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    Transcidadania qualifica pessoas trans e travestis com foco no mercado de trabalho

    A certificação da Turma Jacqueline Brasil do Programa Municipal Transcidadania 2025 reuniu 28 pessoas trans e travestis que concluíram o percurso formativo voltado à qualificação profissional, à permanência educacional e à inclusão social. A solenidade aconteceu no auditório do SESC Cidade Alta e integrou a programação alusiva ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro.

    Ao longo de 2025, os participantes passaram por um conjunto de ações formativas que resultaram na conclusão de sete cursos de capacitação em diferentes áreas, com foco na preparação para o mercado de trabalho e no fortalecimento da autonomia. A proposta do Transcidadania é enfrentar as barreiras históricas de acesso à educação e ao emprego formal vivenciadas pela população trans, oferecendo condições concretas para a inserção profissional.

    Durante o ciclo formativo, 28 pessoas foram qualificadas profissionalmente e concluíram o programa aptas a ingressar ou se reposicionar no mercado de trabalho. A certificação marca o encerramento dessa etapa e simboliza o reconhecimento de trajetórias construídas em meio a desafios sociais, econômicos e ao preconceito ainda presente no cotidiano.

    Entre os depoimentos, a formanda Stephany Victoria destacou o impacto direto da iniciativa em sua vida profissional. Segundo ela, o programa possibilitou acesso a múltiplas formações e abriu caminhos para a atuação no mercado.

    “Através do programa Transcidadania, hoje eu tenho cinco cursos de maquiadora. Já trabalho na área como maquiadora profissional. Também me ajudou a ter outros conhecimentos. Foram sete cursos de capacitações em diversas áreas, para que essas pessoas possam estar prontas, preparadas para o mercado de trabalho. A gente enfrenta muitos desafios e sabe que, infelizmente, os preconceitos ainda são grandes”, relatou.

    A coordenadora do Programa Transcidadania, Leila Maia, destacou o aspecto humano e transformador da experiência, reforçando o vínculo construído ao longo do percurso formativo:

    “Da mesma forma que acolhi, fui acolhida. Tenho muito orgulho de vocês. Nunca desistam dos seus sonhos. Vocês já mostraram que são capazes”, afirmou ela durante a cerimônia.

    O Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que apenas cerca de 25% das pessoas trans em idade ativa possuem vínculo formal de emprego, índice inferior ao da população geral. A desigualdade é ainda mais acentuada entre mulheres trans, cuja taxa de inserção no mercado formal não chega a 21%. No Nordeste, o cenário é mais crítico, a participação formal fica abaixo de 18%, refletindo a combinação entre discriminação, baixa escolarização forçada por exclusões históricas e menor oferta de políticas de inclusão.

    Além da certificação da edição 2025, já estão previstos novos avanços para o próximo ano. Segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SEMIDH), que coordena o programa, para 2026, a iniciativa será ampliada, com a inclusão de acompanhamento psicossocial para as bolsistas e a continuidade do foco na qualificação profissional. Também foi anunciado o edital para a recomposição do Conselho LGBT de Natal, criado em 2019, fortalecendo os espaços de participação social e controle das políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+.

    A certificação da Turma Jaqueline Brazil reforça o papel do Transcidadania como uma política pública estruturante, voltada não apenas à formação técnica, mas à promoção da cidadania.

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    Fonte: saibamais.jor.br

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