O novo boletim de balneabilidade publicado pelo projeto Água Azul, neste fim de semana, revela mais do mesmo, após análise da qualidade da água de 51 trechos monitorados pelos técnicos do Idema, IFRN e Funcern, em praias, rios e lagoas da Grande Natal e de outras cidades do nosso litoral.
Pelos lados do litoral sul de Natal, a foz do rio Pirangi e o rio Pium mantêm cadeira cativa no ranking dos lugares com maior quantidade de coliformes “termotolerantes” encontrados nas águas desses recantos.
O nome pomposo substituiu o antigo nome, “fecais” e se trata da presença de bactérias, como a Escherichia coli, presentes em m—da) encontradas na água.
Em Natal, a praia da Redinha que sempre frequentava a lista saiu. Restou um único ponto contaminado, segundo os pesquisadores, na charmosa praia de Areia Preta, com seu paredão de edifícios de luxo habitados por gente fina e da sociedade.
A fossa a céu aberto se encontra exatamente no sopé da escadaria que dá acesso ao morro de Mãe Luíza.
Essa não é a primeira vez que esse ponto é condenado para o banho pelos técnicos do Água Azul.
Há anos que, mensalmente, o registro se repete, mas ninguém faz nada para resolver o problema, nem sequer identificar a causa dele. Será que faltam meios técnicos para tal ou se trata de falta de vontade para revelar o que todo mundo desconfia?…
Não sei se é o caso, mas tem sido frequente a descoberta de ligação clandestina da tubulação de esgoto de prédios residenciais, grandes empresas e empreendimentos de luxo ligados à rede de águas da chuva.
Essa prática é criminosa!… um flagrante desrespeito à cidade.
Já falei sobre isso várias vezes e continuarei a fazê-lo até que se alguém escute e decida enfrentar as forças ocultas e poderosas que se opõem à solução necessária para acabar com esse desrespeito.
Em Santos, litoral de São Paulo, conhecida por seus inúmeros canais, construídos para conter o avanço diário das marés sobre as áreas aterradas para abrigar edifícios, identificou-se o mesmo problema. Entrava prefeito, saía prefeito e nada era feito.
Foi preciso que um recifense assumisse a prefeitura da principal cidade do litoral de São Paulo, entre 1993/1996, para encarar a situação e resolvê-la.
David Capistrano Filho (1948/2000) era médico sanitarista e participou ativamente da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) que beneficia tantos brasileiros.
Foi dele a ideia de realizar uma ação simples e definitiva para despoluir os canais de Santos: despejar anilina em todos os banheiros dos apartamentos de um determinado prédio e dar descarga.
Assim foi feito em todos os prédios. Em cada um deles, foi despejada anilina de cores diferentes.
Dada a descarga nos banheiros, qual não foi a surpresa e o resultado, quando as águas dos canais de Santos se tornaram um verdadeiro arco-íris de variadas matizes.
Passo seguinte da ação da prefeitura foi lacrar todas as saídas de esgotos dos prédios que despejavam suas fezes e outros conteúdos diretamente nos canais da cidade.
Uma solução simples, barata e, sobretudo, corajosa, tomada pelo médico sanitarista que governou a cidade com os olhos voltados para os problemas de seu município, que pode muito bem ser copiada pelo prefeito de Natal.
O problema é que soluções como essas não interessam ou não fazem parte da agenda da prefeitura de Natal e de seus técnicos…Só as que envolvem milhões de reais.
Fonte: saibamais.jor.br




