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    Mega-sena pode pagar prêmio de mais de R$ 100 milhões nesta quinta

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    © Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O concurso 2966 da Mega-Sena tem prêmio estimado em R$ 102 milhões para quem acertar as seis dezenas que serão sorteadas a partir das 21h desta quinta-feira (29), no Espaço da Sorte, em São Paulo. 

    As apostas podem ser feitas até as 20h30 (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet.

    A aposta mínima, de 6 números, custa R$ 6. Quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de ganhar.

    O sorteio tem transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube.

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    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Incêndio destrói empresas e creche na zona leste de São Paulo

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    © Divulgação/Corpo de Bombeiros

    O fogo tomou conta de uma fábrica de colchão na madrugada desta quinta-feira (29), no Jardim Helena, na zona leste de São Paulo. Não houve feridos.

    O Corpo de Bombeiros, que foi acionado às 2h31, enviou 12 viaturas para o local e 37 agentes atuaram na ocorrência. O fogo se espalhou e atingiu uma oficina mecânica, que também ficou destruída, e uma academia, que foi parcialmente atingida e corre risco de desabamento. O fogo chegou ainda a uma creche.

    No momento os bombeiros fazem o trabalho de rescaldo.

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Congonhas confirma terceiro vazamento em mina, em menos de uma semana

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    © Prefeitura de Congonhas/Divulgação

    A cidade de Congonhas, região central de Minas Gerais, confirmou na noite desta quinta-feira (28) um terceiro vazamento de água no estado em menos de cinco dias.

    Desta vez, o acidente foi identificado no dique de Fraile, na mina Casa de Pedra, que pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

    Os dois vazamentos anteriores, um no domingo (25) e outro na segunda-feira (27), ocorreram em áreas controladas pela mineradora Vale.

    Segundo a prefeitura de Congonhas, o novo problema foi identificado durante os trabalhos de fiscalização nos outros dois vazamentos: 

    “[Foi identificado] carreamento de resíduos por enxurrada, decorrentes de deficiências nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora”.

    Ainda de acordo com a prefeitura o material foi em direção ao Rio Maranhão e, apesar do vazamento, não houve rompimento de estruturas.

    O órgão municipal considerou o incidente como um ‘dano ambiental moderado’. A prefeitura disse ainda que notificou a CSN para que tome providências.

    A Agência Brasil entrou em contato com a CSN, que não se posicionou até a publicação deste texto.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio

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    © Tomaz Silva/Agência Brasil

    A mulher fotografada enquanto fechava os olhos do cadáver do marido em meio a uma fila de corpos tem um nome: Fernanda da Silva Martins.

    A imagem do repórter fotográfico da Agência Brasil Tomaz Silva com o pranto da viúva, de 35 anos, rodou o mundo e foi republicada em jornais e sites do país e do exterior para retratar a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro. 

    Deflagrada pelo governo do estado do Rio para cumprir mandados e coibir a facção criminosa Comando Vermelho, a Operação Contenção deixou 122 mortos entre 28 e 29 de outubro de 2025, incluindo cinco policiais. 

    O confronto teve reflexos em toda a cidade se estendeu madrugada adentro na Serra da Misericórdia, região desabitada entre os complexos do Alemão e da Penha, onde familiares de mortos e ativistas de direitos humanos denunciam ter havido sinais de execução.

    Já autoridades policiais alegaram, na época, que os mortos são criminosos que reagiram e atentaram contra a vida de seus agentes. Para o governador, Cláudio Castro, a incursão foi um sucesso.

    Depois da ação, moradores do Complexo da Penha retiraram cerca de 80 pessoas mortas de uma área de mata e os enfileiraram em uma rua na Vila Cruzeiro, onde permaneceram por horas, diante de vizinhos e familiares, até que fossem encaminhados ao Instituto Médico Legal, no centro da cidade.

    >> Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

    Por respeito à condição de Fernanda, no momento da foto, a Agência Brasil preferiu evitar abordar parentes das vítimas, seguindo a política editorial da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Passados esses três meses, a reportagem a reencontrou na comunidade do Complexo do Alemão onde mora com três dos quatro filhos, de 15, 11 e 8 anos. 

    A imagem dela feita pela Agência Brasil retrata seu maior momento de luto, afirma. Apesar das condições em que foi fotografada, ela disse que “sua dor ganhou importância” com a repercussão. 

    “Ali, sentiram a minha dor. Muita gente [me] crucificou, mas outras me ligaram, se comoveram. A foto foi de um sentimento muito real”, avaliou.


    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – Fernanda da Silva Martins posa para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – Fernanda da Silva Martins posa para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Fernanda da Silva Martins durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    “Não importa se acharam que eu era mãe dele. Eu perdi o amor da minha vida, pai dos meus filhos, o homem que me deu esperança”.

