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Dengue, zika, chikungunya e Oropouche têm sintomas parecidos, mas exigem cuidados diferentes – NOTÍCIAS SOBRE O RIO GRANDE DO NORTE

Epidemia de dengue: automedicação pode agravar complicações da doença
Dengue, zika, chikungunya e Oropouche têm sintomas semelhantes, mas riscos diferentes. Saiba como reconhecer sinais e evitar a automedicação. Foto: Freepik.

Dengue, zika, chikungunya e Oropouche têm sintomas semelhantes, mas riscos diferentes. Saiba como reconhecer sinais e evitar a automedicação. Foto: Freepik.

Febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e mal-estar podem estar presentes em diferentes arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e Oropouche. Apesar das semelhanças, as doenças apresentam diferenças na evolução e podem provocar complicações distintas. Por isso, a avaliação de um profissional de saúde é recomendada para identificar o quadro e acompanhar sua evolução.

De acordo com o infectologista Rodolpho Dantas, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (Huac-UFCG), vinculado à HU Brasil, os sintomas semelhantes dificultam a identificação da doença apenas pela observação. Quando necessário, exames podem auxiliar na identificação do vírus.

Entre as doenças, a dengue exige atenção especial para o período entre o terceiro e o sétimo dia de sintomas. A febre pode diminuir nessa fase, mesmo quando começam a surgir manifestações associadas a formas graves da doença.

“Na verdade, esse período chamamos de choque da dengue, porque esse nome dengue hemorrágica acaba sendo enganoso. Muitas pessoas têm dengue hemorrágica e não sangram, enquanto outras pessoas sangram e não têm dengue hemorrágica. Então, nessa fase, depois do terceiro ao quinto dia, que baixam as plaquetas e também diminui a circulação do nosso corpo, é um choque circulatório (o líquido extravasa, sai dos vasos, e temos dificuldade de circular o sangue e isso é que passa a ser grave), podendo causar sonolência excessiva ou agitação, dor abdominal intensa e contínua (quando o líquido extravasa para o abdômen), falta de ar ou taquipneia (que é aumento da frequência respiratória devido ao líquido extravasar para os pulmões), baixa de pressão e pode, por causa disso também, aparecer aqueles sintomas hemorrágicos: sangramento gengival, aumento de sangramento menstrual, manchas na pele, que chamamos de petéquias, devido ao sangramento”, explica Rodolpho Dantas.

Dengue requer atenção à hidratação e aos medicamentos

O período entre o quinto e o sétimo dia é considerado uma fase crítica da dengue, quando a contagem de plaquetas pode apresentar redução. A orientação é manter uma boa ingestão de líquidos e evitar a automedicação.

Segundo o especialista, a quantidade de líquido deve ser definida de acordo com o peso e a avaliação do paciente. Ele cita como referência volumes entre 60 e 80 ml por quilo ao dia, o que representa cerca de 3 litros adicionais para uma pessoa de 50 quilos.

O uso de anti-inflamatórios e de ácido acetilsalicílico (AAS) também requer atenção em casos suspeitos de dengue.

“O anti-inflamatório e o ácido acetilsalicílico (AAS) podem fazer com que a pessoa, já com as plaquetas baixas, tenha um sangramento maior, e isso pode ser a diferença entre a vida e a morte desse paciente crítico com dengue. Então é muito importante, se você tem uma arbovirose e não tem certeza do que é, evitar se automedicar”, alerta o infectologista.

Como diferenciar as principais arboviroses

Embora somente os sintomas não sejam suficientes para confirmar qual vírus provocou a infecção, algumas características podem ajudar a diferenciar os quadros.

Zika

A zika geralmente apresenta febre e dores mais leves. Vermelhidão na pele e conjuntivite são manifestações frequentes. A doença costuma ter evolução mais branda, mas requer atenção em gestantes devido à associação da infecção pelo vírus com alterações no desenvolvimento do bebê, incluindo microcefalia.

Chikungunya

A principal característica da chikungunya é a intensidade das dores nas articulações. Em parte dos pacientes, as dores podem persistir por meses ou por períodos mais longos depois da fase aguda, interferindo nas atividades do cotidiano.

Oropouche

Nos primeiros dias, o Oropouche pode apresentar sintomas semelhantes aos da dengue, como:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores no corpo;
  • dor atrás dos olhos;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • tontura.

A intensidade da dor de cabeça pode chamar atenção. Em quadros mais graves, podem surgir manifestações neurológicas, como confusão mental, sonolência excessiva, agitação e desorientação.

Quando procurar atendimento

A circulação simultânea de diferentes arboviroses torna inadequada a tentativa de determinar a doença somente pelos sintomas. A avaliação médica é especialmente importante quando há sinais de agravamento ou quando as manifestações persistem e mudam ao longo dos dias.

No caso da dengue, sinais como dor abdominal intensa e contínua, falta de ar, sonolência excessiva ou agitação, queda da pressão e sangramentos exigem atenção.

Prevenção reduz criadouros

Além dos cuidados individuais, o controle das arboviroses depende da redução dos criadouros dos mosquitos transmissores, entre eles o Aedes aegypti.

As principais medidas incluem:

  • usar repelente;
  • utilizar roupas que cubram braços e pernas;
  • usar mosquiteiros;
  • eliminar recipientes que acumulem água parada;
  • manter caixas-d’água fechadas;
  • limpar periodicamente os reservatórios;
  • evitar materiais que possam acumular água em terrenos baldios.

A combinação entre proteção individual, eliminação de criadouros e acompanhamento adequado dos sintomas contribui para reduzir os riscos associados às arboviroses.

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Fonte: O Poti

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