O Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte identificou irregularidades no processo de dispensação de medicamentos, envolvendo falhas operacionais e assistenciais no serviço de farmácia na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Potengi, na Zona Norte de Natal. Foi nessa unidade de saúde onde Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, foi atendida. A jovem, que havia chegado à UPA com um quadro gripal no dia 16 de dezembro, teria sido medicada erroneamente com Succinilcolina, um tipo de relaxante muscular utilizado no período da Covid-19 para entubação. A administração desse tipo de medicamento, fora das indicações adequadas, pode provocar graves complicações, incluindo parada cardiorrespiratória.
A inspeção do Conselho Regional de Farmácia foi realizada na manhã do dia 19 de dezembro de 2025 e contou com análise dos setores envolvidos no atendimento.
“Não temos como afirmar que os fatos verificados durante a inspeção influenciaram na dispensação errada do medicamento”, pondera Joselito Rangel, Presidente do Conselho Regional de Farmácia do RN.
Segundo Joselito Rangel, a prescrição médica indicava o uso de Succinato de Hidrocortisona, na dosagem de 100 mg. No entanto, o medicamento efetivamente dispensado e aplicado foi o Succinil Colin, cloridrato de suxametônio, também na dosagem de 100 mg, conforme confirmado pela responsável técnica da farmácia da unidade.
O Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coren) também fez inspeção no local e, segundo apuração da Agência SAIBA MAIS, identificou a troca de medicação. Uma Comissão de Ética, formada por membros do Conselho, vai avaliar se o procedimento se tornará, também, um processo ético que, em última instância, pode gerar a cassação do registro profissional dos envolvidos.
Depois de ser medicada na UPA, Gabriely permaneceu 19 dias internada em um hospital particular via SUS. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, dois profissionais envolvidos no caso permanecem afastados.
Tragédia anunciada
O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN), que já vinha denunciando as más condições de trabalho nas unidades de saúde da capital, com superlotação, sobrecarga de trabalho e sucateamento da estrutura e equipamentos, classificou o ocorrido com Gabriely como “tragédia anunciada”.
Protesto
Nesta quinta (15), parentes, amigos e apoiadores de Gabriely realizaram um protesto em frente à Unidade de Pronto-Atendimento do Potengi, na Zona Norte de Natal para cobrar esclarecimentos, transparência e responsabilização pela morte da jovem. Os manifestantes afirmaram que a família ainda enfrenta dificuldades para obter informações claras sobre o que aconteceu durante o atendimento prestado à paciente e quais providências estão sendo adotadas pelas autoridades de saúde.
Saiba +
Fonte: saibamais.jor.br
