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Governo do RN homenageia atriz potiguar

A Casa de Cultura Popular de Acari, no Seridó potiguar, passa a carregar oficialmente o nome de Titina Medeiros, uma das maiores referências das artes cênicas do Rio Grande do Norte e do Brasil. O decreto que rebatiza o espaço como Palácio Titina Medeiros foi anunciado pela governadora Fátima Bezerra, em meio às homenagens e despedidas marcadas por forte comoção na terra natal da atriz.

O prédio que abriga a Casa de Cultura é a antiga Escola Estadual Tomaz de Araújo, local profundamente ligado à trajetória de Titina. ”Foi ali que ela estudou, fez música, integrou a banda filarmônica e se apresentou artisticamente ainda jovem”, afirma o presidente da Fundação José Augusto (FJA), Gilson Matias. Também foi nesse espaço que o corpo da atriz foi velado em Acari, reforçando o simbolismo da escolha.

Para Gilson Matias, a mudança do nome vai além de uma homenagem individual. “Nomear a Casa de Cultura Popular de Acari como Palácio Titina Medeiros não é só uma homenagem à artista, mas à cidade, e também uma forma de eternizá-la”, afirmou. Segundo ele, o reconhecimento também valoriza o município e a rede de equipamentos culturais do estado.

Acari integra a rede das 29 Casas de Cultura Popular do Rio Grande do Norte, consideradas referências como aparelhos culturais regionais. De acordo com levantamento da Fundação José Augusto, somente em 2024 mais de 73 mil pessoas frequentaram esses espaços, que receberam milhares de espetáculos, exposições e atividades artísticas ao longo do ano.

As Casas de Cultura contam com auditórios, espaços multiuso, salas de leitura com acervo de autores potiguares, salas de exposição e áreas destinadas à fruição artística. Há uma programação permanente, com exposições que se renovam a cada quatro meses, reunindo obras do acervo da Pinacoteca do Estado e de artistas locais. Outro destaque é o projeto “Rimas Potiguares”, que reúne tocadores de viola e promove o diálogo com linguagens como poesia, cordel e hip hop.

Em Acari, além da programação artística, a Casa de Cultura preserva um acervo ligado à memória do antigo grupo escolar, com equipamentos, fotografias e materiais históricos. A partir de agora, a proposta é ampliar esse trabalho com a construção de um acervo dedicado à própria Titina Medeiros. “Tudo é muito recente, mas nós temos a obrigação de trabalhar a Casa de Cultura Popular de Acari e construir o acervo de Titina Medeiros junto à sua família, para outras gerações poderem conhecer sua história e se encantar com a cultura”, destacou Gilson Matias.

Durante a cerimônia de despedida, a governadora Fátima Bezerra ressaltou o valor humano, artístico e simbólico da atriz para o estado. Emocionada, ela lembrou a amizade construída ao longo dos anos e destacou a potência da trajetória de Titina. “Foi uma desbravadora, que abriu caminhos e levou o talento, a força e a identidade do nosso povo aos palcos nacionais e internacionais. Era raiz, autêntica e profundamente ligada ao Seridó e ao Rio Grande do Norte”, afirmou.

Titina Medeiros faleceu no último domingo (11), em Natal, vítima de câncer. Em sinal de reconhecimento, o Governo do Estado decretou luto oficial de três dias. O corpo da atriz percorreu um cortejo desde a capital até Acari, acompanhado por artistas e admiradores, em um trajeto marcado por aplausos e homenagens. Antes do sepultamento, foi celebrada missa na Basílica de Nossa Senhora da Guia, seguida de cortejo ao som da Banda Filarmônica Felinto Lúcio Dantas.

Com uma carreira marcada pelo teatro, pela música, pelo audiovisual e por atuações de destaque na televisão, Titina Medeiros construiu um legado que, segundo Gilson Matias, vai além da arte. “O maior legado deixado por Titina foi seu papel cidadão, sua disciplina e a forma coletiva como entendia o fazer cultural. Para ela, o sucesso precisava ser partilhado, o aplauso tinha que ser coletivizado”, afirmou. Ele lembra ainda que a atriz abriu portas para outros artistas potiguares ao levar o sotaque e a identidade do estado para o cinema e a TV nacionais.

Agora, o Palácio Titina Medeiros se consolida como espaço de memória, criação e resistência cultural, mantendo viva a história de uma artista que fez da arte um instrumento de cidadania e identidade para o povo do Rio Grande do Norte.

Fonte: saibamais.jor.br

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