Eleições 2026 – O jogo das nominatas com peças trocando de tabuleiro e velhos caciques perdendo espaço
Eleições 2026 – O jogo das nominatas com peças trocando de tabuleiro e velhos caciques perdendo espaço
Eleição Senado – Zenaide até aqui é quem aparece em situação melhor
O xadrez político do Rio Grande do Norte começou a mexer suas peças com mais intensidade — e, como já se desenha nos bastidores e nas primeiras leituras de cenário, há gente que entrou na rodada perdendo fôlego antes mesmo do apito oficial.
O grupo liderado por Álvaro Dias, que até pouco tempo sustentava musculatura competitiva, começa a dar sinais claros de enfraquecimento. A perda de tempo de televisão — elemento ainda decisivo em campanhas majoritárias — é sintomática. Ao ver o controle do Republicanos migrar para o entorno político de Allyson Bezerra, Álvaro não apenas perde espaço midiático, mas também sofre um golpe estratégico: cede protagonismo a um adversário que cresce justamente onde ele encolhe.
E o enredo não para por aí.
Nos corredores de Brasília e nas articulações locais, a possível volta de Styvenson Valentim ao Podemos adiciona mais um capítulo indigesto para o grupo de Álvaro. A movimentação pode significar mais perda de tempo de TV — e, nesse jogo, cada segundo vale voto. Como se não bastasse, um novo fato político ainda reverbera sobre o senador, ampliando a zona de instabilidade em torno de sua candidatura.
Se o terreno já não era dos mais seguros, começa a surgir uma variável capaz de embaralhar de vez a disputa pelo Senado: o nome de Flávio Rocha volta a circular com força. E não é um nome qualquer. Com densidade eleitoral e recall consolidado, Flávio, caso confirme candidatura, não entra para compor — entra para disputar voto direto. E, no desenho atual, há uma leitura quase consensual nos bastidores: ele tende a capturar mais votos do eleitorado que hoje gravita em torno de Styvenson do que de qualquer outro concorrente. Traduzindo: pode tirar o senador da zona de conforto onde ainda se equilibra.
Enquanto isso, Coronel Hélio segue enfrentando um adversário silencioso, porém implacável: o próprio grupo. Entre ruídos internos e sinais de desprestígio, o episódio recente — sua ausência em um banner oficial de evento que contou com a presença do presidenciável Flávio Bolsonaro — não passou despercebido. Em política, o que não aparece, desaparece. E o recado, ainda que não verbalizado, foi claro.
No campo da esquerda, Jean Paul Prates mantém o nome na rua há pouco mais de dois meses, mas sem conseguir furar o teto. Os números, até aqui, mostram um cenário cristalizado — e, em política, estagnação raramente é boa notícia. Já Samanda Alves permanece como uma incógnita: pode surpreender, mas ainda não deu sinais concretos de que conseguiu transformar expectativa em densidade eleitoral.
No meio desse tabuleiro em constante rearranjo, quem observa de cima — e com relativa tranquilidade — é Zenaide Maia. A senadora, que busca a reeleição, tem se beneficiado de um fenômeno clássico: enquanto adversários se fragmentam, ela consolida. Aparece com força no segundo voto em praticamente todos os cenários, o que, numa disputa aberta para duas vagas, não é detalhe — é vantagem competitiva real.
O jogo está longe de definido, mas uma coisa já se pode afirmar sem medo de errar: nesta eleição, quem subestimar o peso das articulações e o timing das decisões corre sério risco de assistir à disputa do banco de reservas. No RN, a campanha ainda nem começou oficialmente — mas há quem já esteja correndo atrás do prejuízo.