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    Após cinco anos de vacinação, covid recua, mas ainda preocupa

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    © Raquel Portugal/FioCruz

    A vacinação contra a covid-19, iniciada há 5 anos no Brasil, levou ao fim da pandemia – mas a doença ainda persiste, mesmo que em patamares muito menores. Por isso, especialistas alertam que é essencial manter a imunização entre aqueles que não foram vacinados antes ou que têm risco maior de desenvolver quadros graves da doença.

    A cobertura, no entanto, está longe do ideal: em 2025, de cada 10 doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, menos de 4 foram utilizadas. Foram, ao todo, 21,9 milhões de vacinas, e apenas 8 milhões aplicadas.

    Dados da plataforma Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a ocorrência da chamada síndrome respiratória aguda grave (SRAG), mostram as consequências dessa baixa cobertura. Em 2025, pelo menos 10.410 pessoas adoeceram com gravidade após a infecção pelo coronavírus, com cerca de 1,7 mil mortes. Os números se referem apenas aos casos confirmados com teste laboratorial e, como alguns registros são inseridos tardiamente no sistema de vigilância do Ministério da Saúde, os dados de 2025 ainda podem aumentar.

    O coordenador do Infogripe Leonardo Bastos reforça que o coronavírus continua sendo um dos vírus respiratórios mais ameaçadores para a saúde.

    “A covid não foi embora. De tempos em tempos a gente tem surtos e avalia constantemente se esses surtos crescem, se eles podem se transformar em uma epidemia. O que a gente vê hoje de número de casos e mortes ainda é algo absurdo. Mas, como a gente passou por um período surreal na pandemia, o que seria considerado alto, acaba sendo normalizado”, diz.

    A pesquisadora da plataforma,Tatiana Portella complementa que o vírus ainda não demonstrou ter uma sazonalidade, como a influenza, por exemplo, que costuma apresentar aumento de casos no inverno.

    “A gente pode ter uma nova onda a qualquer momento com o surgimento de uma nova variante, que pode ser mais transmissível, infecciosa, e não tem como prever quando que vai surgir essa nova variante. Por isso que é importante que a população sempre esteja em dia com a vacinação”, recomenda. 

    Crianças


    Brasília (DF) 15/04/2025 A Secretaria de Saúde do DF promove um dia de vacinação infantil  na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia, DF  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    Brasília (DF) 15/04/2025 A Secretaria de Saúde do DF promove um dia de vacinação infantil  na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia, DF  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A Secretaria de Saúde do DF promoveu dia de vacinação infantil na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Desde 2024, a vacina contra a covid-19 foi incluída no calendário básico de vacinação de três grupos: crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas que fazem parte de grupos especiais (confira as informações completas abaixo) devem reforçar a imunização periodicamente. No entanto, cumprir esse calendário tem sido um desafio no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 2 milhões de doses foram aplicadas no público infantil em 2025, mas a pasta não especificou qual o índice de cobertura atingido com esse total.

    O painel público de vacinação indica que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi vacinado em 2025. Em nota, o Ministério informou que “os dados atuais subestimam a cobertura real: o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais” e que “está desenvolvendo a consolidação dos dados por coorte etária”

    Mesmo enquanto o status de emergência sanitária estava em vigor, a cobertura ideal de 90% ficou longe de ser atingida. A vacinação infantil começou em 2022, e até fevereiro de 2024, apenas 55,9% das crianças na faixa etária de 5 a 11 anos, e 23% das que tinham 3 e 4 anos tinham sido vacinadas. 

    Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal causa disso é a baixa percepção de risco.

    “O ser humano é movido pela percepção de risco. O Brasil foi um dos primeiros países que atingiram uma cobertura maior de 80% para toda a população adulta. Mas quando a vacina chegou para as crianças, o cenário era outro, com menos casos, menos mortes e a percepção de risco tinha diminuído. Aí o antivacinismo começa a fazer efeito. Porque as fake news contra a vacina só dão certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, argumenta.

    Mas o risco da covid existe e é alto. As crianças com menos de 2 anos são o segundo grupo mais vulnerável às complicações pela covid-19, atrás apenas dos idosos. Segundo dados da plataforma Infogripe, de 2020 a 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave foram registrados nessa faixa etária, com 801 mortes. Mesmo no ano passado, em que a doença estava teoricamente controlada, foram 55 mortes e 2.440 internações.

    As crianças também podem desenvolver uma complicação rara associada à covid-19 chamada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que provoca a morte em cerca de 7% dos casos. De 2020 a 2023, o Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos de SIM-P, com 142 óbitos. Além disso, um estudo com quase 14 milhões de crianças e adolescentes na Inglaterra mostrou também maior incidência de doenças cardiovasculares como miocardite e tromboembolismo após a infecção pela Covid-19. 

