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População em situação de rua cresce 134% em cinco anos em Natal

A população em situação de rua em Natal passou de 898 pessoas em 2020 para 2.103 em 2025, o que indica um crescimento de 134% nos últimos cinco anos, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação da Universidade Federal de Minas Gerais (Polos/ UFMG). No Brasil, são 365.822 pessoas nessa situação, sendo que 54.801 estão na região Nordeste, a segunda com maior número, atrás apenas do Sudeste, com 222.311.

Dentre as capitais brasileiras, Natal é a 16ª com maior população em situação de rua. O ranking é liderado por São Paulo (101.406), Rio de Janeiro (23.431) e Belo Horizonte (15.474). Já dentre os estados, o Rio Grande do Norte fica em 18º lugar com 3.345 pessoas em situação de rua. A lista é liderada por São Paulo (150.958), Rio de Janeiro (66.656) e Minas Gerais (33.139).

É um aumento que a gente sabe que não aconteceu só em Natal, mas em todo o Brasil, que se dá pela falta de políticas públicas, pelo desemprego e da própria pandemia. Não temos políticas públicas para enfrentar esse problema. Natal até laçou a política municipal para a Pop Rua, mas não saiu do papel. Criaria-se um comitê municipal intersetorial para monitoramento e acompanhamento da política pública para a Pop Rua, mas não convocaram. Natal só possui um abrigo 24 horas e foi muita luta para ele ser aberto na pandemia e um albergue com 50 vagas noturno. Temos um Centro Pop, que não tem nem espaço físico para a população em situação de rua entrar porque ficam todos do lado de fora. Natal só tem esses dois serviços. Não há nenhuma política, seja de habitação, seja de trabalho, emprego e renda, seja de requalificação profissional. As parcas políticas que tem é de abrigamento, mesmo assim, insuficientes, desumanizadas, sem condições de trabalho para os profissionais e com regras excludentes”, critica Vanilson Torres, coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).

Imagem: reprodução

Desde 2024, uma portaria do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, do Ministério das Cidades e do Ministério de Combate à Fome, Assistência Social e Família, coloca a população em situação de rua como público prioritário. Mesmo assim, são poucas as políticas para o setor.

Natal não traz nenhuma perspectiva de implementar o Minha Casa, Minha Vida. O que acontece aqui são as higienizações com mais de 18 despejos com destruição de barracos e pertences da população em situação de rua, seja no Suvaco da Cobra, que é a extensão do Viaduto do Baldo chegando no Paço da Pátria, seja no antigo INSS da Ribeira. Cercaram o Baldo entre a avenida Rio Branco e a Deodoro e fizeram uma praça. Não há políticas públicas suficientes, pelo contrário, são deficientes”, ressalta Vanilson.

A população em situação de rua no Rio Grande do Norte é majoritariamente negra, de acordo com o levantamento. Os maiores grupos por faixa de idade são das pessoas entre 40 e 59 anos e entre 18 e 39 anos. A maioria (1.115) tem o ensino fundamental incompleto, outros (704) sequer têm algum tipo de instrução formal. Além desses, 252 tem ensino fundamental completo, 286 o ensino médio completo, 197 o ensino médio incompleto e 37 o ensino superior incompleto.

Imagem: reprodução

Vanilson cita alguns exemplos de políticas que têm dado certo em outros locais, mas que não foram colocadas em prática no RN.

O que a Prefeitura do Natal poderia fazer era garantir vagas em empresas terceirizadas que prestam serviço ao município. A população da situação de rua só precisa de uma oportunidade e elas não existem. A gestão já nos ver como pessoas drogadictas e perigosas, sem considerar os fatores históricos da invasão deste país, da escravização. Precisaríamos de uma lei de trabalho emprego e renda. Já temos a lei 14.821, sancionada pelo presidente Lula, porém, sem garantia orçamentária. Mas, se os municípios quisessem fazer, fariam com seus próprios meios”, observa Vanilson, que ressalta a necessidade de ampliação dos serviços sócio assistenciais.

A gente sabe que não vai ter emprego para todo mundo, não vai ter moradia para todo mundo, então precisa dessa retaguarda dos serviços sócio assistenciais. Em Maceió, por exemplo, temos o aluguel social para mais de mil pessoas em situação de rua. Lá também temos um Projeto de Trabalho para a população em situação de rua. Também é preciso investir na questão do empreendedorismo, economia solidária, temos uma gama de população em situação de rua que são artesãs, artistas… mas quando não há vontade política, o número de pessoas em situação de rua só tende a aumentar”, lamenta.

Também não podemos deixar de falar no Rio Grande do Norte, temos o censo desde 2023, mas não temos nenhum programa regionalizado. Isso é muito ruim num governo popular da professora Fátima vermos que não temos nada a nível estadual. É uma crítica construtiva, é preciso dizer que não temos nada de política estadual para a população em situação de rua“, acrescenta Vanilson.

Imagem: reprodução

Na avaliação do coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR), a situação da falta de moradia ainda deve morar algumas dezenas de anos para ser resolvida, principalmente, por causa da falta de vontade política.

Tem a questão do capitalismo. Muitos que são contra a questão social não concordam que haja programa de moradia, subsidiada pelo governo, por nossos impostos. Se não houver seriedade no trato na questão da moradia digna, possivelmente demorará muito para a questão ser resolvida“.

Fonte: saibamais.jor.br

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