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As aparências enganam

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As aparências enganam

Nem tudo que parece ser é. A expressão muito comum é utilizada para reforçar algo ou alguém que se apresenta de uma maneira, mas em essência, é bem diferente daquilo que estamos acostumados a ver.

Na política, essa expressão traduz com precisão as inconstâncias e incoerências dos políticos, principalmente em períodos de eleição. O desconhecimento geral sobre determinado candidato, por exemplo, é o que leva, muitas vezes, o eleitor a votar num determinado político muito mais pelo que aparenta ser, isto é, a sua imagem positiva construída com muita estratégia de marketing e comunicação do que por suas propostas, seu compromisso e sua trajetória como gestor.

Esse, como é um ano de eleições, eles já estão por aí nas redes sociais e em eventos públicos. Uns se apresentando como inovação, ou como a solução para todos os problemas do estado ou do país; outros, como a continuidade de um projeto já estabelecido, mas que precisa da continuidade para consolidação do desenvolvimento, apenas para citar um exemplo.

E o eleitor, aquele que está sempre reclamando dos seus representantes depois das eleições, esquece de investigar criteriosamente os candidatos, conhecer melhor a história de cada um, saber realmente quem são esses postulantes para não se deixar cair no efeito manada – muito comum em uma eleição – e poder, a partir da sua avaliação, buscar eleger aquele que melhor se aproxima dos ideais de cada um. 

No Rio Grande do Norte, como em todo o Brasil, o jogo político ainda está sendo jogado numa fase embrionária, apesar de nomes já estarem postos e trabalhando com afinco para se consolidarem na disputa eleitoral de outubro. Processo natural que vai se estender até o final de abril e meados de maio, quando as composições partidárias se definem com os interesses de cada um, políticos e grupos estabelecidos e negociados.

Nesse cenário, surge o menino de chapéu de couro, vindo lá de Mossoró e que se apresenta como um fenômeno político. Tudo muito calcado em estratégias de ação digital e de marketing, milimetricamente construídos, de forma a transparecer uma inovação política, já que a maioria dos atores que estão no tabuleiro desse xadrez são tidos como jurássicos, em se falando de redes sociais e tempos de comunicação digital em ascensão.

Indiscutível que o prefeito de Mossoró é um dos melhores políticos a usar as redes sociais a seu favor, em todo o Brasil. Tem os ingredientes essenciais e muito bons para um planejamento de marketing político eficiente. Não vou discutir as qualidades mercadológicas do prefeito. Chamo atenção apenas para o que na sabedoria popular, conhecemos como o canto da sereia.

As pessoas estão encantadas com o fenômeno que aparentemente do nada, foi eleito deputado estadual para sair no meio do mandato e disputar a prefeitura da segunda cidade do estado, derrotando uma oligarquia que comandava os destinos de Mossoró há anos.

O interessante de se avaliar são o discurso, a postura, os arranjos, a credibilidade e a fidelidade de um político que em pouquíssimos anos conquistou o título de fenômeno. Ancorado, naturalmente, numa estratégia de mídia digital em que mostra em suas redes sociais, uma realidade bem distinta daquela vivida pelos munícipes de sua cidade. Para quem conhece bem, a realidade de Mossoró com todos os problemas que a população enfrenta, é bem distinta daquilo que é mostrado nas redes sociais do prefeito.

O fenômeno das redes e que se mantem a frente nas pesquisas da atualidade, construiu sua performance com um discurso extremamente agradável aos ouvidos do eleitorado. Inicialmente se apresentou como a força jovem, pobre vindo das camadas menos abastadas da sociedade, aluno de escola pública que galgou vaga no serviço público federal através de concurso público, militante em defesa da classe trabalhadora. Se elegeu com o discurso anti quase tudo: anti política tradicional, anti oligarquias, anti corrupção e contrário aos arranjos pouco republicanos e tantos outros conceitos que de fato, agradam e fazem o eleitor acreditar que ali está surgindo uma nova opção realmente capaz de enfrentar o que está posto. A realidade, porém, começa a se distanciar quando as práticas, as posturas e o comportamento se revelam bem diferentes daquilo que foi cantado e recantado numa eleição.

Para quem vive a realidade mossoroense e conhece de perto o menino do chapéu de couro, sabe, por exemplo, que ser contrário as oligarquias foi meramente discurso, aquela disposição para encantar e adoçar os ouvidos de quem sonhava e desejava algo realmente novo e diferente. Para buscar ser candidato a apenas seis meses de ter vencido uma eleição, o prefeito se aliou a uma das mais combatidas oligarquias que se perpetuaram por anos no estado, os Maia. O ex Senador José Agripino Maia é o fiel avalizador da pré-candidatura do prefeito de Mossoró.

Sem falar que para vice-prefeito escolheu o seu primo, e agora lança a sua esposa para disputar uma vaga de deputada estadual. Para quem combatia com veemência as oligarquias na política, o prefeito mudou radicalmente a sua opinião e, ao sentir o gosto do poder, parece que resolveu criar a sua própria.

Sobre corrupção, surgem ainda que timidamente na mídia, denuncias de uma realidade pouco republicana que vez por outra acontece nos gabinetes e escaninhos do poder municipal. Outras denuncias e apurações sobre desvios de conduta, começam a ter movimentação, ainda que se diga lá, na capital do oeste, que o prefeito conseguiu ter em torno de si uma blindagem que parece que nada o alcança. E é sido nisso que ele e o seu grupo tem se sustentado.

Já se especula na mídia que o prefeito vai deixar o cargo em fevereiro para assim, poder transitar por todo o estado levando o seu discurso efusivo e entusiasta. Resta saber se se manterá e conseguirá que a blindagem que tanto o protegeu será mantida.

 Mas como na política, o que efetivamente está em jogo é o interesse de cada um e de seus grupos, pode ser que o rapaz do chapéu de couro avance no seu intento. Ainda há muito o que comentar. E como ainda tem muita água para passar por baixo da ponte das eleições é bom estarmos bem atentos. Porque o canto da sereia nessa eleição, vai ressoar bastante e com ele, o encantamento que pode nos fazer, lá na frente se arrepender bastante. A conferir.

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Fonte: saibamais.jor.br

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