    Por outro lado, a eficiência da vacina também foi comprovada. O acompanhamento de 640 crianças e adolescentes vacinados com a coronavac em São Paulo, mostrou que apenas 56 delas foram infectadas pela covid depois da vacinação e nenhuma com gravidade. As vacinas infantis também já se provaram seguras. Em 2022 e 2023, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses da vacina contra a covid-19 em crianças, com poucas notificações de eventos adversos e a grande maioria leves, segundo o monitoramento do Ministério da Saúde.

    A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações ressalta a importância dos profissionais de saúde para aumentar as coberturas vacinais. Isabela Ballalai defende que é preciso melhorar a formação médica, e que os profissionais já atuantes devem se manter atualizados conforme as melhores evidências da ciência, e recomendar a vacinação às famílias.

    “Infelizmente nós temos médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora dizendo que nem todas as vacinas. Por trás disso há muitos interesses, políticos, financeiros, de vários tipos. E entre um médico que você já conhece e alguém que você ainda não conhece, em quem você vai confiar? Mas nós que defendemos as vacinas temos todas as evidências científicas pra provar o que a gente diz”

    Quem deve se vacinar contra a covid-19?

    Bebês:

    – 1ª dose aos 6 meses

    – 2ª dose aos 7 meses

    – 3ª dose aos 9 meses, apenas para as crianças que tiverem recebido a vacina da Pfizer

    Crianças imunocomprometidas:

    – 1ª dose aos 6 meses

    – 2ª dose aos 7 meses

    – 3ª dose aos 9 meses, independente do imunizante

    – Dose de reforço a cada 6 meses

    Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades:

    – Esquema básico semelhante ao das crianças em geral

    – Dose de reforço anual

    Crianças com menos de 5 anos que ainda não foram vacinadas ou que não receberam todas as doses devem completar o esquema básico

    Gestantes:

    – Uma dose a cada gravidez

    Puérperas (até 45 dias após o parto):

    – Uma dose, caso não tenham tomado durante a gravidez

    Idosos, a partir dos 60 anos:

    – Uma dose a cada 6 meses

    Pessoas imunocomprometidas:

    – Uma dose a cada 6 meses

    Pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indígenas que vivem ou não em terra indígena, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios:

    – Uma dose por ano

    Pessoas entre 5 e 59 anos, que não se encaixam nos grupos prioritários mas nunca foram vacinadas contra a covid-19:

    – Uma dose

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Cláudio Castro exonera presidente da Rioprovidência

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    © Tânia Rêgo/Agência Brasil

    O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou o advogado Deivis Marcon Antunes do cargo de diretor-presidente do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). O ato de exoneração foi publicado ontem (23) no Diário Oficial.

    A decisão do governador ocorreu depois que Antunes anunciou renúncia do cargo. Na manhã de ontem (23), o agora ex-diretor-presidente foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal em sua residência.

    Denominada Barco de Papel e autorizada pela 6ª Vara Federal Criminal, a operação teve “o objetivo de apurar a suspeita de operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia responsável pela gestão das aposentadorias e das pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro a risco elevado e incompatível com sua finalidade”, conforme nota da PF.

    Além de Antunes, a Polícia Federal também esteve nas residências do ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, e do ex-diretor interino de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal.

    Apreensões

    Na casa de Antunes, a PF apreendeu um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em espécie, um pen drive, relógio, e documentos para perícia. Na residência de Rodrigues, a Polícia Federal apreendeu R$ 3,5 mil em espécie, um veículo de luxo, celular, notebooks, pen drive e HDs, além de documentos.

    Desde novembro do ano passado, a PF investiga a aplicação de R$ 970 milhões pela Rioprevidência em títulos do Banco Master (letras financeiras), nove aportes ocorridos entre novembro de 2023 e julho de 2024.

    Dirigentes da Rioprevidência e do Banco Master podem ter cometidos “crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva”, descreve nota da Polícia Federal.

    Antes da renúncia e exoneração de Deivis Marcon Antunes, a Rioprevidência negou irregularidades e garantiu que os pagamentos de aposentados e pensionistas pelo fundo único de pensão ocorre “normalmente”.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Surtos de ciguatera envolvem 36 pessoas no RN; Sesap investiga

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    Surtos de ciguatera envolvem 36 pessoas no RN; Sesap investiga

    A Secretaria da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) divulgou nesta sexta-feira (23) que investiga cinco surtos de ciguatera no estado, envolvendo 36 pessoas. A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas.

    A pasta não divulgou maiores informações sobre esses casos, mas lançou uma nota técnica com orientações. Segundo a Sesap, a intoxicação por ciguatera é a forma mais comum de intoxicação não bacteriana associada ao consumo de peixes marinhos, com estimativas globais que variam entre 50.000 e 500.000 casos anuais, reconhecidamente subnotificados. Embora apresente baixa letalidade (inferior a 1%), a doença está associada a elevada morbidade, podendo ocasionar sintomas persistentes por semanas, meses ou, em determinados casos, por anos.

    Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.

    Não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico. 

    Intoxicação

    As toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.

    As ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.

    Recomendações

    As principais recomendações à população são: procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária; e evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.

    O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.

