Um dos grandes destaques do filme “O Agente Secreto” (2025), dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo ator Wagner Moura, a atriz potiguar Tânia Maria, 78 anos, voltou a arrebatar a crítica internacional pela sua atuação no longa de ficção científica “Yellow Cake”, do diretor Tiago Melo, lançado na dia 2 de fevereiro, no Festival de Roterdã, na Holanda.
A revista Variety, uma das principais publicações de entretenimento dos Estados Unidos (EUA), classificou como “encantadora” a interpretação da artesã seridoense que estreou nas telonas aos 72 anos como figurante em “Bacurau” (2019), dirigido pelo mesmo Kleber Mendonça Filho.
“Os fãs de Tânia Maria, revelação de ‘O Agente Secreto’, não precisarão esperar muito para ver outra atuação encantadora da estrela brasileira de 78 anos. Maria tem um papel de destaque em ‘Yellow Cake’, de Tiago Melo, exibido na prestigiada Competição Tiger do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam”, escreveu a revista.
A Variety foi a primeira publicação a destacar a atuação de Tânia Maria em “O Agente Secreto”, no qual interpreta a personagem Dona Sebastiana, uma das lideranças de um prédio em Recife (PE), onde funcionava um “aparelho” que abrigava dissidentes da ditadura militar brasileira na década de 1970, entre os quais o professor universitário Marcelo, personagem de Wagner Moura.
Em setembro do ano passado, a revista chegou a citar a potiguar entre as cotadas para a indicação ao Oscar 2026 de “Melhor Atriz Coadjuvante”, ao lado de estrelas como Emma Stone (Bugonia), Kate Hudson (Song Sung Blue) e Samantha Morton (Anemone).
Em seguida, ela foi novamente citada entre as possíveis indicadas à premiação, dessa vez pela “The Hollywood Reporter”. A indicação acabou não acontecendo, mas isso não diminuiu o reconhecimento internacional de Tânia Maria.
Saiba Mais: Tânia Maria: a artesã potiguar que costurou seu destino no cinema e é cotada ao Oscar
Deu no New York Times: “novo ícone do cinema brasileiro”
Ela foi destaque duas vezes no jornal “The New York Times”, que a incluiu na lista em sua lista dedicada às “atuações loucas e inesperadas do ano”, na categoria “Melhor Atuação com um Cigarro” de 2025.
“No meio de ‘O Agente Secreto’, há uma cena de rua à luz do dia, e essa mulher simplesmente entra no quadro e quase se aproxima da câmera. Enquanto ela está ali parada esperando, você pensa: ‘Espero que este filme saiba que deveria ser mais sobre essa pessoa’. Ela é uma verdadeira dama, mas é única, glamourosa em um vestido de casa com estampa botânica e óculos escuros”, escreveu o jornal.
Em janeiro desse ano, ela foi tema de uma reportagem especial, com destaque na capa da edição impressa e no site, intitulada “Tânia Maria é o novo ícone do cinema brasileiro”.
Na reportagem, a atriz que vem conquistando a simpatia mundial é definida “como um abraço” pela apresentadora de televisão e comentarista de filmes Aline Diniz. “Todos nós já conhecemos uma Tânia Maria nas nossas vidas aqui”, afirma ela ao jornal.
Já Kleber Mendonça Filho afirmou ao jornal que Tânia, apesar de não ter formação, “é uma grande atriz”, além de ser “direta, firme e, ao mesmo tempo, bem-humorada”. “Ela me lembra todas as senhoras mais velhas que já conheci”, disse o diretor.
Atuação de Tânia Maria é “maravilhosamente excêntrica”, afirma crítico de cinema

“Yellow Cake”, o novo filme que conta com a presença de Tânia Maria, é ambientado em Picuí (PB). O longa narra a história da personagem Rúbia Ribeiro, vivida pela atriz Rejane Faria, uma cientista nuclear envolvida em um projeto secreto que usa urânio extraído da região para erradicar o mosquito da dengue.
