O governo federal anunciou nesta quarta-feira (6) uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com previsão de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas brasileiras impactadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa, chamada de Brasil Soberano 3, também contempla setores considerados estratégicos para a economia nacional e empresas afetadas por conflitos internacionais.
O anúncio ocorreu no mesmo dia em que entrou em vigor uma tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir aproximadamente 15% da pauta de exportações brasileiras para os EUA, equivalente a cerca de US$ 5,8 bilhões.
A nova fase do programa foi formalizada por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e amplia o uso de recursos públicos para financiar operações de apoio aos exportadores. Os valores serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão disponibilizados pelo Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões terão origem no BNDES. Os financiamentos poderão ser utilizados para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e expansão para novos mercados.
As taxas de juros variam conforme a finalidade do crédito. Projetos ligados a minerais críticos poderão contar com financiamentos a partir de 3% ao ano, enquanto operações de capital de giro para grandes empresas podem chegar a 9,80% ao ano.
Programa amplia setores beneficiados
Além das empresas diretamente afetadas pelas tarifas norte-americanas, o Brasil Soberano 3 amplia o alcance para segmentos prejudicados por instabilidades internacionais, incluindo aqueles com operações relacionadas ao Golfo Pérsico.
Entre os setores contemplados estão agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca e aquicultura, cooperativas, mineração, fertilizantes, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotiva, fabricantes de máquinas e equipamentos e empresas de materiais elétricos e eletrônicos.
Os recursos também poderão ser aplicados em adequações exigidas pelo comércio internacional, como certificações sanitárias, requisitos ambientais, rastreabilidade e medidas de conformidade.
Seguro para pequenas empresas
Durante a apresentação da iniciativa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o programa não ficará restrito ao financiamento.
“O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas”, declarou.
De acordo com o governo, o planejamento para aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e encaminhado a um conselho interministerial, responsável por definir as prioridades de atendimento conforme os impactos enfrentados por cada segmento.
Setores mais afetados pelas tarifas
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que alguns setores estão entre os mais prejudicados pelas novas medidas comerciais dos Estados Unidos. Entre eles estão madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
Segundo o ministro, o programa também poderá atender empresas atingidas por futuras barreiras comerciais.
“A linha 3 do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado.”
Governo mantém busca por acordo
Apesar do lançamento do pacote de apoio financeiro, o governo brasileiro informou que continua buscando uma solução negociada com os Estados Unidos para o impasse comercial.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a intenção não é adotar medidas de retaliação imediata.
“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou.
O governo avalia que as novas tarifas possuem caráter político e mantém a estratégia de diálogo diplomático para tentar reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras.
Histórico do Plano Brasil Soberano
Criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias dos Estados Unidos, o Plano Brasil Soberano passou por três etapas:
- Agosto de 2025 – Brasil Soberano 1: R$ 30 bilhões;
- Março de 2026 – Brasil Soberano 2: R$ 21 bilhões;
- Julho de 2026 – Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bilhões.
Com a nova fase, o governo amplia mecanismos de financiamento para empresas brasileiras e busca reduzir os efeitos das barreiras comerciais sobre a competitividade do país no mercado internacional.
*Com Informações de Agência Brasil
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Fonte: O Poti

