Os atos em defesa da soberania dos povos e contra os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela alcançaram Mossoró, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. No final da tarde desta segunda-feira (5), estudantes, professores e partidos políticos se reuniram na calçada do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, no Centro, em repúdio à ação norte-americana, considerada por críticos uma violação flagrante da soberania venezuelana e do direito internacional.
A manifestação começou pouco depois do ato marcado em Natal, se somando às mobilizações que vêm ocorrendo desde o fim de semana no Brasil e no mundo. Em Mossoró, estiveram presentes os partidos Unidade Popular (UP), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No final, alguns dos militantes distribuíram panfletos e leram jornais.
“Essa intervenção militar, acompanhada do sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa e sua prisão, violou todo o direito internacional, assassinou mais de 30 cubanos que combateram naquela madrugada, é um grande aviso ao povo brasileiro, ao governo brasileiro, de que os nossos vizinhos já estão sendo agredidos e que o nosso país não está fora dessa conta com as grandes riquezas que nós temos em petróleo, no pré-sal, na Amazônia, nas terras raras, e que é muito importante que o povo pressione o nosso governo a ter uma atitude mais contundente de combater o imperialismo, de combater essas agressões”, afirmou Marcos Alexandre, militante da UP.
“Nós não temos nenhum interesse em ter uma guerra na América Latina. Então é preciso que o nosso país cumpra um papel de líder regional para que a gente consiga fazer um enfrentamento anti-imperialista e o povo brasileiro tem um papel nisso. Nosso povo pode se mobilizar, pode construir passeata, manifestação e construir a solidariedade internacional, o internacionalismo, para fazer esse enfrentamento. Só com a América Latina unida, fazendo enfrentamento aos ianques, que a gente vai conseguir avançar nessa resistência”, disse ele.
Militante do PCBR, o estudante Juan Pablo disse que a intervenção faz parte de um contexto mais amplo de reorganização do imperialismo no mundo, em que os Estados Unidos buscam reverter uma tendência de declínio.
“E nesse sentido busca reforçar o papel da América Latina como sendo o seu quintal. É o que está inclusive exposto no documento divulgado recentemente da segurança nacional do governo Trump. Então a gente acha que essa intervenção na Venezuela se encaixa nesse contexto mais geral, de disputa interimperialista e de reforçar o papel da América Latina como quintal dos Estados Unidos”, acredita.
Ele defende que, numa disputa como essa, só quem pode resolver os problemas da Venezuela, inclusive os problemas e limitações do próprio governo Maduro, é a classe trabalhadora venezuelana organizada.
“E não os Estados Unidos da América, que não tem qualquer interesse em libertar, como se diz aí na imprensa ou nos blogs, o povo venezuelano. Mas sim o interesse em explorar cada vez mais aquele povo e se aproveitar dos poços de petróleo de alta produtividade que se encontram na Venezuela para poder extrair a renda diferencial a partir dessa exploração. Então a gente acha que é fundamental entender esse ataque imperialista dentro desse contexto e não dentro de uma suposta luta de uma ditadura contra a democracia, de um herói contra o bandido, do bonzinho contra o mau. Isso daí é ilusão, é propaganda imperialista para poder justificar as suas ações e esconder o verdadeiro objetivo econômico, o verdadeiro objetivo de domesticar cada vez mais o povo venezuelano. E só a resposta organizada desse povo, com a solidariedade dos povos de todo o mundo, pode não só dar fim à intervenção, como construir um mundo novo e derrotar o imperialismo.”
Iuna Brasil, do Movimento Correnteza, destacou a necessidade de crescer o sentimento de solidariedade internacional entre os povos, seja na América Latina ou no Oriente Médio.
“E se não houver hoje uma frente de luta, de enfrentamento, uma frente de organização do povo, a gente vai estar cada vez mais à mercê desses ataques e cada vez mais sendo obrigados a entregar as nossas riquezas”, disse.
Para ela, há por trás da narrativa de combate ao narcotráfico um interesse econômico de tomar as riquezas venezuelanas.
“Então, nós precisamos primeiro construir essa frente com muita energia, e conseguir chamar o povo cada vez mais para a organização para fazer esse enfrentamento. Não pode ser de poucas pessoas, mas na verdade uma nação inteira defendendo a autodeterminação dos povos, defendendo a nossa soberania, defendendo que as riquezas que o povo produz sejam para o seu benefício, para o avanço e desenvolvimento da sociedade, da humanidade, e não para o interesse de poucos milionários.”
Quem também esteve presente no ato foi o professor Ronaldo Garcia, que é filiado ao PSOL. Ele é docente de Matemática e diretor da Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Adufersa).
“Nós acreditamos que precisamos reagir o quanto antes, porque hoje está sendo a Venezuela. Amanhã pode ser a Colômbia, pode se estender para a Bolívia e assim sucessivamente para toda a América do Sul. Por essa razão, esse movimento aqui é muito importante e mais importante que ele está ocorrendo nas principais capitais do país, e é uma resposta ao imperialismo. Nós precisamos que os países tenham as suas soberanias respeitadas e a Venezuela não é diferente. O que o Trump quer, na verdade, não é resolver problemas dentro da democracia. O que ele quer é as riquezas que detém a Venezuela, no caso, o petróleo. Nós não podemos aceitar que um país rico em petróleo esteja numa situação como essa por conta do imperialismo do Trump”, apontou o professor.
Fonte: saibamais.jor.br
