Cobertura contra HPV cresce no RN, mas segue abaixo da meta
Cobertura contra HPV cresce no RN, mas segue abaixo da meta
A cobertura vacinal contra o HPV no Rio Grande do Norte tem apresentado sinais de recuperação nos últimos anos, mas ainda permanece abaixo do patamar considerado ideal pelas autoridades de saúde. O cenário acompanha uma tendência nacional de baixa adesão à vacina, apesar da ampla oferta gratuita pelo SUS.
Os dados mais recentes apontam que cerca de 66,9% dos adolescentes potiguares entre 9 e 14 anos foram imunizados contra o HPV, percentual inferior à meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde. A diferença indica que uma parcela significativa do público-alvo ainda está desprotegida contra o vírus, responsável por diversos tipos de câncer.
No Brasil, a situação também preocupa. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na última quarta-feira (25), mostra que apenas 54,9% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram com certeza já terem sido vacinados. Além disso, 34,6% disseram não saber se receberam a dose, evidenciando falhas no acompanhamento vacinal e no acesso à informação.
A vacina contra o HPV é considerada uma das principais estratégias de prevenção contra o câncer de colo do útero, além de tumores de ânus, pênis, boca e garganta. A recomendação é que a imunização seja feita entre os 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual, período em que a resposta do organismo é mais eficaz.
Os dados da PeNSE revelam ainda que 30,4% dos estudantes brasileiros nessa faixa etária já iniciaram a vida sexual, com média de 13,3 anos entre meninos e 14,3 entre meninas. O cruzamento dessas informações reforça a importância de ampliar a cobertura vacinal, especialmente em estados como o RN, onde os índices ainda estão abaixo da meta.
Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, o principal entrave não é apenas a hesitação vacinal, mas a desinformação estrutural. “Muitas pessoas ainda não sabem quando devem se vacinar ou quais vacinas estão disponíveis. Isso mostra que o problema vai além das fake news e passa pela falta de orientação e acesso”, afirma.
Entre os principais obstáculos para a vacinação estão a falta de informação, a baixa percepção de risco e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Apesar disso, o Rio Grande do Norte tem registrado avanços. Em 2023, houve aumento de cerca de 30% na aplicação de doses, indicando uma retomada após quedas observadas em anos anteriores. Para acelerar esse processo, estratégias como a vacinação em escolas e campanhas de resgate para jovens de 15 a 19 anos vêm sendo adotadas.
A ampliação da cobertura é considerada essencial para reduzir a circulação do vírus e, a longo prazo, diminuir a incidência de cânceres associados ao HPV.
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Fonte: saibamais.jor.br