O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o empréstimo de R$ 280 milhões para a multinacional brasileira WEG construir a maior fábrica do Brasil de sistemas de armazenamento de energia em bateria, tecnologia conhecida como Bess, da sigla em inglês Battery Energy Storage System.
A fábrica ficará em Itajaí, Santa Catarina, e deve criar 90 postos de trabalho. De acordo com comunicados da empresa e do BNDES, as obras começarão “em breve” e têm conclusão prevista para o segundo semestre de 2027.
O Bess é considerado estratégico para a transição energética por permitir mais eficiência no aproveitamento de energia vinda de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e solar, uma vez que o sol e o vento dependem das condições atmosféricas.
Esses sistemas de armazenamento de energia em bateria servem para guardar energia elétrica e liberá-la quando necessário. Dessa forma, ajudam a estabilizar as redes elétricas.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Solução para curtailment
Um dos atributos do sistema é reduzir perdas associadas ao chamado curtailment, redução ou interrupção forçadas na geração de energia limpa, determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME).
O governo trabalha com a ideia de Leilão de Reserva de Capacidade, quando empresas poderão fornecer Bess ao sistema elétrico. Uma consulta pública foi aberta no fim de janeiro e está prevista para terminar no próximo dia 11.
Fomento
O empréstimo à WEG faz parte do programa BNDES Mais Inovação, que direciona recursos para iniciativas voltadas à inovação e digitalização.
A WEG, especializada em equipamentos eletroeletrônicos, como motores, geradores e transformadores, obteve acesso ao recurso por meio de um edital específico direcionado à transformação de minerais estratégicos para transição energética e descarbonização.
Na fabricação do Bess há aproveitamento do lítio, um mineral estratégico, tido como protagonista na transição energética.
Apesar de ter havido a aprovação do financiamento, a operação ainda não foi contratada, de forma não ser possível informar o custo do empréstimo.
Transição energética
A nova fábrica ampliará a capacidade produtiva da WEG para até 2 gigawatt-hora (GWh), equivalente a 400 sistemas de 5 megawatt-hora (MWh), unidades de energia.
A planta prevê grande grau de automação, inclusive com movimentações internas sendo realizadas por robôs móveis autônomos.
O financiamento engloba também um laboratório de testes e desenvolvimento.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, considera que o financiamento contribui “para reforçar a segurança energética, ampliar a resiliência da rede elétrica e a expansão das fontes renováveis”.
A transição energética para uma economia menos movida a combustíveis fósseis, causadores do aquecimento global, é um dos caminhos traçados por especialistas, ativistas e autoridades como um freio às mudanças climáticas.
O presidente da WEG, Alberto Kuba, enfatiza a presença do Brasil no cenário de transição energética.
“Trata-se de um investimento alinhado com o objetivo estratégico de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de transição energética, mitigando riscos e fortalecendo a presença nacional nesse segmento em expansão”, afirmou.
Fundada em 1961, a WEG mantém operações industriais em 18 países e tem mais de 49 mil colaboradores. Em 2024, 57% do faturamento de R$ 38 bilhões da empresa foram provenientes das vendas fora do Brasil.
Ao assinar o decreto que institui o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (4) que o combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra a mulher deve ser responsabilidade da sociedade, mas sobretudo dos homens.
“Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões. Cada homem desse país tem uma missão a cumprir”, disse, durante cerimônia no Palácio do Planalto.
O pacto prevê atuações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil. A novidade, segundo Lula, é que, pela primeira vez, estão assumido que a responsabilidade na luta pela defesa da mulher não é só da mulher.
“Para o movimento sindical brasileiro, estamos dizendo que este é um tema de porta de fábrica e de assembleia de trabalhadores. O que estamos dizendo para deputados e deputadas é que esse é um tema para todos os seus discursos.”
“Estamos tentando conscientizar crianças, porque é dever dos nossos professores e professoras porque é um tema que vai da creche à universidade. Esta é a possibilidade de criarmos uma nova civilização. Uma civilização na qual não é o sexo o que faz a diferença, mas o comportamento o respeito”, completou.
Em sua fala, o presidente lembrou que o ambiente doméstico é palco constante de violência contra mulheres e de feminicídio. “[Elas] Morrem pelas mãos de atuais ou ex-maridos e ex-namorados, mas também pelas mãos de desconhecidos que cruzam o seu caminho”.
“Morrem por causa de homens que não aceitam ser chefiados por mulheres. Para esses, é preciso dizer em alto e bom som: as mulheres estão conquistando cada vez mais espaços de liderança no mercado de trabalho e vão conquistar ainda mais. Por justiça e por merecimento. Lugar da mulher é onde ela quiser estar”, concluiu.
A cerimônia foi aberta pela primeira dama Janja da Silva. Ela leu uma história narrada por uma mulher vítima da agressão de um namorado, espancada em público, mas que não conseguiu a ajuda de pessoas que testemunharam a agressão.
“Essa história poderia ser minha ou de qualquer mulher aqui presente”, disse a primeira dama ao pedir que os homens também fiquem ao lado das mulheres vítimas de agressão, quando se depararem com esse tipo de situação.
“Temos todos o compromisso de tornar uma sociedade em que as mulheres podem viver em paz. Queremos vocês, homens, nessa luta, ao nosso lado”, acrescentou.
Na sequência, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, destacou que essa é uma pauta prioritária para o governo, em diferentes áreas. Sobre a campanha estratégica lançada durante o evento, a ministra destacou que ela será de utilidade pública para a sociedade, e que o Conselho da Federação servirá para “engajar e ter a adesão de estados e municípios nesta causa”.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Judiciário e Legislativo
O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu que as mudanças não fiquem limitadas à letra fria da lei. “É preciso agir em várias frentes para prevenir, responsabilizar e proteger [as mulheres]”, disse.
