Quatro em cada dez brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher em posição de poder, embora a ampla maioria saiba explicar o que significa comandar. O dado aparece na pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizada pelo Estúdio Clarice, que ouviu 2.036 homens e mulheres em novembro de 2025 para investigar como o poder feminino é percebido, reconhecido e disputado no país.
A dificuldade não está em definir poder. Segundo o levantamento, 96% dos entrevistados conseguem descrever o que significa comandar. O impasse surge quando a pergunta deixa de ser abstrata e pede um nome concreto: quem é, afinal, uma mulher poderosa?
As respostas mais citadas revelam um imaginário concentrado em figuras públicas da política e do Judiciário. Janja, primeira-dama, foi lembrada por 10,1% dos entrevistados. Em seguida aparecem a ministra Cármen Lúcia, com 6,1%, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com 4,8%.
O estudo foi lançado nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, no Rio de Janeiro, em evento com a participação de Mariana Ribeiro e Beatriz Della Costa Pedreira, fundadoras da Clarice. A organização se define como um estúdio de inteligência e criação dedicado a investigar e fomentar o poder feminino por meio de pesquisas e produções audiovisuais.
O poder existe, mas nem sempre é reconhecido
A pesquisa também expõe uma diferença relevante entre a percepção de homens e mulheres sobre igualdade de oportunidades. Entre os homens, 68% dizem acreditar que há as mesmas oportunidades independentemente do gênero. Entre as mulheres, esse índice cai para 53%.
Quando a pergunta trata do reconhecimento do lugar da mulher, a distância permanece. 34% dos homens afirmam que esse lugar já é reconhecido. Entre as mulheres, 21% concordam com a afirmação.
O levantamento mostra que, para muitas mulheres, acessar ambientes de poder ainda exige algum grau de contenção ou ajuste de comportamento. Quase 30% das entrevistadas afirmam que duvidar da própria capacidade é o que mais provoca sensação de impotência.
Além disso, uma em cada três mulheres diz que precisa mudar o tom de voz para ser levada a sério e esconder traços da própria personalidade para se encaixar em determinados ambientes.
O estudo também identifica diferenças raciais nessa experiência. Entre as mulheres brancas, 28% disseram cobrir partes do corpo para evitar julgamento. Entre as mulheres negras, o percentual sobe para 39%.
Como o estudo foi feito
A pesquisa combinou métodos quantitativos e qualitativos. Além das entrevistas com 2.036 homens e mulheres, o Estúdio Clarice ouviu dois grupos de mulheres: as chamadas especialistas e as protagonistas.
No primeiro grupo, estão pesquisadoras, intelectuais e profissionais que estudam temas como poder, imaginário e gênero. No segundo, mulheres que ocupam posições de decisão e influência.
As protagonistas foram selecionadas a partir de 11 setores estratégicos da sociedade, entre eles esporte, clima, finanças, comunicação e cultura.
Se você quer saber mais sobre este estudo, acesse:
Fonte: saibamais.jor.br





