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    Desde 2010, CMEI Kátia Garcia segue sem sede em Natal

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    Desde 2010, CMEI Kátia Garcia segue sem sede em Natal

    Em ano de Copa do Mundo, a imagem de modernização que Natal tentou vender ao país volta a ser confrontada por uma obra inacabada que se arrasta há quase 16 anos. O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Kátia Garcia, primeira obra iniciada no contexto da Copa de 2014 na capital potiguar, segue sem sede própria e funciona em uma casa alugada, pequena, quente e sem acessibilidade, no bairro de Candelária, zona Sul de Natal. No terreno onde deveria estar a escola, restam escombros, um muro e promessas que atravessam diferentes gestões.

    A situação se arrasta desde 2010, quando a sede original do CMEI foi demolida para as obras do entorno da Arena das Dunas. Desde então, a unidade funciona em espaços provisórios, enquanto a sede definitiva, prevista para o terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel, nunca saiu do papel. O abandono da obra já havia sido denunciado pelo Saiba Mais em 2018, em uma série de reportagens que expôs o avanço mínimo da construção. Passados quase oito anos desde aquelas publicações, a escola permanece sem sede própria, reforçando o caráter de legado inacabado da Copa em Natal.

    Precariedade

    Segundo a gestora pedagógica, Jucilene de Souza Leão, a escola atende atualmente cerca de 80 crianças, 40 por turno, distribuídas em apenas quatro salas de aula. Para ela, a precariedade do espaço físico impacta diretamente a procura por vagas. “Esse ano tivemos pouca procura de matrícula. A gente assimila isso ao espaço que a gente não tem. Quem chega aqui e olha diz: ‘não vou botar meu filho aqui’”, afirma. Ela lembra que, em anos anteriores, a escola chegou a manter lista de espera durante todo o período letivo. “Com a sede própria, aumentaria bastante a capacidade de receber crianças.”

    Uma das principais limitações do cotidiano escolar é a falta de espaço adequado para atividades lúdicas. “A gente não tem um local apropriado para as crianças brincarem. A área disponível é a da frente, que pega sol direto. Já pedimos cobertura, a engenharia veio, houve promessa, mas como é casa alugada, nada avança”, relata Jucilene. A restrição também inviabiliza eventos coletivos com as famílias. “A gente não consegue reunir os dois turnos. No ano passado, dois eventos foram cancelados.”

    A precariedade atinge até a rotina da alimentação. Embora exista um refeitório, o espaço não comporta a dinâmica da escola. “A gente nem utiliza mais o refeitório. Preferimos servir as refeições nas salas, porque levar uma turma por vez faria a gente perder mais de uma hora só nesse momento”, explica. A adaptação foi necessária para preservar o tempo pedagógico, já que as crianças realizam duas refeições diárias na unidade.

    Outro reflexo direto da falta de estrutura é a inexistência de uma biblioteca ou espaço de leitura. Apesar disso, o CMEI possui um acervo amplo e diversificado de livros infantis, que não pode ser exposto adequadamente por falta de espaço físico. Os livros ficam guardados em armários e circulam entre as salas por meio de um sistema de rodízio. Os professores apresentam os títulos às crianças e desenvolvem atividades pedagógicas e de mediação de leitura, garantindo o acesso aos livros mesmo sem um ambiente apropriado.

    A ausência de acessibilidade é outro problema estrutural grave. O imóvel possui degraus, não tem rampas e as salas são pequenas. “Quando o vereador Tércio Tinoco, que é cadeirante, esteve aqui, teve muita dificuldade de circular. Ele viu de perto o tamanho das salas”, conta a gestora. Além disso, o calor excessivo tem reflexos diretos na saúde. “As salas não são refrigeradas. O ventilador só joga vento quente. Adoece professor, adoecem as crianças, adoece todo mundo.”

    Apesar das limitações físicas, o CMEI é reconhecido pela qualidade pedagógica, inclusive no atendimento a crianças neurotípicas. “A gente recebe muitas ligações de famílias que vêm por indicação de outras famílias, pelo nosso trabalho pedagógico”, afirma Jucilene. Ela destaca que a rede pública, muitas vezes, dispõe de profissionais mais preparados que a rede privada. “Nossa equipe é formada, tem especialistas, psicopedagogia, mestrado. A escola pública tem mais estrutura humana para lidar com essas crianças.” Ainda assim, a falta de espaço impede avanços. “A gente precisaria de uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), mas aqui não há condições físicas para isso.”

    Jucilene acompanha a trajetória da escola desde a municipalização, logo após a demolição da sede original. “Estou aqui desde que o Kátia foi derrubado. Desde 2011 ou 2012 estamos funcionando nessa casa”, resume. Sobre a paralisação da obra, ela afirma que nunca houve uma explicação clara por parte do poder público. “A gente nunca teve uma resposta objetiva. O que se fala é que o dinheiro foi sequestrado, mas nunca explicaram exatamente o que aconteceu.”

    A luta pela sede própria teve como uma de suas principais lideranças a ex-diretora Selma Maria do Nascimento, que faleceu durante a pandemia de Covid-19 sem ver o sonho concretizado. “Selma batalhou muito. Foi ela quem conseguiu a cessão do terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel para a construção da nossa sede. Ela buscou respostas quando a obra parou. Infelizmente, não viu isso se realizar”, lembra Jucilene. “Quando Selma faleceu, a obra já estava parada há muito tempo.”

    O desgaste ao longo dos anos também impactou o engajamento da comunidade escolar. “As pessoas estão desacreditadas. Quando chamamos os pais para se mobilizar, muitos dizem que não podem, que estão trabalhando. São mais de 15 anos de espera”, afirma.

    Apesar disso, a gestão escolar segue lutando por melhorias e pela conquista da sede. Ao visitar a Secretaria Municipal de Educação (SME) para resolver outro problema estrutural da casa — o sistema de esgotamento sanitário, que exige limpeza frequente da fossa —, as diretoras foram informadas sobre o retorno das obras em menos de um mês.

    Jucilene afirma que “desde que Selma começou com essa luta, é a primeira vez que percebo que agora temos uma resposta mais concreta, a mais digna de confiança”.

    O que diz a Prefeitura

    Em nota, a Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), informou que a retomada da obra do CMEI Kátia Fagundes Garcia, unidade do Tipo 2 padrão FNDE, foi inicialmente licitada em 2023, com processo homologado em agosto daquele ano. No entanto, a gestão municipal optou por não efetivar a contratação da empresa vencedora após a criação do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, instituído pelo Governo Federal.

    Segundo a SME, a decisão permitiu a repactuação da obra, com atualização de valores e adequação técnica e financeira. O processo foi aprovado pelo FNDE, com Índice de Reprogramação de 85,40%. O valor final da obra é de R$ 2.881.271,35, sendo R$ 1.901.639,09 de recursos federais e R$ 979.632,26 de contrapartida do Município.