A exploração ilegal desses minérios passa a impactar diretamente a população local, alimentando histórias de contaminação, mutações e lendas populares que se espalham pelo município.
Além de Tânia e Rejane, o elenco conta com Valmir do Côco, Severino Dadá, Spencer Callahan e Wolfgang Pannek. A atriz potiguar foi apontada como um dos destaques da obra nas primeiras críticas publicadas na imprensa internacional.
O crítico Matthew Joseph Jenner, em resenha escrita para o site International Cinephile Society, comentou que “Yellow Cake mergulha fundo no interior do Brasil, explorando uma das muitas comunidades que raramente vemos representadas nas telas”.
Matthew chamou Tânia Maria de “estrela revelação”, dizendo que em “Yellow Cake” ela fazia “mais uma atuação maravilhosamente excêntrica que rouba a cena”.
Outra que se rendeu à atuação de Tânia Maria foi a crítica Carmen Gray o site. Em texto publicado pelo site “The Film Veredict”, ela também disse que o trabalho da atriz potiguar é de “roubar a cena”.
Atriz por acaso

Em setembro do ano passado, logo após sem citada como possível indicada ao Oscar 2026, Tânia Maria narrou à Agência Saiba Mais como se deu sua inusitada estreia nas telonas.
Nascida no povoado de Santo Antônio da Cobra, no município de Parelhas, na região Seridó do Rio Grande do Norte, Tânia nunca pensou em ser atriz nem nunca tinha ido ao cinema antes de estrear como figurante em “Bacurau”.
Ela foi descoberta “por acaso” em 2018. Jácylla Kenya, neta única de Tânia Maria, contou que a produção do filme marcou uma reunião em sua casa para explicar como seria a participação das crianças da comunidade no longa.
Tânia estava costurando quando escutou a conversa que acontecia na sala da sua casa. Curiosa, foi ver quem era aquele povo diferente. Ao aparecer na porta, cumprimentou os visitantes com um “boa noite”.
A fala sucinta foi suficiente para cativar Renata Roberta, produtora de elenco de “Bacurau”: “É dela que estou precisando”, disse. Tânia aceitou ser figurante ganhando uma diária de R$ 50,00. “Eu achei bom demais”, confessou a atriz.
Kleber Mendonça filho contou que Tânia seria apenas figurante no filme, mas o diretor ficou tão impressionado que sugeriu dar uma fala a ela. “Que roupa é essa, menino?”, única fala dela no longa, ficou marcada como uma das mais emblemáticas de “Bacurau”.
Desde então, Tânia nunca mais saiu do “radar” de Kleber Mendonça Filho, que não pensou duas vezes antes de convidá-la para “O Agente Secreto”.
O sucesso de “O Agente Secreto”, ganhador do Globo de Ouro nas categorias de “Melhor Filme em Língua Estrangeira” e “Melhor Ator em Filme Dramático” para Wagner Moura, impulsionou a popularidade de Tânia Maria. De repente, a artesã de um pequeno distrito rural do interior potiguar virou uma estrela mundial do cinema.
A primeira reação de Tânia Maria quando figurou como possível indicada ao Oscar 2026 foi de espanto: “Não sei nem o que é Oscar”, disse ela.
Depois, mais familiarizada com a ideia, revelou que seu sonho era ir a Hollywood. “Botei isso na cabeça. Eu quero ir, eu vou”, declarou, contando que ela mesma costuraria o vestido vermelho que pretendia usar na noite do prêmio.
Tânia, para tristeza dos seus milhares de fãs, terminou não sendo confirmada à indicação de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O filme, no entanto, recebeu três indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Elenco.
Não se sabe ainda se Tânia Maria irá ou não à cerimônia do Oscar 2026 com o elenco de “O Agente Secreto”, mas, se depender da torcida dos brasileiros, em especial dos potiguares, certamente a veremos passar pelo tapete vermelho do Teatro Dolby, em Los Angeles, no próximo dia 15 de março, quando conheceremos os vencedores da maior premiação do cinema mundial.
Fonte: saibamais.jor.br







