A Polícia Civil já identificou os três adolescentes envolvidos no caso de injúria racial contra um menino de 10 anos que vendia paçocas em um semáforo em Mossoró, na Região Oeste do Rio Grande do Norte. O caso ocorreu no sábado passado (9) no bairro Nova Betânia. Dois dos adolescentes já foram ouvidos. O delegado Rafael Arraes, da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA), classificou a ação como “repugnante”.
“Segundo os adolescentes que já foram ouvidos, principalmente o motorista do carro e quem filmou, que são dois autores do fato, aquela criança de apenas 10 anos de idade teria tido um pequeno desentendimento quando eles chegaram na lanchonete e eles, para revidar, fizeram toda essa situação e ainda filmaram e postaram em rede social”.
De acordo com Arraes, os adolescentes estão respondendo ao procedimento do DEA e o caso será encaminhado ao Poder Judiciário. O adolescente que dirigia o carro também vai responder por não possuir carteira de motorista; a responsabilidade do pai também será apurada, já que o adulto pode ter autorizado o menor a dirigir o veículo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Já o terceiro adolescente também será ouvido, mas para a Polícia ele não participou das ofensas.
Arraes informou ainda que a vítima registrou boletim de ocorrência junto com a mãe e foi ouvida informalmente, por ter somente 10 anos.
O caso
As imagens gravadas mostram uma criança negra que vendia paçocas nos semáforos da cidade sendo alvo de uma ação humilhante praticada por jovens dentro de um carro. Segundo relatos publicados junto ao vídeo, o menino trabalhava nas ruas para ajudar no sustento da família quando foi abordado pelos ocupantes do veículo. Nas imagens, um dos jovens simula interesse em comprar o doce, pergunta o preço e, em seguida, derruba as paçocas no chão de forma proposital. Outro ocupante grava a cena enquanto ri e faz comentários debochados.
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Após o episódio, o grupo deixa o local, abandonando a criança no meio da via com os produtos espalhados pelo asfalto. A gravação rapidamente se espalhou por aplicativos de mensagens e perfis nas redes sociais, gerando revolta pela violência e pela exposição do menino em situação de vulnerabilidade.
Denúncia de sequestro contra outra criança
O delegado informou também que a Polícia Civil apura a denúncia de um sequestro de um outro menino, de 11 anos, que teria ocorrido na segunda-feira (11) à noite, também no bairro Nova Betânia.
Segundo as informações, um carro preto com quatro adolescentes teria colocado o menino para dentro do veículo e rodado pela cidade até entrar em um condomínio, que a criança não soube identificar. Após isso, o menino teria sido deixado no bairro Santo Antônio e precisado voltar a pé até o Nova Betânia, onde estaria a bicicleta dele. O local do suposto sequestro seria próximo ao local do caso da injúria racial.
“Inicialmente ele disse que estava com um coleguinha, depois já mudou a versão dizendo que estava com outro coleguinha que tem o mesmo apelido. Então toda essa versão está sendo averiguada, porque inicialmente ele ressaltou que estaria com um rapaz da paçoca. A criança da paçoca já veio aqui com a mãe e nega essa questão do sequestro. Então nós estamos colhendo todas as câmeras, estamos dando apoio a essa criança informalmente, com os familiares também, para desvendar toda essa segunda parte que seria a parte do sequestro”, disse Rafael Arraes.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil ressaltou que as diligências seguem em andamento e reforçou que eventuais detalhes adicionais serão divulgados oportunamente, de acordo com o avanço das investigações e observando o sigilo necessário para a apuração dos fatos e a proteção das crianças envolvidas.
Fonte: saibamais.jor.br





