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filme visita a memória urbana da cidade

A cidade de Mossoró ganha um novo registro audiovisual que propõe revisitar sua paisagem, sua memória e suas contradições a partir de um ângulo pouco comum. O documentário “Mossoró Por Todos os Lados”, dirigido, apresentado e idealizado por Luiza Gurgel representa a cidade com linguagem jornalística e forte apelo estético.

A estreia acontece nesta quarta-feira (28), às 19h, no Cafezal do Memorial da Resistência, com entrada gratuita e aberta ao público. A sessão integra a programação de janeiro do Banco do Nordeste Cultural Mossoró. No filme, o público é convidado a observar a cidade de cima, por meio de imagens aéreas que revelam arquiteturas, trajetos urbanos e paisagens que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. A proposta, no entanto, vai além do impacto visual. Ao longo do percurso, o documentário costura cultura, gastronomia, história, turismo e arte, sem recorrer a uma narrativa didática tradicional.

Segundo Luiza Gurgel em entrevista à Agência Saiba Mais, a escolha pelo olhar aéreo nasceu do consumo de produções audiovisuais que exploram cidades e países vistos de cima. “É muito comum a gente ver programas como Brasil visto de cima, Índia vista de cima. Quando surgiu a oportunidade de fazer um trabalho sobre Mossoró, eu pensei: por que não trazer essa perspectiva para a cidade e mostrar esse outro ângulo?”, explica. A partir desse ponto de partida, o filme foi ganhando uma linguagem própria, incorporando também entrevistas e imagens de detalhe, algo pouco usual nesse tipo de formato.

O percurso apresentado no documentário começa no Mercado Público, espaço simbólico do nascimento e da organização urbana de Mossoró, e segue por lugares considerados fundamentais para compreender a identidade da cidade, como o Teatro Dix-huit Rosado, a Cobal, praças, bibliotecas e antigos cinemas. “A gente levantou pontos culturais, históricos e turísticos que atravessam a história da cidade. A partir deles, fomos criando o caminho que essa apresentadora faria pela cidade, parando em outros lugares e costurando essas histórias”, detalha a diretora.

A arte aparece como eixo central do trabalho e como elemento que orienta a forma de fazer jornalismo no audiovisual. Para Luiza, essa escolha interfere diretamente na abordagem e na sensibilidade do filme. “A arte é a norteadora da minha vida. Quando você se alimenta de arte para fazer jornalismo no audiovisual, você aguça sensibilidades e consegue englobar várias linguagens em uma só, alcançando diferentes pessoas”, afirma.

Além de apresentar Mossoró sob novas perspectivas visuais, o documentário também tensiona narrativas históricas consolidadas e propõe reflexões sobre memória e identidade urbana. Um dos pontos destacados pela diretora é a necessidade de enfrentar silêncios históricos, especialmente aqueles relacionados ao protagonismo da população preta na construção da cidade. “Quando a gente fala de episódios como a abolição da escravatura e coloca apenas pessoas brancas para falar sobre isso, a gente está reproduzindo um sistema extremamente violento. Um dos silêncios mais urgentes é dar voz a quem precisa ser ouvido”, pontua.

Para Luiza Gurgel, o audiovisual carrega uma responsabilidade social profunda ao se propor como documento histórico. “Quando a gente documenta algo, está dizendo que aquilo é real. O audiovisual tem poder de formar opiniões, criar narrativas e transformar ideias. Isso semeia no hoje e se colhe daqui a 10, 20 anos. Por isso, falar sobre cidade e povo exige muito cuidado e responsabilidade”, destaca.

A estreia de “Mossoró Por Todos os Lados” será acompanhada por uma exposição com imagens dos principais locais retratados na obra e por um bate-papo com convidados sobre o tema “o direito à memória, história e a construção da identidade de uma cidade”. A proposta é ampliar o diálogo com o público e reforçar o documentário como ferramenta de reflexão coletiva.

Depois de olhar Mossoró por novos ângulos, a diretora afirma que também passou a enxergar a cidade de forma diferente. “Mesmo morando aqui, eu sei pouquíssimo sobre a cidade. Quando a gente se permite olhar por outros lados, isso alimenta uma inquietude que torna a cidade mais gostosa de se viver”, reflete.

A expectativa é que o público saia da sessão com esse mesmo sentimento. “Eu espero que as pessoas olhem para Mossoró de forma mais questionadora. Que se perguntem que cidade é essa, que memórias ela carrega e que futuro a gente quer construir a partir disso”, finaliza.

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Fonte: saibamais.jor.br

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