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    Caetano e Bethânia levam o Grammy de Melhor Álbum de Música Global

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    © Instagram/caetanoveloso/mariabethaniaoficial

    Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o neste domingo (01) Grammy Awards 2026 na categoria Melhor Álbum de Música Global com o disco Caetano e Bethânia Ao Vivo.

    O prêmio foi recebido em nome deles pela apresentadora Dee Dee Bridgewater, durante evento em Los Angeles, nos Estados Unidos.

    A produção premiada é um registro da turnê dos dois artistas. A conquista coroou o momento artístico marcado por reencontros afetivos com o público e pela reafirmação da força da canção brasileira no cenário internacional.

    O álbum, gravado ao longo da turnê que atravessou diversas cidades brasileiras com casas lotadas, reúne sucessos das trajetórias individuais dos dois artistas, como Reconvexo e Vaca Profana, além de uma versão inédita de , composição de Iza com nova leitura nas vozes dos irmãos.

    Ao comemorar a vitória nas redes sociais, Caetano e Bethânia escreveram: 

    “Que alegria em vencermos o @grammys de ‘Melhor Álbum Internacional’ juntos! Em especial, gostaríamos de agradecer aos músicos que ao nosso lado, fizeram esse disco acontecer.
    O nosso muito obrigado a todos que ouviram o disco, foram aos shows e compartilharam desta história conosco!”

    Para Maria Bethânia, o primeiro Grammy representa a consagração internacional após décadas de carreira.

    Para Caetano, essa foi a sexta indicação ao Grammy e a terceira premiação. O artista baiano já venceu duas vezes: com Livro (1998) e João Voz e Violão (2000), álbum de João Gilberto que produziu.




    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    “Escravidão ainda é muito presente” no trabalho, diz procuradora do MPT-RN

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    “Escravidão ainda é muito presente” no trabalho, diz procuradora do MPT-RN

    “Embora a escravidão tenha sido abolida do território nacional, essa prática ainda é muito presente”. A afirmação é da procuradora Andrea Gondim, coordenadora da pasta do trabalho escravo do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN). Ela se refere aos casos de pessoas resgatadas em situação análoga ao trabalho escravo, que no ano passado teve apenas um registro no estado, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Na última terça-feira (28) foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, data em que o MTE divulgou os dados referentes ao ano de 2025. Na verdade, a pasta registrou dois casos no Rio Grande do Norte, mas a chefe local do núcleo de fiscalização do Ministério do Trabalho no RN, Rossana Nunes Chaves, explica que um dos casos de resgate computado para o RN refere-se, na verdade, a uma fiscalização de trabalho doméstico realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) em João Pessoa (PB). No entanto, como o endereço da empregadora registrado na Receita Federal é em Natal, houve um equívoco na extração dos dados e, embora o resgate tenha ocorrido fisicamente na Paraíba, ele apareceu nas estatísticas do RN devido a esse detalhe cadastral.

    O único caso real no Rio Grande do Norte, portanto, ocorreu na zona rural de Mossoró, em julho de 2025. 

    “Nessa inspeção, os auditores identificaram um trabalhador rural mantido sem registro, sem pagamento regular de salário, morando em condições precárias, trabalhando sem fazer uso de equipamentos de proteção, além de uma criança laborando em atividades perigosas, configurando trabalho infantil em uma de suas piores formas”, conta Rossana Chaves.

    Os números mostram que nos últimos cinco anos os casos costumam flutuar no Rio Grande do Norte. O RN resgatou nove pessoas desse tipo de crime em 2024, enquanto em 2023 não houve nenhum registro. Já em 2022 foram 32 resgates, e 11 em 2021. Os dados foram obtidos por meio do SmartLab, ferramenta do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, que se baseou nos registros do Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil (Radar SIT). A ferramenta original, o Radar STI, está temporariamente fora do ar. 

    Pessoas resgatadas em situação de trabalho análogo à escravidão no RN nos últimos cinco anos

    Ano Resgates
    2025 1*
    2024 9
    2023 0
    2022 32
    2021 11

    Fonte: SmartLab, com base no Radar SIT

    * O ano de 2025 ainda não está presente na ferramenta SmartLab; dado oficial do MTE é de dois registros, mas auditora do Ministério aponta equívoco na extração dos dados, com um caso no RN

    Em todo o Brasil, no ano passado, segundo o MTE, foram resgatados 2.772 trabalhadores e trabalhadoras em 1.594 ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão, com a garantia do pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.

    Além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores e trabalhadoras tiveram direitos trabalhistas assegurados por meio das fiscalizações. Mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de trabalho análogo à escravidão, outros direitos foram garantidos pela atuação dos auditores-fiscais do Trabalho em campo.

    De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com maior número de trabalhadores e trabalhadoras resgatados foram obras de alvenaria (601), administração pública em geral (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção, com beneficiamento associado (126).

    Os dados revelam uma mudança no perfil dos resgates. Em 2025, 68% das pessoas identificadas em condição análoga à escravidão no Brasil foram resgatadas no meio urbano, superando o número de ocorrências no meio rural, cenário distinto do observado em anos anteriores.

    “Embora fosse só uma única pessoa, isso já era muito grave”, alerta procuradora

    A procuradora Andrea Gondim, que possui um mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) voltado à pesquisa sobre trabalho escravo, diz que os dados ajudam a pautar uma atuação estatal como um projeto de nação brasileira de combate ao trabalho escravo. 

    “Porque ainda que fosse uma única pessoa encontrada no nosso território vítima da redução do trabalho em condição análoga à de escravo, ainda assim seria necessário uma pronta atuação estatal”, diz ela, que complementa: “embora fosse só uma única pessoa, isso já era muito grave.”

    Os desafios enfrentados pelos auditores-fiscais do Trabalho na hora de ir à campo são vários, conta a procuradora do MPT-RN.

    “O desafio tanto na hora da operação, porque muitas vezes é uma situação realmente de risco para o trabalhador, e também o desafio do pós-resgate, de como alocar essas pessoas, como contribuir para que essas pessoas realmente consigam romper essa barreira do trabalho escravo, para conseguir romper esse ciclo da exploração”, explica.

    Já o procurador Luciano Aragão Santos, coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete) do MPT, diz que o maior desafio enfrentado atualmente é a interferência política nas instituições responsáveis pela fiscalização e responsabilização. 

    “Temos visto tentativas de enfraquecer a Lista Suja de empregadores, o uso de avocatórias ministeriais para proteger empresas que deveriam ser incluídas no cadastro e pressões variadas sobre a autonomia dos órgãos de fiscalização. Quando o sistema de fiscalização é fragilizado, o incentivo para cumprir a lei diminui.”

