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Projeto recupera memória dos cinemas de rua do interior do RN

O projeto “Aqui já existiu cinema” desenvolveu um inventário dos cinemas de rua do interior do Rio Grande do Norte, visitando e colhendo histórias em seis municípios potiguares. A iniciativa também contempla os cinemas de cidades da região metropolitana de Natal. As cidades escolhidas foram Caicó, Canguaretama, Ceará-Mirim, Currais Novos, Macaíba e São José de Mipibu. 

O Aqui já existiu cinema é um coletivo de educação patrimonial que atua desde junho de 2023 na preservação e difusão da memória dos antigos cinemas de rua do RN. O projeto realiza pesquisa, registros audiovisuais e intervenções urbanas, defendendo a recuperação desses espaços para a democratização do acesso à cultura e a reativação dos centros urbanos. O inventário dos cinemas do interior do RN foi financiado pela Lei Paulo Gustavo e pode ser acessado clicando aqui.

Em 2024, o mesmo inventário foi desenvolvido para a capital potiguar. A base utilizada para visitar as cidades e encontrar os cinemas foi o livro “Historiografia dos Cinemas do Rio Grande do Norte”, de Nelson Marques. A idealizadora é a arquiteta e urbanista Wire Lima, que diz que, nos dois levantamentos, a realidade encontrada foi distinta. No interior, segundo ela, as modificações arquitetônicas nas edificações foram mais profundas com o passar do tempo.

Cine São Francisco, em Caicó, virou igreja evangélica – Foto: Wire Lima

“Acho que foram três que a gente conseguiu encontrar, mas um deles tinha virado igreja, outro também tinha virado um mercado. Então já eram já eram arquiteturas bem mais modificadas do que eram em Natal, por exemplo”, explica.

A solução encontrada nesses casos foi recorrer à memória oral. Os relatos de quem viveu os tempos áureos dos cinemas de rua no interior, ou de quem ouviu histórias de pessoas mais velhas, ajudaram a compor o inventário. 

O município que abre o inventário, que é online e pode ser lido por qualquer pessoa, é Caicó, que já chegou a ter quatro cinemas: Cine Rio Branco, Cine São Francisco, Cine Pax e Cine Alvorada. Todos já fecharam, mas um outro cinema abriu anos depois, o Cineland. No Rio Grande do Norte, quase 80 municípios já chegaram a ter salas de cinema fixas ou em exibição itinerante. Hoje, o número é bem reduzido, e se concentra em shoppings. Além de Natal e Mossoró, Caicó e Currais Novos ainda mantêm sala para exibição de filmes — no caso de Currais, o Espaço Avoante de Cultura abriu em 2025, a partir das recentes políticas públicas de incentivo ao cinema brasileiro.

De acordo com Wire Lima, o inventário é uma ferramenta que ajuda a manter viva a memória desses espaços, além de tentar provocar para que no futuro esses espaços de voltem a ser o que eram

“É a partir da catalogação, do registro, da divulgação que a gente consegue criar um contexto de educação patrimonial e que as pessoas entendam a importância desses lugares. Então por isso que o levantamento é tão importante para a criação de uma nova cultura, porque muitas pessoas não pegaram a fase dos cinemas de rua. Muitas pessoas nunca foram num cinema de rua. Então a gente mostrando que existia essa cultura, esse espaço de lazer, a gente consegue tanto resguardar o que era passado e também provocar futuras construções, futuros espaços”, destaca.

Natal voltará a ter cinema de rua

No final de 2024, o Governo do Rio Grande do Norte anunciou que o prédio em que funcionou o antigo Cine Panorama, no bairro das Rocas, Zona Leste de Natal, vai ser recuperado e voltar a ser um cinema público e de rua. Quem ajudou a fomentar essa retomada foi o “Aqui já existiu cinema”, que foi “redescoberto” pelo projeto em 2023. 

“A gente entrou, tirou as fotos, divulgou e a gente não esperava nada disso que aconteceu. Eu acho que o Panorama foi o momento que a chave virou do projeto e ele ganhou o mundo, tanto que dois anos depois o governo foi lá e comprou o Cine Panorama”, conta Wire Lima, que aguarda o fim da reforma para que a sala pública comece a funcionar. 

Ela diz que faltam informações sobre a obra, mas já vê avanços.

“Só o tombamento e a compra já são um sinal de que a gente tá voltando a olhar para esses espaços com mais carinho, como possibilidades de reocupação de rua. É justamente essa questão do direito à cidade, da gente ter o direito de ter a cultura, de ter um espaço que vai exibir filmes locais daqui do estado, que é uma coisa muito carente dqui. A gente tá começando a ter um mercado de produção cultural de audiovisual, mas às vezes a gente não tem um lugar para exibir. Então eu acho que o Cine Panorama vai ser fundamental para ser esse lugar de exibição da nossa produção”.

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Fonte: saibamais.jor.br

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