    Ao relembrar o momento, ela se entristece com o estado do corpo do qual se despediu. Ela conta que seu marido era membro da facção, mas o cadáver tinha sinais que iam além do que era esperado em uma troca de tiros.

    “Ele não morreu [só] de tiro. Ele levou facada no braço e teve o pescoço quebrado. O tiro de misericórdia deram depois, nas costas”, revelou. “Mas eu não recorri a nada nem a ninguém, não tenho apoio”.

    Depressão e fome

    Desde que perdeu o companheiro com quem estava há 14 anos, o primeiro desafio do dia dela é acordar. Fernanda sofre com depressão e síndrome do pânico e chegou a ficar internada após uma tentativa de suicídio desde que ficou viúva. 

    “Eu saí do tamanho (manequim) 44 para o 36. Eu passo dias sem comer, choro, desmaio, tem sido difícil”, disse.

    São seus dois filhos mais novos, Anna Clara, de 11 anos, e Ivan, de 8, que a mantêm de pé, desabafa. A filha mais velha, de 18 anos, mora com a avó, e segundo mais velho, de 15, com o pai.

    “Hoje, [juro] por Deus, levantei pela força da misericórdia. O menino não tinha o que comer. Ele me acordou: ‘mamãe, tô com fome’. Tem dois dias que não durmo, vivo à base de remédios”.

    O pouco que a família tem vem do Bolsa Família, mas, com duas crianças em casa, a comida acaba rápido.

    “Meu marido, antes, pagava tudo. Agora, a gente vive mais de miojo, porque eu não tenho mesmo”.

    Para buscar o sustento da família, também pesa o fato de Fernanda ter apenas sete anos de estudo, com ensino fundamental incompleto, e nunca ter trabalhado de carteira assinada. 

    “Mas eu já trabalhei. Eu olhava uma senhora idosa, trabalhei em lanchonete, trabalhei de diarista com minha mãe. Trabalhei no carnaval, vendendo cerveja. Este ano que não vou, não consigo ainda encarar o mundo, sabe?”, justifica. “Eu também tive quatro filhos e cuidava sempre deles”.

    Sem a merenda para os filhos durante as férias escolares, o dinheiro encurtou ainda mais e uma das soluções foi mandar Clara para a casa da avó paterna, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. 

    O menino que ficou, Ivan, toma banho de barril para aliviar a sensação da última onda de calor na cidade e implora para ir à praia. 

    “Ele pergunta: ‘mãe, quanto é a passagem para eu ir?’ Eu respondo: ‘é caro, são quatro passagens, eu não tenho condição'”.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Relacionamento

    Quando começou a se relacionar com o ex-marido, Leonardo Fernandes da Rocha, ela conta que não sabia que ele integrava a cadeia de comando da facção. Com o tempo, a família passou a depender dessa renda.

    “Eu trabalhava na padaria e ganhava um salário. Mas tudo era meu. Do portão para dentro, era tudo ele. Botava comida em casa, pagava as contas, tratava bem meus filhos mais velhos. Não faltava nada. Internet, comida, gás, roupas, era tudo ele, eu gastava comigo”.

    A época mais difícil que passaram foi a do diagnóstico de câncer de Ivan, na época, com 3 anos. Fernanda conta que, juntos, ela e Leonardo tentaram traçar planos para ele fora do crime, mas não conseguiram outra forma de garantir renda suficiente para a sobrevivência e o tratamento. 

    “Meu marido queria ter saído dessa vida. Ele vendeu moto, vendeu o fuzil, queria vender a nossa casa para pagar o tratamento do Ivan, mas não dava. O médico falou assim para ele: o senhor pode vender até a sua alma, mas não vai dar [para custear o tratamento]. Então, ele foi ficando [no tráfico], e eu fui relevando [o tráfico e as traições]. Eu orava”, lamentou.

    Depois de muita espera e até ações judiciais, ela conta que o caso finalmente foi encaminhado para o Instituto Nacional de Câncer (Inca), e uma cirurgia salvou a vida do filho.

    “Meu filho ficou meses internado. O Leonardo [o pai], apesar de dar os pulos dele, de me chamar de maluca, de doida, de surtada, porque eu ia atrás dele, ele me apoiava, pagava os remédios e, no dia da operação, chegou [ao hospital] em dez minutos”, lembrou. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 28/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contensçao.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 28/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contensçao.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Mulher chora diante de dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Apoio dos pais

    Fernanda recebeu a reportagem na laje da casa dos pais. Com pés de maracujá, uma bananeira e perfumado por ervas, como manjericão e hortelã, o espaço é o mais fresco da casa, mantido pelo pai de Fernanda, Jocimar, um vendedor de 55 anos.