    Casos

    No Rio Grande do Norte, o primeiro surto confirmado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda). 

    Em 2023, foram notificados quatro surtos, envolvendo 11 pessoas, relacionados ao consumo de barracuda/bicuda, cioba e guarajuba. Em 2024, foram registrados um surto, afetando três pessoas, e um caso isolado, totalizando quatro pessoas adoecidas, associadas ao consumo de barracuda e guarajuba. 

    Já entre fevereiro e maio de 2025, identificaram-se três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado, com resultados laboratoriais positivos para ciguatoxina caribenha em algumas espécies.

    Na série histórica de casos de intoxicação registrados entre 2022 e 2025, foram notificados surtos e casos isolados envolvendo diferentes espécies de peixes, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas. No período avaliado, foram contabilizados 77 casos notificados de intoxicação exógena, abrangendo surtos confirmados e eventos ainda em investigação.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Ministério revisa diretrizes e custeio da rede de saúde mental do SUS

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    © Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

    O Ministério da Saúde estuda revisar as diretrizes e as normas de financiamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que reúne os serviços públicos de todo o país destinados a pessoas em sofrimento psíquico ou que enfrentam problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

    O exame inicial das duas portarias ministeriais que, desde setembro de 2017, estabelecem a forma como a Raps está organizada e é custeada está a cargo de um grupo de trabalho que contará com representantes das entidades que reúnem os secretários de saúde dos estados e do Distrito Federal (Conass) e municipais (Conasems).

    O grupo de trabalho responsável por revisar e propor mudanças nas Portarias de Consolidação GM/MS nº 3 e nº 6 foi criado por meio da Portaria nº 10, publicada no Diário Oficial da União do último dia 6, e será composto por seis representantes ministeriais; dois do Conass e dois do Conasems.

    A portaria também prevê a possibilidade de especialistas e representantes de órgãos e entidades, públicos ou privados, participarem na condição de convidados especiais, sem direito a voto.

    De acordo com o texto da portaria, o grupo de trabalho terá 180 dias para apresentar sua proposta de revisão das normas e diretrizes da Raps. Se necessário, o prazo inicial poderá ser prorrogado pelo mesmo período. Ao fim, as sugestões do grupo serão submetidas à avaliação da Comissão Intergestores Tripartites – foro de negociações e decisões composto pelo Ministério da Saúde, Conass e Conasems.

    Em nota, o Ministério da Saúde informou que a iniciativa integra suas ações de fortalecimento da política pública de atenção psicossocial e busca aprimorar “a articulação entre os diferentes pontos de atenção [da Raps], a partir das necessidades dos territórios”.

    “Com a instituição do grupo de trabalho, o ministério reafirma o compromisso com o fortalecimento do SUS e com a consolidação de uma política de saúde mental orientada pelos princípios da integralidade, da atenção em rede, do cuidado em liberdade e da gestão compartilhada entre os entes federativos,” informou a pasta.

    Fragilidades

    Já o Conass informou que considera a iniciativa “legítima e necessária”, desde que preservados os fundamentos da Lei nº 10.216/2001, principal marco legal da chamada Reforma Psiquiátrica brasileira, por dispor sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e estabelecer um novo modelo assistencial em saúde mental.

    De acordo com o conselho, há tempos as secretarias estaduais de saúde vem apontando “importantes fragilidades da Raps”, tais como a dificuldade de muitas prefeituras custearem assistência psicossocial aos munícipes; a falta de arranjos regionais que promovam e garantam este tipo de assistência e o subdimensionamento da saúde mental na atenção primária.

    “Somam-se a isso novas demandas do pós-pandemia [como o crescente número de diagnósticos de autismo e outros transtornos mentais; de medicalização de crianças e adolescentes; uso de psicotrópicos pela população em geral; casos de violência nas escolas; jogos e apostas online e dos agravos enfrentados pela situação em população de rua] e impasses quanto ao papel das comunidades terapêuticas, frequentemente desvinculadas da rede de atenção psicossocial e alvo de denúncias de violações de direitos”, pontuou o conselho, acrescentando que, no grupo de trabalho, “continuará reiterando seu compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS), com a Reforma Psiquiátrica e com uma política de saúde mental baseada em evidências, direitos humanos e na realidade dos territórios.”

    “O Conass defende atualizar normas e critérios de custeio para fortalecer a Raps e ampliar o acesso e qualificar o cuidado desde que preservados os fundamentos da Reforma Psiquiátrica, como o cuidado em liberdade, serviços comunitários e territoriais, defesa de direitos humanos e protagonismo de usuários e familiares – conquistas da sociedade brasileira”, finalizou o conselho.

    Desafios

    Segundo o Conasems, União, estados e municípios vêm debatendo os componentes da Raps e os desafios que os gestores públicos enfrentam para garantir a oferta de serviços qualificados de cuidado em saúde mental desde o ano passado. De acordo com a entidade, as demandas relacionadas a sofrimentos psíquicos são cada vez mais complexas, exigindo cada vez mais do Sistema Único de Saúde (SUS).

    “O problema da saúde mental não se reduz a questões de financiamento ou à atuação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), mas envolve a capacidade do sistema em integrar a rede de urgência e emergência, a atenção básica e a hospitalar, aliada à necessidade de profissionais qualificados, à articulação com outros setores e à redução do estigma na sociedade como um todo”, informou o Conasems à Agência Brasil.

    Ainda de acordo com a entidade, frente a problemas como a insuficiência de profissionais capacitados e a dificuldade de atrair os existentes para regiões de difícil acesso, os integrantes do grupo de trabalho deverão discutir possíveis melhorias para a rede, considerando as diferenças e particularidades dos 5.570 municípios brasileiros.

    “A proposta é que, no âmbito da governança tripartite do SUS, sejam debatidas possíveis melhorias, respeitando os preceitos da reforma psiquiátrica e contando com o apoio do controle social – incluindo usuários, familiares, profissionais e a sociedade em geral –, de modo a formalizar uma política nacional de saúde mental”, acrescentou o conselho de secretarias municipais de saúde. 

    Suporte

    A Raps oferece atendimento integral desde a atenção básica, o que inclui Unidades Básicas de Saúde (UBS); equipes de Consultório na Rua e Centros de Convivência e Cultura (Ceco), até a atenção psicossocial especializada, centrada nas diferentes modalidades de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

    A rede também ainda dá suporte às crises por meio da Atenção de Urgência e Emergência (SAMU 192, UPAs e salas de estabilização) e a Atenção Hospitalar, com enfermarias especializadas em hospitais gerais. Complementam a estrutura as Estratégias de Desinstitucionalização, como os Serviços Residenciais Terapêuticos, a Atenção Residencial de Caráter Transitório (unidades de acolhimento e serviços residenciais) e as ações transversais de Reabilitação Psicossocial, que juntas visam promover a autonomia e a reintegração social dos usuários.

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Morre Constantino Júnior, fundador da Gol, aos 57 anos

    © Eduardo Viana/GOL

    Morreu na manhã deste sábado (24), em São Paulo, o empresário Constantino de Oliveira Júnior, fundador e presidente do conselho de administração da Gol Linhas Aéreas Inteligentes. Ele tinha 57 anos e estava internado em um hospital da capital paulista, onde tratava um câncer diagnosticado há alguns anos.

    Constantino Júnior foi um dos fundadores da Gol em 2001 e esteve à frente da companhia como diretor-presidente até 2012. A partir desse ano, passou a atuar exclusivamente no conselho de administração, do qual era presidente. Sob sua liderança, a empresa consolidou o modelo de baixo custo no Brasil e em 2007  comprou a Varig.

    Antes de criar a Gol, o empresário atuou entre 1994 e 2000 como diretor da Comporte Participações, grupo de transporte terrestre de passageiros fundado por seu pai, Nenê Constantino. Ele também era irmão do empresário Henrique Constantino.

    Além da atuação na Gol, Constantino Júnior era membro do conselho de administração e um dos fundadores do Grupo Abra, holding do setor aéreo que controla a Gol e a Avianca, companhia colombiana de aviação.

    Apaixonado por aviação e automobilismo, Constantino também teve carreira como piloto de corridas. Participou da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, na qual foi vice-campeão em 2008 e campeão em 2011.

    Em nota, a Gol lamentou a morte do fundador e destacou seu legado. “Neste dia de enorme tristeza, a companhia se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus sentimentos e reconhecendo seu legado”, afirmou a empresa. 

    Segundo o comunicado, “sua liderança, visão estratégica e jeito simples e humano deixaram marcas profundas na cultura da Gol, cujos princípios seguem transformando a aviação no Brasil”.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Águas bentas, amizades benditas

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    Águas bentas, amizades benditas

    Naquela calçada de cimento cru, onde a tarde se demorava mais do que o relógio permitia, três amigas ocupavam o mundo com a simplicidade de quem senta para conversar sem pressa. A cidade interiorana respirava um domingo lento, desses em que o vento varre memórias e a rua parece saber o nome de quem passa (e olha que sabe!).

    Elas estavam ali como quem ancora o corpo depois de uma travessia. O fim de semana ainda escorria nelas, feito suco de fruta madura, sumarento, e eu, a narradora dessa história, que tudo vejo e sinto sem ser vista, sabia que aquele encontro era continuação da viagem, não seu fim.

    As três traziam no rosto o sol de Gargalheiras, uma luminosidade intensa que não se apaga fácil. O açude, com suas águas doces e escuras, tinha ficado para trás geograficamente, mas permanecia inteiro no silêncio entre uma fala e outra. Às vezes, é assim que os lugares mais importantes ficam. Não na fotografia, mas no corpo.

    – Ainda sinto o balanço da canoa quando fecho os olhos.

    Disse a primeira, ajeitando o vestido no joelho.

    – Parecia que a água respirava junto com a gente.

    Continuou.

    A segunda sorriu com o canto da boca, aquele sorriso que nasce antes da alegria completa.

    – E respirava mesmo. Gargalheiras tem esse jeito de útero antigo. A gente entra meio quebrada e sai inteira de outro modo. Tem águas bentas.

    A terceira, que segurava uma taça com um restinho de um espumante que havia sobrado do final de semana que passaram juntas, propôs um brinde festivo:

    – Às frutas comidas com a mão, ao sol sem culpa e às conversas que só acontecem quando a gente se conecta com a alma uma da outra, dentro ou fora d’água.

    A narradora se permite uma digressão, porque sabe que certos brindes não são para o que passou, mas para o que sustenta. Brindar é uma forma delicada de dizer: eu fiquei. Eu estou aqui. E, numa amizade verdadeira, ficar é uma ação de pura belezura. Ficar é permanência afetiva.

    Elas lembraram das mangas abertas na beira da água, do caldo escorrendo pelos dedos, do riso meio infantil que nasce quando ninguém está julgando. Lembraram do passeio de canoa (“Todo mundo devia ter a experiência de navegar em cima daquela ruma de água”, disse uma delas em algum momento do passeio), dos mergulhos, do cenário deslumbrante de serras e serrotes abraçando aquele mundo de água, da surpresa do frio, do voo dos pássaros, da cor escura da água que, ao contrário do que muitos pensam, não escondia perigo, mas profundidade. Água escura não é ausência de luz. É excesso de mistério. Talvez como a psiquê humana.

    – Teve uma hora que eu mergulhei e pensei que não ia voltar do mesmo jeito.

    Confessou a primeira.

    Agora com a voz um pouco mais baixa, completou:

    – Ando frágil. Vocês sabem!

    Sabiam. A narradora sabia também. Fragilidade, ali, não era fraqueza, era estado. Ora de estiagem. Ora de chuva demais.

    – Eu também!

    Disse a segunda.

    – Tenho andado com o peito meio trincado. Mas naquele mergulho… parecia que alguém segurava minha mão por dentro.

    Então calou-se.

    A terceira respirou fundo antes de falar.

    – Eu não sabia se conseguiria viajar. Estava cansada de mim. Mas vocês me chamaram do jeito certo. Sem cobrança. Só com afeto. E confesso que teria me arrependido se tivesse ficado em casa enfiada numa rede com minha deprê como companhia.

    A narrador observa que há convites que salvam. Não porque prometem alegria, mas porque respeitam o não dito. E isso, talvez, seja uma das maiores formas de amor entre amigas: a escuta que não interrompe, o silêncio que não abandona, o abraço que acolhe o choro que vem lá de bem fundo.

    A conversa escorreu para as dores de cada uma, sem competir, sem hierarquia. Dor, ali, não precisava provar tamanho. Bastava existir. Elas falaram de dores profundas, de pensamentos nada bons, noites mal dormidas, insônias e enxaquecas, de medos antigos, de amores mal curados e cautela com novas paixões, de expectativas que pesam mais do que malas de viagem, de mudanças de carreira… E, enquanto falavam, o corpo da cidade parecia silenciar para acolher cada palavra. A calçada era quase um colo.

    – O que me acalentou e aquietou meu coração e minha mente este final de semana foram os abraços, o das serras, o das águas e, sobretudo, o de vocês depois do mergulho. Eu tremia, e tudo isso me envolveu como quem diz: passa.

    Disse a segunda.

    – Porque tudo passa, mais cedo ou mais tarde, passa.

    Respondeu a primeira. E continuou:

    – Não some, mas passa.

    A narradora, nesse ponto, se afasta um pouco da cena para lembrar que amizades assim não nascem de coincidência. São construídas com paciência, com erros perdoados, com presenças mantidas mesmo quando não há assunto. Com verdades e chacoalhões necessários. São relações que entendem que ninguém é inteiro o tempo todo, e que amar alguém é aceitar suas rachaduras sem querer consertá-las à força.

    – E aquele pôr do sol de brinde?

    Perguntou a terceira, recuperando o riso e continuou:

    – A gente brindou até ao que não deu certo.

    – Principalmente ao que não deu certo.

    Corrigiu a primeira.

    – Até porque foi isso que trouxe a gente até aqui.

    O céu daquela lembrança era laranja e manso. Gargalheiras deveria estar refletindo o dia que se despedia, como no fim de tarde do dia anterior, e as três, de copo erguido, pareciam personagens de um ritual antigo, desses que não estão nos livros, mas sobrevivem na intuição feminina de celebrar juntas.

    Na calçada, o tempo avançava. Uma vizinha passou levando seu cachorro Zeus num passeio, vizinhos chegavam das lanchonetes e pizzarias depois da missa dominical… a vida seguiu seu curso. Mas entre elas havia uma suspensão. A certeza silenciosa de que aquele fim de semana tinha costurado algo novo, mesmo em tecidos antigos.

    – A gente devia fazer isso mais vezes.

    Ddisse a segunda.

    – Viajar juntas ou ficar jogando conversa fora na calçada enquanto tomamos uma?

    Perguntou a terceira.

    – As duas coisas!

    Respondeu a primeira, num disparo de gargalhada tripla…

    A narradora também gargalhou, porque sabe que elas farão isso muitas vezes ainda. Talvez não da mesma forma, talvez não no mesmo lugar. Mas amizades que atravessam águas escuras juntas aprendem a reconhecer o caminho pelo som da voz umas das outras.

    Quando recolheram as coisas da calçada, levavam a confirmação de que, apesar dos estados psicoemocionais fragilizados de cada uma, apesar das dores que ainda pedem cuidado, há relações que funcionam como margem. Que não impedem o movimento das águas, mas garantem que fluam e se represem só as boas, cheias de vida e movimento e esperança, feito as águas do açude.

    E, quem passasse por ali naquele instante, talvez visse apenas três amigas limpando e organizando uma calçada no fim de uma farrinha privada. Não saberia que Gargalheiras ainda escorria nelas. Nem que, às vezes, a viagem mais memorável é essa: mergulhar sabendo que no retorno haverá quem te ofereça uma toalha seca e uma fruta fresca ou sentar na calçada e reconhecer, no outro, um lugar seguro para voltar.

    Brindemos a tudo isso!

    Tin-tin!

    Fonte: saibamais.jor.br

    Carnaval de rua em São Paulo terá mais de 600 blocos

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    © Rovena Rosa/Agência Brasil

    A prefeitura da capital paulista disponibilizou nesta sexta-feira (23) a programação dos blocos do carnaval de rua de 2026. A plataforma www.carnavalsp.com permite que o folião busque os blocos por bairro, por data e horário, ou por período da festa: pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. Também é possível encontrar os blocos mais próximos, quando a busca é feita por celular.

    A programação tem mais de 600 blocos de rua e será atualizada durante o período carnavalesco. “Como é próprio da dinâmica do Carnaval de Rua, podem ocorrer ajustes, alterações de itinerário ou cancelamentos, que são incorporados à plataforma à medida que as informações são validadas, garantindo transparência e dados sempre atualizados ao público”, disse a prefeitura em nota.

    A administração municipal também implantará totens pela cidade que permitirão a consulta direta às informações dos blocos por meio de QR Code.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Instituições federais no RN mantém déficit, apesar de recomposição de 1bi feita por Lula

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    Cortes nas universidades atingem UFRN e Ufersa em quase R$ 20 milhões 
    Imagem: reprodução Ufersa

    Apesar do Governo Lula ter liberado R$ 977 milhões para recompor o orçamento perdido pelas universidades e institutos federais com a votação dos parlamentares da Lei Orçamentária Anual (LOA), os valores repassados ainda não serão suficientes para tranquilizar os gestores.

    No caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o corte anunciado foi de R$ 14,738,445,00, já a recomposição foi de R$ 11.214,518,00. Dessa forma, mesmo com a reposição do orçamento, sobressai um déficit de R$ 3.523,927,00.

    Foi muito importante o anúncio pelo governo federal da recomposição orçamentária para as universidades, porque o corte feito pelo Congresso na aprovação da Lei Orçamentária Anual inviabilizava o funcionamento básico dessas instituições. No entanto, é importante destacar que, mesmo com a recomposição, o orçamento das universidades tem valores do ano de 2025 corrigidos pela inflação do período. Este orçamento tem se mostrado insuficiente e é necessário que o país possa discutir um modelo de financiamento da educação superior que assegure previsibilidade e sustentabilidade”, sugere o reitor da UFRN, Daniel Diniz.

    No caso da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), a LOA 2026 foi aprovada com orçamento de R$ 67.219466 para a instituição, valor inferior ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2026, que previa orçamento de R$ 72.271.859. Com a recomposição, ainda restará um déficit de R$ 3.941.764.

    As universidades públicas federais brasileiras lamentam profundamente a redução no orçamento aprovada pelo Congresso Nacional. Neste sentido, as entidades – e cada instituição individualmente – têm articulado junto à classe política a recomposição do orçamento a fim de garantir o pleno funcionamento de todas as atividades acadêmicas e de pesquisa. O anúncio da recomposição é um avanço que evidencia o compromisso e a sensibilidade do Governo com as nossas universidades”, avalia o reitor da Ufersa, Rodrigo Codes.

    Já no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 resultou em uma redução de R$ 7.356.337,00 nos recursos discricionários inicialmente previstos para a instituição, que totalizavam R$ 101.781.054,00 na Proposta de Lei Orçamentária (PLOA). Os cortes atingiram áreas estratégicas, incluindo ações de capacitação de servidores, modernização da estrutura física, pesquisa e extensão, assistência estudantil, suporte a estudantes com necessidades educacionais específicas e custeio institucional, que envolve despesas essenciais como água, energia elétrica, limpeza, combustíveis e contratos de serviços contínuos.

    Do montante reduzido, o Governo Federal já efetuou a recomposição integral de R$ 5.130.192,00 destinados ao custeio institucional e de R$ 1.215.131,00 referentes à assistência estudantil.

    Isso traz um certo alívio porque, com essa recomposição, conseguimos chegar ao final do ano sem muitos problemas. Claro que ela não é suficiente para que possamos ampliar algumas ações que consideramos importantes, porque com o advento das emendas parlamentares, hoje no Brasil há uma disparidade muito grande entre um Instituto e outros. Às vezes um Instituto consegue captar mais recursos via emenda de bancada, inclusive quatro institutos foram beneficiados com emenda de relator e isso cria um desequilíbrio entre as instituições. O ministro e o presidente ficaram de pesar numa outra recomposição. Foi um alívio não só para o Rio Grande do Norte, para todas as outras 40 coirmãs que fazem a rede e educação profissional”, esclarece José Arnóbio, reitor do IFRN.

    Ainda fica no déficit a recomposição de R$ 1.011.013,00, referentes a ações de capacitação de servidores, reestruturação física, pesquisa e extensão, bem como ao suporte de profissionais que atuam no atendimento a estudantes com necessidades educacionais específicas, como intérpretes de Libras, cuidadores e outros profissionais da educação inclusiva.

    Desde que Lula reassumiu o comando do Executivo, todo ano há essa complementação. Em 2023, o recurso que havia sido colocado na LOA era bem inferior ao que foi feito com a recomposição. Então, a recomposição aconteceu em 2023, 2024, 2025 e 2026. No mês de dezembro a gente já tinha uma sinalização por parte do Ministério da Educação, através de Camilo Santana, de que o presidente já havia se comprometido a fazer essa complementação. Eram mais de sete milhões cortados e para nossa felicidade houve o anúncio da recomposição”, explica Arnóbio.

    O reitor do IFRN também destacou o diálogo aberto que tem conseguido manter com o Governo Federal. Um canal que nem sempre esteve disponível.

    Desde 2023 temos dialogado, tivemos o espaço aberto entre os reitores dos Institutos Federais e o presidente e o ministro da Educação, é bom ressaltar isso porque há quatro ou sete anos atrás, isso era quase impossível”, acrescenta.

    Relembre

    Para 2026, apenas as universidades federais sofreram um corte de R$ 488 milhões em seus orçamentos, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), após análise do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) aprovado pelo Congresso Nacional para 2026. 

    Na UFRN, o corte chegou a ser de 7,18%, o equivalente a R$14.738.445,00, com o orçamento passando de R$ 205.141.094,00 para R$ 190.402.649,00. Com a redução, o orçamento discricionário aprovado para a UFRN em 2026 ficou menor que o de 2025, que totalizou R$ 195.615.203,00.   

    Já na Ufersa, o corte no orçamento teve um impacto de cerca de R$ 5 milhões, com ênfase na Assistência Estudantil. 

    Brasil 

    Inicialmente, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) para 2026 previa orçamento de R$ 6,89 bilhões para as 69 universidades federais. Mas, o projeto aprovado em dezembro de 2025 pelo Congresso Nacional deixou apenas cerca de R$ 6,43 bilhões para as instituições em 2026.  

    O principal alvo dos cortes é a assistência estudantil, responsável por programas que garantem a permanência dos estudantes de baixa renda na universidade. Além disso, o corte de 7,05% no orçamento discricionário atinge contas básicas, como água, luz, bolsas acadêmicas e compra de equipamentos. 

    Na época, a Andifes emitiu uma nota comentando a situação do orçamento das universidades federais, confira:

    A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) manifesta profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das Universidades Federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

    De acordo com análise preliminar realizada pela Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais sofreu um corte total de R$ 488 milhões, o que representa uma redução de 7,05% nos recursos discricionários das instituições. Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior.

    A situação é ainda mais grave no que se refere à assistência estudantil, área estratégica para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Apenas nessa ação, o corte alcançou aproximadamente R$ 100 milhões, o equivalente a uma redução de 7,3%, comprometendo diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, e colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público.

    Os cortes aprovados agravam um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra. O quadro se torna ainda mais preocupante diante de cortes semelhantes ocorridos nos orçamentos da Capes e do CNPq. Estamos, portanto, em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A restrição orçamentária também impõe entraves à continuidade do desenvolvimento científico e, portanto, à soberania nacional.

    A Andifes reconhece e valoriza o diálogo mantido com o Ministério da Educação, que tem demonstrado sensibilidade em relação à gravidade do cenário orçamentário. No entanto, reafirma que os cortes aprovados pelo Congresso Nacional exigem ações imediatas de recomposição, sob pena de comprometer o funcionamento regular das Universidades Federais e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.

    A Andifes seguirá atuando de forma firme e articulada junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional em defesa da recomposição do orçamento das Universidades Federais e da pesquisa científica nacional, da valorização da educação superior pública e do cumprimento do compromisso constitucional do Estado brasileiro com a ciência, a educação e a redução das desigualdades sociais e regionais.

    Brasília, 22 de dezembro de 2025.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Oposição no DF pede impeachment de Ibaneis após citação por Vorcaro

    © José Cruz/Agência Brasil

    Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações sobre a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).

    Os pedidos foram apresentados pelo PSB-DF e pelo Cidadania-DF e também pelo PSOL. As legendas apontam supostos crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governo local em operações envolvendo o banco público. Os partidos afirmam que houve “atuação temerária” do Executivo, com risco ao erário e violação de princípios da administração pública.

    Entre os pontos citados estão a compra de títulos considerados de baixa qualidade e origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência com o banqueiro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.

    O governador nega. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (23), Ibaneis afirmou que nunca tratou da operação BRB–Master com Vorcaro e que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Ele confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na casa de Vorcaro “organizado por um amigo em comum”, mas disse que não discutiu assuntos relacionados ao banco.

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    Ibaneis também afirmou que “tudo era conduzido” pelo ex-presidente do BRB, demitido após a deflagração de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público. Em 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, transferências que são alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta.

    “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha.

    Acusações

    Segundo as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava crise de liquidez. O caso resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.

    O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões. Segundo os jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central (BC) determinou que o BRB faça um provisionamento (reserva para cobrir prejuízos) de pelo menos R$ 2,6 bilhões. Até agora, o BC não confirmou a informação.

    Ex-executivos das duas instituições foram intimados a prestar depoimento no fim de janeiro e início de fevereiro. As apurações indicam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações.

    Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações. A informação veio a público após acesso da publicação ao depoimento prestado pelo banqueiro à PF em 30 de dezembro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

    Situação das apurações

    As investigações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma fatia relevante do Banco Master, iniciativa que contou com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas acabou barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, avaliando eventuais falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.

    Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido. Além das apurações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Trabalhadores por aplicativo protestam em frente à Prefeitura de Natal

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    Trabalhadores por aplicativo protestam em frente à Prefeitura de Natal

    Motoristas e entregadores por aplicativo realizaram um ato público na manhã quinta-feira (22) em frente à Prefeitura de Natal. A manifestação foi uma resposta ao veto assinado pelo prefeito Paulinho Freire (União Brasil), que barrou integralmente o projeto de lei que obrigava as plataformas de transporte por aplicativo a criarem pontos de apoio para os trabalhadores por aplicativo.

    A mobilização foi organizada pela Associação de Trabalhadores por Aplicativo de Moto e Bike (Atamb) com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transportes (Sintat).

    De acordo com Alexandre da Silva, presidente da Atamb, há anos a categoria luta por melhorias nas condições de trabalho. 

    “O poder público era para estar fazendo isso. Era para estar trazendo política pública para a nossa cidade, para nós trabalhadores, para a comunidade”, discursou ele.

    Silva disse que os pontos de apoio — uma promessa feita na campanha por Paulinho Freire — existem em diversas capitais do Nordeste, como Recife, João Pessoa e Fortaleza.

    “E porque aqui em Natal a gente não pode ter ponto de apoio? Porque aqui em Natal a gente não pode buscar também política pública para os trabalhadores? Porque aqui em Natal a gente não pode ter um trabalho digno, no qual o trabalhador saia de casa e tenha um lugar para descansar, para fazer sua refeição, para estar aguardando sua corrida em segurança?”, questionou.

    Em 24 de outubro de 2024, três dias antes do segundo turno das eleições, o prefeito da capital deu entrevista a uma rádio da cidade e disse que se comprometeu — enquanto ainda tinha o mandato de deputado federal — a mandar emenda para construir os pontos de apoio no município.

    “É importantíssimo para que ele [motorista] possa carregar seu celular, possa até ter um ponto de internet gratuito lá, para que possa utilizar o banheiro e se organizar. A gente pode fazer alguns pontos em Natal que sirvam de apoio aos motoristas. E eu me comprometi de mandar uma emenda para isso aí”, disse Paulinho na ocasião. 

    Carlos Cavalcanti, presidente do Sintat, também lamentou no ato público que o prefeito tenha optado pelo veto. 

    “Em Natal, o prefeito veta uma lei, uma iniciativa popular dos trabalhadores, uma iniciativa que melhoraria a vida de muitos trabalhadores. Nós somos quase 20 mil trabalhadores por aplicativo só nos carros. Chegamos a quase 15 mil trabalhadores só nas motos”, disse.

    O veto ainda será analisado pela Câmara Municipal, que pode mantê-lo ou derrubá-lo.

    Projeto prevê banheiros, área de descanso e pontos de recarga de celular

    O projeto vetado, de autoria da vereadora Samanda Alves (PT), previa a implantação de espaços com banheiros, salas de descanso, tomadas para carregamento de celulares, áreas para refeições e mais segurança para trabalhadores e trabalhadoras que passam horas nas ruas da cidade. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal, mas acabou barrada pelo Executivo, o que motivou a reação das entidades representativas do setor.

    Saiba Mais

    Prefeito de Natal veta projeto que garantia apoio a motoristas de aplicativo

    Trabalhadores de aplicativo poderão ter pontos de apoio em Natal

    Fonte: saibamais.jor.br