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Moradores revelam preocupação durante audiência sobre futuro da praia de Ponta Negra

Os moradores do bairro de Ponta Negra estão preocupados com o futuro da praia que abriga o Morro do Careca, reconhecido como cartão postal da cidade. Nessa última quinta-feira (29) foi realizada a  2ª Audiência Pública do processo de elaboração do projeto de urbanização e paisagismo da orla da praia que deve ganhar novos contornos com a proposta da Prefeitura do Natal. O encontro, realizado na Associação dos Moradores dos Parques Residenciais Ponta Negra e Alagamar (Ampa) e conduzido pelo Grupo de Trabalho Nova Ponta Negra, sob coordenação da Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação (Sepae), foi a oportunidade dos moradores locais e grupos tradicionais, como os pescadores, questionarem o município sobre suas preocupações.

Eles colocaram o planejamento deles, a ideia deles sobre o paisagismo, como vai ficar a orla, mostraram vídeos, as letras estavam pequenas no telão, então ficamos mais ouvindo. Parece um projeto agradável, mas não falaram sobre coisas básicas como o saneamento e drenagem, tem que pensar na parte de baixo, se vai ter alagamento, como vai ser a manutenção”, explica Cristina Oliveira, que faz parte da gestão da Ampa e é membro do conselho comunitário da Zona Sul.

A engorda da praia de Ponta Negra foi concluída em 25 de janeiro de 2025. A drenagem havia sido um dos pontos cobrados pelo Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte) para liberar a licença ambiental da obra, mas a Prefeitura do Natal, ainda na gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), obteve uma decisão judicial obrigando o órgão ambiental a emitir o documento mesmo com as falhas no projeto, além de proibir a fiscalização do aterro hidráulico.

A preocupação da gente é com a manutenção do pós. Estive em Fortaleza e saiu até na televisão que evacuou esgoto no mar. Se lá isso aconteceu, imagine o que pode ocorrer em Ponta Negra, onde a drenagem não foi feita, onde fizeram a engorda primeiro. Nossa preocupação está nas coisas que vão fazer depois, na consequência do ‘modernismo’. Tem um cinturão de aquecimento no bairro e vemos a demolição de casas para a construção de edifícios. Ponta Negra pode virar um bairro com estrutura de cimento, vai mexer com a questão climática. Para manter cartão-postal, tem que manter naturalidade dele, sem a construção excessiva de prédios”, avalia Cristina, que mora no bairro desde a década de 1980.

Outros problemas relatados pelos moradores é a falta de estacionamento, problema que se agrava quando há a realização de grandes eventos, e o lixo deixado por dias nas calçadas.

Também há o problema dos ônibus. Quando cheguei em Ponta Negra era estrada de barro e passava um ônibus de hora em hora, hoje é a mesma coisa! Para pegar o Via Costeira espero 1h20 e isso se não atrasar ou quebrar. Também diminuíram a frota do 54. Voltamos à década de 1980! Também tem a questão dos assaltos, não temos de coragem de ficar numa parada dentro do conjunto porque passam de moto e levam as bolsas, temos que descer para a pista principal. E junto a isso tem ainda a questão da iluminação pública, que é precária”, elenca Cristina.

A Prefeitura do Natal ainda vai realizar uma terceira audiência pública como parte preparatória e obrigatória do projeto de requalificação da orla de Ponta Negra, que será desenvolvido por meio de concurso público nacional de arquitetura e urbanismo, conduzido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). A contratação do IAB foi concluída em dezembro de 2025 pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), responsável pelo apoio técnico-operacional ao certame.

A engorda

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), a promessa era alargar a faixa de areia da praia em até 100 metros, na maré baixa, e 50 metros, na maré alta, apesar dos alagamentos vistos em toda a faixa de areia em alguns trechos. A engorda da praia de Ponta Negra custou cerca de R$ 100 milhões.

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Fonte: saibamais.jor.br

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