    “Aqui não tem passarinho, mas toda hora vem uma borboleta”, brinca ela, enquanto procura se proteger do sol a pino.

    A casa dos pais dela é uma das mais simples da rua, conta. “A nossa casa é a mais pobre da rua porque, por muito tempo, meu pai foi dependente químico”

    “Não parava nada aqui dentro. Tudo ele vendia. Pegava crediário nas Casas Bahia e vendia móvel, televisão, telha… A minha [primeira] filha ia fazer um festão de um aninho. Aí, ele vendeu a roupa dela todinha, uma roupinha jeans e uma sandalinha gladiadora. Depois, eu creio, por causa dessa história, da minha filha, ele se arrependeu e parou”.  

    O acontecido já tem quase 20 anos, e Fernanda há tempos perdoou. É o pai e a mãe dela, Sônia, uma diarista de 59 anos, que a socorrem quando falta comida na mesa. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva martins posam para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva martins posam para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva Martins, durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    “Se não fosse pela minha família, eu não estaria mais aqui. E eles ajudam como podem”.

    Sobre o futuro, Fernanda sonha em sair do Alemão.

    “Queria dar uma vida melhor para os meus filhos. Não é que aqui seja ruim, mas queria que meus filhos avançassem, tivessem um futuro que eu não tive”, disse. 

    Ela também gostaria de montar um pequeno salão, “fazer manicure e pedicure”. 

    “Já fiz curso de cílios, sobrancelhas, tenho diploma, só falta botar em ação”. Hoje, a preocupação é viver um dia após o outro e colocar comida na mesa enquanto duram as férias.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Fátima reage ao rompimento de Walter e rebate narrativa de crise no RN

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    Fátima reage ao rompimento de Walter e rebate narrativa de crise no RN

    A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou, em entrevista concedida nesta terça-feira (27) ao programa Tamo Junto, da Rádio Universitária FM (UFRN), que foi surpreendida pela decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Executivo quando ela se desincompatibilizar, em abril, para disputar uma vaga ao Senado. Mais do que a mudança de planos em si, Fátima apontou a forma e o conteúdo do gesto como um rompimento de pactos políticos construídos ao longo de todo o segundo mandato e que, até então, vinham sendo tratados como naturais dentro da base governista.

    Segundo a governadora, havia um entendimento consolidado, inclusive com o aval do presidente Lula e das direções nacionais do PT e do MDB, de que Walter assumiria o governo e, a partir daí, seria o nome natural do campo democrático-popular para a sucessão em 2026, com apoio integral da coalizão.

    “O governo não esperava por essa mudança de rumo do vice-governador. A própria sociedade não esperava. A imprensa não especulava que ele não viesse a assumir o governo. O que estava colocado era o que manda a lógica política e institucional: ele assumiria e seria o candidato à reeleição, com o apoio do PT, dos partidos aliados e do presidente Lula”, afirmou.

    Fátima relatou que, mesmo quando Walter decidiu não disputar a reeleição, manteve o compromisso de assumir o governo e de trabalhar, em conjunto com ela, na recomposição do MDB, especialmente na formação de nominatas fortes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. Esse pacto, segundo a governadora, foi reiterado em reuniões com a direção nacional do partido, incluindo um encontro com o presidente do MDB, Baleia Rossi, e o líder Isnaldo Bulhões.

    “Havia diálogo franco, respeito e construção coletiva. Eu dizia a ele: a partir de agora, nenhuma decisão relevante no Estado será tomada sem que eu converse com você. Isso era prática, não discurso. Por isso, a decisão de não assumir, tomada de forma abrupta, pegou a todos de surpresa”, disse.

    Apoio à direita e operação da PF

    O gesto de Walter ganhou ainda mais peso político ao ser acompanhado do anúncio de que não apenas abrirá mão de assumir o governo, como também declarou apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que se movimenta como pré-candidato ao Governo do Estado pelo campo da direita. O reposicionamento ocorre em um momento delicado para Allyson, que foi alvo, também nesta terça-feira (27), de operação da Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão no âmbito de investigações sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos da saúde no estado.

    Sem entrar em juízos sobre a operação da Polícia Federal, mas afirmando que as investigações no estado devem avançar “com independência, rigor e aprofundamento”, Fátima observou que o apoio explícito a um projeto situado no campo conservador altera profundamente o tabuleiro político e rompe com a lógica da aliança que sustentou o governo desde 2018.