“A mudança na lei é importante, mas não é suficiente. A mudança na lei deve estar acompanhada de uma mudança de mentes e corações no Estado, na sociedade, e o mais importante: nas famílias. Essa mudança começa quando começamos a agir”, acrescentou.
Segundo Fachin, o Poder Judiciário assinou este pacto “com senso de urgência e sentimento de esperança, se comprometendo integralmente com a iniciativa”. “A verdadeira paz não nasce do medo e do silêncio, mas floresce quando há proteção, liberdade e dignidade”, concluiu.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, lembrou que o Brasil fechou o ano de 2025 com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
“É inconcebível que nós permitamos que esses números continuem a acontecer. Essa ação [prevista pelo pacto] é inadiável”, disse ele ao afirmar que o Legislativo atuará visando o endurecimento das leis, no sentido de punir “quem agir dessa forma, seja na violência contra mulher”.
“Conte com nossa prioridade nessa agenda, para mudarmos essa realidade, concluiu.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que as instituições brasileiras estão unidas em propósitos como este. “O feminicídio não é apenas uma estatística, mas uma chaga aberta na sociedade brasileira”, que precisa ser tratado como problema de Estado, e não de governo.
“[O feminicídio] é o lado mais cruel de uma violência que atravessa, todos os dias, a vida de milhares. E o pacto é, antes de tudo, um compromisso entre as instituições; e uma declaração de responsabilidade do Estado brasileiro, que reafirma um de seus deveres fundamentais, ao combater o feminicídio com o máximo rigor; com prioridade absoluta; e com ação permanente”, discursou.
Entenda o Pacto
Entre os objetivos do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio está acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade.
O acordo envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
O pacto também prevê a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
Organograma da propina da “Matemática de Mossoró”. Foto: Reprodução
A Operação Mederi, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), além de causar um estrago político, provocou também uma mudança de discurso do pré-candidato a governador e prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). Ele havia declarado anteriormente que “tinha o controle de todas os gastos do município”, mas em declarações mais recentes dadas pós-operação, transferiu a responsabilidade para os seus secretários afirmando que eles são os verdadeiros ordenadores de despesas. Em 13 de novembro de 2025, pouco mais de dois meses antes da operação, em entrevista à rádio 98 FM Natal, Allyson afirmou que tinha controle sobre todos os gastos da Prefeitura de Mossoró. “Eu tenho controle de todos os gastos, não existe esse negócio de ‘banda voou não’, não existe esse negócio de ‘Casa da Mãe Joana’. Tem controle”, declarou à época o prefeito, que foi um dos alvos dos 35 mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF em cinco municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró.
Um dia depois da deflagração da operação, que teve como objetivo desarticular um esquema criminoso voltado de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde, Allyson Bezerra mudou o tom do discurso em entrevista à Rádio 96 FM Natal. Na ocasião, além de se defender das acusações de recebimento de propina, Allyson Bezerra transferiu aos secretários municipais a responsabilidade pelo ordenamento das despesas da Prefeitura de Mossoró. “Quando eu cheguei na Prefeitura de Mossoró, o prefeito era ordenador de tudo que se imaginava de despesas. Era o prefeito quem licitava, pagava e fazia os contratos. Eu, no mês de agosto de 2021, aprovei na Câmara Municipal uma lei colocando os meus secretários para serem ordenadores de despesa. Eu tirei de mim, da minha responsabilidade, do meu querer e da minha caneta atos de licitação, contratação e pagamento. Tudo é com os secretários da Prefeitura de Mossoró. Essa é a ‘Matemática de Mossoró’”, justificou-se.
O prefeito disse que falaria apenas por ele, não “por terceiros”, assegurando que nunca recebeu nem solicitou nenhum “tipo de valor” nem manteve nenhum “tipo de diálogo com essas pessoas envolvendo esse tipo de contrato, de benefício pessoal dentro da Prefeitura de Mossoró”. “Nunca solicitei para que ninguém ligado a mim fosse ter esse tipo de contato, esse tipo de conversa”, reiterou.
A “Matemática de Mossoró”
Organograma da propina da “Matemática de Mossoró”. Foto: Reprodução
“Matemática de Mossoró” foi a expressão usada pela Polícia Federal no âmbito da Operação Mederi para descrever o suposto esquema de corrupção e desvio de recursos públicos da saúde na Prefeitura de Mossoró, que teria como um de seus beneficiários, segundo as investigações, o próprio prefeito Allyson Bezerra. O termo refere-se especificamente a um percentual de 15% de propina que seria cobrado da empresa Dismed, pivô do esquema desarticulado pela PF e pela AGU, para facilitar os pagamentos dos contratos de fornecimento de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.
O modus operandi da propina foi revelada através de uma escuta ambiental instalada pela Polícia Federal no escritório da Dismed. Nas conversas gravadas, o sócio da Dismed, o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa, explica a um interlocutor como funcionava a “Matemática de Mossoró”.
A Prefeitura de Mossoró, segundo a transcrição da conversa que consta na decisão judicial que autorizou a operação, havia emitido uma ordem de compra de medicamentos no valor de R$ 400 mil. No entanto, a empresa entregou apenas o equivalente a R$ 200 mil. A diferença seria distribuída entre os participantes do esquema.
