Apesar do crescimento dos rumores sobre uma suposta desistência da governadora Fátima Bezerra (PT) de renunciar para concorrer ao Senado, o balão de ensaios de possíveis candidatos à eleição indireta para um eventual mandato-tampão até o final do ano, caso se confirme a vacância do cargo a partir de abril, ganha novos nomes diariamente. As especulações do momento envolvem o titular da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape), Guilherme Saldanha, que seria um “nome de consenso” na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN).
A possibilidade foi noticiada pelo jornal “Diário do RN”. De acordo com a reportagem, Guilherme seria visto como “um nome técnico”, que não representaria “uma ameaça” para o governo nem para a oposição nas eleições diretas de outubro de 2026. À Agência Saiba Mais, o secretário negou essa possibilidade, disse se tratar apenas de “especulações” e reafirmou que o nome da base governista para concorrer à eleição indireta é o do secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier.
“Não existe nada de concreto sobre o tema, são somente especulações. Fico feliz e honrado com a lembrança, mas nós do governo temos um nome [para a eleição indireta]: Cadu”, reforçou.
Além de Guilherme Saldanha, o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern) Roberto Serquiz e superintendente do Sebrae-RN Zeca Melo já tiveram seus nomes especulados pela imprensa como possíveis candidatos à eleição indireta, mas nenhum deles confirmou a intenção de disputar o cargo.
PT não abre mão do Governo do RN, diz Cadu Xavier
Em entrevista a uma rádio local, Cadu Xavier reafirmou que o PT não abrirá mão de seguir no comando do Governo do Estado, caso a governadora Fátima Bezerra renuncie de fato para concorrer ao Senado.
Diante do anúncio do vice-governador Walter Alves (MDB) confirmando que não assumirá o cargo após a saída da titular, os deputados estaduais deverão eleger, em votação aberta, um novo governador para concluir o mandato de Fátima Bezerra.
Cadu Xavier reforçou que o governo “trabalha fortemente” para obter a maioria necessária de 13 dos 24 deputados estaduais para assegurar a vitória na eleição indireta que, em se concretizando a renúncia da governadora e do vice, será realizada pela ALRN.
O pré-candidato petista disse que seria um “suicídio político” passar o governo para a mão da oposição durante o processo eleitoral, descartando a possibilidade do partido não disputar a eleição indireta.
“O presidente [da ALRN] Ezequiel Ferreira deu entrevista sobre como será [a eleição indireta], já colocou que o voto será aberto, isso é importante nessa estratégia política de conseguir a maioria de votos. Então, o nosso trabalho nesse momento é executar o plano que a gente traçou no ano passado, que é a governadora sair para disputar o Senado e eu ir para a disputa do governo junto com ela. Aí a gente forma a chapa com o vice-governador ou a vice-governadora e o segundo candidato ao Senado”, comentou.
Ezequiel diz que ALRN definirá formato da eleição indireta, mas coloca em dúvida renúncia de Fátima
O presidente Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB) disse que a Procuradoria da ALRN está trabalhando na construção do projeto de lei que definirá o formato da eleição indireta. Ele adiantou que a votação, caso ocorra, será aberta.
“A eleição indireta só existe se houver vacância. Não houve vacância, nem ninguém tem a certeza que haverá. Nós temos a governadora que está na cadeira, ela pode se retirar para ser candidata a senadora. Na sequência, teria o vice-governador. Essa vacância só existe se a governadora sair e se o vice-governador sair”, ponderou o presidente da ALRN.
Ezequiel comentou que a ALRN só se manifestará se ocorrer de fato a vacância do cargo, colocando em dúvida a possível renúncia da governadora Fátima Bezerra.
Uma vez confirmado o cenário de vacância, o presidente explicou como funcionaria a eleição indireta na ALRN: “Nós teríamos como eleitores 24 deputados [estaduais], poderia ser candidato qualquer cidadão filiado a um partido que tenha mais de 35 anos de idade, com conduta ilibada, seria feita uma chapa de governador e de vice-governador, porque nós teríamos a vacância dupla e a eleição se daria com o voto aberto”.
Ezequiel também desconversou sobre a possibilidade de assumir o Governo do Estado caso se confirme a renúncia de Fátima e Walter. Terceira pessoa na linha sucessória, ele disse que a situação ainda é apenas uma “conjectura”, porque ainda não está confirmado se haverá ou não a dupla vacância.
“Assumir [o Governo do Estado] seria assumir para fazer a eleição [indireta]. Assumo eu ou assume o presidente do Tribunal de Justiça do rio Grande do Norte [TJRN]. Mas tudo isso, nós estamos em conjectura, porque não existe a [dupla] vacância ainda. Portanto, sem a vacância, não tem eleição [indireta]”, completou.
Fonte: saibamais.jor.br







