O sol forte levou muita gente à praia de Ponta Negra, localizada na zona sul de Natal, nesse final de semana. Pela primeira vez desde a engorda da praia, concluída há ano, a centena de guarda-sóis aos quais os donos de quiosques têm direito a abrir na areia da praia (12 para cada um) estavam ocupados. Os comerciantes comemoraram um movimento que não viam há muito tempo e começam a fazer a poupança para o período de baixa estação. Essa é a segunda de uma série de três reportagens que a Agência SAIBA MAIS iniciou sobre a atual estrutura da praia hoje, o impacto das mudanças para frequentadores e comerciantes e o que se planeja para o futuro de Ponta Negra.
Com um sol para cada um, como se costuma dizer, a areia da praia de Ponta Negra estava lotada. Mas, nem todo mundo consegue a sombra de um guarda-sol.
“Está estourada. Estamos com os 12 guarda-sóis e não estamos dando conta de todo mundo. Tem muita gente ficando na areia mesmo”, comemora o garçom Paulo do Malote.
Para o trio (1 chapeiro e dois vendedores) que trabalha vendendo crepe, a mudança na areia da praia ainda dificulta o deslocamento do carrinho, mas eles evitam reclamar.
“Fica cansativo de puxar [o carrinho], mas temos que correr atrás do pão de cada dia, né?! Agora estamos juntando o dinheiro para quando chegar a baixa estação. É apenas o suficiente para sobrevivermos. Todos têm que ter esse compromisso”, revela Rogério Lopes, vendedor.

O vendedor de picolés Adnaldo Ferreira da Silva, que passa com seu carrinho pela areia da praia, conta que tem vendido o equivalente a até três carrinhos por dia.
“A diferença está na qualidade do produto. Consigo vender um bom produto a um preço menor das marcas famosas. Dá para colocar até 400 picolés em um carrinho, dependendo da forma que você arrumar”, detalha.

Mas, para Paula Araújo, que é técnica em enfermagem, nem tudo é sol e água fresca. Ela reclama que os preços estão mais altos e que a praia está diferente.
“Os preços estão elevados até para quem é turista porque gringo não é mais besta e isso afasta os visitantes. Sobre as mudanças da praia tem seu lado positivo e negativo. Melhorou porque agora conseguimos montar nosso próprio guarda-sol e antes não dava. Mas, por outro lado, tem a questão ambiental. Já notamos que o mar está avançando novamente e que foi muito dinheiro gasto para uma obra que vai durar pouco. Somos moradores aqui de Ponta Negra e os pescadores também relatam que já não tem mais peixe também”, lamenta.
“Não tem mais onda. Quando está seca é que a gente ainda consegue surfar, quando tá cheia não tem condições. Antes era o contrário”, acrescenta Jorge França, autônomo que estava no mesmo grupo de Paula.

Em Natal pela primeira vez com os filhos, Sílvia havia feito um passeio de buggy e estava com viagem agendada para Pipa.
“Estou adorando. Para mim e meus filhos é a primeira vez, mas meu marido já esteve em Natal antes e foi ele quem indicou”, conta a paulista que vai passar uma semana na capital potiguar.
“Eu vim há alguns anos com o campeonato de handball master. Mas quando a gente vem assim não dá tempo de aproveitar. Íamos viajar e falei sobre Natal, que é um passeio família”, explica Alexandre Silva, marido de Sílvia.
O casal conta que chegou a ter problema com uma primeira mesa onde setaram porque para reverter o preço da mesa em consumo, a família teria que consumir um “petisco” no valor de mais de R$ 100.
“Eu me chateei, mas deixei para lá. Tomamos apenas uma cervejinha e uma batata frita. Achamos melhor pagar o valor da mesa que foi R$ 30 e andarmos mais um pouco para almoçar. Aqui estamos satisfeitos porque também revertem a cobrança em consumação e vamos ficar para almoçar”, revela Sílvia em uma mesa de um dos quiosques já mais perto do Morro do Careca.

Os donos dos quiosques entendem a reclamação, mas explicam que eles têm um custo para manter as barracas limpas e organizadas.
“Se não cobramos nada, não temos a garantia de que quem senta numa mesa, muitas vezes o dia inteiro, vai comprar alguma coisa, porque muitas vezes as pessoas consomem dos ambulantes que passam. Além disso, o valor cobrado é revertido em consumação”, defende Ana Lúcia Peixoto, artesã.
Michele, que veio de Penápolis, no interior do estado de São Paulo, achou os preços justos.
“É a média do que é praticado por lá. Chegamos ontem e ficamos até sábado, vamos conhecer Pipa e o litoral norte”, detalha a turista.

Num cenário bem diferente de alguns meses, quando alguns quiosques estavam até fechados pela falta de gente na praia, entre um prato e outro na cozinha, Francinete conta que o movimento após o mês de dezembro cresceu cerca de 80%.
“Principalmente depois dos shows noturnos. Ano passado também tivemos, mas não foi a mesma coisa”, comemora.

Mas nem todos estão tão otimistas. Alguns comerciantes estão preocupados com a PPP (Parceria Público-Privada) que a Prefeitura do Natal anunciou, mas não explicou. A informação já foi confirmada pelo secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae), Arthur Dutra. Porém, não estão definidos que tipos de equipamentos poderiam passar por uma PPP, como os banheiros e quiosques do calçadão, por exemplo.
“Nós nos juntamos e pagamos uma pessoa para fazer a limpeza. Essa parceria poderia melhorar isso e a limpeza da praia, sei que a Urbana passa, mas não é o suficiente”, avalia Matheus Felipe, garçom.

“Como vamos pagar por algo que mal dá dinheiro?”, questiona Clenilza Lima, proprietária de um quiosque.
“Eu sou contra. O movimento só melhorou porque o mar avançou e deixou a praia mais parecida com o que ela era antes. Mas, já tão dizendo que vão trazer a draga para acabar com tudo de novo. Querem privatizar a praia? Isso não existe! Querem cobrar mais e ficam direto no nosso pé cheios de exigências. Sou contra, não dão condições para a gente trabalhar, o mar ainda está cheio de pedras e a areia é muito quente”, desabafa.
A obra
Segundo o planejamento apresentado Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), a promessa era alargar a faixa de areia da praia em até 100 metros, na maré baixa, e 50 metros, na maré alta, apesar dos alagamentos vistos em toda a faixa de areia em alguns trechos. A engorda da praia de Ponta Negra custou cerca de R$ 100 milhões.
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Fonte: saibamais.jor.br