Allyson receberia repasse de R$ 60 mil, segundo investigações da PF
Allyson Bezerra com empresário Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed. Foto: Reprodução Redes Sociais
O prefeito Allyson Bezerra, ainda de acordo com as interceptações, receberia um repasse de R$ 60 mil, equivalente a 15% do contrato da Prefeitura de Mossoró com a Dismed. “Olhe, Mossoró, eu estudando aqui como é a Matemática de Mossoró. Tem uma ordem de compra de R$ 400 mil. Desses 400, ele entrega R$ 200 mil. Tudo a preço de custo. Dos 200, ele vai e pega 30%. Então, aqui ele comeu R$ 60 mil. Fica R$ 140 mil. Ele ganha R$ 70 mil e R$ 60 mil é meu. Dos R$ 130 mil, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Ficou só R$ 30 mil pra empresa”, diz o sócio da Dismed em um dos diálogos obtidos pela PF.
A PF não identificou quem seria Fátima citada na conversa, mas as apurações apontam para uma funcionária da Prefeitura de Mossoró.
Prefeitura de Mossoró pagou R$ 13,5 milhões à Dismed entre 2021 e 2025
Sede da Dismed em Mossoró. Reprodução/Google Street View.
Entre 2021 e 2025, a empresa pivô do suposto esquema recebeu cerca de R$ 13,5 milhões em contratos de venda de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.
“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, afirmou a PF ao justificar o pedido de busca e apreensão contra o prefeito Allyson Bezerra.
Durante a operação, foram apreendidos na casa do prefeito, em um condomínio de luxo em Mossoró, um celular, um laptop e HDs externos.
A suspeita do pagamento de propina exposta nas escutas, segundo a Polícia Federal, é reforçada pela proximidade entre o sócio da Dismed e o prefeito Allyson Bezerra.
A PF cita em seu relatório que os dois mantêm uma “proximidade política” e usa como exemplo uma foto publicada nas redes sociais.
“Durante a captação ambiental, seu nome foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe acerca de esquemas de pagamentos de propina envolvendo contratos com a prefeitura de Mossoró”, registra a PF em trecho do relatório da Operação Mederi.
Além de Mossoró, as fraudes também teriam ocorrido nos municípios potiguares de José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Foram cumpridos, ainda, mandados em Natal e Upanema.
O que dizem as defesas dos investigados
A defesa da Dismed e de Oseas, em nota, afirmou que está “confiante de que o esclarecimento técnico e documental demonstrará a inexistência de qualquer conduta criminosa”.
No dia da operação, o prefeito mossoroense publicou um vídeo se defendendo das acusações nas redes sociais. Allyson Bezerra tentou politizar a investigação, atribuindo a ação ao fato de ser pré-candidato a governador.
“Agora, ano eleitoral e em que o nome da gente aparece na primeira posição, nosso nome foi citado e houve essa investigação. Vou enfrentar com muita fé, coragem e integridade de entregar tudo o que me for solicitado. Faço questão de que toda investigação seja conduzida com total rigor da lei. Confio na Justiça”, disse, sem, no entanto, falar sobre sua proximidade com o sócio da empresa citada como pivô do suposto esquema.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) vai recorrer da decisão monocrática do desembargador Saraiva Sobrinho, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), que derrubou a decisão de primeira instância da 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, que suspendia a concessão de novas licenças urbanísticas e alvarás de construção na Via Costeira de Natal com base na Lei Municipal nº 7.801/2024, responsável por definir as Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs).
Em entrevista à Agência SAIBA MAIS na tarde deste terça (03), a Promotora de Justiça Rachel Medeiros Germano explicou que a lei foi enviada pelo Executivo e aprovada pela Câmara Municipal de Natal sem discussão, estudos ambientais e em regime de urgência. A Ação Civil Pública do MPRN que questiona a metodologia utilizada na aprovação da lei foi iniciada no final de 2024, quando a instituição recebeu uma provocação da sociedade civil e do Observatório do Direito à Cidade Sustentável, Justa e Democrática (ObCiD).
“Recebemos a representação da sociedade civil, ouvimos a academia, também fizemos diligência junto à Semurb [Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo], vieram as respostas e, diante do que conseguimos colher, escolhemos tentar a impugnação via ação judicial do procedimento. Entendemos que a questão também é de mérito e deve ser refutada, mas entendemos que se a questão procedimental fosse corrigida, essas questões de fundo poderiam ser rediscutidas. Não houve um processo participativo, como tem que ser no caso de toda lei urbanística, isso está implícito e explícito na Constituição e no Estatuto da Cidade. Também não houve estudos técnicos necessários para pautar essas discussões”, aponta a Promotora de Justiça.
Numa votação relâmpago, com 1ª e 2ª discussões numa mesma sessão, a maioria dos vereadores de Natal aprovou no dia 28 de novembro de 2024 o projeto de lei que tratava do uso e ocupação das Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs).
“No processo democrático existe uma disputa de forças, isso é normal, natural, existe um caminho a ser percorrido e esse caminho é tão importante quanto o resultado que a gente vai obter e nesse caminho houve percalços. A lei tramitou em regime de urgência, pra quê? Qual a urgência que existe nessa regulamentação? Ao dizer que ia regulamentar, o município, e no final a Câmara, acabaram por mudar uma legislação que existia antes. Mudou parâmetros. Nós não exploramos a mudança dos parâmetros porque a gente explorou a questão procedimental”, explica Rachel Germano.
Dentre as principais mudanças, está a permissão de ocupação da Via Costeira e a construção de prédios de até 30 metros na Redinha (antes o limite era 7,5 metros, o equivalente a dois pavimentos). O alvo da ação do MPRN é não apenas a Via Costeira, mas as cinco áreas das AEITPs.
