Os acidentes de trânsito levaram 22.478 pessoas à rede pública hospitalar do Rio Grande do Norte entre 5 de maio de 2025 e 17 de julho de 2026. Desse total, 6.891 ficaram internadas. Os números estão em um relatório técnico produzido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais/UFRN), e divulgado nesta terça-feira 4.
O estudo — coordenado pelo professor e pesquisador do Lais Ricardo Valentim — mostra que aproximadamente três em cada dez vítimas precisaram permanecer internadas. Outros 843 atendimentos, equivalentes a 3,75% do total, demandaram leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Também foram contabilizadas 1.873 reinternações após a alta, que podem estar relacionadas a complicações cirúrgicas ou à necessidade de novos procedimentos, especialmente na área ortopédica.
As despesas hospitalares e com procedimentos registradas no período ultrapassaram R$ 6,3 milhões. O custo mediano de cada atendimento foi de R$ 131,54, mas os casos mais graves elevaram significativamente a despesa. Os 10% mais caros ultrapassaram R$ 736,43 por paciente, e um único atendimento chegou a R$ 10.525,21.
Esses valores correspondem ao que foi faturado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e não incluem outros impactos econômicos dos acidentes, como afastamentos do trabalho, pagamento de benefícios, reabilitação prolongada, perda de renda e danos materiais.
Em média, os hospitais potiguares receberam 51,2 vítimas por dia — mais de duas a cada hora. O volume mensal aproximado foi de 1.559 atendimentos. Para os pesquisadores, os acidentes deixaram de representar ocorrências isoladas e passaram a exercer uma pressão contínua sobre a rede pública, concorrendo por leitos, insumos, salas cirúrgicas e profissionais que também precisam atender pacientes com outras doenças.
Além das internações, 1.756 pacientes foram transferidos entre unidades, o equivalente a 7,81% do total. Segundo o relatório, essa movimentação revela dificuldades da rede secundária para estabilizar casos complexos e obriga o deslocamento de ambulâncias aos hospitais de referência em busca de UTIs e cirurgias especializadas.
Em 174 casos de alta complexidade, foi necessário utilizar órteses, próteses e materiais especiais. São insumos empregados principalmente em procedimentos ortopédicos e que exercem pressão adicional sobre os estoques e os blocos cirúrgicos.
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Fonte: Portal AGORA RN
Fonte: Senadinho Macaiba

