Justiça deve anular e cassar mandato de três vereadores em Natal por fraude em cota de gêneros nas eleições 2020

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A exemplo da cidade de Ceará Mirim, Natal deve estar com dias contados

Com a decisão do juiz eleitoral Herval Sampaio pela cassação de todos os candidatos e vereadores eleitos pelo PSB no município de Ceará-Mirim por fraude na cota de gêneros informada à Justiça Eleitoral, a cidade do Natal deverá passar por mesmo julgamento e a casa legislativa da capital pode ter dança das cadeiras.

Em Natal, a cabeça dos vereadores Hebert Sena (PL) (campeão de votos na capital), Ana Paula (PL) e Bisbo Francisco de Assis (REPUBLICANOS) deve estar pegando fogo com a decisão na cidade vizinha.

Isto porque, algo semelhante aconteceu aqui na cidade. Dentre as candidatas à Câmara Municipal de Natal, quatro mulheres não registraram um único voto nas eleições de 2020. Pelos números contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nem as próprias candidatas Patrícia da Fé (PL), Michelle Barros (Republicanos), Janaína Alves (PSL) e Cristina Gomes (Rede) votaram em si mesmas. Apesar da pouca expressão nas urnas, duas das candidatas estão como suplentes em seus partidos e pelo menos duas ainda divulgaram campanhas de adversários em suas redes sociais.

Ao contrário da maioria dos candidatos que disputam todos os espaços de atenção nas redes sociais, Patrícia da Fé (PL) não apresenta conta em nenhuma rede social, de acordo com as informações disponibilizadas pelo TSE. A candidata é casada, tem grau superior completo e trabalha como Corretora de Imóveis, Seguros, Títulos e Valores. Maria da Fé não recebeu recursos de fundo partidário eleitoral. Estranhamente, apesar de não ter tido votos, Patrícia aparece como suplente do PL.

Já Michele Barros (Republicanos), por sua vez, também não disponibilizou endereço de redes sociais oficialmente. Mas, fazendo uma busca, foi possível constatar que a candidata até tem um instagram, mas que parece ter sido feito recentemente já que a primeira publicação é do dia 20 de setembro. No post mais recente, de 8 de outubro, Michele divulgou um vídeo do vereador reeleito Kleber Fernandes, do PSDB, entre várias pessoas ainda durante a campanha. Em outro vídeo no instagram, Michele Barros também questionou a falta de repasse do fundo partidário e a exigência de que sua imagem fosse associada à do prefeito candidato à reeleição, Álvaro Dias, para receber material de divulgação da campanha.

“…foi colocado que o valor de R$ 1 milhão repassado para o Republicanos no Rio Grande do Norte, 40% desse valor era o fundo partidário para advogado, contador e material. 30% seria repassado às mulheres, negros e pardos, e 30% aos homens. Desde o momento em que eu contestei, fiz a pergunta de que acordo tinha sido feito pelo partido junto com Álvaro Dias, porque uma coisa é democraticamente eu ter o direito de apoiar o prefeito e receber o material junto com ele e, outra coisa, é ter o direito de receber do partido o meu material. Eu não recebi material de adesivo, não fui informada de que se minha foto não saísse junto com o prefeito, eu não receberia”, criticou a candidata durante um encontro.

Michele Barros não recebeu recursos do fundo partidário e, novamente, apesar de não ter registrado um único voto, a candidata também está na suplência do partido.

Tal acontecimento gera estranheza e com certeza, é uma luz vermelha que ascende para a questão de manipulação de cotas, tentando burlar a lei que garante 30% de vagas para mulheres na formação da nominata dos partidos.

Com a saída dos vereadores acima citados, entram no lugar Daniel Arruda, Daniel Valença e Luiz Almir.

Torcemos para que a justiça chegue aqui na capital e os candidatos que disputaram suas eleições de forma honesta, sejam diplomados e assumam a cadeira que lhes é devida, em face de suas votações.

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