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Possível mandato tampão no RN reacende debate sobre acordos políticos e postura de Walter Alves

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A possibilidade de um mandato tampão no Governo do Rio Grande do Norte voltou ao centro do debate político nos últimos dias. Com a expectativa cada vez mais concreta de que a governadora Fátima Bezerra deixe o cargo para disputar o Senado Federal, cresce a discussão sobre quem assumiria o comando do Executivo estadual e quais os desdobramentos políticos desse movimento.

Pela legislação, a saída da governadora abriria caminho para que o vice-governador Walter Alves (MDB) assuma o Governo do Estado. A hipótese, no entanto, vai além de uma simples transição institucional e traz à tona acordos políticos firmados ainda no processo eleitoral que resultou na reeleição de Fátima.

Acordo político já esperado nos bastidores

Nos bastidores da política potiguar, nunca foi segredo que a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado era considerada uma possibilidade real antes mesmo da eleição para o segundo mandato. Nesse contexto, a composição da chapa com Walter Alves foi vista como um arranjo estratégico, que incluía, de forma implícita, a chance de ele assumir o Governo em um eventual afastamento da governadora.

Dessa forma, a atual especulação sobre um mandato tampão surge como surpresa, pois a consequência de um desenho político previamente conhecido por todos os envolvidos era Walter assumir a gestão.

Análise: cargo exige mais que cálculo político

Ao aceitar o posto de vice-governador, Walter Alves assumiu não apenas uma posição institucional, mas também a responsabilidade política de contribuir ativamente com o Governo e com o enfrentamento das dificuldades do Estado. Em períodos de crise, espera-se que lideranças com mandato atuem de forma mais presente, propositiva e combativa.

O que se observa, porém, é uma atuação considerada discreta e, para muitos, insuficiente diante do tamanho dos desafios enfrentados pelo Rio Grande do Norte. Projetos políticos não podem ser guiados apenas por conveniências pessoais ou partidárias, sobretudo quando o Estado demanda articulação, posicionamento e liderança.

MDB e a lógica da permanência no poder

A postura de Walter Alves também reforça uma crítica recorrente ao MDB: a de ser um partido que, historicamente, se adapta a governos de diferentes espectros ideológicos, priorizando a permanência no poder em detrimento de um projeto político claro para a sociedade.

O partido já esteve como vice de governos à direita, à esquerda e ao centro, o que, para analistas, fortalece a percepção de que o principal objetivo é integrar a base governista, independentemente da orientação política do Executivo.

Comparação com o passado pesa na avaliação

A comparação com o ex-governador Garibaldi Alves Filho é inevitável. Ao assumir o Governo do Estado em um cenário econômico adverso, Garibaldi foi obrigado a tomar decisões duras e impopulares, como a venda da Cosern, mas manteve postura ativa na condução do Executivo e no enfrentamento da crise.

Diante disso, cresce a avaliação de que se esperava de Walter Alves uma postura semelhante: mais protagonismo político e maior disposição para enfrentar os problemas estruturais do Estado.

Mandato tampão vai além da formalidade

Mais do que uma eventual mudança administrativa, o possível mandato tampão expõe acordos políticos, estilos de atuação e a relação entre partidos e projetos de poder no Rio Grande do Norte. O debate não se limita a quem assume o Governo, mas ao modelo de política que vem sendo praticado e ao que a sociedade potiguar espera de seus representantes.


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