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Hermano confirma convite para vice de Allyson, suspeito de receber propina

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Organograma da propina da “Matemática de Mossoró”. Foto: Reprodução

Após a sessão solene que marcou a abertura oficial dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), realizada na manhã de terça-feira (3), o deputado estadual Hermano Morais (PV) confirmou que foi convidado para ser o vice na chapa encabeçada pelo pré-candidato a governador e prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), alvo de busca e apreensão em sua casa, na semana passada, durante a Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).

“Fui convidado [para ser candidato a vice-governador], estou no momento de transição partidária, retornando para o MDB. Estou aguardando ainda a oficialização da pré-candidatura do prefeito Alisson de Mossoró, que deve ocorrer nos próximos dias”, disse o parlamentar, sem comentar as acusações que pesam sobre o pré-candidato do União Brasil.

A operação da PF e da CGU teve como objetivo desarticular um suposto esquema criminoso voltado de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde na Prefeitura de Mossoró. As investigações tiveram início em 2023.

Organograma da propina da “Matemática de Mossoró”. Foto: Reprodução

Allyson Bezerra é suspeito de ser um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina que foi batizado de “Matemática de Mossoró” pela Polícia Federal.

A expressão refere-se especificamente a um percentual de 15% de propina que seria cobrado da empresa Dismed, pivô do esquema desarticulado pela PF e pela AGU, para facilitar os pagamentos dos contratos de fornecimento de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.

O modus operandi da propina foi revelada através de uma escuta ambiental instalada pela Polícia Federal no escritório da Dismed. Nas conversas gravadas, o sócio da Dismed, o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa, explica a um interlocutor como funcionava a “Matemática de Mossoró”.

A Prefeitura de Mossoró, segundo a transcrição da conversa que consta na decisão judicial que autorizou a operação, havia emitido uma ordem de compra de medicamentos no valor de R$ 400 mil. No entanto, a empresa entregou apenas o equivalente a R$ 200 mil. A diferença seria distribuída entre os participantes do esquema.

Saiba Mais: Acusado de receber propina, Allyson nega ter controle sobre gastos de Mossoró

Investigações da PF apontam que Allyson teria recebido um repasse de R$ 60 mil

Allyson Bezerra com empresário Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed. Foto: Reprodução Redes Sociais

O prefeito Allyson Bezerra, ainda de acordo com as interceptações, receberia um repasse de R$ 60 mil, equivalente a 15% do contrato da Prefeitura de Mossoró com a Dismed.

“Olhe, Mossoró, eu estudando aqui como é a Matemática de Mossoró. Tem uma ordem de compra de R$ 400 mil. Desses 400, ele entrega R$ 200 mil. Tudo a preço de custo. Dos 200, ele vai e pega 30%. Então, aqui ele comeu R$ 60 mil. Fica R$ 140 mil. Ele ganha R$ 70 mil e R$ 60 mil é meu. Dos R$ 130 mil, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima, que é 10% de Fátima e 15% de Allyson. Ficou só R$ 30 mil pra empresa”, diz o sócio da Dismed em um dos diálogos obtidos pela PF.

A PF não identificou quem seria Fátima citada na conversa, mas as apurações apontam para uma funcionária da Prefeitura de Mossoró.

Prefeitura de Mossoró pagou R$ 13,5 milhões à Dismed entre 2021 e 2025

Sede da Dismed em Mossoró. Reprodução/Google Street View

Entre 2021 e 2025, a empresa pivô do suposto esquema recebeu cerca de R$ 13,5 milhões em contratos de venda de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, afirmou a PF ao justificar o pedido de busca e apreensão contra o prefeito Allyson Bezerra.

Durante a operação, foram apreendidos na casa do prefeito, em um condomínio de luxo em Mossoró, um celular, um laptop e HDs externos.

A suspeita do pagamento de propina exposta nas escutas, segundo a Polícia Federal, é reforçada pela proximidade entre o sócio da Dismed e o prefeito Allyson Bezerra.

A PF cita em seu relatório que os dois mantêm uma “proximidade política” e usa como exemplo uma foto publicada nas redes sociais.

“Durante a captação ambiental, seu nome foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe acerca de esquemas de pagamentos de propina envolvendo contratos com a prefeitura de Mossoró”, registra a PF em trecho do relatório da Operação Mederi.

Além de Mossoró, as fraudes também teriam ocorrido nos municípios potiguares de José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Foram cumpridos, ainda, mandados em Natal e Upanema.

O que dizem as defesas dos investigados

A defesa da Dismed e de Oseas, em nota, afirmou que está “confiante de que o esclarecimento técnico e documental demonstrará a inexistência de qualquer conduta criminosa”.

No dia da operação, o prefeito mossoroense publicou um vídeo se defendendo das acusações nas redes sociais. Allyson Bezerra tentou politizar a investigação, atribuindo a ação ao fato de ser pré-candidato a governador.

“Agora, ano eleitoral e em que o nome da gente aparece na primeira posição, nosso nome foi citado e houve essa investigação. Vou enfrentar com muita fé, coragem e integridade de entregar tudo o que me for solicitado. Faço questão de que toda investigação seja conduzida com total rigor da lei. Confio na Justiça”, disse, sem, no entanto, falar sobre sua proximidade com o sócio da empresa citada como pivô do suposto esquema.

Fonte: saibamais.jor.br

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