    O subfinanciamento da fiscalização, para ele, constitui outro obstáculo estrutural. 

    “O número de auditores-fiscais do Trabalho, mesmo com a recente nomeação de novos auditores, ainda é insuficiente para a extensão territorial do Brasil e para a complexidade das cadeias produtivas que precisam ser monitoradas. Sem concursos públicos regulares e sem estrutura adequada, a capacidade de fiscalizar se reduz, e áreas inteiras do país permanecem descobertas”, alerta.

    Desigualdade alimentada pela cor

    O balanço das ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo realizadas em 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revela que essa prática em atividades econômicas segue profundamente associada às desigualdades raciais e sociais no Brasil. Do total de trabalhadores resgatados no período, 86% são homens e 83% se autodeclaram negros (pretos ou pardos), evidenciando que a população negra é atingida de forma desproporcional, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.

    A maior concentração das pessoas resgatadas no país durante o ano passado está na faixa etária entre 30 e 39 anos, e 65% residem na região Nordeste, com destaque para o Maranhão, que concentra parcela significativa desse contingente. Em relação à escolaridade, 68% possuem baixa escolaridade, 24% concluíram o ensino médio e 8% são analfabetos. Os dados reforçam, segundo o MTE, o vínculo direto entre trabalho escravo, pobreza estrutural e exclusão educacional.

    O que configura um trabalho análogo à escravidão?

    A auditora e chefe local do núcleo de fiscalização do Ministério do Trabalho no RN, Rossana Chaves, 

    De acordo com o Artigo 149 do Código Penal, a escravidão moderna não exige a privação da liberdade de ir e vir, caracterizando-se pela violação da dignidade humana. Ela se configura por quatro elementos, que podem aparecer isoladamente ou em conjunto:

    * Trabalho forçado: quando há vício de consentimento ou ameaça para permanência no serviço.

    * Jornada exaustiva: labor intenso que impede a recuperação física do trabalhador e fere o direito ao descanso e convívio social.

    * Condições degradantes: situações aviltantes que retiram o “status” de ser humano do trabalhador, como a falta de alojamento decente, higiene, água potável ou segurança.

    * Servidão por dívida: uso de mecanismos de endividamento (como cobrança ilegal por transporte, ferramentas e comida — o “truck system”) para prender o trabalhador ao local.

    O que acontece com empregadores e trabalhadores resgatados?

    Quando um empregador é flagrado submetendo pessoas a situação análoga à de escravo, são lavrados autos de infração com obrigação do pagamento das verbas rescisórias e salariais.

    Ele também é incluído na “Lista Suja”, após decisão administrativa definitiva, o que gera restrições de crédito e danos à reputação da empresa. Há ainda possibilidade de responder criminalmente e ser alvo de ações civis públicas para reparação de danos morais individuais e coletivos.
    Já o trabalhador ou trabalhadora resgatado tem direito legal ao recebimento do Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas no valor de um salário mínimo. Esse benefício contribui para a reconstrução da vida das vítimas após a violação de direitos. Além disso, todos são encaminhados à Assistência Social e, posteriormente, às diversas políticas públicas, de acordo com seus perfis específicos.

    Saiba Mais
    No RN, auditores buscam valorização para combate à escravidão
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    Fonte: saibamais.jor.br

    Desde 2010, CMEI Kátia Garcia segue sem sede em Natal

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    Desde 2010, CMEI Kátia Garcia segue sem sede em Natal

    Em ano de Copa do Mundo, a imagem de modernização que Natal tentou vender ao país volta a ser confrontada por uma obra inacabada que se arrasta há quase 16 anos. O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Kátia Garcia, primeira obra iniciada no contexto da Copa de 2014 na capital potiguar, segue sem sede própria e funciona em uma casa alugada, pequena, quente e sem acessibilidade, no bairro de Candelária, zona Sul de Natal. No terreno onde deveria estar a escola, restam escombros, um muro e promessas que atravessam diferentes gestões.

    A situação se arrasta desde 2010, quando a sede original do CMEI foi demolida para as obras do entorno da Arena das Dunas. Desde então, a unidade funciona em espaços provisórios, enquanto a sede definitiva, prevista para o terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel, nunca saiu do papel. O abandono da obra já havia sido denunciado pelo Saiba Mais em 2018, em uma série de reportagens que expôs o avanço mínimo da construção. Passados quase oito anos desde aquelas publicações, a escola permanece sem sede própria, reforçando o caráter de legado inacabado da Copa em Natal.

    Precariedade

    Segundo a gestora pedagógica, Jucilene de Souza Leão, a escola atende atualmente cerca de 80 crianças, 40 por turno, distribuídas em apenas quatro salas de aula. Para ela, a precariedade do espaço físico impacta diretamente a procura por vagas. “Esse ano tivemos pouca procura de matrícula. A gente assimila isso ao espaço que a gente não tem. Quem chega aqui e olha diz: ‘não vou botar meu filho aqui’”, afirma. Ela lembra que, em anos anteriores, a escola chegou a manter lista de espera durante todo o período letivo. “Com a sede própria, aumentaria bastante a capacidade de receber crianças.”

    Uma das principais limitações do cotidiano escolar é a falta de espaço adequado para atividades lúdicas. “A gente não tem um local apropriado para as crianças brincarem. A área disponível é a da frente, que pega sol direto. Já pedimos cobertura, a engenharia veio, houve promessa, mas como é casa alugada, nada avança”, relata Jucilene. A restrição também inviabiliza eventos coletivos com as famílias. “A gente não consegue reunir os dois turnos. No ano passado, dois eventos foram cancelados.”

    A precariedade atinge até a rotina da alimentação. Embora exista um refeitório, o espaço não comporta a dinâmica da escola. “A gente nem utiliza mais o refeitório. Preferimos servir as refeições nas salas, porque levar uma turma por vez faria a gente perder mais de uma hora só nesse momento”, explica. A adaptação foi necessária para preservar o tempo pedagógico, já que as crianças realizam duas refeições diárias na unidade.

    Outro reflexo direto da falta de estrutura é a inexistência de uma biblioteca ou espaço de leitura. Apesar disso, o CMEI possui um acervo amplo e diversificado de livros infantis, que não pode ser exposto adequadamente por falta de espaço físico. Os livros ficam guardados em armários e circulam entre as salas por meio de um sistema de rodízio. Os professores apresentam os títulos às crianças e desenvolvem atividades pedagógicas e de mediação de leitura, garantindo o acesso aos livros mesmo sem um ambiente apropriado.