    A Prefeitura informa ainda que o processo licitatório foi concluído, a ordem de serviço já foi encaminhada e o prazo de execução da obra é de oito meses, com previsão de conclusão até dezembro de 2026. Atualmente, o CMEI Kátia Garcia funciona em imóvel locado no bairro de Candelária, com capacidade para atendimento de 126 crianças, ao custo mensal de R$ 2.658,25. Com a nova sede, a ser construída no terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel, a capacidade deverá chegar a 188 crianças.

    Enquanto a promessa de retomada não se materializa no canteiro de obras, o CMEI Kátia Garcia permanece como símbolo de um legado inacabado da Copa: uma escola que resiste pela dedicação de seus profissionais, pela criatividade pedagógica e pela memória de quem lutou por ela, mas que há quase 16 anos aguarda o direito básico a um espaço digno para educar crianças em Natal.

    Linha do tempo

    • 2010 – Sede original do CMEI é demolida para obras do entorno da Arena das Dunas
    • 2011–2012 – Escola passa a funcionar em imóvel alugado, em caráter provisório
    • 2014 – Copa do Mundo em Natal
    • Anos seguintes – Obra da sede própria é iniciada e paralisada, sem conclusão
    • Pandemia (2020–2021) – Falecimento da ex-diretora Selma, liderança na luta pela sede
    • 2023 – Obra é licitada pela Prefeitura, mas contratação não é efetivada
    • 2024–2025 – Município adere ao Pacto Nacional de Retomada de Obras
    • 2026 (previsão) – Conclusão da nova sede, no terreno da Escola Estadual Walfredo Gurgel

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    Fonte: saibamais.jor.br

    40 anos da arte que desarma bombas

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    Civone Medeiros: 40 anos da arte que desarma bombas

    Há artistas que constroem obras. Outros constroem territórios. Civone Medeiros constrói modos de existir. Sua trajetória, iniciada ainda na infância, atravessa quase quatro décadas de atuação artística em Natal e mundo afora, marcada pela recusa à separação entre arte e vida, pela experimentação radical do corpo, da palavra e da convivência, e por uma ética que ela mesma define como um exercício constante de “desarmar bombas no mundo”. “Enquanto a gente está contando história, a gente está desarmando bombas”, afirma. “Eu boto muita fé nisso.”

    Nascida em 1972, ano bissexto, Civone costuma brincar que carrega “três adversários”, já que o aniversário só se completa de quatro em quatro anos. Alfabetizada muito cedo, aos seis anos já escrevia poemas. O primeiro foi dedicado à mãe, professora da rede pública estadual, figura central em sua formação ética e sensível.

    A escrita veio antes de tudo, mas não como arte. Veio como necessidade: “A escrita me veio como algo extensivo ao ser. Não veio como arte.” Ainda criança, ouviu de uma professora a frase que marcaria sua trajetória: “Você é poeta”. Sem saber exatamente o que isso significava, decidiu que queria ser aquilo.

    A dança surgiu logo depois, entre os nove e os onze anos, como a primeira linguagem artística a atravessá-la de modo decisivo. Em 1986, ainda adolescente, subiu ao palco do Teatro Alberto Maranhão integrando a Companhia de Dança do Edithan. Anos mais tarde, compreenderia aquela experiência como seu primeiro contato com a ideia de obra de arte total. “Ali eu tive a noção de uma obra de arte total. Muitos anos depois eu fui estudar e entender o que era isso.”

    Desde cedo, Civone desejava ser múltipla. Queria cantar, dançar, escrever. Inspirada por ícones pop da infância, mas o que de fato a moldou foi o ambiente doméstico, onde a arte nunca esteve dissociada do cotidiano. A mãe costurava, bordava, pintava, cozinhava… A avó ensinava, sem teoria, que vestir, pentear, alimentar e cuidar também eram formas de arte. “Vovó sempre dizia que tudo isso fazia parte. O comer fazia parte. Costurar a própria roupa fazia parte.”

    Esse entendimento, que Civone hoje relaciona a saberes ancestrais e modos de vida não europeizados, tornou-se base de sua atuação artística e política. Arte, para ela, nunca foi produto isolado, mas prática coletiva, artesanal e relacional.

    Nos anos 1980, integrou o Grupo Oxente, coletivo formado por adolescentes de diferentes linguagens artísticas em Natal, em um contexto de extrema precariedade material e informacional. Sem internet, com revistas importadas e caras, os encontros aconteciam nas ruas, no Alecrim, na Pedra do Rosário, em redes de troca e boca a boca. “Era a nossa rede social”, lembra ela.

    Décadas depois, o Oxente seria citado em uma grande exposição nacional sobre a geração artística dos anos 80, fruto de cinco anos de pesquisa do curador Rafael Fonseca. O reconhecimento tardio contrasta com as dificuldades enfrentadas à época. “Tudo era muito difícil financeiramente, economicamente e logisticamente”, relembra.

    Ainda assim, o grupo abriu caminhos. Civone passou a circular pelo Nordeste e, em uma viagem emblemática, seguiu para São Paulo apenas com passagem de ida, em uma travessia que misturava risco, desejo e urgência de conexão com outros territórios artísticos. O contato com o exterior se intensificou no fim dos anos 1990, quando passou a viver entre o Brasil e a Europa, estabelecendo-se por cerca de cinco anos em Viena, na Áustria. Lá, trabalhou em museus, galerias e centros culturais, ampliou suas pesquisas e iniciou uma atuação curatorial antes mesmo de nomear essa prática. “Eu já estava fazendo curadoria sem saber o que era. Fazendo pontes, sem um centavo. Só sonhos.”

    Dessa experiência nasceu o projeto Arte da Esquina do Brasil, que levou dezenas de artistas brasileiros para a Europa no início dos anos 2000. A iniciativa teve impacto internacional levando artistas brasileiros a exposição na Europa.

    Lançou em 1999 seu primeiro livro, Escrituras Sangradas, um compilado de textos escritos desde a infância. O lançamento se tornou um acontecimento cultural em Natal, fechando a Ribeira em uma noite que reuniu poesia, música, dança e performance. “Eu fechava a Ribeira para lançar um livro de poesia”, recorda, exibindo fotografias do evento.

    Dez anos depois, já de volta ao Brasil, lançou Propósito de Viena e outros Ondes, também de forma independente. Ambos os livros estão esgotados. Hoje, Civone sonha em republicá-los e organizar uma fortuna crítica que reúna ensaios, registros e olhares sobre sua obra. “Eu não sou a mensagem. Eu sou a mensageira”, comenta ela sobre sua produção poética.

    Em um dos episódios mais radicais de sua trajetória, Civone protagonizou uma performance apresentada no Salão Bela Vista, em Natal, durante uma homenagem à arte antropofágica. Ela entrou no espaço cênico carregando cerca de três quilos de fígado cru, enquanto músicos tocavam tambores e violino. Em meio ao público, encenou contrações e um parto simbólico, do qual emergiam pedaços de carne que eram devorados em cena, em uma crítica direta ao canibalismo social e à lógica do “homem devorando o homem”. A ação provocou forte reação institucional e resultou na interdição do espaço para a artista por cerca de dez anos, episódio que se tornou emblemático da relação conflituosa entre sua obra e os limites impostos à arte experimental em Natal, seu campo de atuação.