    “Estado quebrado”: Fátima rebate com números

    Um dos argumentos utilizados por Walter e por setores que defendem o seu afastamento do projeto governista é o de que o Rio Grande do Norte viveria uma situação fiscal crítica, o que tornaria “ingovernável” a transição. Na entrevista, Fátima foi direta ao classificar essa leitura como uma narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais.

    “Os fatos criam uma narrativa totalmente diferente dessa que tenta pintar o Estado como se estivesse quebrado. Quando nós chegamos, em 2019, encontramos quatro folhas de pagamento em atraso. O comprometimento da receita corrente líquida com pessoal era de cerca de 63% a 64%. Hoje está em torno de 56% e a projeção é chegarmos ao final de 2026 com algo próximo de 54%”, afirmou.

    A governadora lembrou que, mesmo com os impactos severos das Leis Complementares 194 e 192, aprovadas em 2022 durante o governo Bolsonaro, que reduziram drasticamente a arrecadação de ICMS sobre combustíveis e energia, o Estado manteve o pagamento dos servidores em dia e conseguiu retomar uma trajetória de equilíbrio.

    “Essas leis provocaram um abalo violento nas finanças dos estados. No nosso caso, somou-se a isso a redução da alíquota do ICMS de 20% para 18%, o que retirou quase R$ 800 milhões por ano do orçamento. Ainda assim, hoje não há um único servidor com salário atrasado. No dia 31, todos os ativos, aposentados e pensionistas recebem integralmente”, destacou.

    Fátima acrescentou que, mesmo diante desse cenário adverso, o governo manteve políticas de desenvolvimento que resultaram em crescimento do emprego formal e atração de investimentos.

    “O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Nordeste a ter mais empregos com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Modernizamos a política de incentivos, fortalecemos a indústria e hoje temos mais de 300 empresas beneficiadas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho. Se o Estado estivesse no caos que tentam pintar, não haveria tanta gente querendo disputar a cadeira de governador”, afirmou.

    Para a governadora, portanto, o argumento financeiro não se sustenta tecnicamente e cumpre papel político: tentar justificar o desembarque e, ao mesmo tempo, fragilizar o projeto que ela apresentará ao eleitorado na disputa pelo Senado.

    Governo interino e correlação de forças

    Com a confirmação de que Walter não assumirá, o cenário passa a ser o de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para a escolha de um governador interino. A governadora deixou claro que o PT e os partidos do campo popular-democrático trabalharão para construir maioria entre os 24 deputados estaduais.

    “O povo nos confiou a gestão do Estado até 31 de dezembro de 2026. Isso está amparado na Constituição e na soberania popular. O PT não fugirá dessa responsabilidade. Estamos trabalhando para construir a correlação de forças necessária para garantir a continuidade do projeto que foi aprovado nas urnas”, afirmou.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Com privatizações no RN, redução no preço da gasolina pode não chegar ao consumidor

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    Com privatizações no RN, redução no preço da gasolina pode não chegar ao consumidor

    Apesar do anúncio da Petrobras de redução do preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça (27), uma diminuição equivalente a R$ 0,14 por litro de combustível, o corte pode nem chegar ao consumidor em Natal. Por causa da privatização da BR Distribuidora e da refinaria da Petrobras, as empresas que fazem o refino e distribuição do combustível no Rio Grande do Norte hoje podem não repassar a redução para o consumidor final.

    Uma das questões é que a Petrobras tinha a BR Distribuidora, que tinha a função de comprar combustível da Petrobras nas refinarias e revender nos postos comuns e nos postos BR. Como a distribuidora era da Petrobras, ela comprava por preço de transferência e vendia mais barato. No caso dos postos BR, vendia ainda mais barato. Só que a distribuidora foi privatizada e hoje ela é a Vibra Energia. A Petrobras baixou o preço, a empresa vai comprar mais barato, mas não vai, necessariamente, vender mais barato. Pode simplesmente manter ou aumentar preços”, explica Marcos Brasil, coordenador geral do Sindpetro.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro vendeu a BR Distribuidora em 2019 por R$ 9,6 bilhões. A distribuidora era a maior do país, com quase 8 mil postos. Mas, além de privatizar a distribuidora, Bolsonaro também deu o direito de uso do nome dos postos BR, mesmo para as unidades que não compram mais combustíveis da Petrobras.

    Com isso, muita gente acha que está abastecendo num posto BR, mas a gasolina foi comprada de outro lugar. No Rio Grande do Norte, os postos BR são da Vibra, Bolsonaro deu o direito de enganar o consumidor e usar a marca da Petrobras por dez anos quando vendeu a distribuidora”, alerta Marcos Brasil.

    No RN, depois da venda da distribuidora para a Vibra em 2019, a refinaria também foi privatizada em 2022. O coordenador do Sindpetro explica que a refinaria da Brava Energia tem preço mais alto que da Petrobras. Com isso, os postos que compram dessa empresa devem manter os preços mais altos, apesar do anúncio de redução da Petrobras.

