Arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos cita o possível agenciamento de mulheres no Rio Grande do Norte pelo bilionário norte-americano. Num e-mail datado de janeiro de 2011 é possível ler uma conversa entre o magnata e uma mulher que pede dinheiro para tirar o passaporte de uma menina e levá-la até Nova Iorque. Ela pergunta a Epstein como proceder, diz que a jovem nunca viajou e não fala inglês, que vem de uma cidade pequena nos arredores de Natal e é de uma família muito simples e pobre. A mulher ainda diz enviar uma foto da jovem tirada na véspera do Ano Novo e que ele vai adorá-la.

No documento analisado pela Agência SAIBA MAIS, a recrutadora diz estar na casa da mãe em Natal e manda um número de telefone para que o bilionário possa ligar. O número foi colocado em sigilo pelo Departamento de Justiça norte-americano. O contato de Epstein em Natal diz que vai verificar quanto custarão a passagem, o visto e o passaporte.
Já em um outro email, uma mulher que mantém contato com Epstein diz que teve um final de semana com a mãe em Pipa e envia fotos.
Jeffrey Epstein era um bilionário norte-americano condenado por comandar uma rede de tráfico sexual. As investigações apontam que o magnata abusou de meninas menores de idade durante o início dos anos 2000. Ele foi preso em 2019, mas morreu um mês depois. As autoridades concluíram que ele tirou a própria vida na prisão.
A acusação diz que Epstein pagava em dinheiro para que meninas fossem até imóveis de propriedade do bilionário e praticassem atos sexuais. As meninas também eram pagas para recrutar outras garotas com a mesma finalidade. Segundo o governo dos Estados Unidos, Epstein abusou de mais de 250 meninas menores de idade.
Jeffrey Epstein foi investigado a primeira vez em 2005, na Flórida, por abuso sexual contra garotas menores de idade. Na ocasião, ele alegou que os encontros foram consensuais e que achou que as jovens tinham 18 anos. Em 2008, Epstein se declarou culpado pelo crime de exploração de menores e fechou um acordo que previa 13 meses de prisão e pagamento de indenização às vítimas. Mas, em fevereiro de 2019, um juiz da Flórida argumentou que o acordo era ilegal. Em julho, Epstein foi acusado criminalmente de abusar de menores e comandar uma rede de exploração sexual. Ele morreu em agosto do mesmo ano.
Após sua morte, as acusações foram retiradas contar Epstein, mas os procuradores do caso disseram que poderiam indiciar outras pessoas envolvidas. Já os advogados das vítimas afirmaram que procurariam indenização junto aos tribunais.
Os documentos afirmam que nem toda citação nos documentos tem relação com os crimes dos quais Epestein foi acusado. Os documentos divulgados revelam nomes conhecidos nas correspondências com o magnata, como Bill Clinton, Bill Gates, Donald Trump e Elon Musk. Também há referências ao Brasil e ao recrutamento de brasileiras.
No dia 30 de janeiro deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de páginas, 2 mil vídeos e 180 mil imagens de arquivos relacionadas à investigação do caso Epstein.
Fonte: saibamais.jor.br