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    Museologia Social do RN se fortalece e cobra políticas públicas

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    Por Geraldo Barboza de Oliveira Junior

    O movimento de Museologia Social do Rio Grande do Norte deu um passo decisivo em sua organização política e comunitária no último dia 13 de dezembro de 2025. O Museu Nísia Floresta sediou o IV Encontro Estadual da Rede de Pontos de Memória e Museus Comunitários do RN, evento que reuniu mestres da cultura, fazedores de memória e coletivos de 18 municípios potiguares.

    O palco escolhido para o encontro, o Museu Nísia Floresta, carrega em suas paredes um simbolismo profundo para a museologia social potiguar. Sediado no município que homenageia uma das maiores intelectuais da história brasileira, o espaço é dedicado à preservação do legado de Nísia Floresta Brasileira Augusta, pioneira do feminismo e da educação para mulheres no país. Como centro de salvaguarda da memória, o museu não apenas serviu como anfitrião, mas como fonte de inspiração para os participantes, reforçando o papel das instituições culturais como espaços de diálogo, formação crítica e resistência ativa em defesa da história e da dignidade humana.

    O conceito de “Museu Vivo”

    A Museologia Social, abordagem que fundamenta o movimento no estado, diferencia-se dos modelos tradicionais por colocar a comunidade e suas necessidades no centro do processo. O foco não está apenas no objeto, mas no empoderamento de grupos vulneráveis e na justiça social. São os chamados “museus vivos”, ferramentas de resistência que atuam diretamente no território para transformar a realidade local e preservar identidades historicamente marginalizadas.

    Entre os exemplos mais emblemáticos dessa resistência discutidos no evento, destacam-se os museus e pontos de memória situados em comunidades quilombolas. As experiências de Picadas, em Ipanguaçú, e de Gameleira, em São Tomé, foram citadas como referências de como o patrimônio pode ser um instrumento de afirmação racial e territorial. Nessas comunidades, a memória não é um arquivo do passado, mas um elo vivo que fortalece a luta contra a exclusão histórica e celebra o saber ancestral de matriz africana no sertão e no vale potiguar.

    Entre a resistência e a indiferença

    Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com mais de 30 iniciativas de Pontos de Memória e Museus Comunitários. Essas instituições desenvolvem ações continuadas que mesclam arte, educação inovadora e turismo de base comunitária, atuando em forte parceria com escolas públicas para a implementação da educação integral.

    Apesar desse impacto social e da importância estratégica, o movimento enfrenta um obstáculo crônico: a falta de apoio institucional. Durante o encontro, as lideranças destacaram o cenário de indiferença por parte de prefeituras e do Governo do Estado. “Faltam editais específicos, falta fomento e uma política pública de apoio que garanta a manutenção desses espaços”, aponta o documento síntese do evento.

    Encaminhamentos estratégicos

    O IV Encontro, realizado com apoio de recursos da Lei Paulo Gustavo, não foi apenas um espaço de celebração, mas de deliberação política. Entre as principais propostas aprovadas, destacam-se:

    • Fomento e Editais: A decisão de apresentar propostas diretas à Secretaria de Cultura do RN (SECULT-RN) e reivindicar um edital específico dentro da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) para o segmento.
    • Expansão: O estabelecimento de metas para ampliar o número de Pontos de Memória em todas as regiões do estado.
    • Parcerias Institucionais: O fortalecimento de laços com os setores de Educação e Turismo para consolidar a Museologia Social como política transversal.
    • Calendário Integrado: A criação de uma agenda unificada de eventos para dar visibilidade às ações das iniciativas de memória.

    Com o encerramento das atividades, a Rede de Pontos de Memória e Museus Comunitários espera que o diálogo com o Governo do Estado e as Prefeituras avance, transformando o reconhecimento cultural em apoio financeiro e técnico efetivo. O objetivo final é claro: garantir que o patrimônio e a memória continuem sendo ferramentas de dignidade e transformação para o povo potiguar.

    Fonte: saibamais.jor.br

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