    A ausência de acessibilidade é outro problema estrutural grave. O imóvel possui degraus, não tem rampas e as salas são pequenas. “Quando o vereador Tércio Tinoco, que é cadeirante, esteve aqui, teve muita dificuldade de circular. Ele viu de perto o tamanho das salas”, conta a gestora. Além disso, o calor excessivo tem reflexos diretos na saúde. “As salas não são refrigeradas. O ventilador só joga vento quente. Adoece professor, adoecem as crianças, adoece todo mundo.”

    Apesar das limitações físicas, o CMEI é reconhecido pela qualidade pedagógica, inclusive no atendimento a crianças neurotípicas. “A gente recebe muitas ligações de famílias que vêm por indicação de outras famílias, pelo nosso trabalho pedagógico”, afirma Jucilene. Ela destaca que a rede pública, muitas vezes, dispõe de profissionais mais preparados que a rede privada. “Nossa equipe é formada, tem especialistas, psicopedagogia, mestrado. A escola pública tem mais estrutura humana para lidar com essas crianças.” Ainda assim, a falta de espaço impede avanços. “A gente precisaria de uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), mas aqui não há condições físicas para isso.”

    Jucilene acompanha a trajetória da escola desde a municipalização, logo após a demolição da sede original. “Estou aqui desde que o Kátia foi derrubado. Desde 2011 ou 2012 estamos funcionando nessa casa”, resume. Sobre a paralisação da obra, ela afirma que nunca houve uma explicação clara por parte do poder público. “A gente nunca teve uma resposta objetiva. O que se fala é que o dinheiro foi sequestrado, mas nunca explicaram exatamente o que aconteceu.”

    A luta pela sede própria teve como uma de suas principais lideranças a ex-diretora Selma Maria do Nascimento, que faleceu durante a pandemia de Covid-19 sem ver o sonho concretizado. “Selma batalhou muito. Foi ela quem conseguiu a cessão do terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel para a construção da nossa sede. Ela buscou respostas quando a obra parou. Infelizmente, não viu isso se realizar”, lembra Jucilene. “Quando Selma faleceu, a obra já estava parada há muito tempo.”

    O desgaste ao longo dos anos também impactou o engajamento da comunidade escolar. “As pessoas estão desacreditadas. Quando chamamos os pais para se mobilizar, muitos dizem que não podem, que estão trabalhando. São mais de 15 anos de espera”, afirma.

    Apesar disso, a gestão escolar segue lutando por melhorias e pela conquista da sede. Ao visitar a Secretaria Municipal de Educação (SME) para resolver outro problema estrutural da casa — o sistema de esgotamento sanitário, que exige limpeza frequente da fossa —, as diretoras foram informadas sobre o retorno das obras em menos de um mês.

    Jucilene afirma que “desde que Selma começou com essa luta, é a primeira vez que percebo que agora temos uma resposta mais concreta, a mais digna de confiança”.

    O que diz a Prefeitura

    Em nota, a Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), informou que a retomada da obra do CMEI Kátia Fagundes Garcia, unidade do Tipo 2 padrão FNDE, foi inicialmente licitada em 2023, com processo homologado em agosto daquele ano. No entanto, a gestão municipal optou por não efetivar a contratação da empresa vencedora após a criação do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, instituído pelo Governo Federal.

    Segundo a SME, a decisão permitiu a repactuação da obra, com atualização de valores e adequação técnica e financeira. O processo foi aprovado pelo FNDE, com Índice de Reprogramação de 85,40%. O valor final da obra é de R$ 2.881.271,35, sendo R$ 1.901.639,09 de recursos federais e R$ 979.632,26 de contrapartida do Município.

    A Prefeitura informa ainda que o processo licitatório foi concluído, a ordem de serviço já foi encaminhada e o prazo de execução da obra é de oito meses, com previsão de conclusão até dezembro de 2026. Atualmente, o CMEI Kátia Garcia funciona em imóvel locado no bairro de Candelária, com capacidade para atendimento de 126 crianças, ao custo mensal de R$ 2.658,25. Com a nova sede, a ser construída no terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel, a capacidade deverá chegar a 188 crianças.

    Enquanto a promessa de retomada não se materializa no canteiro de obras, o CMEI Kátia Garcia permanece como símbolo de um legado inacabado da Copa: uma escola que resiste pela dedicação de seus profissionais, pela criatividade pedagógica e pela memória de quem lutou por ela, mas que há quase 16 anos aguarda o direito básico a um espaço digno para educar crianças em Natal.

    Linha do tempo

    • 2010 – Sede original do CMEI é demolida para obras do entorno da Arena das Dunas
    • 2011–2012 – Escola passa a funcionar em imóvel alugado, em caráter provisório
    • 2014 – Copa do Mundo em Natal
    • Anos seguintes – Obra da sede própria é iniciada e paralisada, sem conclusão
    • Pandemia (2020–2021) – Falecimento da ex-diretora Selma, liderança na luta pela sede
    • 2023 – Obra é licitada pela Prefeitura, mas contratação não é efetivada
    • 2024–2025 – Município adere ao Pacto Nacional de Retomada de Obras
    • 2026 (previsão) – Conclusão da nova sede, no terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel

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    Fonte: saibamais.jor.br

    40 anos da arte que desarma bombas

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    Civone Medeiros: 40 anos da arte que desarma bombas

    Há artistas que constroem obras. Outros constroem territórios. Civone Medeiros constrói modos de existir. Sua trajetória, iniciada ainda na infância, atravessa quase quatro décadas de atuação artística em Natal e mundo afora, marcada pela recusa à separação entre arte e vida, pela experimentação radical do corpo, da palavra e da convivência, e por uma ética que ela mesma define como um exercício constante de “desarmar bombas no mundo”. “Enquanto a gente está contando história, a gente está desarmando bombas”, afirma. “Eu boto muita fé nisso.”

    Nascida em 1972, ano bissexto, Civone costuma brincar que carrega “três adversários”, já que o aniversário só se completa de quatro em quatro anos. Alfabetizada muito cedo, aos seis anos já escrevia poemas. O primeiro foi dedicado à mãe, professora da rede pública estadual, figura central em sua formação ética e sensível.

    A escrita veio antes de tudo, mas não como arte. Veio como necessidade: “A escrita me veio como algo extensivo ao ser. Não veio como arte.” Ainda criança, ouviu de uma professora a frase que marcaria sua trajetória: “Você é poeta”. Sem saber exatamente o que isso significava, decidiu que queria ser aquilo.