    Com a privatização, temos um dos preços da gasolina mais altos do Brasil. A Paraíba é sempre um real mais barato, imagine isso em milhões de litros, essa é a problemática. Apenas os postos que forem comprar em Cabedelo [na Paraíba], vão conseguir preços mais baixos”, contextualiza Brasil.

    Numa pesquisa realizada entre os dias 18 e 24 de janeiro deste ano pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio de venda do litro de gasolina em Natal estava a R$ 6,55 enquanto em João Pessoa (PB) o preço médio era de R$ 5,97.

    A única coisa que pode fazer as distribuidoras e os postos baixarem os preços é a pressão da sociedade, porque eles podem absorver essa redução para ficar com uma margem de lucro maior”, alerta o coordenador do Sindpetro.

    Já existe uma determinação do presidente Lula para que a Petrobras retome as atividades de refino e distribuição de combustíveis em todo o Brasil. Em julho de 2025, foi anunciado o investimento da Petrobras de R$ 33 bilhões nos setores de refino e petroquímica, com destaque para a produção de combustíveis sustentáveis.

    São conversas sigilosas, até por uma questão estratégica. Além disso, são medidas que levam tempo porque precisaria montar toda uma estrutura da empresa. No caso do Rio Grande do Norte, também se avalia se não seria mais vantajoso a recompra das estruturas já existentes”, revela Brasil.

    Saiba +

    Fonte: saibamais.jor.br

    Nordeste foi a região que mais matou pessoas trans em 2025; RN não teve casos

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    Nordeste foi a região que mais matou pessoas trans em 2025; RN não teve casos
    Dados do Dossiê de assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025.

    Mesmo com a queda no número de assassinatos, o Brasil segue ocupando o primeiro lugar no ranking mundial de mortes de pessoas transexuais e travestis, com 80 casos registrados em 2025. O país mantém essa posição há quase 18 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), responsável pelo levantamento divulgado na última segunda-feira (26).

    Para a entidade, a redução de 34% em relação a 2024 não representa um recuo efetivo da violência, mas reflete um cenário marcado por subnotificação, fragilidade institucional e ausência de políticas públicas estruturadas.

    Em 2025, Ceará e Minas Gerais lideraram o número de assassinatos, com oito registros cada. A violência permaneceu concentrada no Nordeste, responsável por 38 mortes, seguido pelo Sudeste, com 17 casos. Na sequência aparecem o Centro-Oeste, com 12, o Norte, com sete, e o Sul, com seis. O levantamento da Antra, que analisa a série histórica entre 2017 e 2025, aponta São Paulo como o estado mais letal do país, com 155 assassinatos no período.

    Dados do Dossiê de assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025.

    É nesse contexto que o dado do Rio Grande do Norte, que não registrou assassinatos de pessoas trans em 2025, deve ser lido com cautela. Embora o estado apareça com zero casos no levantamento anual, ele integra uma região historicamente marcada por altos índices de violência transfóbica. O próprio dossiê destaca que a diminuição dos assassinatos não foi acompanhada por redução das tentativas de homicídio, o que indica que a queda numérica não significa, necessariamente, maior proteção ou segurança para essa população.

    A presidente da Antra, Bruna Benevides, afirma que os números não podem ser analisados de forma isolada:

    “Não são mortes isoladas, revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, pontua. Segundo ela, o fato de a sociedade civil precisar monitorar diariamente notícias, denúncias e registros públicos para mapear as mortes já evidencia uma forma de violência institucional, uma vez que, sem esse esforço, muitos casos simplesmente não entram nas estatísticas oficiais.

    O perfil das vítimas segue sendo majoritariamente composto por travestis e mulheres trans jovens, entre 18 e 35 anos, negras e pardas, em situação de vulnerabilidade social. A Antra aponta ainda fatores que ajudam a explicar a persistência da violência, como o descrédito nas instituições de segurança e justiça, a retração da cobertura da mídia e a inexistência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia.

    Além do diagnóstico, o dossiê apresenta recomendações dirigidas ao poder público, ao sistema de justiça e às forças de segurança. Para Bruna Benevides, o relatório tem o papel de constranger o Estado e romper com o silêncio. Ela defende que políticas já existentes precisam ser acessíveis também às mulheres trans e travestis, especialmente aquelas voltadas à proteção contra a violência de gênero. “Há muita produção, inclusive de dados, falta ação por parte de tomadores de decisão”, afirma.

    SAIBA+ Nordeste lidera mortes de pessoas LGBTBQIA+ e RN tem subnotificação

    Os dados da Antra dialogam com informações divulgadas recentemente pelo Grupo Gay da Bahia, que registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil em 2025, incluindo homicídios, suicídios e latrocínios. Apesar da redução em relação ao ano anterior, o número ainda representa uma morte a cada 34 horas no país. Assim como no recorte específico da população trans, o Brasil segue liderando o ranking mundial de mortes violentas de pessoas LGBT+, evidenciando que a redução pontual dos números não altera a gravidade estrutural do problema.

    No caso do Rio Grande do Norte que está em uma região que concentra quase metade das mortes do país, o estado permanece atravessado pelos mesmos desafios estruturais apontados pelo dossiê, reforçando a necessidade de políticas preventivas, produção oficial de dados e ações contínuas de enfrentamento à violência transfóbica.

    SAIBA+ RN torna obrigatório registro de autodeclaração em casos de crimes LGBTQIA+fóbicos

    Fonte: saibamais.jor.br

    Partidos que apoiam Allyson para governador o defendem após operação da PF

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    Partidos que apoiam Allyson para governador o defendem após operação da PF

    Quatro partidos que formam o arco de aliança do governadorável Allyson Bezerra lançaram uma nota de apoio nesta quarta-feira (27) em que o defendem após a operação da Polícia Federal que teve o prefeito de Mossoró como um dos envolvidos. A nota é assinada pelo União Brasil — partido de Allyson —, PP (do deputado federal João Maia), PSD (da senadora Zenaide Maia) e MDB (do vice-governador Walter Alves). Nenhum deles falou sobre a operação nas próprias redes sociais. 

    “Reafirmamos nossa confiança na postura do prefeito Allyson, que tem pautado sua gestão pelo compromisso com a transparência, pelo respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública”, diz trecho da nota. “Seguimos ao lado de Allyson Bezerra, com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito. A verdade prevalecerá”, prossegue o texto.

    O pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte amanheceu o dia com a Polícia Federal em sua casa nesta terça-feira (27) O chefe do Executivo, o vice-prefeito e nomes de outros municípios foram alvos de uma operação que investiga um suposto esquema criminoso de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde no RN. Ao longo do dia, o prefeito se defendeu e politizou a ação da PF.

    Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais autorizadas pela Justiça Federal, em diferentes cidades do estado. As diligências incluíram o cumprimento de ordens judiciais em Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Em vídeo publicado após a ação, Allyson revelou que a PF apreendeu em sua casa um celular, um notebook e dois HDs pessoais.

    Além de Allyson, também foram alvo de mandados de busca da PF o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (PSD) — que deve assumir a Prefeitura em abril quando Allyson renunciar para concorrer ao Governo do RN —, o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o Prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP) e a chefe de gabinete de José da Penha, que é irmã do prefeito. Outro endereço visitado pela PF foi a casa do irmão do prefeito de São Miguel.

    Segundo as investigações, há indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos à rede pública de saúde, envolvendo empresas com sede no RN que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Relatórios de auditorias da CGU apontam falhas na execução contratual, como indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço nos produtos adquiridos.

    A PF informou que os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas, em apurações que ainda se encontram em fase de aprofundamento e coleta de provas.

    Até às 18h11 desta terça, segundo a PF, a operação resultou na apreensão de R$ 251.502,00 em espécie, distribuídos em sete locais de busca, além de 33 aparelhos celulares, 34 mídias diversas (pen drives e computadores), quatro veículos e 114 documentos.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    filme visita a memória urbana da cidade

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    A cidade de Mossoró ganha um novo registro audiovisual que propõe revisitar sua paisagem, sua memória e suas contradições a partir de um ângulo pouco comum. O documentário “Mossoró Por Todos os Lados”, dirigido, apresentado e idealizado por Luiza Gurgel representa a cidade com linguagem jornalística e forte apelo estético.

    A estreia acontece nesta quarta-feira (28), às 19h, no Cafezal do Memorial da Resistência, com entrada gratuita e aberta ao público. A sessão integra a programação de janeiro do Banco do Nordeste Cultural Mossoró. No filme, o público é convidado a observar a cidade de cima, por meio de imagens aéreas que revelam arquiteturas, trajetos urbanos e paisagens que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. A proposta, no entanto, vai além do impacto visual. Ao longo do percurso, o documentário costura cultura, gastronomia, história, turismo e arte, sem recorrer a uma narrativa didática tradicional.

    Segundo Luiza Gurgel em entrevista à Agência Saiba Mais, a escolha pelo olhar aéreo nasceu do consumo de produções audiovisuais que exploram cidades e países vistos de cima. “É muito comum a gente ver programas como Brasil visto de cima, Índia vista de cima. Quando surgiu a oportunidade de fazer um trabalho sobre Mossoró, eu pensei: por que não trazer essa perspectiva para a cidade e mostrar esse outro ângulo?”, explica. A partir desse ponto de partida, o filme foi ganhando uma linguagem própria, incorporando também entrevistas e imagens de detalhe, algo pouco usual nesse tipo de formato.

    O percurso apresentado no documentário começa no Mercado Público, espaço simbólico do nascimento e da organização urbana de Mossoró, e segue por lugares considerados fundamentais para compreender a identidade da cidade, como o Teatro Dix-huit Rosado, a Cobal, praças, bibliotecas e antigos cinemas. “A gente levantou pontos culturais, históricos e turísticos que atravessam a história da cidade. A partir deles, fomos criando o caminho que essa apresentadora faria pela cidade, parando em outros lugares e costurando essas histórias”, detalha a diretora.

    A arte aparece como eixo central do trabalho e como elemento que orienta a forma de fazer jornalismo no audiovisual. Para Luiza, essa escolha interfere diretamente na abordagem e na sensibilidade do filme. “A arte é a norteadora da minha vida. Quando você se alimenta de arte para fazer jornalismo no audiovisual, você aguça sensibilidades e consegue englobar várias linguagens em uma só, alcançando diferentes pessoas”, afirma.

    Além de apresentar Mossoró sob novas perspectivas visuais, o documentário também tensiona narrativas históricas consolidadas e propõe reflexões sobre memória e identidade urbana. Um dos pontos destacados pela diretora é a necessidade de enfrentar silêncios históricos, especialmente aqueles relacionados ao protagonismo da população preta na construção da cidade. “Quando a gente fala de episódios como a abolição da escravatura e coloca apenas pessoas brancas para falar sobre isso, a gente está reproduzindo um sistema extremamente violento. Um dos silêncios mais urgentes é dar voz a quem precisa ser ouvido”, pontua.

    Para Luiza Gurgel, o audiovisual carrega uma responsabilidade social profunda ao se propor como documento histórico. “Quando a gente documenta algo, está dizendo que aquilo é real. O audiovisual tem poder de formar opiniões, criar narrativas e transformar ideias. Isso semeia no hoje e se colhe daqui a 10, 20 anos. Por isso, falar sobre cidade e povo exige muito cuidado e responsabilidade”, destaca.

    A estreia de “Mossoró Por Todos os Lados” será acompanhada por uma exposição com imagens dos principais locais retratados na obra e por um bate-papo com convidados sobre o tema “o direito à memória, história e a construção da identidade de uma cidade”. A proposta é ampliar o diálogo com o público e reforçar o documentário como ferramenta de reflexão coletiva.

    Depois de olhar Mossoró por novos ângulos, a diretora afirma que também passou a enxergar a cidade de forma diferente. “Mesmo morando aqui, eu sei pouquíssimo sobre a cidade. Quando a gente se permite olhar por outros lados, isso alimenta uma inquietude que torna a cidade mais gostosa de se viver”, reflete.

    A expectativa é que o público saia da sessão com esse mesmo sentimento. “Eu espero que as pessoas olhem para Mossoró de forma mais questionadora. Que se perguntem que cidade é essa, que memórias ela carrega e que futuro a gente quer construir a partir disso”, finaliza.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Prefeitura de Natal na gestão de Álvaro Dias é condenada a indenizar arqueóloga

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    Prefeitura de Natal na gestão de Álvaro Dias é condenada a indenizar arqueóloga

    A Prefeitura do Natal, na gestão do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), foi condenada em duas instâncias na Justiça do Rio Grande do Norte a pagar uma indenização no valor de R$ 15 mil por danos morais a uma arqueóloga que sofreu ofensas públicas durante o trabalho dela em uma obra do município, no Centro Histórico da capital. O caso ocorreu em 27 de agosto de 2024, quando a profissional — que terá seu nome preservado — realizava escavações nas obras de requalificação do Centro Histórico de Natal. 

    Na época, o então prefeito gravou um vídeo e publicou nas redes sociais, em que reclamava da demora na obra de requalificação da Rua João Pessoa próximo à Praça Padre José Maria. A profissional diz no processo que realizava a escavação em uma quadrícula quando foi surpreendida pela presença de Álvaro Dias. Por meio de uma abordagem hostil, segundo narra o processo, ele fez questionamentos sobre sua atuação profissional. 

    “Esta obra já era para ter sido acabada. Acontece que o Iphan determinou que cada pá de areia seja peneirada. Então, toda a areia deste local está sendo peneirada. Isso aí é algo que, na nossa visão, vai atrasar de maneira inconsequente a obra, principalmente, por saber que em nenhum lugar, em nenhum local, existe essa exigência de se peneirar areia”, reclama Álvaro Dias em um vídeo que foi postado nas redes sociais, mas que depois foi removido. 