    O retorno definitivo a Natal, em 2003, foi acompanhado de uma decisão radical: zerar expectativas. “Eu não esperava nada dessa cidade.” A escolha, no entanto, não significou afastamento. Pelo contrário. Civone mergulhou em projetos comunitários no Centro Histórico, especialmente no Beco da Lama, onde criou iniciativas como o Festival Prato do Mundo, inspirado em experiências vividas na Europa e hoje mantido de forma coletiva.

    Sua produção visual se intensificou nesse período, incorporando colagens, tecidos, crochê, tricô, objetos encontrados e elementos orgânicos. A poesia passou a ocupar o espaço físico, transformando-se em instalação, performance e obra tátil. “Eu sou uma mulher de retalhos”, define. “Cada retalho é um pedaço de uma vida.”

    A maternidade ocupa lugar central nessa poética. Sua filha, Bianca, hoje com 31 anos, atravessa toda a obra. Desenhos, escritos e vestígios da infância são incorporados aos trabalhos. “Minha melhor obra de arte é minha filha.”

    A partir dos anos 2010, Civone consolidou uma poética marcada pelo amor como gesto político. Não um amor conciliador, mas uma ética de coexistência. “O amor não é fofo. O amor é assertivo.” Para ela, amar é não conceber uma vida que exclua outras vidas.

    Ao pedir pra ela citar momentos marcantes de sua carreira na última década, ela destaca que em 2016, realizou uma exposição marcante pelo Sesc, experiência que ela destaca como ponto de virada. “Foi a primeira vez que fui bem paga, bem tratada, que meu trabalho foi cuidado.” Em 2022, voltou a expor em Natal em uma mostra que reuniu altares, plantas, pedras e instalações sensoriais.

    No mesmo ano, enfrentou uma grave crise de saúde. Um apêndice rompido levou a uma cirurgia de emergência, meses de recuperação e uma experiência de quase morte. “Foi uma morte de novo.” A convalescença trouxe limites físicos, mas também reforçou a urgência de organizar sua história.

    Hoje, Civone ministra oficinas, participa de exposições e desenvolve um projeto de economia criativa que articula sua poesia com o fazer manual. Ao mesmo tempo, acalenta o desejo de criar, em Natal, um espaço próprio que funcione como casa-escola. “Um lugar de acolhida, de partilha, de formação”, define.

    Ela define ser artista em Natal como “uma invenção muito atrevida”. Inventar condições onde elas não existem, trabalhar com o precário, persistir sem subserviência. “Eu caio sete vezes e levanto oito.”

    Ao olhar para trás, Civone reconhece o legado construído sem apoio institucional consistente, movida por algo maior que o próprio ego. “O defunto não tem bolso. O que me interessa é o que fica.”

    E o que permanece em sua trajetória é a insistência em existir pela arte, em narrar como forma de sobrevivência, em fazer da criação um gesto contínuo de desarmamento do outro e de si própria, e de cura por meio do próprio processo de criação artística.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Epifania, intolerância religiosa e o chamado ao cuidado integral da criação

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    Epifania, intolerância religiosa e o chamado ao cuidado integral da criação

    Por: Pastor Moisés Meirelles – Igreja Batista Peregrina do Natal

    O Ato na Praça Cívica em Natal/RN
    No dia 21 de janeiro de 2026, o Brasil celebrou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635/2007 em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá do Candomblé que faleceu no ano de 2000 após sofrer ataques de intolerância religiosa. A data coincide com o Dia Mundial da Religião, criado em 1949 pela comunidade Bahá’í, com o objetivo de promover o respeito, a tolerância e o diálogo entre diferentes tradições espirituais.

    Neste dia, a Praça Cívica da Cidade do Natal foi palco de um ato simbólico promovido pelo Fórum Inter-Religioso do Rio Grande do Norte. O evento reuniu representantes de diversas tradições religiosas — cristãs, islâmicas, afro-brasileiras, espíritas, xamânicas, entre outras — em um gesto público de unidade e respeito.

    O encontro foi marcado por orações coletivas, cânticos e reflexões sobre a importância da convivência pacífica entre credos. Cada liderança presente destacou a necessidade de combater o preconceito e a intolerância, reforçando que o diálogo inter-religioso é um caminho para a paz e para a justiça social.

    Esse ato na Praça Cívica simbolizou não apenas a memória de Mãe Gilda, mas também o compromisso das comunidades religiosas de Natal em defender a liberdade de fé e o cuidado integral com a criação.

    Essas celebrações nos convidam a refletir sobre a importância da convivência pacífica entre credos e sobre o impacto da intolerância na vida das pessoas e na sociedade. Como afirmou Nelson Mandela: “A intolerância religiosa é uma forma de violência que destrói a coesão social e promove o ódio.”

    A Epifania de Saulo de Tarso na Tradição Cristã e o Diálogo Inter-Religioso

    A experiência mística de Saulo de Tarso no caminho de Damasco (Atos 9:1-17), por meio de uma revelação súbita — uma epifania — transformou-o de perseguidor da Igreja em defensor da liberdade religiosa. Tal experiência mostra que o Divino se revela em lugares e através de pessoas improváveis, chamando-nos à conversão do amor e ao cuidado integral de cada ser e de toda a criação.

    Eco-Teologia Mística: Um Chamado ao Cuidado de Todos os Seres Planetários

    A mensagem divina central dada a Saulo de Tarso, futuro Apóstolo Paulo, foi clara: a fé individual ou a religião à qual servimos não podem ser utilizadas como instrumento de perseguição a outras expressões do Sagrado. Ao contrário, devem ser transformadas em práticas concretas de cuidado com todos que fazem parte do mundo, por meio do amor e do acolhimento.

    Portanto, Saulo precisava compreender que o Evangelho (Boas Notícias) deveria ir além da circunscrição judaica, em efetivo diálogo com o mundo gentílico.

    Na atualidade, para entendermos a vida e missão de Saulo de Tarso, é necessário compará-las às experiências místicas de outros representantes religiosos:

    • Missão ecológica: Paulo, após sua conversão, compreendeu que o chamado divino incluía o cuidado com todos os homens (Romanos 5:18) e com todo o ecossistema (Romanos 8:19-22).
    • Inter-religiosidade: experiências semelhantes à de Saulo são encontradas em diferentes tradições religiosas — como Buda, Krishna, Muhammad, Lao-Tse e nas religiões afro-brasileiras — apontando para a necessidade de respeito e harmonia com o próximo e com toda a natureza.
    • Práticas espirituais: as epifanias quase sempre estiveram conectadas com a natureza. Rituais religiosos, desde a fé judaica e cristã (holocaustos e eucaristias) até os sacrifícios e consagrações das tradições afro-ameríndias, mantêm relação direta com componentes da Mãe Natureza, demonstrando a integração entre espiritualidade e ecologia.

    Reflexões e Aplicações Práticas

    Cada pessoa é convidada a refletir sobre seu próprio “caminho de Damasco”:

    • Como sua experiência com o Divino pode transformar sua vida e suas relações com outras expressões de fé no cuidado eco-teológico?
    • Qual é sua missão diante da intolerância religiosa e da crise ambiental?
    • Como promover justiça, democracia e respeito entre tradições religiosas diferentes, unindo aspectos comuns dessas tradições na defesa do meio ambiente?

    Conclusão

    A epifania de Saulo nos ensina que ninguém está além da graça do Divino. Sua história inspira a Igreja e todas as tradições religiosas a viverem uma fé prática, que se traduz em respeito, diálogo e cuidado integral com a criação.

    O chamado é urgente: converter-se ao amor, ao cuidado e à interconexão de todos os seres. Assim, poderemos construir uma sociedade mais justa, democrática e harmoniosa, em que a diversidade religiosa e as pautas ecológicas sejam tratadas com consideração e respeito.

    📍 Natal, 24 de janeiro de 2026

    Nota biográfica do autor:
    Moisés Meirelles de Araújo Blanco – Pastor da Igreja Batista Peregrina do Natal. Graduado em Teologia (ESTEADEB/FATERJ) e Serviço Social (UNOPAR). Pós-graduado em Direito Constitucional (UCAM). Licenciado em Pedagogia (UFRN). Graduando em Psicanálise (UNINTER). Membro do Fórum Inter-religioso do RN, desde 2019.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Corinthians vence Flamengo e é bicampeão da Supercopa Rei

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    © REUTERS/Adriano Machado - Reprodução proibida

    O Corinthians é campeão da Supercopa Rei. A conquista foi confirmada com a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo no estádio Mané Garrincha, em Brasília, na tarde deste domingo (1º). A equipe de São Paulo conquistou o bicampeonato do torneio.

    A primeira taça havia sido obtida em 1991 também sobre o Flamengo. Em 2026, o Corinthians participou da Supercopa por ter sido o campeão da Copa do Brasil de 2025. O Flamengo, por ter sido o campeão nacional da temporada passada.

    A final dessa temporada começou a ser decidida com o gol do zagueiro Gabriel Paulista aos 25 minutos de jogo.

    Após cobrança de escanteio, Matheuzinho cruzou, Gustavo Henrique desviou e Gabriel Paulista completou de primeira. Depois, teve expulsão de Carrascal, após checagem do VAR.

    Bola na trave do goleiro Hugo Souza, do Corinthians, em cabeça de Pulgar. Gol anulado de Memphis Depay. Até que o centroavante Yuri Alberto definiu o jogo aos 52 minutos da etapa final.

    O artilheiro driblou o goleiro Rossi em um lindo lance e finalizou para o gol vazio.

    A conquista do Corinthians foi presenciada por 71.244 torcedores no Mané Garrincha. O público é um novo recorde da arena.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    eleições na era das big techs

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    Três anos depois, como estão os potiguares presos no 8 de janeiro

    As eleições são momentos fundamentais em uma democracia. Quando esse processo é maculado, ele compromete a qualidade da democracia. Ao longo do tempo, em todos os países onde ocorrem eleições, há o uso de tecnologias – que são cada vez mais sofisticadas, ampliadas com o uso da internet, é mais recentemente de Inteligência Artificial(IA), deepfakes etc.,- que contribuem para os questionamentos sobre sua lisura, especialmente pelo uso dessas tecnologias de forma profusa pela extrema direita em eleições (mas não apenas).

    E não se trata apenas de pessoas isoladas ou de candidatos que utilizam esses recursos para enganar, manipular e ludibriar os eleitores por meio do marketing político e eleitoral, mas também de grandes empresas, as big techs, que têm seus interesses a serem defendidos, especialmente em relação a legislação dos países e, portanto, da atuação de parlamentares, apoiados por elas, nas respectivas instâncias de representação.

    Não por acaso, no Brasil, Projetos de Lei (PL), como o 2630/2020, conhecido como PL das fake news, que objetiva a regulação das plataformas digitais, instituindo a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet   contraria não apenas os interesses das big techs, como também de muitos parlamentares, seus aliados. E por isso se posicionam contra, influenciando parcelas da sociedade como se o objetivo do PL fosse o de censurar e pôr fim à liberdade de expressão.

    Na realidade, sabem que não se trata disso, como diz o  Art. 4º do PL 2630/2020“Esta Lei tem como objetivos: I – o fortalecimento do processo democrático por meio do combate ao comportamento inautêntico e às redes de distribuição artificial de conteúdo e do fomento ao acesso à diversidade de informações na internet no Brasil; II – a defesa da liberdade de expressão e o impedimento da censura no ambiente online; III – a busca por maior transparência das práticas de moderação de conteúdos postados por terceiros em redes sociais, com a garantia do contraditório e da ampla defesa; e IV – a adoção de mecanismos e ferramentas de informação sobre conteúdos impulsionados e publicitários disponibilizados para o usuário”.

    O que se pretende, ao criticar o PL, é o de poder usar uma pretensa  liberdade de expressão para cometer crimes, como calúnias e difamação, mas também o uso sistemático de mentiras, fake news e assim a possibilidade de manipular a opinião pública. A proposta visa justamente o contrário: controlar conteúdos que contenham notícias falsas, mentiras, fake news e punir seus (i) responsáveis.

    O PL foi aprovado em 2020 no Senado, e ao longo de cinco anos, não foi sequer votado na Câmara dos Deputados e em ano eleitoral, como em 2026, dificilmente o será.

    Em relação às big techs, e os algoritmos, fundamentais em eleições, a questão é bem mais ampla. Como mostra Sergio Amadeu da Silveira, mestre e doutor em Ciência Política (USP) e professor da Universidade Federal do ABC (SP) e um dos maiores estudiosos sobre o tema no Brasil, no livro As big techs e a guerra total: o complexo militar-industrial dataficado (Editora Hedra, 2025). Ele há muito tempo pesquisa e publica sobre o tema (ensaios, artigos e livros) defendendo a tese de que “os dados são ativos de alto valor agregado, além de insumo fundamental da economia informacional” e afirma que “o pensamento marxista é indispensável para compreender esses fenômenos. O digital não eliminou a luta de classes; em vez disso, os sistema digitais dataficados, impulsionados pela voracidade do sistema capitalista em sua crise de acumulação, a reconfiguração em novas bases. Assim os dados se convertem em um tipo específico de capital”.

     E que “Os usos letais do aprendizado de máquina com dados civis obtidos em dispositivos de comunicação e interações em redes sociais deveriam ser considerados crimes de guerra, crimes contra a humanidade. As big techs, com suas redes neurais artificiais e demais sistemas invisíveis, atuando em conjunto com as forças militares, formam uma perigosa aliança antidemocrática. A gestão da guerra virando unidade de negócios das big techs pode levar à monetização de conflitos contínuos com baixo custo e alta lucratividade”.

    Com base em extensa pesquisa  e exemplos recentes, como os sistemas de IA usados por Israel no genocídio na Faixa de Gaza, mostra como ela pode ser usado como instrumento de dominação e evidenciando não apenas  a importância, como a urgência de um  debate político  (e ético) que tenha entre seus objetivos o que ele chama de “os riscos da fusão entre capitalismo de vigilância e militarismo digital”.

    O que é fundamental para a democracia é ampliar os espaços democráticos e evitar que empresas usem impunemente pesquisas e tecnologias, com acesso a dados de milhões de pessoas, para, entre outros aspectos, influenciar e decidir eleições. Como se sabe, há o uso sistemático e eficiente de informações subtraídas de milhões de usuários, especialmente em redes sociais como X, TikTok, Instagram e Facebook, mas também no Google, com sua gigantesca base de dados. Como afirma Sergio Amadeu, um ecossistema de extração, tratamento e análise de dados foi se consolidando no coração do sistema capitalista e que “acumulam e monetizam dados em escala global, dominando setores como entretenimento, agricultura, logística e até serviços públicos”, mas também parece inegável que essas plataformas têm se tornado instrumentos importantes da política, influenciando decisivamente eleições e, assim, colocando em xeque a própria democracia, que tem nas eleições um de seus instrumentos de legitimidade.

    Hoje, creio ser possível afirmar que o uso de tecnologias, como Inteligência Artificial (IA)“baseadas em dados tratados pela estatística e pela probabilidade em infraestruturas computacionais de alto processamento”, e  difundidos nas redes sociais tem um papel central nos processos eleitorais.

    Nesse sentido, é de fundamental importância analisar a forma como se utiliza o mundo digital para influenciar a opinião pública e as eleições, em particular, mas também os discursos e práticas que afetam os direitos humanos.

    Um dos muitos exemplos da possibilidade de manipulação e uso de dados dos eleitores foi o caso da Cambridge Analytica nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, que foi importante para a vitória eleitoral de Donald Trump, em novembro de 2016, como é detalhado no livro Manipulados: como a Cambridge Analytica e o Facebook invadiram a privacidade de milhões e botaram a democracia em xeque (Editora HarperCollins, 2019), de Brittany Kaiser. A autora trabalhou na Cambridge Analytica por três anos e meio e, conhecendo a empresa e suas estratégias, tornou público seu conhecimento, mostrando como a empresa operava e os perigos que as big techs representam, para que, da próxima vez, “os eleitores de ambos os lados estivessem cientes de tudo o que está em jogo na guerra de informações que a nossa democracia está encarando”.

    Quanto às big techs e seu uso em eleições, no artigo Big Data: Toda democracia será manipulada?, Mikael Krogerus e Hannes Grassegger mostram como há especialmente nas eleições mais recentes, o uso sistemático da psicometria, que é um sub-ramo da psicologia baseado em dados, que tem como foco medir os traços psicológicos dos indivíduos com o uso de modelos da matemática e da estatística.

    O que eles procuram compreender é o que está por trás do big data. Para eles: “Em essência, tudo o que fazemos, seja on ou offline, deixa traços digitais. Cada compra que fazemos com nossos cartões, cada busca que fazemos no Google, cada movimento que fazemos com nosso celular no bolso, cada ‘like’ é armazenado. Especialmente cada ‘curtida’.”

    No caso do uso da psicometria, esse processo antecede às eleições nos Estados Unidos de 2016 e certamente continuou sendo utilizado nas eleições seguintes. Como informam os autores, bem antes, na década de 1980, “duas equipes de psicólogos desenvolveram um modelo que buscava avaliar os seres humanos com base em cinco traços de personalidade, conhecidos como os ‘Cinco Grandes’, que se tornaram a técnica padrão da psicometria: abertura, conscienciosidade, extroversão, afabilidade e neuroticidade”, permitindo uma avaliação relativamente precisa do tipo de pessoa, incluindo suas necessidades, medos e tendências comportamentais (site Outras Palavras, 5/2/2017).

    Esse processo foi se sofisticando. Inicialmente, o problema era a coleta de dados, pois exigia o preenchimento de questionários. Isso mudou com o surgimento e o desenvolvimento da internet e, depois, com os dados disponibilizados voluntariamente pelas pessoas nas redes sociais, além do uso crescente da Inteligência Artificial.

    Um dos instrumentos utilizados foi o aplicativo  chamado MyPersonality, que possibilitou aos usuários do Facebook, por exemplo, preencher diversos questionários psicométricos e, com base na avaliação, receber um “perfil de personalidade”. No entanto, o resultado mais importante foi que milhões de pessoas revelaram suas mais profundas convicções, formando o maior conjunto de dados psicométricos com perfis do Facebook jamais coletado. E estes podem e tem sido utilizados para diversos fins, inclusive em eleições.

    Essencialmente, criou-se um mecanismo de identificação de pessoas com base nas informações que elas mesmas forneciam, ampliado posteriormente com o uso de smartphones, que funcionam como “um vasto questionário psicológico que estamos preenchendo constantemente, tanto consciente quanto inconscientemente”.

    Esse modelo inicialmente não tinha como objetivo seu uso em eleições, mas passou a ser utilizado por empresas de comunicação estratégica, que oferecem marketing baseado em modelos psicológicos, sendo posteriormente incorporado também às campanhas eleitorais, por meio da chamada publicidade segmentada, com mensagens personalizadas “ alinhadas o mais precisamente possível à personalidade de cada indivíduo”.

    Nos Estados Unidos, as estratégias de mentira, fake news e manipulação possibilitaram a vitória da extrema direita em 2016, com Donald Trump. Embora não tenham sido suficientes em 2020, ele voltou a se eleger em 2024 utilizando mecanismos semelhantes, o que evidencia a possibilidade de replicação dessas estratégias em outros países, como o Brasil.

    Uma referência importante sobre esse tema é o livro Democracia manipulada: a explicação por detrás das fake news, do Brexit na Inglaterra, Donald Trump nos Estados Unidos, Macron na França ou do Movimento Cinco Estrelas na Itália, de Martin Moore (Editora Self, Carcavelos, Portugal, 2019).

    O autor analisa como Facebook, Google e Twitter (hoje, X) foram usados por empresas de consultoria política para influenciar decisivamente eleições, constituindo o que ele chama de “um mundo de vigilância em tempo real”, com acesso a dados pessoais analisados por meio de tecnologia sofisticada, que distorcem o processo eleitoral e colocam em xeque a própria democracia, a liberdade e a privacidade.

    Há, portanto, uma questão central: o que é preciso fazer para salvar a democracia? Como enfrentar fake news, manipulações, hackers, milícias digitais e o controle monopólico das informações? A tecnologia pode manipular a vontade do eleitor por meio de mensagens habilmente formuladas e viralizadas nas redes sociais.

    Mais do que apenas manipular resultados eleitorais, essas práticas contribuem para corroer a democracia. Governos autoritários podem ser eleitos usando essas estratégias e, posteriormente, utilizá-las para reforçar seu poder. Por isso, como afirma Martin Moore, é necessário construir uma esfera digital menos centralizada, com espaços cívicos digitais e serviços públicos que não se baseiem no rastreamento de dados pessoais, e, fundamentalmente, o que ele chama de uma democracia digital centrada no cidadão, garantindo seus direitos, entre eles, o direito à privacidade.

    Como tem analisado o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral – criado em 2021 pelo TSE – que visa “Proteger a integridade, credibilidade e legitimidade do sistema eleitoral”, com o avanço da IA e as mudanças nas big techs que encerraram programas que garantiam mais transparência na difusão de conteúdos e a adesão dos  seus donos a  Donald Trump, contrário a qualquer medida de regulações que estabeleçam limites e obrigações, tornam as eleições de 2026 um enorme desafio para a democracia no sentido de monitorar e combater a desinformação e suas consequências.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Arsenal bate Corinthians na prorrogação e fatura Mundial Feminino

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    © REUTERS/Ian Walton - Proibido reprodução

    O Corinthians Feminino bem que tentou. As Brabas lutaram muito. Fizeram jus à história. Mas a maior qualidade e investimento do Arsenal acabou pesando. As inglesas ganharam por 3 a 2 na prorrogação e faturaram a Copa dos Campeões, o primeiro título mundial da modalidade organizado pela FIFA.

    A decisão ocorreu na tarde deste domingo (1º de fevereiro) no Emirates Stadium, em Londres.

    O placar foi aberto pelas europeias. Logo aos 14 minutos, depois da falha da zaga corintiana, Lelê salvou o chute de Russo. Mas Smith, no rebote, mandou para as redes.

    A vantagem inglesa durou pouco. Aos 20, Andressa Alves cobrou escanteio, e Gabi Zanotti concluiu de cabeça para o gol. A goleira do Arsenal defendeu, mas a bola cruzou a linha antes mesmo de Belén Aquino completar. Depois de várias chances de lado a lado, o primeiro tempo encerrou-se com o placar igual: 1 X 1.
     


    Soccer Football - FIFA Women's Champions Cup - Final - Arsenal v Corinthians - Emirates Stadium, London, Britain - February 1, 2026  Arsenal's Smilla Holmberg in action with Corinthians' Gisela Robledo REUTERS/Ian Walton
    Soccer Football - FIFA Women's Champions Cup - Final - Arsenal v Corinthians - Emirates Stadium, London, Britain - February 1, 2026  Arsenal's Smilla Holmberg in action with Corinthians' Gisela Robledo REUTERS/Ian Walton

    REUTERS/Ian Walton – Proibido reprodução

    Na etapa final do tempo regulamentar, o cenário de maior posse de bola do Arsenal e mais chances de gol das inglesas não se alterou. Aos 12 minutos, Wubben-Moy mandou para as redes de cabeça e colocou o time europeu na frente mais uma vez: 2 a 1.

    Mantendo a tradição de muita luta e muita superação, as Brabas do Timão resistiram a pressão adversária e conseguiram um pênalti nos acréscimos após revisão do VAR. Vic Albuquerque cobrou e igualou aos 50 minutos: 2 x 2.

    Na prorrogação, a decisão da final. Após Duda Sampaio perder uma bola no meio de campo, Foord aproveitou um rápido contra-ataque e chutou para definir o placar: 3 a 2.

    Além da taça, o Arsenal ganhou 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 11,9 milhões na cotação atual). O Corinthians ficou com 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5,2 milhões). Valores que representam um recorde para a modalidade.


    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Mais de 500 mil foliões acompanham megabloco de Ivete Sangalo

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    © Alex Ferro / Riotur

    Mais de 500 mil pessoas transformaram neste domingo (1º) as ruas do centro do Rio em um grande palco carnavalesco ao longo do percurso na Rua Primeiro de Março. O megabloco SeráQAbre?, de Ivete Sangalo, que se apresentou pela primeira.vez nos blocos de embalo do Circuito Preta Gil foi acompanhado por milhares de fãs da artista, em dia de céu claro e sol forte na cidade.

    À frente do trio elétrico, Ivete saudou os foliões dizendo que este é um momento muito especial da carreira, que vai ficar guardado no coração. Durante o desfile, ela cantou sucessos como Festa, Sorte Grande, Abalou, Eva e também algumas músicas do projeto “Ivete Clareou”, inspirado em sambas e pagodes clássicos. 

    “Hoje, o que sinto é gratidão por tudo o que a gente vai viver junto e por estar aqui com vocês, nesta cidade tão especial. Hoje eu vim para arrancar o coro de vocês, brincou a cantora”.

    Ivete chorou ao falar de Preta Gil, que dá nome ao circuito dedicado aos megablocos.  

    “A previsão do tempo não era essa, e esse sol que nos ilumina agora é a presença dela. A Preta está envolvida na minha vida desde que pisei no Rio de Janeiro.

    Ela lembrou que todas as vezes que chegava ao Rio, ligava para Preta, sempre a primeira pessoa com quem falava. “Um amor profundo. “Uma irmã. Um amor muito grande. Hoje ela não está aqui, mas queria muito que estivesse”.

    Neste ano, a expectativa é que os mais de 400 blocos espalhados pela cidade reúnam cerca de 6 milhões de foliões pelas ruas do Rio, sendo que dez deles são considerados megablocos.

    A Empresa de Turismo do Rio (Riotur) disponibiliza a programação completa no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial, para que os foliões saibam quando e onde a folia vai rolar.

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Ciclone extratropical se intensifica em Santa Catarina

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    © Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC)

    A formação de um novo ciclone extratropical na Região Sul do país está se intensificando em Santa Catarina, com a chegada de temporais isolados, com raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos pontuais nas regiões do litoral sul e na grande Florianópolis. Alerta meteorológico, divulgado pela Defesa Civil do estado prevê que o temporal permaneça entre duas e três horas.

    Em nota publicada na última sexta-feira (30), a Defesa Civil de Santa Catarina alertava para a formação de um ciclone extratropical, com chegada prevista entre a segunda (2) e a quarta-feira (4).

    “O fenômeno deve se formar próximo à Região Sudeste e trazer mais chuva ao litoral catarinense. A partir da madrugada de terça-feira (3), os temporais tendem a ganhar intensidade, principalmente entre o litoral norte e a grande Florianópolis. Os acumulados elevados aumentam o risco para alagamentos, enxurradas e eventuais deslizamentos”.

    A meteorologista Nicolle Reis, da Defesa Civil, disse que “diferentemente do final de semana, quando as instabilidades são passageiras, a chuva deve ocorrer de forma persistente e volumosa nos próximos dias”.

    A Defesa Civil informou ainda que da tarde de hoje para a noite, o aquecimento, a umidade e influência de uma área de baixa pressão e de ventos mais intensos em diferentes níveis da atmosfera, voltam a favorecer a formação de temporais isolados. “Apesar da instabilidade do tempo ficar restrita às áreas mais a leste do estado, como o litoral e Vale do Itajaí e os temporais serem mais isolados que no dia anterior, eles ainda podem produzir granizo e intensas rajadas de vento de forma localizada”.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Centenas de pessoas em São Paulo pedem justiça pelo cão Orelha

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    © Letycia Bond/ Agência Brasil

    Manifestantes foram neste domingo (1º) à Avenida Paulista para pressionar as autoridades a punir os adolescentes que torturaram o cão vira-lata Orelha, na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. O animal, que ficava sob cuidados de uma comunidade local, foi torturado no dia 4 de janeiro e morreu um dia depois, sacrificado por eutanásia depois de ficar muito debilitado pelos graves ferimentos decorrentes da violência sofrida.

    Os participantes do ato vestiram, em grande número, roupas pretas e também camisetas com uma imagem do cão e frases como “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!”. Adesivos com mensagens semelhantes foram distribuídos entre o público, composto por pessoas de todas as idades, algumas levando seus animais.

    Iniciado às 10h, em frente do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), o protesto ainda permanecia ativo às 13h, sustentado por palavras de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Placas pedindo a redução da maioridade penal eram vistas ocasionalmente.

    A psicóloga Luana Ramos se declara a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A pauta voltou a ser foco no Congresso Nacional – mais especificamente, na Câmara dos Deputados. A medida vale para crimes violentos, como os hediondos, o homicídio doloso (quando há intenção de matar) e lesão corporal seguida de morte.

    “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, diz Luana

    “Erro não é isso. Erro dá para consertar. Isso não dá para consertar, não tem como voltar atrás. Foi assassinato, crueldade”, acrescenta, reagindo à tentativa dos pais dos autores do crime de atenuar a seriedade do ato que cometeram. Post que circula na internet mostra a mãe de um deles afirmando que tudo não passou de um erro.


    01/02/2026  - Centenas de pessoas pedem justiça por cãozinho Orelha em SP. Foto: Letycia Bond/ Agência Brasil
    01/02/2026  - Centenas de pessoas pedem justiça por cãozinho Orelha em SP. Foto: Letycia Bond/ Agência Brasil

    Centenas de pessoas protestam em São Paulo pela morte do cão Orelha – Foto Letycia Bond/ Agência Brasil

    Além disso, pais de dois deles e um tio tentaram coagir testemunhas para impedi-las de depor. Os garotos são investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.

    A advogada Carmen Aires levou à Paulista seus dois cachorros adotados, junto com a filha, para expressar indignação diante da morte de Orelha, que teria sido a segunda vítima dos jovens catarinenses. A outra é um cachorro que quase morreu por afogamento. 

    Para Carmen, adolescentes de 15 anos já deveriam responder criminalmente. Ela avalia como amenas demais as penalidades cumpridas por quem pratica violências contra animais. “São muito brandas, praticamente não existem. Não resolveram nada, tanto é que continuam acontecendo. A lei é recente, mas deve ser revista, porque atrocidades estão sendo feitas e a gente não aceita mais isso, ver o noticiário, as redes sociais”, afirma. 

    A instituição Ampara Animal disponibiliza em seu site diversos materiais capazes de auxiliar no processo de reeducação da sociedade. Um dos alertas é a de haver relação entre a violência que vitima animais e a praticada contra mulheres.

    O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, passeava pelos cartões-postais da capital paulista, sem saber da manifestação, à qual aderiu, também movido pelo sentimento de revolta e impunidade. Perguntados sobre uma possível ligação entre a cor dos jovens e o modo como se comportaram, sem remorso, responderam, ao mesmo tempo: “Com certeza.”

    “A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. Acharam que estavam no direito deles. As filmagens são muito claras. Eles não fizeram como se fosse um crime, como se fosse alguma coisa errada. Não, eles fazem como se estivesse dentro do direito deles”, disse o publicitário, criticando os familiares empenhados em abafar o caso. “Foi muito sádico o ato, chocante. Hoje foi um cachorro. E amanhã? Eles acham que as vidas pertencem a eles, que têm direito de tirar as vidas?”

    “Tem muito a ver também com o que é prometido a eles. O branco, principalmente o homem branco, classe média, classe média alta. É prometido a eles um privilégio. Eles sabem que têm esse privilégio. Acham que o mundo é deles, que podem matar. Não só um cachorro, mas mulheres”, completa a psicóloga. “Imagine as namoradas deles.”

    “A gente está vendo, por esse caso do Orelha, que é apenas a ponta do iceberg, mas que há maus-tratos todos os dias, a cada minuto e nada é feito. As organizações não governamentais (ONGs) é que, com muito sacrifício, com protetores independentes, conseguem minimizar o sofrimento desses animais.”

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    IR zero para quem ganha até R$ 5 mil vale a partir deste mês

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    © Marcello Casal JrAgência Brasil

    Os impactos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 começam a ser percebidos nesta semana, no contracheque dos assalariados que ganham até R$ 5 mil brutos por mês. Eles estarão totalmente isentos do IR, e aqueles com renda de até R$ 7.350 terão redução gradual do imposto retido na fonte.

    As alterações começaram a valem para os salários pagos a partir de janeiro, com reflexo a partir do pagamento de fevereiro.

    De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, 16 milhões de pessoas deverão ser beneficiadas pela medida.

    Um deles é o pedreiro do Distrito Federal, Genival Gil, de 49 anos, que ficou sabendo da medida pelo telejornal. Há três meses, ele está fichado (com a carteira de trabalho assinada) com salário de pouco mais de R$ 2,7 mil.


    Brasília (DF), 30/01/2026 - O pedreiro Genival Gil fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 30/01/2026 - O pedreiro Genival Gil fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O pedreiro Genival Gil fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Agora, Genival aguarda o contracheque para conferir o valor – que antes ia para os cofres da União e que agora vai ficar na conta. A sobra terá destino certo.

    “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, programa o pedreiro que mora de aluguel no Paranoá, a 20 quilômetros do centro de Brasília.

    Com a nova regra, passam a ficar totalmente isentos do IRPF, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil:

    – trabalhadores com carteira assinada;

    – servidores públicos;

    – aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios.

    A regra também se aplica ao décimo terceiro salário.

    Os rendimentos acima de R$ 7.350 continuam seguindo a tabela progressiva de descontos do IR atual (até 27,5%).

    O jardineiro de um shopping de Brasília, Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, também sabe que a partir deste mês uma fatia considerável do seu trabalho que ficava retida na fonte, agora não vai ser mais descontada de sua remuneração. Ganhando o salário do piso da categoria, R$ 2.574, Arnaldo considera a medida boa para o orçamento doméstico. “Mal dá para o cara se manter. Mas vou gastar com [as contas de] água e luz, que estão um absurdo.”


    Brasília (DF), 30/01/2026 - O jardineiro Arnaldo Manoel Nunes fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 30/01/2026 - O jardineiro Arnaldo Manoel Nunes fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Para o jardineiro Arnaldo Manoel Nunes,  a isenção do IR é medida boa para o orçamento doméstico – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Desconhecimento

    Nas ruas, a reportagem da Agência Brasil também entrevistou vários trabalhadores formais que desconhecem a nova tabela do imposto de renda e as principais alterações de isenção e redução da cobrança do tributo.

     É o caso da atendente de caixa de uma rede nacional de farmácias, Renata Correa, que se surpreendeu com a notícia de que não terá que pagar mais imposto de renda com o atual salário de R$ 1.620. Os planos dela são de economizar o valor inesperado. “Vou fazer uma rendinha extra e deixá-la guardadinha para poder chegar ao fim do ano ou usar em datas especiais. Até mesmo usar em uma emergência.”


    Brasília (DF), 30/01/2026 - A atendente de farmácia Renata Correa fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 30/01/2026 - A atendente de farmácia Renata Correa fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A atendente de farmácia Renata Correa recebeu com surpresa a notícia da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Ao chegar ao local de trabalho, Renata prometeu avisar os colegas sobre a boa nova para que fiquem atentos. “Agora, vou vigiar o contracheque e correr atrás para não ter problemas e saber se está tudo certinho mesmo.” Renata mora em casa própria em Santo Antônio do Descoberto (GO) com as três filhas.

    O integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Adriano Marrocos tranquiliza os trabalhadores com carteira assinada, pois a isenção para quem recebe até R$ 5 mil e os descontos graduais, para quem tem renda de R$ 5.001 a R$ 7.350, serão automáticos.

    “Quem tem emprego, não precisa se preocupar, pois os cálculos são automáticos nos programas que geram as folhas de pagamento. O que a pessoa deve observar é que há o cálculo combinado com o redutor adicional e o desconto simplificado.”

    Comunicação mais eficaz

     A notícia encheu os olhos da cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos. Há um ano e meio, ela trabalha em um restaurante localizado em área popular, no centro de Brasília, e ganha cerca de R$ 1,7 mil por mês. “Se sobrar dinheiro, quero juntar para comprar um carro porque venho de ônibus todos os dias do Recanto das Emas.”


    Brasília (DF), 30/01/2026 - A cozinheira Elisabete dos Santos fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 30/01/2026 - A cozinheira Elisabete dos Santos fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

     A cozinheira Elisabete dos Santos sente falta de maior comunicação do empregador com os empregados -Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

    No entanto, Elisabete sentiu a falta de uma comunicação do empregador aos funcionários. Nem ela, nem o churrasqueiro sabiam da isenção do imposto de renda. Por isso, ainda demorou a confiar na veracidade da notícia.

    “Eu acho excelente, mas vamos ver se vai valer mesmo!”

    Para acabar com as dúvidas, o contador Adriano Marrocos sugere a melhoria da comunicação com os trabalhadores.

    “Em relação aos empregados, a sugestão é o envio de um texto explicando as mudanças e que não se trata de aumento de salário, mas de redução de imposto.”

    Na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou em suas redes sociais a notícia de que a isenção do IR começa a ser percebida no salário recebido neste mês.

    “Está valendo: quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda ZERO. E quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 está pagando menos imposto. É mais dinheiro para cuidar da família, organizar a vida e viver melhor. Isso é justiça tributária, e ela está chegando para milhões de brasileiros e brasileiras”, disse o presidente Lula.

    De onde vem o dinheiro?

    A conta da renúncia fiscal — estimada em R$ 25,4 bilhões — será paga por quem está no topo da pirâmide econômica. Para compensar a perda de arrecadação, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM).

    Entram no cálculo os salários recebidos; lucros e dividendos; e rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.

    A estimativa do governo é de que cerca de 141 mil contribuintes serão afetados. Desde 1º de janeiro, a regra é válida para quem tem:

    – renda mensal de acima de R$ 50 mil (R$ 600 mil/ano), alíquota progressiva de até 10%;

    – renda acima de R$ 1,2 milhão/ano, os chamados super-ricos: alíquota mínima efetiva de 10%.

    Com o do novo imposto voltado à alta renda, o contador Adriano Marrocos acredita que o impacto na arrecadação federal de tributos deve ser mínimo.

    “Já havia benefício de isenção para quem recebia até dois salários-mínimos (R$ 3.036). Então, a renúncia só tem a margem de R$ 3.036,01 a R$ 5 mil. De outro lado, o governo federal sancionou a cobrança de imposto de renda de parcelas que eram isentas, como a distribuição de lucros.”

    Para o gerente de loja de roupas Pedro Henrique Mendonça Marques, de 23 anos, a medida federal faz justiça tributária do Brasil.


    Brasília (DF), 30/01/2026 - O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 30/01/2026 - O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques fala sobre a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até 5mil reais.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques diz que isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil faz justiça tributária – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

    “É legal porque, nesses casos, vai taxar os que recebem mais. Eles pagam mais, E quem recebe menos, paga menos. Essa é a lógica.”

    Ele recebe cerca de R$2,3 mil por mês e pretende contribuir mais nas despesas da casa que divide com a mãe, na cidade de São Sebastião. Nesta matemática financeira, ele até pensa no futuro. “Eu acho que vou sair da casa da minha mãe, por exemplo.”

    Na hora de declarar o IR

    De acordo com o Ministério da Fazenda, a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) vai se refletir apenas na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026.

    O conselheiro Adriano Marrocos explica que para a Declaração do Imposto Renda Pessoa Física anual, a ser entregue em maio deste ano, nada muda. “Esses trabalhadores ainda terão que entregá-la normalmente. O benefício teve início apenas em janeiro de 2026, ou seja, qualquer reflexo da redução do IR deverá ser percebido somente em maio de 2027.”

    O Ministério da Fazenda explica que nada muda nas principais deduções do IR, no momento da declaração:

    – dependentes: R$ 189,59 por mês;

    – desconto simplificado mensal: até R$ 607,20;

    – despesas com educação: até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;

    – declaração anual: desconto simplificado de até R$ 17.640.

    Marrocos esclarece ainda que a dispensa da entrega da declaração para quem ganha menos de R$ 5 mil em 2026 não toma por base apenas o rendimento tributável, mas os rendimentos isentos e não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte, além dos bens.

    Quem tem mais de uma fonte de renda precisará complementar o imposto na declaração anual, mesmo que cada rendimento isolado seja inferior a R$ 5 mil.

    Para os contribuintes que temem errar o preenchimento da declaração do imposto de renda em 2026 e 2027, a dica é observar o que está detalhado no informe disponibilizado pelas empresas obrigatoriamente no primeiro trimestre de cada ano.

    “Os dados gerados pelas empresas são enviados para a Receita Federal, por meio de declarações eletrônicas mensais e trimestrais. Assim, a ocorrência de erro é baixa.”

    Além da necessidade de o contribuinte declarar da mesma forma que está descrito no Informe de Rendimentos, é “importante conferir os dados na declaração pré-preenchida pela Receita Federal antes de confirmar o envio”, lembra o contador.

    Confira aqui a nova tabela do IRPF divulgada pela Receita Federal com as mudanças após isenção para quem ganha até R$ 5 mil e que entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias