gênero.

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No interior do estado, Mossoró concentra um dos serviços mais estruturados voltados à população trans e travesti. O Ambulatório Trans e Travesti funciona no Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, resultado de uma parceria entre a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). O serviço oferece atendimento interprofissional, com consultas médicas, acompanhamento psicológico, ações de enfermagem e testagem para infecções sexualmente transmissíveis, além de acolhimento contínuo. O acesso ocorre, em geral, por meio de encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde da região Oeste, Alto Oeste e Vale do Açu, embora o hospital também realize acolhimentos iniciais para orientação e inserção na rede. Essa ampliação de serviços representa uma conquista para a segunda macrorregião potiguar, ampliando as portas de entrada para cuidado integral da saúde dessa população.

Mais recentemente, em 2025, Pau dos Ferros passou a integrar esse mapa de serviços com a criação do Ambulatório LGBTQIAPN+ Magnólia Lima. Implantado pela Prefeitura no Centro de Especialidades Médicas (CEM) do município, o ambulatório atende pessoas LGBTQIA+, com atenção específica às demandas de pessoas trans e travestis da região do Alto Oeste potiguar. O serviço oferece atendimento médico semanal, acolhimento humanizado e encaminhamentos para outras especialidades da rede municipal, quando necessário. O acesso é direto, sem burocracia excessiva, e representa um avanço importante para quem antes precisava se deslocar para outras cidades em busca de atendimento especializado.

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Além desses ambulatórios, o atendimento à população trans e travesti também passa, obrigatoriamente, pelas Unidades Básicas de Saúde espalhadas pelo estado. As UBS são a principal porta de entrada do SUS e têm o papel de acolher, orientar, garantir o uso do nome social, realizar atendimentos clínicos gerais e encaminhar para serviços especializados quando necessário.

Em várias cidades, inclusive em Pau dos Ferros, unidades já registram formalmente o acolhimento à população LGBTQIA+, funcionando como pontos estratégicos para reduzir barreiras de acesso e fortalecer o cuidado contínuo.

Apesar dos avanços, profissionais e usuários apontam que ainda existem desafios, como a necessidade de ampliar a oferta de serviços, reduzir filas de espera, interiorizar atendimentos e garantir formação permanente das equipes de saúde para o atendimento livre de discriminação. Ainda assim, os ambulatórios existentes representam conquistas concretas e salvam vidas ao oferecer escuta, acompanhamento e cuidado em um contexto no qual pessoas trans e travestis seguem expostas a altos índices de adoecimento mental, violência e exclusão social.

No Mês da Visibilidade Trans, conhecer esses serviços, divulgar seus fluxos e fortalecer o acesso à informação é também uma forma de garantir direitos. Para a população trans e travesti do Rio Grande do Norte, esses espaços não são apenas unidades de saúde, mas territórios de reconhecimento da cidadania.

Serviço: Endereços e contatos úteis

Natal
• Ambulatório Transexual e Travesti (demanda aberta, atendimento humanizado) – Avenida Nascimento de Castro, nº 2024, Lagoa Nova, Natal, RN. Agendamento por telefone: (84) 9 8846-3997 ou e-mail: [email protected].
Centro Municipal de Cidadania LGBT – Av. Nascimento de Castro, 1982, Lagoa Nova, Natal, RN. Ponto de referência e apoio ao ambulatório.

Mossoró
Hospital Regional da Mulher Parteira Maria Correia – Av. Prof. Antônio Campos, Pres. Costa e Silva, Mossoró, RN. Local onde funciona o Ambulatório Trans e Travesti com atendimento especializado em parceria com Uern.

Pau dos Ferros
Ambulatório LGBTQIAPN+ “Magnólia Lima” – Centro de Especialidades Médicas (CEM), bairro Princesinha do Oeste, Pau dos Ferros, RN. Atendimento semanal com médico de família e acolhimento. Informações e horários, verificar diretamente no CEM ou na Secretaria Municipal de Saúde.

UBS em diversas cidades – Unidades Básicas de Saúde no estado oferecem acolhimento, orientação, atendimento clínico geral e encaminhamentos para serviços especializados conforme necessidade do paciente.

Fonte: saibamais.jor.br

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