    A dança surgiu logo depois, entre os nove e os onze anos, como a primeira linguagem artística a atravessá-la de modo decisivo. Em 1986, ainda adolescente, subiu ao palco do Teatro Alberto Maranhão integrando a Companhia de Dança do Edithan. Anos mais tarde, compreenderia aquela experiência como seu primeiro contato com a ideia de obra de arte total. “Ali eu tive a noção de uma obra de arte total. Muitos anos depois eu fui estudar e entender o que era isso.”

    Desde cedo, Civone desejava ser múltipla. Queria cantar, dançar, escrever. Inspirada por ícones pop da infância, mas o que de fato a moldou foi o ambiente doméstico, onde a arte nunca esteve dissociada do cotidiano. A mãe costurava, bordava, pintava, cozinhava… A avó ensinava, sem teoria, que vestir, pentear, alimentar e cuidar também eram formas de arte. “Vovó sempre dizia que tudo isso fazia parte. O comer fazia parte. Costurar a própria roupa fazia parte.”

    Esse entendimento, que Civone hoje relaciona a saberes ancestrais e modos de vida não europeizados, tornou-se base de sua atuação artística e política. Arte, para ela, nunca foi produto isolado, mas prática coletiva, artesanal e relacional.

    Nos anos 1980, integrou o Grupo Oxente, coletivo formado por adolescentes de diferentes linguagens artísticas em Natal, em um contexto de extrema precariedade material e informacional. Sem internet, com revistas importadas e caras, os encontros aconteciam nas ruas, no Alecrim, na Pedra do Rosário, em redes de troca e boca a boca. “Era a nossa rede social”, lembra ela.

    Décadas depois, o Oxente seria citado em uma grande exposição nacional sobre a geração artística dos anos 80, fruto de cinco anos de pesquisa do curador Rafael Fonseca. O reconhecimento tardio contrasta com as dificuldades enfrentadas à época. “Tudo era muito difícil financeiramente, economicamente e logisticamente”, relembra.

    Ainda assim, o grupo abriu caminhos. Civone passou a circular pelo Nordeste e, em uma viagem emblemática, seguiu para São Paulo apenas com passagem de ida, em uma travessia que misturava risco, desejo e urgência de conexão com outros territórios artísticos. O contato com o exterior se intensificou no fim dos anos 1990, quando passou a viver entre o Brasil e a Europa, estabelecendo-se por cerca de cinco anos em Viena, na Áustria. Lá, trabalhou em museus, galerias e centros culturais, ampliou suas pesquisas e iniciou uma atuação curatorial antes mesmo de nomear essa prática. “Eu já estava fazendo curadoria sem saber o que era. Fazendo pontes, sem um centavo. Só sonhos.”

    Dessa experiência nasceu o projeto Arte da Esquina do Brasil, que levou dezenas de artistas brasileiros para a Europa no início dos anos 2000. A iniciativa teve impacto internacional levando artistas brasileiros a exposição na Europa.

    Lançou em 1999 seu primeiro livro, Escrituras Sangradas, um compilado de textos escritos desde a infância. O lançamento se tornou um acontecimento cultural em Natal, fechando a Ribeira em uma noite que reuniu poesia, música, dança e performance. “Eu fechava a Ribeira para lançar um livro de poesia”, recorda, exibindo fotografias do evento.

    Dez anos depois, já de volta ao Brasil, lançou Propósito de Viena e outros Ondes, também de forma independente. Ambos os livros estão esgotados. Hoje, Civone sonha em republicá-los e organizar uma fortuna crítica que reúna ensaios, registros e olhares sobre sua obra. “Eu não sou a mensagem. Eu sou a mensageira”, comenta ela sobre sua produção poética.

    Em um dos episódios mais radicais de sua trajetória, Civone protagonizou uma performance apresentada no Salão Bela Vista, em Natal, durante uma homenagem à arte antropofágica. Ela entrou no espaço cênico carregando cerca de três quilos de fígado cru, enquanto músicos tocavam tambores e violino. Em meio ao público, encenou contrações e um parto simbólico, do qual emergiam pedaços de carne que eram devorados em cena, em uma crítica direta ao canibalismo social e à lógica do “homem devorando o homem”. A ação provocou forte reação institucional e resultou na interdição do espaço para a artista por cerca de dez anos, episódio que se tornou emblemático da relação conflituosa entre sua obra e os limites impostos à arte experimental em Natal, seu campo de atuação.

    O retorno definitivo a Natal, em 2003, foi acompanhado de uma decisão radical: zerar expectativas. “Eu não esperava nada dessa cidade.” A escolha, no entanto, não significou afastamento. Pelo contrário. Civone mergulhou em projetos comunitários no Centro Histórico, especialmente no Beco da Lama, onde criou iniciativas como o Festival Prato do Mundo, inspirado em experiências vividas na Europa e hoje mantido de forma coletiva.

    Sua produção visual se intensificou nesse período, incorporando colagens, tecidos, crochê, tricô, objetos encontrados e elementos orgânicos. A poesia passou a ocupar o espaço físico, transformando-se em instalação, performance e obra tátil. “Eu sou uma mulher de retalhos”, define. “Cada retalho é um pedaço de uma vida.”

    A maternidade ocupa lugar central nessa poética. Sua filha, Bianca, hoje com 31 anos, atravessa toda a obra. Desenhos, escritos e vestígios da infância são incorporados aos trabalhos. “Minha melhor obra de arte é minha filha.”

    A partir dos anos 2010, Civone consolidou uma poética marcada pelo amor como gesto político. Não um amor conciliador, mas uma ética de coexistência. “O amor não é fofo. O amor é assertivo.” Para ela, amar é não conceber uma vida que exclua outras vidas.

    Ao pedir pra ela citar momentos marcantes de sua carreira na última década, ela destaca que em 2016, realizou uma exposição marcante pelo Sesc, experiência que ela destaca como ponto de virada. “Foi a primeira vez que fui bem paga, bem tratada, que meu trabalho foi cuidado.” Em 2022, voltou a expor em Natal em uma mostra que reuniu altares, plantas, pedras e instalações sensoriais.

    No mesmo ano, enfrentou uma grave crise de saúde. Um apêndice rompido levou a uma cirurgia de emergência, meses de recuperação e uma experiência de quase morte. “Foi uma morte de novo.” A convalescença trouxe limites físicos, mas também reforçou a urgência de organizar sua história.