    “Onde já se viu peneirar areia?”, perguntou o então prefeito no vídeo. “Em que lugar do mundo já se viu peneirar areia?, “Minha senhora, você está atrapalhando o desenvolvimento de Natal”, “Eu vou lhe denunciar”, “Eu vou lhe processar”, narra o processo.

    O documento afirma que a arqueóloga, de forma respeitosa, tentava explicar o procedimento metodológico aplicado, mas era fortemente abafada pelos gritos de Álvaro Dias, que continuava a desqualificar e ridicularizar a autora e gravar em vídeo.  A sentença reconheceu que houve captação e divulgação de imagens sem autorização, com posterior publicação em rede social de grande alcance, circunstância que ampliou a exposição pública da profissional e contribuiu para a caracterização do dano moral.

    A Prefeitura foi condenada já em segunda instância e não cabe recurso. As informações são extraídas de processo judicial público, que não tramita sob segredo de justiça, o que autoriza sua divulgação. A ação judicial foi conduzida pela advogada Erika Batalha, que atuou na defesa da profissional ofendida.

    Agência SAIBA MAIS procurou a assessoria da Prefeitura de Natal e do ex-prefeito Álvaro Dias, mas não obtivemos um posicionamento até a publicação desta reportagem.

    Iphan desmentiu prefeito na época

    À época do caso, o Iphan desmentiu o prefeito e explicou que a exigência de peneirar areia é algo comum na área da arqueologia e que a obra com licenciamento seguia em andamento, sendo acompanhada por equipe de arqueologia habilitada e contratada pela Prefeitura. 

    “Esse acompanhamento prevê etapas como monitoramento, resgate, pesquisa e possui metodologia específica que pode ou não incluir o peneiramento, que é um procedimento de campo para resgatar todo o material, por menor que seja. O objetivo dessa sondagem é encontrar estruturas, alicerces ou vestígios bem preservados, pelos quais se possa fazer alguma inferência em relação às dezenas de milhares de pequenos fragmentos que saíram da escavação da obra”, detalhou a Coordenação-Geral de Comunicação Institucional do Iphan em Brasília, em resposta à Agência Saiba Mais.

    O Instituto também relata que, por causa da falta de licenciamento em um trecho da obra, material de valor arqueológico foi danificado.

    “Salienta-se que um dos trechos escavados desta obra teve os serviços iniciados antes da conclusão das análises do Iphan e não haviam sido informados no processo de licenciamento. Por este motivo, foi alvo de embargo em junho de 2024. Neste contexto, foram encontrados artefatos arqueológicos que não foram resgatados de forma adequada, tendo sido constatado dano. Até o momento, a prefeitura não procedeu com a regularização destes serviços”, disse o órgão na ocasião.

    Arqueólogos repudiaram falas do prefeito

    Os profissionais que integram a Associação Norte-rio-grandense de Arqueologia (ANA) emitiram uma nota de repúdio ao discurso de Álvaro Dias em 2024. “O vídeo, divulgado no Instagram do Sr. Álvaro Dias, ataca os procedimentos metodológicos e os trâmites de licenciamento de obras, através de forte crítica ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, tentando transmitir uma imagem negativa dessa instituição para a sociedade, além de constranger desnecessariamente, uma arqueóloga no seu local de trabalho e no livre exercício de sua profissão”, criticou a Associação naquele ano.

    Na avaliação dos arqueólogos, além de tentar construir uma imagem negativa do Iphan, Álvaro Dias demonstrou total desconhecimento sobre procedimentos arqueológicos e divulgou informações falsas. “O prefeito de Natal se referiu à pesquisa arqueológica, demonstrando total falta de conhecimento dos processos legais e técnicos de preservação do patrimônio arqueológico e da nossa História. Esta Associação, composta atualmente por 48 arqueólogos (as), entre fundadores, efetivos e colaboradores, que efetuam/efetuaram estudos e pesquisas arqueológicas no estado do Rio Grande do Norte, reitera que, conforme a constituição federal, o patrimônio arqueológico é patrimônio cultural brasileiro, sendo considerados bens da União desde julho de 1961, quando da promulgação da Lei 3.924; portanto, considera-se oportuno desenvolver o letramento da figura pública do senhor prefeito, informando que as licenças ambientais são, desde os anos 2000, também associadas a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e possuem ritos metodológicos específicos a serem cumpridos pelos profissionais da arqueologia, durante o exercício de sua profissão”, acrescentou a Associação.

    Fonte: saibamais.jor.br