A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou nesta terça-feira (27) que as investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos da saúde no estado devem avançar “com independência, rigor e aprofundamento”, diante da gravidade das denúncias que motivaram a operação deflagrada em diversas cidades potiguares, incluindo Mossoró.
Em entrevista ao programa Tamo Junto, na rádio Universitária, a governadora ressaltou que acompanha o caso pela mídia local, regional e nacional e classificou as suspeitas como “gravíssimas”, sobretudo por envolverem uma área sensível como a saúde pública. “Desvio de recursos públicos deve ser considerado um ato criminoso, seja de qual natureza for, imagine na área da saúde”, afirmou.
Fátima destacou ainda a importância da atuação autônoma dos órgãos de controle e investigação, em especial da Polícia Federal, e defendeu que o processo transcorra com serenidade, respeito ao devido processo legal e garantia do direito de defesa às pessoas investigadas. Ao mesmo tempo, frisou que a sociedade espera que a apuração “vá fundo”. “A investigação tem que ir até o fim, com firmeza, com independência, dentro da lei e com o devido respeito ao processo legal”, declarou.
A manifestação da governadora ocorre no contexto da operação que apura indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, a partir de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontaram possíveis casos de não entrega de medicamentos, fornecimento inadequado e sobrepreço, além de suspeitas de fraudes em procedimentos licitatórios. Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, com a apreensão de dinheiro, equipamentos eletrônicos, mídias e veículos, conforme balanço divulgado pela Polícia Federal.
Entre os alvos da ação está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), que divulgou pronunciamento e nota à imprensa associando a operação ao calendário eleitoral e negando envolvimento pessoal nas irregularidades, sustentando que os mandados teriam sido autorizados com base em diálogos de terceiros. Em vídeo e publicações nas redes sociais, o gestor afirmou confiar na Justiça, mas sugeriu motivação política na deflagração da investigação.
A fala da governadora contrasta com a tentativa de politização do episódio. Ao enfatizar a autonomia da Polícia Federal e dos órgãos de controle, Fátima Bezerra desloca o debate para o campo institucional e para a centralidade do interesse público, sobretudo quando estão em jogo recursos do Sistema Único de Saúde. Sua posição reforça que a apuração não deve ser tratada como disputa eleitoral, mas como resposta do Estado a indícios técnicos levantados por auditorias e chancelados pelo Judiciário.
A Agência Saiba Mais segue acompanhando os desdobramentos da operação e o avanço das investigações, bem como as repercussões políticas e institucionais no Rio Grande do Norte.
Fonte: saibamais.jor.br