    Hoje, Civone ministra oficinas, participa de exposições e desenvolve um projeto de economia criativa que articula sua poesia com o fazer manual. Ao mesmo tempo, acalenta o desejo de criar, em Natal, um espaço próprio que funcione como casa-escola. “Um lugar de acolhida, de partilha, de formação”, define.

    Ela define ser artista em Natal como “uma invenção muito atrevida”. Inventar condições onde elas não existem, trabalhar com o precário, persistir sem subserviência. “Eu caio sete vezes e levanto oito.”

    Ao olhar para trás, Civone reconhece o legado construído sem apoio institucional consistente, movida por algo maior que o próprio ego. “O defunto não tem bolso. O que me interessa é o que fica.”

    E o que permanece em sua trajetória é a insistência em existir pela arte, em narrar como forma de sobrevivência, em fazer da criação um gesto contínuo de desarmamento do outro e de si própria, e de cura por meio do próprio processo de criação artística.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Epifania, intolerância religiosa e o chamado ao cuidado integral da criação

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    Epifania, intolerância religiosa e o chamado ao cuidado integral da criação

    Por: Pastor Moisés Meirelles – Igreja Batista Peregrina do Natal

    O Ato na Praça Cívica em Natal/RN
    No dia 21 de janeiro de 2026, o Brasil celebrou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635/2007 em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá do Candomblé que faleceu no ano de 2000 após sofrer ataques de intolerância religiosa. A data coincide com o Dia Mundial da Religião, criado em 1949 pela comunidade Bahá’í, com o objetivo de promover o respeito, a tolerância e o diálogo entre diferentes tradições espirituais.

    Neste dia, a Praça Cívica da Cidade do Natal foi palco de um ato simbólico promovido pelo Fórum Inter-Religioso do Rio Grande do Norte. O evento reuniu representantes de diversas tradições religiosas — cristãs, islâmicas, afro-brasileiras, espíritas, xamânicas, entre outras — em um gesto público de unidade e respeito.

    O encontro foi marcado por orações coletivas, cânticos e reflexões sobre a importância da convivência pacífica entre credos. Cada liderança presente destacou a necessidade de combater o preconceito e a intolerância, reforçando que o diálogo inter-religioso é um caminho para a paz e para a justiça social.

    Esse ato na Praça Cívica simbolizou não apenas a memória de Mãe Gilda, mas também o compromisso das comunidades religiosas de Natal em defender a liberdade de fé e o cuidado integral com a criação.

    Essas celebrações nos convidam a refletir sobre a importância da convivência pacífica entre credos e sobre o impacto da intolerância na vida das pessoas e na sociedade. Como afirmou Nelson Mandela: “A intolerância religiosa é uma forma de violência que destrói a coesão social e promove o ódio.”

    A Epifania de Saulo de Tarso na Tradição Cristã e o Diálogo Inter-Religioso

    A experiência mística de Saulo de Tarso no caminho de Damasco (Atos 9:1-17), por meio de uma revelação súbita — uma epifania — transformou-o de perseguidor da Igreja em defensor da liberdade religiosa. Tal experiência mostra que o Divino se revela em lugares e através de pessoas improváveis, chamando-nos à conversão do amor e ao cuidado integral de cada ser e de toda a criação.

    Eco-Teologia Mística: Um Chamado ao Cuidado de Todos os Seres Planetários

    A mensagem divina central dada a Saulo de Tarso, futuro Apóstolo Paulo, foi clara: a fé individual ou a religião à qual servimos não podem ser utilizadas como instrumento de perseguição a outras expressões do Sagrado. Ao contrário, devem ser transformadas em práticas concretas de cuidado com todos que fazem parte do mundo, por meio do amor e do acolhimento.

    Portanto, Saulo precisava compreender que o Evangelho (Boas Notícias) deveria ir além da circunscrição judaica, em efetivo diálogo com o mundo gentílico.

    Na atualidade, para entendermos a vida e missão de Saulo de Tarso, é necessário compará-las às experiências místicas de outros representantes religiosos:

    • Missão ecológica: Paulo, após sua conversão, compreendeu que o chamado divino incluía o cuidado com todos os homens (Romanos 5:18) e com todo o ecossistema (Romanos 8:19-22).
    • Inter-religiosidade: experiências semelhantes à de Saulo são encontradas em diferentes tradições religiosas — como Buda, Krishna, Muhammad, Lao-Tse e nas religiões afro-brasileiras — apontando para a necessidade de respeito e harmonia com o próximo e com toda a natureza.
    • Práticas espirituais: as epifanias quase sempre estiveram conectadas com a natureza. Rituais religiosos, desde a fé judaica e cristã (holocaustos e eucaristias) até os sacrifícios e consagrações das tradições afro-ameríndias, mantêm relação direta com componentes da Mãe Natureza, demonstrando a integração entre espiritualidade e ecologia.

    Reflexões e Aplicações Práticas

    Cada pessoa é convidada a refletir sobre seu próprio “caminho de Damasco”:

    • Como sua experiência com o Divino pode transformar sua vida e suas relações com outras expressões de fé no cuidado eco-teológico?
    • Qual é sua missão diante da intolerância religiosa e da crise ambiental?
    • Como promover justiça, democracia e respeito entre tradições religiosas diferentes, unindo aspectos comuns dessas tradições na defesa do meio ambiente?

    Conclusão

    A epifania de Saulo nos ensina que ninguém está além da graça do Divino. Sua história inspira a Igreja e todas as tradições religiosas a viverem uma fé prática, que se traduz em respeito, diálogo e cuidado integral com a criação.

    O chamado é urgente: converter-se ao amor, ao cuidado e à interconexão de todos os seres. Assim, poderemos construir uma sociedade mais justa, democrática e harmoniosa, em que a diversidade religiosa e as pautas ecológicas sejam tratadas com consideração e respeito.

    📍 Natal, 24 de janeiro de 2026

    Nota biográfica do autor:
    Moisés Meirelles de Araújo Blanco – Pastor da Igreja Batista Peregrina do Natal. Graduado em Teologia (ESTEADEB/FATERJ) e Serviço Social (UNOPAR). Pós-graduado em Direito Constitucional (UCAM). Licenciado em Pedagogia (UFRN). Graduando em Psicanálise (UNINTER). Membro do Fórum Inter-religioso do RN, desde 2019.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Corinthians vence Flamengo e é bicampeão da Supercopa Rei

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    © REUTERS/Adriano Machado - Reprodução proibida

    O Corinthians é campeão da Supercopa Rei. A conquista foi confirmada com a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo no estádio Mané Garrincha, em Brasília, na tarde deste domingo (1º). A equipe de São Paulo conquistou o bicampeonato do torneio.

