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o legado de João Bosco para a cidade de Natal

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O aposentado João Bosco Dantas, de 58 anos, partiu de forma abrupta, após desaparecer na manhã do dia 22, em Natal. Sua morte, ainda sob investigação, provocou forte comoção entre familiares, amigos e a comunidade cultural de Natal.

Sua ausência, porém, não fez silenciar aquilo que ele construiu em vida. Músico, percussionista, ativista cultural e ambiental, João foi presença constante nas ruas, nos grupos percussivos e nas ações de cuidado com a cidade. Sereno no gesto e firme no compromisso, ensinou pelo exemplo que cultura também é afeto, que militância pode ser suave e que o cuidado com as pessoas, com a natureza e com a cultura popular é uma forma profunda de resistência coletiva.

Reconhecido por sua vivência na cultura, João integrou diversos grupos percussivos da cidade, entre eles Pau e Lata, Folia de Rua e a Nação Zamberacatu, sempre com o mesmo nível de entrega. Também foi voluntário do projeto Arboriza Natal, defensor do meio ambiente, ciclista urbano e praticante de atividades ao ar livre, fazendo da cidade seu espaço cotidiano de convivência, aprendizado e atuação ambiental.

Para Danúbio Gomes, músico, arte-educador e coordenador geral do grupo percussivo Pau e Lata, João se destacava pela serenidade e pela força de um jeito manso que contrastava com o porte físico imponente. “Ele era um ser muito potente na sua suavidade”, afirma. Essa postura se refletia nos ensaios e apresentações, onde João exercia uma pedagogia silenciosa, acolhendo novos integrantes, apoiando colegas com dificuldades e zelando tanto pelos instrumentos quanto pelas pessoas. “O João era o cara do cuidado. Ele nos ensinava sobre o cuidado, porque ele vivia cuidando”, resume Danúbio.

Esse cuidado se manifestava em gestos simples e constantes: as garrafas de chá e café levadas aos ensaios, os bolos e broas compartilhados, a atenção ao bem-estar coletivo. Segundo Yago Caetano, batuqueiro do Pau e Lata e da Nação Zamberacatu, João era alegre, receptivo e dedicado, sempre disposto a aprender cada toque com afinco. Nas apresentações, se destacava pela animação e pelo sorriso fácil, além de compartilhar seus saberes ambientais, oferecendo mudas de plantas e incentivando práticas sustentáveis. Para ele, a dedicação de João permanece como referência para quem faz cultura popular no Rio Grande do Norte.

A escolha de João por participar simultaneamente de diferentes grupos culturais expressava um compromisso ético com a valorização das manifestações populares locais. “Ele participava de todos na mesma intensidade, com o mesmo compromisso”, relembra Danúbio, citando como símbolo desse engajamento uma apresentação no Dia de Iemanjá, quando João tocou com todos os grupos na mesma noite, permanecendo no palco enquanto apenas trocava a camiseta entre uma formação e outra.

Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Fundação José Augusto (FJA), lamentou o falecimento de João Bosco, ressaltando uma trajetória marcada pelo altruísmo, pela generosidade e pela crença na transformação social por meio de ações solidárias. O velório ocorreu na tarde de 28 de janeiro, na sede da Fundação, no bairro do Tirol, reunindo diversos grupos percussivos da cidade em uma despedida coletiva marcada por homenagens. O sepultamento foi realizado na cidade de Caicó.

João Bosco deixa um legado que ultrapassa o luto: o de uma vida dedicada ao cuidado, à partilha e à cultura popular. Seu tambor não silencia: permanece vibrando na cidade que ele ajudou a cuidar, tocar e transformar.

Fonte: saibamais.jor.br

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