“O nosso pedido de suspensão dos efeitos dessa lei, que foi um dos pedidos da liminar, não quer dizer que nada possa ser feito nessas áreas, mas que a regulamentação anterior fosse utilizada para pautar uma eventual intervenção. São as cinco áreas de interesse: Ponta Negra, Via Costeira, área central – Praia do Meio, de Miami, dos Artistas, do Forte e Areia Preta – chegando à Redinha, além de Guarapes, que é algo novo que ficou no limbo porque não há nenhum estudo comprovando a importância ambiental e paisagística para alçá-la a uma AEITP e também não existe esse interesse econômico em cima da área, por hora”, aponta.
A Promotora também questiona a iniciativa da Procuradoria-Geral do Estado, que tenta aprovar junto à Justiça estadual a mudança de alguns critérios para a conclusão de acordos para concessão de sete terrenos na Via Costeira de Natal a empresários. A justificativa é acabar com a insegurança jurídica dos processos de licenciamento, já que os documentos precisariam ser adaptados às regras do novo Plano Diretor de Natal.
“O MP entendeu que não existia legitimidade para aditivar essas concessões tão antigas sem abrir licitação, há tanto questões de direito do Patrimônio Público como questões ambientais. É interessante o poder público abrir a área para investimentos? Porque é uma área de intensa erosão costeira, qual o olhar que o município vai ter para aquela área? Essa erosão já foi mapeada e é de conhecimento geral. É algo que demanda cuidado. É uma área que já sofre degradação, assim como as edificações que lá existem. A ideia seria edificar mais? Construir mais? Isso exigiria um debate público mais qualificado”, defende Germano.
No caso dos aditivos dos sete terrenos da Via Costeira, o MPRN atua apenas como Fiscal do Direito e não é parte no processo. Uma Ação do Ministério Público Federal do MPF centrada na Via Costeira questiona vários aspectos, desde procedimentos a conteúdo. Já a Ação do MPRN questiona apenas o procedimento adotado para aprovação da Lei Municipal nº 7.801/2024.
“Ao questionarmos o procedimento, o conteúdo será discutido porque terão que produzir estudos sobre a área elevar a sociedade civil para votar de novo porque entendemos que esse processo não foi legítimo”, critica Germano, que observa com preocupação os movimentos políticos para desregular legislações ambientais e torná-las mais permissivas.
“Temos observado que a legislação tem sofrido uma intensa modificação e não foi só a lei das AEITPs, temos outras questões aguardando diligências. Mas, asociedade civil está muito mobilizada e bate à porta do Ministério Público. Quando o Executivo está alinhado com o legislativo, consegue aprovar questões que nem sempre estão alinhadas com a boa técnica, com o que prevê a Constituição, os parâmetros nacionais das leis federais, mas acontece…”, avalia.
A expectativa é que o Ministério Público do RN recorra ao próprio TJRN, já que a decisão que suspendia a concessão de novas licenças urbanísticas e alvarás de construção na Via Costeira de Natal foi monocrática.
“Estamos, realmente, tendo uma produção da legislação urbanística e ambiental em Natal e temos que ficar atentos para averiguar a legalidade e legitimidade desse processo. Estamos sempre conversando com todo mundo. Recebemos os movimentos sociais, a academia, conversamos com os gestores. Se o empreendedor bater à nossa porta, nós estamos aqui para conversar, mas nós temos um compromisso com o que foi estabelecido na Constituição, no Estatuto da Cidade, no Código Florestal e outras legislações, que sofreram mais com uma votação açodada de uma lei que não poderia ter sido votada em regime de urgência. É o futuro da nossa cidade e estamos vivendo de incertezas com a emergência climática. O que já vimos num espaço de 30/ 40 anos foram mudanças muito bruscas que a Terra, que tem bilhões de anos. O que vemos como muito para a nossa vida não é nada para a vida do planeta. Na zona costeira isso é muito perceptível, ‘existia uma casa ali, não existe mais, o mar levou! Existia a ponta do Santo Cristo em São Miguel do Gostoso, não existe mais’. Isso é assustador, preciso estar atentos para a questão do equilíbrio e bem-estar porque quem vai sofrer mais somos nós, as pessoas. Os mais vulneráveis somos nós, a Terra vai sempre se adaptando, algumas espécies serão extintas, mas e nós, como iremos permanecer aqui? É uma questão muito complexa e as pessoas pensam muito no aqui e agora”, questiona a Promotora de Justiça.
A intenção do MPRN é que haja essa regulamentação constitucional, legal e legítima para todas as AEITPS.
“Precisamos investir? Precisamos, somos um estado pobre, mas em 2026 vamos investir onde e como? Isso tem que estar na pauta do setor produtivo, porque é importante, a economia tem que girar, as pessoas precisam ganhar dinheiro, etc, e como? Do mesmo jeito que sempre foi feito? Não está dando certo! Temos que fazer de uma maneira diferente, você não vai poder fazer a mesma coisa esperando resultado diferente. Temos que mudar nossos padrões pra que algo diferente e melhor seja obtido lá na frente como resultado”, avalia. Raquel.
Outros questionamentos
Em dezembro de 2025 o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para garantir a proteção das áreas de preservação permanente da Via Costeira de Natal. O objetivo era impedir que mudanças recentes nas leis e normas municipais e estaduais abrissem caminho para a ocupação desordenada e exigir a elaboração e a execução de um Plano de Proteção e Gestão Ambiental da Via Costeira de Natal.
A ação, movida contra o município de Natal, a Câmara Municipal de Natal, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN), questiona legislações de âmbito municipal e estadual que contrariam a legislação federal (como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica), além de licenças concedidas sem o devido respaldo ambiental e legal.
Para o MPF, os atos normativos aprovados nos últimos anos legislam sobre temas que não são de competência municipal ou estadual, contrariam legislações federais já estabelecidas e tramitaram sem respeitar exigências legais.
Entre as normas contestadas estão a íntegra ou trechos do Plano Diretor de Natal (Lei Complementar nº 208/2022); da Lei Municipal nº 7.801/2024; da Lei Estadual nº 12.079/2025; e da Instrução Normativa Municipal nº 002/2025-GS/Semurb. O MPF também aponta as alterações previstas no Projeto de Lei nº 662/2025, que altera a Lei Municipal nº 7.202/2021.
O MPF lembra que a Lei Municipal nº 7.801/2024 tramitou em regime de urgência e alterou as regras para construções nas chamadas Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITP), nas quais se insere a Via Costeira de Natal. A nova regra permite intervenções em terrenos atualmente vazios, localizados em áreas de preservação permanente e que deveriam permanecer ‘não edificáveis’ por sua importância ecológica.
A Via Costeira abrange mais de 1,3 milhão de metros quadrados, com aproximadamente 9 km de extensão entre as praias de Ponta Negra e Areia Preta. Apesar dessa área ser hoje ocupada, parcialmente, por hotéis e empreendimentos de turismo, há ainda diversos terrenos sem construções.
O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), renovou o pedido de licença do mandato. Ele está sem exercer o cargo desde 10 de dezembro.
Bacellar foi preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), em 3 de dezembro. O parlamentar teria vazado informações sigilosas sobre investigação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do Rio de Janeiro.
Mensagens interceptadaspelos investigadores fundamentaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para prender e afastar Bacellar da presidência da Alerj.
Bacellar ocupava o comando da Casa desde 2023. Nesse período, chegou a ocupar interinamente o cargo de governador na ausência do titular Cláudio Castro.
Cinco dias depois da prisão determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, o plenário da Alerj decidiu, por 42 votos a 21, pela soltura de Bacellar.
A decisão da Alerj está prevista na Constituição. Quando a Justiça decreta a prisão de um deputado federal ou estadual, a medida precisa ser ratificada pela respectiva Casa legislativa. Após a votação, Moraes expediu o mandado de soltura de Bacellar e determinou o uso de tornozeleira.
Primeiro pedido
No dia seguinte a soltura, Bacellar apresentou pedido de licença da Alerj por dez dias, até o início do recesso legislativo no estado, marcado para 19 de dezembro. A justificativa foi para resolver assuntos particulares.
O novo pedido de licença foi apresentado na volta do recesso, na última terça-feira (3), válida até 11 de fevereiro. Com o afastamento de Bacellar, a presidência da Alerj é ocupada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL).
Relembre o caso
A Operação Zargun prendeu, em setembro, o então deputado estadual TH Joias. TH tinha assumido uma vaga na Alerj como suplente, cargo que perdeu após a prisão com a volta ao cargo do deputado titular.
A prisão de Bacellar, em dezembro, aconteceu enquanto ele prestava depoimento na sede da PF. A comunicação interceptada pela PF mostra que, na noite antes de ser preso, TH Joias procurou Bacellar, a quem chamou de “01”. O então presidente da Alerj orientou TH a esconder objetos que poderiam servir de prova. Os dois também se falaram na manhã da operação, antes de TH ser detido.
Tornozeleira eletrônica
Por decisão do ministro Alexandre de Moares, Bacellar tem que usar tornozeleira eletrônica e obedecer a algumas restrições, como permanecer afastado da presidência da Alerj, recolhimento domiciliar das 19h às 6h de segunda a sexta-feira e nos finais de semana, feriados e dias de folga, proibição de se comunicar com outros investigados, suspensão de porte de arma e entrega de passaporte.
O caso de Bacellar foi para o STF por estar no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que investiga a atuação dos principais grupos criminosos violentos no estado.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal o bloqueio de R$ 1,2 bilhão da mineradora Vale, em duas ações ligadas a vazamentos de água e sedimentos ocorridos em janeiro nas minas de Viga e Fábrica, ambas na cidade mineira de Congonhas.
Os pedidos foram feitos em duas ações, uma para cada mina. No caso da mina de Fábrica, o bloqueio pedido foi de R$ 1 bilhão, sendo os outros R$ 200 milhões referentes ao acidente na mina de Viga.
Os vazamentos atingiram cursos d’água responsáveis por alimentar o rio Paraopeba, causando assoreamento de córregos e danos à vegetação, argumenta o MPF nas ações. A quantia bloqueada diz respeito a danos a serem reparados.
>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Falha
Para o MPF, houve “falha no controle da operação de estruturas de contenção de efluentes da mina”. De acordo com a acusação, reservatórios que deveriam servir para o controle do fluxo de água não possuíam sistemas de drenagem capazes de suportar chuvas fortes, contrariando as obrigações da mineradora na prevenção de extravasamentos.
“Além disso, a mineradora não comunicou o fato imediatamente às autoridades, o que contraria deveres legais de transparência e dificulta a resposta da Defesa Civil”, disse o MPF, em nota.
Os procuradores pediram, ainda, que a Vale seja obrigada a contratar uma auditoria técnica independente para acompanhar as obras necessárias para garantir a segurança das minas.
O MPF também quer que a mineradora produza rapidamente um relatório completo sobre a situação de estruturas semelhantes em todas as suas minas no estado de Minas Gerais.
Procurada, a Vale informou que “tomou conhecimento da ação do Ministério Público Federal referente ao extravasamento ocorrido na mina de Viga, em Congonhas (MG). A empresa já se manifestou nos autos e apresentará oportunamente a sua defesa dentro do prazo legal”.
Entenda
Os vazamentos nas minas de Viga e Fábrica, que ficam a cerca de 22 quilômetros uma da outra, ocorreram entre os dias 25 e 26 de janeiro.
No caso do rompimento de uma cava da mina de Fábrica, o material atravessou o dique Freitas e seguiu carreando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais, mas sem vítimas. Houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
O material levado pelo vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora – a CSN – provocando danos materiais. Depois, essa lama chegou ao rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
O rio Goiabeiras é afluente do rio Maranhão e este, por sua vez, deságua no Paraopeba, o mesmo que passa por Brumadinho e foi atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em 25 de janeiro de 2019, há sete anos.
As prévias e ensaios de blocos já começam a dar o tom do Carnaval 2026 em Natal. Antes mesmo da abertura oficial da festa, diferentes pontos da cidade passam a receber atividades que movimentam bairros, fortalecem a tradição do carnaval de rua e reafirmam o caráter popular da folia potiguar. Embora o calendário oficial da folia esteja marcado para o período de 13 a 17 de fevereiro em 2026, a cidade já respira o evento semanas antes, com uma agenda intensa de “esquentas” que mobilizam a cadeia produtiva da cultura e do turismo.
Confira a programação de ensaios e prévias que a Agência Saiba Mais reuniu:
03 de fevereiro (terça-feira)
🎉 BANDA DuGIBA A Banda DuGIBA integra o circuito de prévias carnavalescas de Natal com ensaio aberto no Centro Histórico. O grupo atua na cena musical local e, nesta apresentação, traz um repertório especial em homenagem a Rita Lee, antecipando o clima do carnaval com clássicos da música brasileira.
Ensaio da Banda DuGIBA Horário: a partir das 15h Local: Bar do Zé Reeira, Cidade Alta
04 de fevereiro (quarta-feira)
🎉 BLOCO CHAME GENTE O Bloco Chame Gente atua no carnaval de rua de Natal com forte ligação com o samba e as manifestações comunitárias da Vila de Ponta Negra. A agremiação aposta na ocupação das ruas como forma de celebração popular e fortalecimento da cultura local.
Prévia do Bloco Chame Gente Programação integrada ao Samba de Ponta Horário: a partir das 18h Local: em frente ao Bar da Lona, Vila de Ponta Negra Atração: roda de samba comandada por Dodora Cardoso Instagram: @chamegente_natal
🎉 BANDA INDEPENDENTE DA RIBEIRA
Ensaio único Local: Bar de Zé Reeira Horário: 19h
05 de fevereiro (quinta-feira)
🎉 BLOCO VERMELHO É A COR MAIS QUENTE Com uma proposta de folia rebelde, o Bloco Vermelho é a Cor Mais Quente entende a alegria como forma de resistência política e cultural. Atuando no Centro Histórico de Natal, o bloco transforma o carnaval em espaço de memória, luta e celebração coletiva, defendendo a cultura como território de disputa.
Saída do Bloco Vermelho é a Cor Mais Quente Horário: 19h30 Local: Bar do Zé Reeira, Centro Histórico Instagram: @festival_vermelho
06 de fevereiro (sexta-feira)
🎉 BLOCO POETAS, CARECAS, BRUXAS E LOBISOMENS Criado em 2005, o Bloco Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens é um dos mais tradicionais do carnaval de rua de Natal, com forte atuação em Ponta Negra. Conhecido pela irreverência e pela presença de personagens simbólicos, o bloco mistura música, crítica bem-humorada e ocupação do espaço urbano.
Ensaio aberto do Bloco Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens Atração: Black Birds – Tributo a Belchior Local: Figa Bar em Ponta Negra Instagram: @blocodospoetas
07 de fevereiro (sábado)
🎉 BLOCO AFF… MARIAS Fundado por mulheres, o Aff… Marias consolidou-se como um dos maiores blocos do carnaval de Natal. Com desfiles marcados por pautas ligadas à diversidade, ao protagonismo feminino e à liberdade, o bloco reúne grandes públicos e integra o circuito das principais prévias da capital.
🎉 Prévia Carnavalesca de Morro Branco Local: Espetinho do Venâncio Endereço: Rua Antônio Basílio, esquina com Xavier da Silveira Atrações: Bloco Carnavalesco Aff… Marias Banda de frevo Bloco Folia Potiguar de Rua Cordão Multicultural Burrinha Pintadinha e Jaraguá Instagram: @blocoaffmarias
🎉 Festa Patuscada – “Samba, suor e gela” Horário: 15h Local: Prainha da Via Costeira Ingressos: www.teialab.com Instagram: @sigapatuscada
🎉 BLOCO NEM SE ACABA, NEM FICA POUCO Conhecido por unir trio elétrico, cortejo e shows, o Bloco Nem Se Acaba, Nem Fica Pouco integra o circuito de grandes prévias carnavalescas de Natal, reunindo atrações locais e nacionais e ocupando espaços amplos da cidade.
Local: Aeroclube do RN Abertura do percurso: Trio puxado por Vivi Nascimento Instagram: @nemacabanempouco
🎉 BLOCO O SUVACO DO CARECA O Bloco O Suvaco do Careca integra o circuito de prévias carnavalescas de Natal com atividades abertas ao público, apostando em concentração em espaços de grande circulação e no clima de carnaval popular antecipado.
Prévia do Bloco O Naco do Careca Horário: a partir das 16h Local: Praia Shopping Instagram: @blocosuvacodocareca
08 de fevereiro (domingo)
🎉 BLOCO SASSARICO O Bloco Sassarico é uma agremiação comunitária que se destaca por valorizar as tradições genuínas do Carnaval. Com compositores próprios e um repertório que mescla clássicos do frevo, como “Vassourinhas”, a obras de ícones como Caetano Veloso e Alceu Valença, o bloco promove o “hibridismo cultural”. Além de ser um espaço para todas as idades, o Sassarico investe na formação cultural das novas gerações e se engaja em causas sociais, na defesa do meio ambiente e no fortalecimento dos laços entre os moradores de Capim Macio.
Horário: concentração às 16h Local: Parque Ecológico de Capim Macio Atrações: Orquestra de Frevo (repertório de clássicos e compositores potiguares) e Compositores do Bloco (Hélder Girão, Beto Hugo e Otamir Porpino) Instagram: @blocosassariconocapim
🎉 FOLIA POTIGUAR DE RUA O Folia Potiguar de Rua atua na valorização do carnaval pé no chão, com ensaios abertos e participação direta dos foliões, reforçando o caráter popular do carnaval de rua em Natal.
Ensaio do Folia Potiguar de Rua Horário: 18h Local: Figa Bar em Ponta Negra Instagram: @foliaderuapotiguar
🎉 BLOCO DAS KENGAS Criado nos anos 1980, o Bloco das Kengas é um dos mais tradicionais do carnaval potiguar, conhecido pela irreverência, pelo humor e pela celebração da diversidade. A Feijoada das Kengas é um dos eventos mais emblemáticos do pré-carnaval de Natal, reunindo música, personagens históricos do bloco e público fiel.
Feijoada das Kengas 2026 Horário: a partir das 13h Local: Solar Bela Vista Atrações: Dodora Cardoso Rosas na Cartola Orquestra do Papão Gege Severo Instagram: @kengas_natalrn
10 de fevereiro (terça-feira)
🎉 BLOCO SE PARAR EU CAIO O Bloco Se Parar Eu Caio participa do pré-carnaval de Natal com edições temáticas e caráter festivo. Em 2026, o grupo presta homenagem a Cláudio Porpino e adota o ingresso solidário como forma de acesso à programação.
Os fãs e amigos do radialista Caby da Costa Lima poderão, em breve, matar um pouco da saudade do camaradinha, ao vê-lo no filme produzido em sua homenagem pela dupla Esdras Marchezan e Alice Lira Lima. Esdras é jornalista e documentarista, além de professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern), e dirige o documentário de curta metragem “Alô, Camaradinha”. Alice é também jornalista, filha de Caby, e assina o roteiro do filme, junto de Esdras.
A ideia para o filme, que deve ter suas primeiras exibições em março deste ano, começou a ser desenhada ainda em 2023, quando Esdras conheceu Alice e viu algo muito especial na relação dela com o pai, alguém que ele já pensava retratar em um novo trabalho.
“Desde que Caby nos deixou, fiquei pensando em como devemos contar e preservar a história de pessoas que tanto contribuíram com a nossa cidade. Ao conhecer Alice e sua história com Caby, percebi que o filme que eu queria fazer ia além do histórico. Era preciso contar a história do afeto”, explica. É nessa linha que o filme se desenvolve, com Alice tendo papel especial na narrativa sobre seu pai, figura emblemática e querida demais pelos mossoroenses.
Caby com Alice Lima I Foto: cedida
“Alô, Camaradinha” é o terceiro documentário de Esdras Marchezan. Produzido com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, com operacionalização da Secretaria de Cultura de Mossoró, o filme tem direção de Esdras, roteiro e argumento dele e Alice Lira Lima, produção executiva de Izaíra Thalita e Íntegra Comunicação, edição e montagem de Romero Oliveira, interpretação em libras de Daniel Guedes, e designer de João Azevedo, da LabCais.
Quem é Caby
Caby da Costa Lima se definia como publicitário, colunista, escritor e “cuspidor de microfone”. Filho de José Izídio Lima e de Maria Nazaré da Costa Lima, pai de Alice Marina e Marina Alice, Raimundo Nonato da Costa Lima, o Caby, nasceu aos 11 de maio de 1957, em Mossoró/RN, mas dizia, carinhosamente, ser de Patu-RN, em homenagem ao pai, que ficava orgulhoso quando ouvia tal declaração.
Tornou-se radialista por causa do futebol – dizem até que jogava bem. Aos 14 de julho de 1972, participou de um torneio da imprensa contra o time da indústria Fitema. Na ocasião, o comentarista esportivo Lupércio Luís de Azevedo perguntou se ele queria jogar no gol. Caby aceitou e, dessa partida, recebeu o convite para ingressar nos quadros da Rádio Tapuyo, como repórter suburbano.
Foto: cedida
A marca registrada de Caby era os tamancos que usava desde a juventude, em todas as ocasiões, fossem simples ou requintadas. “Quando você usa tamanco, você fica à vontade, você se solta, você tira o pé fácil e, de repente, está descalço”, justificava, embora tenha enfrentado problemas, como da vez em que foi barrado no Maracanã, no Rio de Janeiro, por causa da peça mais importante do seu figurino. Na época, tamanco era visto como arma nos estádios. Nas vezes seguintes, para driblar a fiscalização, o Camaradinha entrava de tênis e os trocava pelos tamancos assim que chegava à cabine de transmissão.
Enquanto narrador esportivo, transmitiu diversas partidas importantes de futebol, uma delas, a da classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 1994 (Brasil x Uruguai), pela Rádio Difusora em companhia do repórter Jota Régis. Dos eventos locais, lembrava com nostalgia, a disputa emocionante entre Baraúnas e Potiguar, em 1979.
Além de radialista, com passagem pelas rádios Tapuyo, Difusora, Libertadora, Resistência e Santa Clara, Caby da Costa Lima foi presidente de clube de futebol, o Potiguar, publicitário, escreveu para os jornais Gazeta do Oeste e o Mossoroense, e publicou vários livros. Sua longa trajetória editorial começa com O Mancha e termina com o Azougue 8.
Aos 23 de janeiro de 2018, diretamente do hospital Wilson Rosado, em Mossoró/RN, onde estava internado desde o dia 8 daquele mês, resolveu entrevistar o “Cara Lá de Cima”, como falava, para o Som do Caby. Deixou por aqui uma legião de admiradores e, como costumava dizer, uma lista interminável de “muitos bons amigos”.
O governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário lançam nesta quarta-feira (4) o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio.
A iniciativa prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.
O acordo reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
Será lançada ainda uma campanha orientada pelo conceito Todos Juntos por Todas, convocando toda a sociedade a assumir papel ativo no enfrentamento à violência.
Objetivos
Dentre os objetivos do pacto está acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade.
O acordo prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.
A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.
A plataforma vai disponibilizar um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.
Comitê
O pacto também prevê a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
Pelo Executivo, integram o comitê a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.
Números
Dados do sistema judiciário mostram que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos – alta de 17% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 medidas por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça.
Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, registrou média de 425 denúncias por dia, em 2025.
Confira, a seguir, as principais mudanças previstas pelo governo com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio:
medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade – menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem empurra-empurra;
Três Poderes olhando para o mesmo caso – Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos de controle, compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, desde o pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco;
mais prevenção antes da violência virar morte – campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência – envolvendo, inclusive, homens como parte da solução;
agressores responsabilizados com mais rapidez – processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência;
atenção especial a quem corre mais risco – foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade;
resposta a novas formas de violência – enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas;
cobrança pública de resultados – relatórios periódicos, metas e prestação de contas.
Uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Portela vai contar na avenida as origens e a tradição do batuque, reconhecida como principal religião de matriz africana praticada no sul do Brasil. A história será contada no enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande.
O batuque (ou nação) forma com o candomblé (na Bahia), a Jurema Sagrada (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), o tambor de mina (Maranhão), a umbanda (Rio de Janeiro) e o Xangô de Pernambuco o altar das principais religiões afrobrasileiras.
>> Enredos das escolas de samba contam a história não oficial
>> Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026
>> Acompanhe a cobertura do carnaval na Agência Brasil
Conforme o enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, o Principe do Bará seria o nobre Osuanlele Okizi Erupê, um líder religioso que no Brasil adotou o nome Custódio Joaquim de Almeida. Osuanlele ou Custódio nasceu no Século 19 no golfo da Guiné (litoral ocidental da África) e morreu em Porto Alegre, capital gaúcha, na década de 30 do século passado.
As datas exatas de nascimento e morte, e a própria origem nobre do Principe do Bará, são objeto de discussão entre historiadores e antropólogos, como indica estudo publicado pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Sul negro
A despeito da controvérsia acadêmica, o samba-enredo da Portela quer “resgatar a tradição/ onde a África assenta”. O desfile da Portela lançará luz sobre dados que apresentam um Brasil que contesta o senso comum: conforme o Censo Populacional do IBGE (2022), há proporcionalmente mais pessoas praticantes ou devotas de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul (3,2%) do que no Rio de Janeiro (2,6%) ou na Bahia (1%)
“Nossa proposta é debater a descentralização da historicidade negra do Brasil, focando na formação do Rio Grande do Sul”, detalha André Rodrigues carnavalesco da Portela em material distribuído pela escola.
Atribui-se ao Principe Custódio um papel fundamental de mediação entre a população negra e as elites políticas gaúchas, como uma liderança religiosa protetora e depositária de conhecimentos e liturgias de cultos africanos.
“Ele era uma das pessoas que possibilitou a consolidação dessa religião, deixando-a mais visível. Ela estava lá em Porto Alegre, mesmo que muitas vezes escondida nos bairros mais afastados. Ele serviu para legitimar de forma transparente uma realidade que existia dentro da cidade e que era mascarada por conta do grande fluxo de migração branca”, assinala a antropóloga Maria Helena Nunes da Silva em dissertação citada na publicação do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Estreante portelense
O samba-enredo sobre o Príncipe Custódio terá como principal intérprete Zé Paulo Sierra, um portelense estreante realizando seu “sonho de infância”.
“Meu pai era portelense. Eu morava num bairro chamado Abolição, onde minha mãe mora até hoje, e a maioria das pessoas eram portelenses ou imperianos. Nos anos 1980, quando eu comecei a me interessar por samba-enredo, me apaixono por um samba da Portela, que é o Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de Uma Noite, do David Correia e Jorge Macedo”, rememora.
Foram inscritos 36 candidatos no concurso da Portela para escolha do samba com o qual a escola desfilará. Ganhou a composição assinada por Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena. Zé Paulo Sierra defendeu o samba na fase das eliminatórias. “Eu sei cada detalhezinho desse samba”, diz confiante na sua participação no desfile da maior campeã do carnaval carioca que ocorrerá na noite de domingo, 15 de fevereiro.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra.
2º dia – segunda-feira (16/2)
Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
Acadêmicos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.
3º dia – terça-feira (17/2)
Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi;
Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.