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    Jovem potiguar relata a rotina e os desafios na maior escola de cinema de Cuba

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    “Vai pra Cuba”? O potiguar Felipe Rocha, 27, foi. Formado em Audiovisual pela UFRN e mestre em Filosofia pela mesma universidade, Rocha vive no país caribenho desde setembro do ano passado e estuda na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV), uma das mais importantes instituições de formação em audiovisual do mundo. Na ilha, tem uma rotina repleta de aulas e atividades, mas também acompanha alguns dos problemas enfrentados pelo país vítima de embargo dos Estados Unidos.

    Rocha conta que sempre quis estudar na Escuela de Cine desde que a conheceu, em 2018. Tentou a seleção em três anos, até finalmente conseguir ser aprovado no ano passado por meio de uma bolsa do governo federal. A instituição nasceu em 1986 tendo o escritor Gabriel García Márquez como um dos criadores, com o apoio do então presidente Fidel Castro. 

    A instituição possui desde cursos mais curtos a mais longos, como o feito por Felipe, que deve concluir os estudos em 2028. Ele vai estudar um ano de polivalência, onde vê todas as áreas do cinema, e nos outros dois anos vai se especializar em direção de ficção. Ele diz que a rotina é intensa, com aulas de segunda à sexta, de manhã e de tarde, e eventualmente com tarefas nos finais de semana. Alguns dias, pela noite, os alunos também participam de projeções noturnas na sala Glauber Rocha, nome que homenageia o cineasta brasileiro.

    Foto: Arquivo pessoal

    “Tende a ser uma imersão muito intensa, porque você tem aula do mesmo conteúdo todos os dias o dia todo e acaba aprendendo bastante sobre cada função num curto período de tempo. Isso sempre vai orientado nos exercícios práticos. Por exemplo, agora eu estou indo para o exercício prático que encerra o semestre, onde todos os estudantes do primeiro ano do regular vão fazer um curta de 3 minutos, vão dirigir, e fazer várias outras funções nos outros. A ideia é que você possa experimentar todas as funções possíveis no cinema”, explica.

    O funcionamento da Escuela se assemelha a de um internato, já que os estudantes moram lá dentro em quartos próprios. As refeições são feitas no refeitório da instituição, que também dispõe de serviços médicos básicos. A EICTV foi desenhada para formar e capacitar profissionais de cinema, televisão e vídeo provenientes, majoritariamente, da América Latina e Caribe, África e Ásia, mas com o passar do tempo também se abriu a outras nacionalidades. 

    Foto: Arquivo pessoal

    Minha turma especificamente tem gente de Honduras, Guatemala, Costa Rica, Brasil, muitas nacionalidades diferentes, mas sobretudo concentrada na América Latina”, diz.

    A sede da EICTV fica próxima ao município de San Antonio de los Baños, a menos de 40 km da capital Havana.

    Uma das coisas que mais me chamou a atenção aqui foi a possibilidade desse intercâmbio cultural, de notar a diferença, mas sobretudo as semelhanças. Se fala muito dessa identidade coletiva da América Latina, mas experienciar na prática dá uma dimensão maior de como existe algo muito parecido pelo desenvolvimento de cada país, pelo processo de colonização, seja da Espanha, seja de Portugal”, conta Felipe Rocha.

    200 brasileiros vivem em Cuba, aponta relatório

    O realizador audiovisual diz que, ao final do curso, pretende voltar ao Brasil e fazer cinema em Natal. O relatório mais recente do Ministério das Relações Exteriores, de 2023, apontou que 200 brasileiros viviam em Cuba.

    “Eu tô aqui, mas ainda penso muito em meus projetos pessoais. As coisas que eu tenho escrito fora das aulas têm a ver com pensar Natal, a história de Natal. Por questões de trabalho não sei se planejo voltar imediatamente, mas quero voltar e também espero muito que com a oportunidade que eu estou tendo de estudar aqui, eu possa de alguma forma compartilhar o conhecimento adquirido, da forma que for possível, em Natal, que eu acho que está num momento relativamente bom para o cinema, mas que ainda tem muita coisa para desenvolver, e quero muito fazer parte desse desenvolvimento também”, aponta.

    Felipe Roca (o primeiro da esquerda) durante as atividades realizadas na escola de cinema – Foto: Arquivo pessoal

    Tensão com os EUA

    Cuba tem sofrido pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que serão impostas tarifas sobre as importações de países que fornecem petróleo a Cuba. O país vive atualmente com apagões constantes, resultantes não só do bloqueio imposto pelos EUA que impede a ilha de importar petróleo de outros países, mas do embargo americano que já acontece há mais de seis décadas. 

    Na EICT, os alunos também sentem os efeitos da crise energética, ainda que em menor grau. Aos finais de semana, os estudantes podem pegar ônibus para ir para o centro de San Antonio de los Baños ou Havana — esse transporte ficou em falta durante uma das semanas, mas depois voltou. 

    E aqui a gente também usa o petróleo para um gerador que alimenta a escola quando tem os apagões de energia, então é uma realidade bem diferente e eu diria privilegiada em relação à maioria da população cubana. Eu ainda não saí da escola [no semestre atual], que foi algo que eu fiz bastante no semestre passado, mas já me disseram que está um pouco mais difícil de conseguir táxi para poder sair da escola, de fazer certas coisas, justamente por causa dessa limitação. Está uma situação bem incerta de qual vai ser o futuro disso”, diz.

    Fonte: saibamais.jor.br

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