    A primeira taça havia sido obtida em 1991 também sobre o Flamengo. Em 2026, o Corinthians participou da Supercopa por ter sido o campeão da Copa do Brasil de 2025. O Flamengo, por ter sido o campeão nacional da temporada passada.

    A final dessa temporada começou a ser decidida com o gol do zagueiro Gabriel Paulista aos 25 minutos de jogo.

    Após cobrança de escanteio, Matheuzinho cruzou, Gustavo Henrique desviou e Gabriel Paulista completou de primeira. Depois, teve expulsão de Carrascal, após checagem do VAR.

    Bola na trave do goleiro Hugo Souza, do Corinthians, em cabeça de Pulgar. Gol anulado de Memphis Depay. Até que o centroavante Yuri Alberto definiu o jogo aos 52 minutos da etapa final.

    O artilheiro driblou o goleiro Rossi em um lindo lance e finalizou para o gol vazio.

    A conquista do Corinthians foi presenciada por 71.244 torcedores no Mané Garrincha. O público é um novo recorde da arena.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    eleições na era das big techs

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    Três anos depois, como estão os potiguares presos no 8 de janeiro

    As eleições são momentos fundamentais em uma democracia. Quando esse processo é maculado, ele compromete a qualidade da democracia. Ao longo do tempo, em todos os países onde ocorrem eleições, há o uso de tecnologias – que são cada vez mais sofisticadas, ampliadas com o uso da internet, é mais recentemente de Inteligência Artificial(IA), deepfakes etc.,- que contribuem para os questionamentos sobre sua lisura, especialmente pelo uso dessas tecnologias de forma profusa pela extrema direita em eleições (mas não apenas).

    E não se trata apenas de pessoas isoladas ou de candidatos que utilizam esses recursos para enganar, manipular e ludibriar os eleitores por meio do marketing político e eleitoral, mas também de grandes empresas, as big techs, que têm seus interesses a serem defendidos, especialmente em relação a legislação dos países e, portanto, da atuação de parlamentares, apoiados por elas, nas respectivas instâncias de representação.

    Não por acaso, no Brasil, Projetos de Lei (PL), como o 2630/2020, conhecido como PL das fake news, que objetiva a regulação das plataformas digitais, instituindo a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet   contraria não apenas os interesses das big techs, como também de muitos parlamentares, seus aliados. E por isso se posicionam contra, influenciando parcelas da sociedade como se o objetivo do PL fosse o de censurar e pôr fim à liberdade de expressão.

    Na realidade, sabem que não se trata disso, como diz o  Art. 4º do PL 2630/2020“Esta Lei tem como objetivos: I – o fortalecimento do processo democrático por meio do combate ao comportamento inautêntico e às redes de distribuição artificial de conteúdo e do fomento ao acesso à diversidade de informações na internet no Brasil; II – a defesa da liberdade de expressão e o impedimento da censura no ambiente online; III – a busca por maior transparência das práticas de moderação de conteúdos postados por terceiros em redes sociais, com a garantia do contraditório e da ampla defesa; e IV – a adoção de mecanismos e ferramentas de informação sobre conteúdos impulsionados e publicitários disponibilizados para o usuário”.

    O que se pretende, ao criticar o PL, é o de poder usar uma pretensa  liberdade de expressão para cometer crimes, como calúnias e difamação, mas também o uso sistemático de mentiras, fake news e assim a possibilidade de manipular a opinião pública. A proposta visa justamente o contrário: controlar conteúdos que contenham notícias falsas, mentiras, fake news e punir seus (i) responsáveis.

    O PL foi aprovado em 2020 no Senado, e ao longo de cinco anos, não foi sequer votado na Câmara dos Deputados e em ano eleitoral, como em 2026, dificilmente o será.

    Em relação às big techs, e os algoritmos, fundamentais em eleições, a questão é bem mais ampla. Como mostra Sergio Amadeu da Silveira, mestre e doutor em Ciência Política (USP) e professor da Universidade Federal do ABC (SP) e um dos maiores estudiosos sobre o tema no Brasil, no livro As big techs e a guerra total: o complexo militar-industrial dataficado (Editora Hedra, 2025). Ele há muito tempo pesquisa e publica sobre o tema (ensaios, artigos e livros) defendendo a tese de que “os dados são ativos de alto valor agregado, além de insumo fundamental da economia informacional” e afirma que “o pensamento marxista é indispensável para compreender esses fenômenos. O digital não eliminou a luta de classes; em vez disso, os sistema digitais dataficados, impulsionados pela voracidade do sistema capitalista em sua crise de acumulação, a reconfiguração em novas bases. Assim os dados se convertem em um tipo específico de capital”.

     E que “Os usos letais do aprendizado de máquina com dados civis obtidos em dispositivos de comunicação e interações em redes sociais deveriam ser considerados crimes de guerra, crimes contra a humanidade. As big techs, com suas redes neurais artificiais e demais sistemas invisíveis, atuando em conjunto com as forças militares, formam uma perigosa aliança antidemocrática. A gestão da guerra virando unidade de negócios das big techs pode levar à monetização de conflitos contínuos com baixo custo e alta lucratividade”.

    Com base em extensa pesquisa  e exemplos recentes, como os sistemas de IA usados por Israel no genocídio na Faixa de Gaza, mostra como ela pode ser usado como instrumento de dominação e evidenciando não apenas  a importância, como a urgência de um  debate político  (e ético) que tenha entre seus objetivos o que ele chama de “os riscos da fusão entre capitalismo de vigilância e militarismo digital”.

    O que é fundamental para a democracia é ampliar os espaços democráticos e evitar que empresas usem impunemente pesquisas e tecnologias, com acesso a dados de milhões de pessoas, para, entre outros aspectos, influenciar e decidir eleições. Como se sabe, há o uso sistemático e eficiente de informações subtraídas de milhões de usuários, especialmente em redes sociais como X, TikTok, Instagram e Facebook, mas também no Google, com sua gigantesca base de dados. Como afirma Sergio Amadeu, um ecossistema de extração, tratamento e análise de dados foi se consolidando no coração do sistema capitalista e que “acumulam e monetizam dados em escala global, dominando setores como entretenimento, agricultura, logística e até serviços públicos”, mas também parece inegável que essas plataformas têm se tornado instrumentos importantes da política, influenciando decisivamente eleições e, assim, colocando em xeque a própria democracia, que tem nas eleições um de seus instrumentos de legitimidade.

    Hoje, creio ser possível afirmar que o uso de tecnologias, como Inteligência Artificial (IA)“baseadas em dados tratados pela estatística e pela probabilidade em infraestruturas computacionais de alto processamento”, e  difundidos nas redes sociais tem um papel central nos processos eleitorais.

    Nesse sentido, é de fundamental importância analisar a forma como se utiliza o mundo digital para influenciar a opinião pública e as eleições, em particular, mas também os discursos e práticas que afetam os direitos humanos.

    Um dos muitos exemplos da possibilidade de manipulação e uso de dados dos eleitores foi o caso da Cambridge Analytica nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, que foi importante para a vitória eleitoral de Donald Trump, em novembro de 2016, como é detalhado no livro Manipulados: como a Cambridge Analytica e o Facebook invadiram a privacidade de milhões e botaram a democracia em xeque (Editora HarperCollins, 2019), de Brittany Kaiser. A autora trabalhou na Cambridge Analytica por três anos e meio e, conhecendo a empresa e suas estratégias, tornou público seu conhecimento, mostrando como a empresa operava e os perigos que as big techs representam, para que, da próxima vez, “os eleitores de ambos os lados estivessem cientes de tudo o que está em jogo na guerra de informações que a nossa democracia está encarando”.

    Quanto às big techs e seu uso em eleições, no artigo Big Data: Toda democracia será manipulada?, Mikael Krogerus e Hannes Grassegger mostram como há especialmente nas eleições mais recentes, o uso sistemático da psicometria, que é um sub-ramo da psicologia baseado em dados, que tem como foco medir os traços psicológicos dos indivíduos com o uso de modelos da matemática e da estatística.

    O que eles procuram compreender é o que está por trás do big data. Para eles: “Em essência, tudo o que fazemos, seja on ou offline, deixa traços digitais. Cada compra que fazemos com nossos cartões, cada busca que fazemos no Google, cada movimento que fazemos com nosso celular no bolso, cada ‘like’ é armazenado. Especialmente cada ‘curtida’.”

    No caso do uso da psicometria, esse processo antecede às eleições nos Estados Unidos de 2016 e certamente continuou sendo utilizado nas eleições seguintes. Como informam os autores, bem antes, na década de 1980, “duas equipes de psicólogos desenvolveram um modelo que buscava avaliar os seres humanos com base em cinco traços de personalidade, conhecidos como os ‘Cinco Grandes’, que se tornaram a técnica padrão da psicometria: abertura, conscienciosidade, extroversão, afabilidade e neuroticidade”, permitindo uma avaliação relativamente precisa do tipo de pessoa, incluindo suas necessidades, medos e tendências comportamentais (site Outras Palavras, 5/2/2017).

    Esse processo foi se sofisticando. Inicialmente, o problema era a coleta de dados, pois exigia o preenchimento de questionários. Isso mudou com o surgimento e o desenvolvimento da internet e, depois, com os dados disponibilizados voluntariamente pelas pessoas nas redes sociais, além do uso crescente da Inteligência Artificial.

    Um dos instrumentos utilizados foi o aplicativo  chamado MyPersonality, que possibilitou aos usuários do Facebook, por exemplo, preencher diversos questionários psicométricos e, com base na avaliação, receber um “perfil de personalidade”. No entanto, o resultado mais importante foi que milhões de pessoas revelaram suas mais profundas convicções, formando o maior conjunto de dados psicométricos com perfis do Facebook jamais coletado. E estes podem e tem sido utilizados para diversos fins, inclusive em eleições.

    Essencialmente, criou-se um mecanismo de identificação de pessoas com base nas informações que elas mesmas forneciam, ampliado posteriormente com o uso de smartphones, que funcionam como “um vasto questionário psicológico que estamos preenchendo constantemente, tanto consciente quanto inconscientemente”.

    Esse modelo inicialmente não tinha como objetivo seu uso em eleições, mas passou a ser utilizado por empresas de comunicação estratégica, que oferecem marketing baseado em modelos psicológicos, sendo posteriormente incorporado também às campanhas eleitorais, por meio da chamada publicidade segmentada, com mensagens personalizadas “ alinhadas o mais precisamente possível à personalidade de cada indivíduo”.

    Nos Estados Unidos, as estratégias de mentira, fake news e manipulação possibilitaram a vitória da extrema direita em 2016, com Donald Trump. Embora não tenham sido suficientes em 2020, ele voltou a se eleger em 2024 utilizando mecanismos semelhantes, o que evidencia a possibilidade de replicação dessas estratégias em outros países, como o Brasil.

    Uma referência importante sobre esse tema é o livro Democracia manipulada: a explicação por detrás das fake news, do Brexit na Inglaterra, Donald Trump nos Estados Unidos, Macron na França ou do Movimento Cinco Estrelas na Itália, de Martin Moore (Editora Self, Carcavelos, Portugal, 2019).

    O autor analisa como Facebook, Google e Twitter (hoje, X) foram usados por empresas de consultoria política para influenciar decisivamente eleições, constituindo o que ele chama de “um mundo de vigilância em tempo real”, com acesso a dados pessoais analisados por meio de tecnologia sofisticada, que distorcem o processo eleitoral e colocam em xeque a própria democracia, a liberdade e a privacidade.

    Há, portanto, uma questão central: o que é preciso fazer para salvar a democracia? Como enfrentar fake news, manipulações, hackers, milícias digitais e o controle monopólico das informações? A tecnologia pode manipular a vontade do eleitor por meio de mensagens habilmente formuladas e viralizadas nas redes sociais.

    Mais do que apenas manipular resultados eleitorais, essas práticas contribuem para corroer a democracia. Governos autoritários podem ser eleitos usando essas estratégias e, posteriormente, utilizá-las para reforçar seu poder. Por isso, como afirma Martin Moore, é necessário construir uma esfera digital menos centralizada, com espaços cívicos digitais e serviços públicos que não se baseiem no rastreamento de dados pessoais, e, fundamentalmente, o que ele chama de uma democracia digital centrada no cidadão, garantindo seus direitos, entre eles, o direito à privacidade.

    Como tem analisado o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral – criado em 2021 pelo TSE – que visa “Proteger a integridade, credibilidade e legitimidade do sistema eleitoral”, com o avanço da IA e as mudanças nas big techs que encerraram programas que garantiam mais transparência na difusão de conteúdos e a adesão dos  seus donos a  Donald Trump, contrário a qualquer medida de regulações que estabeleçam limites e obrigações, tornam as eleições de 2026 um enorme desafio para a democracia no sentido de monitorar e combater a desinformação e suas consequências.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Arsenal bate Corinthians na prorrogação e fatura Mundial Feminino

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    © REUTERS/Ian Walton - Proibido reprodução

    O Corinthians Feminino bem que tentou. As Brabas lutaram muito. Fizeram jus à história. Mas a maior qualidade e investimento do Arsenal acabou pesando. As inglesas ganharam por 3 a 2 na prorrogação e faturaram a Copa dos Campeões, o primeiro título mundial da modalidade organizado pela FIFA.

    A decisão ocorreu na tarde deste domingo (1º de fevereiro) no Emirates Stadium, em Londres.

    O placar foi aberto pelas europeias. Logo aos 14 minutos, depois da falha da zaga corintiana, Lelê salvou o chute de Russo. Mas Smith, no rebote, mandou para as redes.

    A vantagem inglesa durou pouco. Aos 20, Andressa Alves cobrou escanteio, e Gabi Zanotti concluiu de cabeça para o gol. A goleira do Arsenal defendeu, mas a bola cruzou a linha antes mesmo de Belén Aquino completar. Depois de várias chances de lado a lado, o primeiro tempo encerrou-se com o placar igual: 1 X 1.
     


    Soccer Football - FIFA Women's Champions Cup - Final - Arsenal v Corinthians - Emirates Stadium, London, Britain - February 1, 2026  Arsenal's Smilla Holmberg in action with Corinthians' Gisela Robledo REUTERS/Ian Walton
    Soccer Football - FIFA Women's Champions Cup - Final - Arsenal v Corinthians - Emirates Stadium, London, Britain - February 1, 2026  Arsenal's Smilla Holmberg in action with Corinthians' Gisela Robledo REUTERS/Ian Walton

    REUTERS/Ian Walton – Proibido reprodução

    Na etapa final do tempo regulamentar, o cenário de maior posse de bola do Arsenal e mais chances de gol das inglesas não se alterou. Aos 12 minutos, Wubben-Moy mandou para as redes de cabeça e colocou o time europeu na frente mais uma vez: 2 a 1.

    Mantendo a tradição de muita luta e muita superação, as Brabas do Timão resistiram a pressão adversária e conseguiram um pênalti nos acréscimos após revisão do VAR. Vic Albuquerque cobrou e igualou aos 50 minutos: 2 x 2.

    Na prorrogação, a decisão da final. Após Duda Sampaio perder uma bola no meio de campo, Foord aproveitou um rápido contra-ataque e chutou para definir o placar: 3 a 2.

    Além da taça, o Arsenal ganhou 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 11,9 milhões na cotação atual). O Corinthians ficou com 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5,2 milhões). Valores que representam um recorde para a modalidade.


    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Mais de 500 mil foliões acompanham megabloco de Ivete Sangalo

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    © Alex Ferro / Riotur

    Mais de 500 mil pessoas transformaram neste domingo (1º) as ruas do centro do Rio em um grande palco carnavalesco ao longo do percurso na Rua Primeiro de Março. O megabloco SeráQAbre?, de Ivete Sangalo, que se apresentou pela primeira.vez nos blocos de embalo do Circuito Preta Gil foi acompanhado por milhares de fãs da artista, em dia de céu claro e sol forte na cidade.

    À frente do trio elétrico, Ivete saudou os foliões dizendo que este é um momento muito especial da carreira, que vai ficar guardado no coração. Durante o desfile, ela cantou sucessos como Festa, Sorte Grande, Abalou, Eva e também algumas músicas do projeto “Ivete Clareou”, inspirado em sambas e pagodes clássicos. 

    “Hoje, o que sinto é gratidão por tudo o que a gente vai viver junto e por estar aqui com vocês, nesta cidade tão especial. Hoje eu vim para arrancar o coro de vocês, brincou a cantora”.

    Ivete chorou ao falar de Preta Gil, que dá nome ao circuito dedicado aos megablocos.  

    “A previsão do tempo não era essa, e esse sol que nos ilumina agora é a presença dela. A Preta está envolvida na minha vida desde que pisei no Rio de Janeiro.

    Ela lembrou que todas as vezes que chegava ao Rio, ligava para Preta, sempre a primeira pessoa com quem falava. “Um amor profundo. “Uma irmã. Um amor muito grande. Hoje ela não está aqui, mas queria muito que estivesse”.

    Neste ano, a expectativa é que os mais de 400 blocos espalhados pela cidade reúnam cerca de 6 milhões de foliões pelas ruas do Rio, sendo que dez deles são considerados megablocos.

    A Empresa de Turismo do Rio (Riotur) disponibiliza a programação completa no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial, para que os foliões saibam quando e onde a folia vai rolar.

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Ciclone extratropical se intensifica em Santa Catarina

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    © Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC)

    A formação de um novo ciclone extratropical na Região Sul do país está se intensificando em Santa Catarina, com a chegada de temporais isolados, com raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos pontuais nas regiões do litoral sul e na grande Florianópolis. Alerta meteorológico, divulgado pela Defesa Civil do estado prevê que o temporal permaneça entre duas e três horas.

    Em nota publicada na última sexta-feira (30), a Defesa Civil de Santa Catarina alertava para a formação de um ciclone extratropical, com chegada prevista entre a segunda (2) e a quarta-feira (4).

    “O fenômeno deve se formar próximo à Região Sudeste e trazer mais chuva ao litoral catarinense. A partir da madrugada de terça-feira (3), os temporais tendem a ganhar intensidade, principalmente entre o litoral norte e a grande Florianópolis. Os acumulados elevados aumentam o risco para alagamentos, enxurradas e eventuais deslizamentos”.

    A meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil, disse que “diferentemente do final de semana, quando as instabilidades são passageiras, a chuva deve ocorrer de forma persistente e volumosa nos próximos dias”.

    A Defesa Civil informou ainda que da tarde de hoje para a noite, o aquecimento, a umidade e influência de uma área de baixa pressão e de ventos mais intensos em diferentes níveis da atmosfera, voltam a favorecer a formação de temporais isolados. “Apesar da instabilidade do tempo ficar restrita às áreas mais a leste do estado, como o litoral e Vale do Itajaí e os temporais serem mais isolados que no dia anterior, eles ainda podem produzir granizo e intensas rajadas de vento de forma localizada”.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias