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    Governo debate combate ao antissemitismo com foco na educação

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    © Foto: Valdenio Vieira / SEAUD-PR

    Representantes do Poder Executivo e de diferentes segmentos da comunidade judaica reuniram-se nesta quarta-feira (28), no Palácio do Planalto, para discutir estratégias de enfrentamento ao antissemitismo no Brasil, com ênfase no papel da educação como instrumento fundamental para a prevenção dos crimes de ódio e o fortalecimento da democracia.

    O encontro reuniu pesquisadores de universidades de cinco estados, rabinos, representantes de instituições como o Museu do Holocausto de Curitiba e de movimentos sociais, entre eles, Judeus pela Democracia e Casa do Povo, além de diversos integrantes do governo federal.

    O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a importância do diálogo e da construção de propostas concretas para enfrentar todas as formas de discriminação e ódio. Segundo ele, a contribuição da comunidade judaica ao desenvolvimento do país é ampla e histórica, abrangendo áreas como ciência, cultura, medicina e atividade empresarial.

    “Vamos trabalhar para que a gente possa avançar ainda mais, prestando não apenas justiça à comunidade judaica, mas principalmente promovendo valores que são essenciais à civilização”, afirmou.

    A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ressaltou que o combate ao antissemitismo integra o compromisso do governo Lula de enfrentar todas as formas de preconceito e discriminação. Ela lembrou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro presidente brasileiro a fazer uma visita de Estado a Israel, em 2010, e que a diplomacia brasileira defende a paz e a coexistência de dois estados soberanos, Israel e Palestina. 

    Já a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou a relação direta entre a preservação da democracia e o enfrentamento às manifestações de ódio, alertando para os riscos que a intolerância representa às instituições democráticas.

    Para o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, a iniciativa do governo ocorre em um momento crítico, marcado pelo crescimento do antissemitismo em diversas partes do mundo. Ele classificou o encontro como essencial para dar visibilidade ao problema e reforçar a necessidade de ações articuladas entre Estado e sociedade civil.

    No encontro, entre os diversos pontos levantados, a educação e a importância do trabalho no combate aos crimes de ódio estiveram no centro dos debates. A ministra Gleisi Hoffmann destacou que políticas educacionais abrangentes são fundamentais para enfrentar o cenário atual de intolerância. “Uma proposta educacional pode ser ampla e transformadora”, afirmou, ressaltando que a reunião já estava prevista desde o ano anterior e não foi motivada por episódios recentes.

    A professora da Universidade de São Paulo, escritora e historiadora Lilia Schwarcz, que participou de forma remota, reforçou que a educação é uma das ferramentas mais eficazes no combate ao antissemitismo. Para ela, embora a denúncia e a judicialização sejam fundamentais, são insuficientes sem políticas educacionais estruturadas. “A educação é uma força poderosa no sentido de produzir de letramento”, afirmou, ao criticar o fato de o tema aparecer de forma pontual nos currículos escolares, geralmente restrito ao estudo do Holocausto no ensino fundamental.

    Segundo Lilia Schwarcz, o enfrentamento ao antissemitismo deve ser entendido como um desafio da democracia brasileira, e não apenas como uma questão que afeta a comunidade judaica. Ela defendeu a ampliação do debate nas escolas e a articulação com o Ministério da Educação para a construção de políticas públicas baseadas na empatia e no reconhecimento da diversidade.

    O Brasil mantém compromisso histórico com o repúdio ao antissemitismo e a todas as formas de discriminação étnica, racial e religiosa. Esse posicionamento está amparado na Constituição Federal de 1988, que garante a liberdade religiosa, e na Lei nº 7.716/1989, que criminaliza práticas de discriminação e preconceito.

    Além da legislação nacional, tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a Convenção Internacional contra a Discriminação Racial (1965), reforçam o arcabouço jurídico de combate ao antissemitismo e outras formas de discriminação. 

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    RN tem 172 espécies ameaçadas de extinção

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    RN tem 172 espécies ameaçadas de extinção
    Scarus trispinosus_budião azul – Foto: Kendall Clements

    Há 172 espécies da fauna silvestre nativa ameaçadas de extinção no Rio Grande do Norte, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema). Para elaborar o documento, o Idema contou com a colaboração de pesquisadores da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte), Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), entre outras instituições, que avaliaram, com base em dados científicos disponíveis, diferentes grupos da fauna silvestre, como insetos (libélulas e borboletas), peixes de ambientes continentais, estuarinos e marinhos, crustáceos, anfíbios, répteis, incluindo tartarugas marinhas, aves e mamíferos marinhos. 

    As espécies avaliadas foram enquadradas nas categorias Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), conforme critérios compatíveis com os adotados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ajustados às especificidades ecológicas, territoriais e socioambientais do Rio Grande do Norte.

    No ambiente costeiro e marinho encontram-se “Criticamente em Perigo” o peixe-serra (Pristis pectinata), o tubarão-martelo (Sphyrna lewini), o mero (Epinephelus itajara), a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus). Já na fauna terrestre e continental, figuram espécies como a ararajuba (Primolius maracana), o gavião-de-pescoço-curto (Leptodon forbesi), a jacucaca (Penelope jacucaca), a ema (Rhea americana) e a perereca-da-caatinga (Pseudopaludicola jaredi).

    Para quem trabalha com pesquisa, [a lista] é o primeiro passo para definirmos outras ações. Ter essa catalogação é importante para subsidiar tomadas de decisão, ampliar o conhecimento acadêmico sobre conservação e biodiversidade e apoiar pesquisadores em vários campos de atuação. Essa portaria representa um marco para a gestão ambiental do RN, porque transforma o conhecimento científico em instrumento de decisão, garantindo mais segurança jurídica, mais transparência e, principalmente, mais cuidado com a nossa biodiversidade”,  relata o coordenador de Fauna do Idema, Marcelo da Silva.

    Scarus trispinosus_budião azul – Foto: Kendall Clements

    Além de instituir oficialmente a lista, a Portaria estabelece diretrizes para proteção, conservação, manejo e recuperação da fauna silvestre, com objetivos que incluem subsidiar o licenciamento ambiental, apoiar ações de fiscalização e controle, fomentar pesquisas científicas, fortalecer a educação ambiental e embasar políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade.

    Pela primeira vez, o Rio Grande do Norte passa a contar com uma Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, construída a partir de critérios científicos e alinhada às diretrizes nacionais e internacionais de conservação. Estamos falando de 172 espécies da nossa fauna, que vivem em ambientes terrestres, aquáticos, costeiros e marinhos, e que agora passam a ter prioridade nas ações de proteção, no licenciamento ambiental, na fiscalização e nas políticas públicas do Estado”, aponta o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt.

    Com a lista, as espécies classificadas nas categorias de ameaça passam a ser consideradas prioritárias para ações de conservação no estado. A normativa também prevê restrições à captura, perseguição, transporte, comercialização e destruição de habitats, salvo nos casos devidamente autorizados pelo órgão ambiental competente, como pesquisas científicas, ações de manejo, programas de reprodução e atividades de educação ambiental.

    A lista também deve ser obrigatoriamente considerada nos processos de licenciamento ambiental conduzidos pelo Idema. A identificação de espécies ameaçadas em áreas de empreendimentos poderá resultar na exigência de estudos ambientais específicos, adoção de medidas mitigadoras e compensatórias, imposição de condicionantes ou, quando inviável a mitigação, na recusa do pedido.

    Com essa iniciativa inédita, o Idema fortalece a valorização da biodiversidade potiguar e a produção de informações técnicas qualificadas, fundamentais para a conservação da fauna e o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte”,  acrescenta Farkatt.

    O documento será atualizado periodicamente, a cada quatro anos, ou sempre que novos dados científicos relevantes indicarem a necessidade de revisão.

    Para conferir a lista completa de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do RN, CLIQUE AQUI.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Atividade urbana concentrou maioria do trabalho escravo em 2025

    © Wellyngton Souza/Sesp-MT

    O balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) das operações em 2025 apontam que 2.772 pessoas foram resgatadas em situação de trabalho análogo à escravidão. Pela primeira vez, a maior parte dos trabalhadores, 68%, exerciam atividade nos centros das cidades.

    “O trabalho escravo contemporâneo não está restrito a uma atividade econômica específica. Embora tradicionalmente haja mais resgates no meio rural, em 2025 o número de trabalhadores resgatados no meio urbano foi maior”, explica a coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão e do Tráfico de Pessoas, Shakti Borela.

    O setor da construção civil foi onde houve o maior número de resgate, com 601 casos em obras de alvenaria e outros 186 em construções de edifícios e prédios. Outras atividades que também registraram muitos resgates foram a administração pública com 304 casos, o cultivo de café, com 184, e a extração e britamento de pedras e outros materiais para construção, com beneficiamento associado, com 126 resgates.

    De acordo com o MTE, a maior parte dos trabalhadores resgatados têm idade na faixa etária de 30 a 39 anos, são homens e com baixa escolaridade. Entre os resgatados, 83% se autodeclaram negros (pretos ou pardos).

    Para a diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, esse perfil revela trajetórias marcadas por vulnerabilidades históricas, que expõem essa parte da população a condições análogas à escravidão por décadas.

    Os estados que mais registraram resgate foram Mato Grosso, com 607; Bahia, 482; Minas Gerais, 393, e São Paulo, com 276 trabalhadoras e trabalhadores resgatados.

    Direitos

    Após as operações, todos os trabalhadores puderam acessar o direito legal ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas no valor de um salário mínimo e foram encaminhados aos serviços públicos, como os de assistência social. De acordo com o Ministério do Trabalho, foi garantido o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.

    Ao todo foram realizadas pelos auditores-fiscais 1.594 ações de combate ao trabalho análogo à escravidão em 2025, que além dos resgates também assegurou direitos trabalhistas a mais de mais de 48 mil trabalhadores e trabalhadoras.

    Denúncias

    Para denunciar violações de direitos dos trabalhadores não é necessário se identificar, qualquer pessoa pode acessar de forma anônima pela internet, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    a criminalização da luta por moradia no RN

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    Quando o Estado pune a pobreza: a criminalização da luta por moradia no RN

    A derrubada, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, do veto da governadora Fátima Bezerra ao Projeto de Lei nº 53/2024 marca um dos mais graves retrocessos democráticos recentes no estado. O que se aprovou não é apenas uma lei. É a institucionalização da punição à pobreza. É a tentativa explícita de transformar em infração administrativa aquilo que a Constituição reconhece como direito fundamental: a moradia, e, portanto, a legitimidade de lutar por ela quando o Estado a nega.

    Ao vetar o projeto, a governadora apontou o óbvio jurídico: trata-se de uma norma flagrantemente inconstitucional. Ainda assim, a maioria dos deputados decidiu avançar na construção de um arcabouço legal que, na prática, criminaliza movimentos sociais e famílias que ocupam imóveis ociosos para sobreviver.

    A partir de agora, no Rio Grande do Norte, quem participa de ocupações urbanas poderá sofrer sanções administrativas antes mesmo de qualquer julgamento. Entre elas: perda de acesso a programas sociais estaduais; impedimento de inscrição em programas habitacionais; e até a proibição de tomar posse em cargos públicos conquistados por concurso. Ou seja: o Estado passa a usar a fome, o desemprego e a exclusão como instrumentos de coerção política.

    É a lógica perversa da punição por ser pobre. Castiga-se por não aceitar a rua como destino. Castiga-se por ousar reivindicar um direito constitucional.

    Do ponto de vista jurídico, o absurdo é ainda maior. A Constituição é clara ao afirmar que somente a União pode legislar sobre direito penal. Estados não podem criar, ainda que disfarçadas de “sanções administrativas”, punições que tenham natureza penal e efeito de estigmatização social. Além disso, o texto constitucional estabelece que a propriedade deve cumprir função social. Um imóvel vazio em meio a milhares de famílias sem teto não é expressão de direito, é expressão de privilégio.

    O que essa lei faz é inverter completamente a lógica constitucional: protege-se o abandono, pune-se a necessidade. Defende-se o patrimônio improdutivo, criminaliza-se a sobrevivência. Em vez de enfrentar o déficit habitacional, a especulação imobiliária e a existência de milhares de imóveis ociosos em Natal e no interior, opta-se por perseguir quem luta para morar.

    Não é coincidência. É escolha política. A elite potiguar prefere punir o pobre a enfrentar a pobreza. Prefere silenciar os movimentos sociais a enfrentar os interesses do mercado imobiliário. Prefere criminalizar a ocupação a cumprir a Constituição.

    A história brasileira ensina aonde isso leva. Sempre que a ordem jurídica foi usada para sufocar os que lutam por direitos, abriu-se caminho para o autoritarismo. A criminalização da luta por moradia dialoga diretamente com a tradição de repressão aos trabalhadores, aos camponeses, aos sem-teto, aos sem-terra, aos que ousam dizer que a dignidade não é mercadoria.

    No Rio Grande do Norte, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) constrói, há mais de 20 anos, uma trajetória legítima de defesa do direito à moradia. Mais de mil famílias já conquistaram teto, cidadania e dignidade por meio dessa organização. Não se trata de “invasão”, mas de resistência. Não se trata de crime, mas de afirmação de direitos.

    “Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito.” A frase não é slogan vazio. É síntese de uma realidade social brutal: num país marcado pela desigualdade estrutural, a ocupação é, muitas vezes, a única forma concreta de acessar um direito que o Estado historicamente negou.

    Derrubar o veto e sancionar essa lei é declarar guerra aos pobres. É dizer, sem rodeios, que no Rio Grande do Norte lutar por direitos pode custar comida, teto e trabalho. É transformar políticas públicas em instrumentos de chantagem social. É institucionalizar o medo.

    Mas a história também ensina outra coisa: direitos nunca foram concedidos sem luta. Eles sempre foram conquistados contra a resistência das elites. A criminalização de hoje é a prova de que a luta é necessária. E de que ela incomoda.

    A luta por moradia não será silenciada por leis injustas. Não será intimidada por sanções ilegais. Não será apagada por decretos que tentam transformar necessidade em delito.

    Enquanto houver imóveis abandonados e famílias nas ruas, haverá ocupação. Haverá organização. Haverá resistência.

    Porque lutar não é crime. Crime é transformar a pobreza em alvo do Estado. Crime é usar a lei para proteger privilégios e punir a dignidade. Crime é rasgar a Constituição em nome da propriedade sem função social.

    E contra isso, não há neutralidade possível. Ou se está do lado do direito à vida digna, ou se está do lado da criminalização dos que lutam para sobreviver.

    Fonte: saibamais.jor.br

    Mega-sena pode pagar prêmio de mais de R$ 100 milhões nesta quinta

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    © Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O concurso 2966 da Mega-Sena tem prêmio estimado em R$ 102 milhões para quem acertar as seis dezenas que serão sorteadas a partir das 21h desta quinta-feira (29), no Espaço da Sorte, em São Paulo. 

    As apostas podem ser feitas até as 20h30 (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet.

    A aposta mínima, de 6 números, custa R$ 6. Quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de ganhar.

    O sorteio tem transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube.

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    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Incêndio destrói empresas e creche na zona leste de São Paulo

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    © Divulgação/Corpo de Bombeiros

    O fogo tomou conta de uma fábrica de colchão na madrugada desta quinta-feira (29), no Jardim Helena, na zona leste de São Paulo. Não houve feridos.

    O Corpo de Bombeiros, que foi acionado às 2h31, enviou 12 viaturas para o local e 37 agentes atuaram na ocorrência. O fogo se espalhou e atingiu uma oficina mecânica, que também ficou destruída, e uma academia, que foi parcialmente atingida e corre risco de desabamento. O fogo chegou ainda a uma creche.

    No momento os bombeiros fazem o trabalho de rescaldo.

     

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Congonhas confirma terceiro vazamento em mina, em menos de uma semana

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    © Prefeitura de Congonhas/Divulgação

    A cidade de Congonhas, região central de Minas Gerais, confirmou na noite desta quinta-feira (28) um terceiro vazamento de água no estado em menos de cinco dias.

    Desta vez, o acidente foi identificado no dique de Fraile, na mina Casa de Pedra, que pertence à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

    Os dois vazamentos anteriores, um no domingo (25) e outro na segunda-feira (27), ocorreram em áreas controladas pela mineradora Vale.

    Segundo a prefeitura de Congonhas, o novo problema foi identificado durante os trabalhos de fiscalização nos outros dois vazamentos: 

    “[Foi identificado] carreamento de resíduos por enxurrada, decorrentes de deficiências nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora”.

    Ainda de acordo com a prefeitura o material foi em direção ao Rio Maranhão e, apesar do vazamento, não houve rompimento de estruturas.

    O órgão municipal considerou o incidente como um ‘dano ambiental moderado’. A prefeitura disse ainda que notificou a CSN para que tome providências.

    A Agência Brasil entrou em contato com a CSN, que não se posicionou até a publicação deste texto.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Luto e fome: viúva tenta se reerguer após operação mais letal do Rio

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    © Tomaz Silva/Agência Brasil

    A mulher fotografada enquanto fechava os olhos do cadáver do marido em meio a uma fila de corpos tem um nome: Fernanda da Silva Martins.

    A imagem do repórter fotográfico da Agência Brasil Tomaz Silva com o pranto da viúva, de 35 anos, rodou o mundo e foi republicada em jornais e sites do país e do exterior para retratar a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro. 

    Deflagrada pelo governo do estado do Rio para cumprir mandados e coibir a facção criminosa Comando Vermelho, a Operação Contenção deixou 122 mortos entre 28 e 29 de outubro de 2025, incluindo cinco policiais. 

    O confronto teve reflexos em toda a cidade se estendeu madrugada adentro na Serra da Misericórdia, região desabitada entre os complexos do Alemão e da Penha, onde familiares de mortos e ativistas de direitos humanos denunciam ter havido sinais de execução.

    Já autoridades policiais alegaram, na época, que os mortos são criminosos que reagiram e atentaram contra a vida de seus agentes. Para o governador, Cláudio Castro, a incursão foi um sucesso.

    Depois da ação, moradores do Complexo da Penha retiraram cerca de 80 pessoas mortas de uma área de mata e os enfileiraram em uma rua na Vila Cruzeiro, onde permaneceram por horas, diante de vizinhos e familiares, até que fossem encaminhados ao Instituto Médico Legal, no centro da cidade.

    >> Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

    Por respeito à condição de Fernanda, no momento da foto, a Agência Brasil preferiu evitar abordar parentes das vítimas, seguindo a política editorial da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Passados esses três meses, a reportagem a reencontrou na comunidade do Complexo do Alemão onde mora com três dos quatro filhos, de 15, 11 e 8 anos. 

    A imagem dela feita pela Agência Brasil retrata seu maior momento de luto, afirma. Apesar das condições em que foi fotografada, ela disse que “sua dor ganhou importância” com a repercussão. 

    “Ali, sentiram a minha dor. Muita gente [me] crucificou, mas outras me ligaram, se comoveram. A foto foi de um sentimento muito real”, avaliou.


    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – Fernanda da Silva Martins posa para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – Fernanda da Silva Martins posa para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Fernanda da Silva Martins durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    “Não importa se acharam que eu era mãe dele. Eu perdi o amor da minha vida, pai dos meus filhos, o homem que me deu esperança”.

    Ao relembrar o momento, ela se entristece com o estado do corpo do qual se despediu. Ela conta que seu marido era membro da facção, mas o cadáver tinha sinais que iam além do que era esperado em uma troca de tiros.

    “Ele não morreu [só] de tiro. Ele levou facada no braço e teve o pescoço quebrado. O tiro de misericórdia deram depois, nas costas”, revelou. “Mas eu não recorri a nada nem a ninguém, não tenho apoio”.

    Depressão e fome

    Desde que perdeu o companheiro com quem estava há 14 anos, o primeiro desafio do dia dela é acordar. Fernanda sofre com depressão e síndrome do pânico e chegou a ficar internada após uma tentativa de suicídio desde que ficou viúva. 

    “Eu saí do tamanho (manequim) 44 para o 36. Eu passo dias sem comer, choro, desmaio, tem sido difícil”, disse.

    São seus dois filhos mais novos, Anna Clara, de 11 anos, e Ivan, de 8, que a mantêm de pé, desabafa. A filha mais velha, de 18 anos, mora com a avó, e segundo mais velho, de 15, com o pai.

    “Hoje, [juro] por Deus, levantei pela força da misericórdia. O menino não tinha o que comer. Ele me acordou: ‘mamãe, tô com fome’. Tem dois dias que não durmo, vivo à base de remédios”.

    O pouco que a família tem vem do Bolsa Família, mas, com duas crianças em casa, a comida acaba rápido.

    “Meu marido, antes, pagava tudo. Agora, a gente vive mais de miojo, porque eu não tenho mesmo”.

    Para buscar o sustento da família, também pesa o fato de Fernanda ter apenas sete anos de estudo, com ensino fundamental incompleto, e nunca ter trabalhado de carteira assinada. 

    “Mas eu já trabalhei. Eu olhava uma senhora idosa, trabalhei em lanchonete, trabalhei de diarista com minha mãe. Trabalhei no carnaval, vendendo cerveja. Este ano que não vou, não consigo ainda encarar o mundo, sabe?”, justifica. “Eu também tive quatro filhos e cuidava sempre deles”.

    Sem a merenda para os filhos durante as férias escolares, o dinheiro encurtou ainda mais e uma das soluções foi mandar Clara para a casa da avó paterna, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. 

    O menino que ficou, Ivan, toma banho de barril para aliviar a sensação da última onda de calor na cidade e implora para ir à praia. 

    “Ele pergunta: ‘mãe, quanto é a passagem para eu ir?’ Eu respondo: ‘é caro, são quatro passagens, eu não tenho condição'”.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Relacionamento

    Quando começou a se relacionar com o ex-marido, Leonardo Fernandes da Rocha, ela conta que não sabia que ele integrava a cadeia de comando da facção. Com o tempo, a família passou a depender dessa renda.

    “Eu trabalhava na padaria e ganhava um salário. Mas tudo era meu. Do portão para dentro, era tudo ele. Botava comida em casa, pagava as contas, tratava bem meus filhos mais velhos. Não faltava nada. Internet, comida, gás, roupas, era tudo ele, eu gastava comigo”.

    A época mais difícil que passaram foi a do diagnóstico de câncer de Ivan, na época, com 3 anos. Fernanda conta que, juntos, ela e Leonardo tentaram traçar planos para ele fora do crime, mas não conseguiram outra forma de garantir renda suficiente para a sobrevivência e o tratamento. 

    “Meu marido queria ter saído dessa vida. Ele vendeu moto, vendeu o fuzil, queria vender a nossa casa para pagar o tratamento do Ivan, mas não dava. O médico falou assim para ele: o senhor pode vender até a sua alma, mas não vai dar [para custear o tratamento]. Então, ele foi ficando [no tráfico], e eu fui relevando [o tráfico e as traições]. Eu orava”, lamentou.

    Depois de muita espera e até ações judiciais, ela conta que o caso finalmente foi encaminhado para o Instituto Nacional de Câncer (Inca), e uma cirurgia salvou a vida do filho.

    “Meu filho ficou meses internado. O Leonardo [o pai], apesar de dar os pulos dele, de me chamar de maluca, de doida, de surtada, porque eu ia atrás dele, ele me apoiava, pagava os remédios e, no dia da operação, chegou [ao hospital] em dez minutos”, lembrou. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 28/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contensçao.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 28/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contensçao.
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Mulher chora diante de dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

    Apoio dos pais

    Fernanda recebeu a reportagem na laje da casa dos pais. Com pés de maracujá, uma bananeira e perfumado por ervas, como manjericão e hortelã, o espaço é o mais fresco da casa, mantido pelo pai de Fernanda, Jocimar, um vendedor de 55 anos.

    “Aqui não tem passarinho, mas toda hora vem uma borboleta”, brinca ela, enquanto procura se proteger do sol a pino.

    A casa dos pais dela é uma das mais simples da rua, conta. “A nossa casa é a mais pobre da rua porque, por muito tempo, meu pai foi dependente químico”

    “Não parava nada aqui dentro. Tudo ele vendia. Pegava crediário nas Casas Bahia e vendia móvel, televisão, telha… A minha [primeira] filha ia fazer um festão de um aninho. Aí, ele vendeu a roupa dela todinha, uma roupinha jeans e uma sandalinha gladiadora. Depois, eu creio, por causa dessa história, da minha filha, ele se arrependeu e parou”.  

    O acontecido já tem quase 20 anos, e Fernanda há tempos perdoou. É o pai e a mãe dela, Sônia, uma diarista de 59 anos, que a socorrem quando falta comida na mesa. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva martins posam para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 15/01/2026 – O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva martins posam para fotografia durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    O aposentado, Jocimar Martins e sua filha, Fernanda da Silva Martins, durante entrevista à Agência Brasil, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    “Se não fosse pela minha família, eu não estaria mais aqui. E eles ajudam como podem”.

    Sobre o futuro, Fernanda sonha em sair do Alemão.

    “Queria dar uma vida melhor para os meus filhos. Não é que aqui seja ruim, mas queria que meus filhos avançassem, tivessem um futuro que eu não tive”, disse. 

    Ela também gostaria de montar um pequeno salão, “fazer manicure e pedicure”. 

    “Já fiz curso de cílios, sobrancelhas, tenho diploma, só falta botar em ação”. Hoje, a preocupação é viver um dia após o outro e colocar comida na mesa enquanto duram as férias.

    Fonte: Agência Brasil de Noticias

    Fátima reage ao rompimento de Walter e rebate narrativa de crise no RN

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    Fátima reage ao rompimento de Walter e rebate narrativa de crise no RN

    A governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou, em entrevista concedida nesta terça-feira (27) ao programa Tamo Junto, da Rádio Universitária FM (UFRN), que foi surpreendida pela decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Executivo quando ela se desincompatibilizar, em abril, para disputar uma vaga ao Senado. Mais do que a mudança de planos em si, Fátima apontou a forma e o conteúdo do gesto como um rompimento de pactos políticos construídos ao longo de todo o segundo mandato e que, até então, vinham sendo tratados como naturais dentro da base governista.

    Segundo a governadora, havia um entendimento consolidado, inclusive com o aval do presidente Lula e das direções nacionais do PT e do MDB, de que Walter assumiria o governo e, a partir daí, seria o nome natural do campo democrático-popular para a sucessão em 2026, com apoio integral da coalizão.

    “O governo não esperava por essa mudança de rumo do vice-governador. A própria sociedade não esperava. A imprensa não especulava que ele não viesse a assumir o governo. O que estava colocado era o que manda a lógica política e institucional: ele assumiria e seria o candidato à reeleição, com o apoio do PT, dos partidos aliados e do presidente Lula”, afirmou.

    Fátima relatou que, mesmo quando Walter decidiu não disputar a reeleição, manteve o compromisso de assumir o governo e de trabalhar, em conjunto com ela, na recomposição do MDB, especialmente na formação de nominatas fortes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados. Esse pacto, segundo a governadora, foi reiterado em reuniões com a direção nacional do partido, incluindo um encontro com o presidente do MDB, Baleia Rossi, e o líder Isnaldo Bulhões.

    “Havia diálogo franco, respeito e construção coletiva. Eu dizia a ele: a partir de agora, nenhuma decisão relevante no Estado será tomada sem que eu converse com você. Isso era prática, não discurso. Por isso, a decisão de não assumir, tomada de forma abrupta, pegou a todos de surpresa”, disse.

    Apoio à direita e operação da PF

    O gesto de Walter ganhou ainda mais peso político ao ser acompanhado do anúncio de que não apenas abrirá mão de assumir o governo, como também declarou apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que se movimenta como pré-candidato ao Governo do Estado pelo campo da direita. O reposicionamento ocorre em um momento delicado para Allyson, que foi alvo, também nesta terça-feira (27), de operação da Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão no âmbito de investigações sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos da saúde no estado.

    Sem entrar em juízos sobre a operação da Polícia Federal, mas afirmando que as investigações no estado devem avançar “com independência, rigor e aprofundamento”, Fátima observou que o apoio explícito a um projeto situado no campo conservador altera profundamente o tabuleiro político e rompe com a lógica da aliança que sustentou o governo desde 2018.

    “Estado quebrado”: Fátima rebate com números

    Um dos argumentos utilizados por Walter e por setores que defendem o seu afastamento do projeto governista é o de que o Rio Grande do Norte viveria uma situação fiscal crítica, o que tornaria “ingovernável” a transição. Na entrevista, Fátima foi direta ao classificar essa leitura como uma narrativa descolada da realidade e sustentada por interesses eleitorais.

    “Os fatos criam uma narrativa totalmente diferente dessa que tenta pintar o Estado como se estivesse quebrado. Quando nós chegamos, em 2019, encontramos quatro folhas de pagamento em atraso. O comprometimento da receita corrente líquida com pessoal era de cerca de 63% a 64%. Hoje está em torno de 56% e a projeção é chegarmos ao final de 2026 com algo próximo de 54%”, afirmou.

    A governadora lembrou que, mesmo com os impactos severos das Leis Complementares 194 e 192, aprovadas em 2022 durante o governo Bolsonaro, que reduziram drasticamente a arrecadação de ICMS sobre combustíveis e energia, o Estado manteve o pagamento dos servidores em dia e conseguiu retomar uma trajetória de equilíbrio.

    “Essas leis provocaram um abalo violento nas finanças dos estados. No nosso caso, somou-se a isso a redução da alíquota do ICMS de 20% para 18%, o que retirou quase R$ 800 milhões por ano do orçamento. Ainda assim, hoje não há um único servidor com salário atrasado. No dia 31, todos os ativos, aposentados e pensionistas recebem integralmente”, destacou.

    Fátima acrescentou que, mesmo diante desse cenário adverso, o governo manteve políticas de desenvolvimento que resultaram em crescimento do emprego formal e atração de investimentos.

    “O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Nordeste a ter mais empregos com carteira assinada do que beneficiários do Bolsa Família. Modernizamos a política de incentivos, fortalecemos a indústria e hoje temos mais de 300 empresas beneficiadas, gerando dezenas de milhares de postos de trabalho. Se o Estado estivesse no caos que tentam pintar, não haveria tanta gente querendo disputar a cadeira de governador”, afirmou.

    Para a governadora, portanto, o argumento financeiro não se sustenta tecnicamente e cumpre papel político: tentar justificar o desembarque e, ao mesmo tempo, fragilizar o projeto que ela apresentará ao eleitorado na disputa pelo Senado.

    Governo interino e correlação de forças

    Com a confirmação de que Walter não assumirá, o cenário passa a ser o de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para a escolha de um governador interino. A governadora deixou claro que o PT e os partidos do campo popular-democrático trabalharão para construir maioria entre os 24 deputados estaduais.

    “O povo nos confiou a gestão do Estado até 31 de dezembro de 2026. Isso está amparado na Constituição e na soberania popular. O PT não fugirá dessa responsabilidade. Estamos trabalhando para construir a correlação de forças necessária para garantir a continuidade do projeto que foi aprovado nas urnas”, afirmou.

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    Fonte: saibamais.jor.br

    Com privatizações no RN, redução no preço da gasolina pode não chegar ao consumidor

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    Com privatizações no RN, redução no preço da gasolina pode não chegar ao consumidor

    Apesar do anúncio da Petrobras de redução do preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça (27), uma diminuição equivalente a R$ 0,14 por litro de combustível, o corte pode nem chegar ao consumidor em Natal. Por causa da privatização da BR Distribuidora e da refinaria da Petrobras, as empresas que fazem o refino e distribuição do combustível no Rio Grande do Norte hoje podem não repassar a redução para o consumidor final.

    Uma das questões é que a Petrobras tinha a BR Distribuidora, que tinha a função de comprar combustível da Petrobras nas refinarias e revender nos postos comuns e nos postos BR. Como a distribuidora era da Petrobras, ela comprava por preço de transferência e vendia mais barato. No caso dos postos BR, vendia ainda mais barato. Só que a distribuidora foi privatizada e hoje ela é a Vibra Energia. A Petrobras baixou o preço, a empresa vai comprar mais barato, mas não vai, necessariamente, vender mais barato. Pode simplesmente manter ou aumentar preços”, explica Marcos Brasil, coordenador geral do Sindpetro.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro vendeu a BR Distribuidora em 2019 por R$ 9,6 bilhões. A distribuidora era a maior do país, com quase 8 mil postos. Mas, além de privatizar a distribuidora, Bolsonaro também deu o direito de uso do nome dos postos BR, mesmo para as unidades que não compram mais combustíveis da Petrobras.

    Com isso, muita gente acha que está abastecendo num posto BR, mas a gasolina foi comprada de outro lugar. No Rio Grande do Norte, os postos BR são da Vibra, Bolsonaro deu o direito de enganar o consumidor e usar a marca da Petrobras por dez anos quando vendeu a distribuidora”, alerta Marcos Brasil.

    No RN, depois da venda da distribuidora para a Vibra em 2019, a refinaria também foi privatizada em 2022. O coordenador do Sindpetro explica que a refinaria da Brava Energia tem preço mais alto que da Petrobras. Com isso, os postos que compram dessa empresa devem manter os preços mais altos, apesar do anúncio de redução da Petrobras.

    Com a privatização, temos um dos preços da gasolina mais altos do Brasil. A Paraíba é sempre um real mais barato, imagine isso em milhões de litros, essa é a problemática. Apenas os postos que forem comprar em Cabedelo [na Paraíba], vão conseguir preços mais baixos”, contextualiza Brasil.

    Numa pesquisa realizada entre os dias 18 e 24 de janeiro deste ano pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio de venda do litro de gasolina em Natal estava a R$ 6,55 enquanto em João Pessoa (PB) o preço médio era de R$ 5,97.

    A única coisa que pode fazer as distribuidoras e os postos baixarem os preços é a pressão da sociedade, porque eles podem absorver essa redução para ficar com uma margem de lucro maior”, alerta o coordenador do Sindpetro.

    Já existe uma determinação do presidente Lula para que a Petrobras retome as atividades de refino e distribuição de combustíveis em todo o Brasil. Em julho de 2025, foi anunciado o investimento da Petrobras de R$ 33 bilhões nos setores de refino e petroquímica, com destaque para a produção de combustíveis sustentáveis.

    São conversas sigilosas, até por uma questão estratégica. Além disso, são medidas que levam tempo porque precisaria montar toda uma estrutura da empresa. No caso do Rio Grande do Norte, também se avalia se não seria mais vantajoso a recompra das estruturas já existentes”, revela Brasil.

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    Fonte: saibamais.jor.br