Mesmo diante da progressão do câncer e da perda de algumas funções, a fisioterapia pode continuar contribuindo para o bem-estar do paciente. Na Casa Durval Paiva, em Natal, o acompanhamento fisioterapêutico é adaptado às condições clínicas e à tolerância de cada pessoa, com estratégias voltadas à manutenção da funcionalidade, ao controle de sintomas e à promoção de conforto e qualidade de vida.
A importância da continuidade desse atendimento foi destacada pela fisioterapeuta Cinthia Moreno, da Casa Durval Paiva. Segundo a profissional, ainda é comum que familiares deixem de levar pacientes às sessões quando percebem o avanço da doença por acreditarem que a fisioterapia não poderá mais proporcionar benefícios.
Recentemente, uma mãe procurou o setor de fisioterapia da instituição e relatou que havia interrompido o acompanhamento do filho porque a doença estava avançando. O paciente já apresentava perda de movimentos dos membros e dificuldade na fala. Para a família, diante daquele cenário, permanecer em casa parecia ser a alternativa mais adequada.
Entretanto, mesmo quando determinadas funções são comprometidas, a fisioterapia pode trabalhar as capacidades que permanecem preservadas. Nesses casos, a finalidade do atendimento pode deixar de estar concentrada na recuperação de movimentos e passar a priorizar conforto, autonomia possível, prevenção de complicações e qualidade de vida.
Exercícios podem preservar mobilidade e força
Uma das possibilidades utilizadas no acompanhamento é a cinesioterapia, que reúne exercícios terapêuticos adaptados às condições do paciente. A intensidade e o tipo de atividade são definidos conforme a tolerância individual.
Por meio de exercícios específicos, é possível trabalhar a manutenção ou a melhora da mobilidade e da força muscular. Isso pode facilitar movimentos necessários para atividades do cotidiano, como se locomover, alcançar objetos ou brinquedos e realizar ações de manipulação com maior segurança.
A estratégia também pode ser utilizada em situações de fadiga. Com exercícios adequados aos limites do paciente, o trabalho fisioterapêutico pode contribuir para melhorar a resistência e favorecer o bem-estar geral.
O objetivo, portanto, não é necessariamente recuperar todas as funções perdidas, mas aproveitar e estimular aquilo que ainda pode ser preservado ou desenvolvido, respeitando as condições clínicas de cada pessoa.
Técnicas ajudam no controle da dor
A dor é outro sintoma que pode ser abordado pela fisioterapia. Entre os recursos disponíveis estão a eletroestimulação com finalidade analgésica, também chamada de eletroanalgesia, além de terapia manual, técnicas de relaxamento e orientações relacionadas ao posicionamento do paciente.
Essas medidas podem auxiliar na redução do desconforto e proporcionar maior conforto durante a rotina. O controle da dor também pode favorecer o sono e deixar o paciente mais disposto para participar de atividades que tenham significado em seu dia a dia.
A definição da estratégia depende das necessidades apresentadas por cada pessoa. O acompanhamento pode ser modificado conforme a doença evolui e novos sintomas aparecem.
Falta de ar também pode ser trabalhada
Pacientes com câncer avançado também podem apresentar ansiedade e sensação de falta de ar. Nessas situações, a fisioterapia pode utilizar exercícios respiratórios e técnicas específicas para auxiliar no manejo dos sintomas.
Além das intervenções realizadas diretamente com o paciente, medidas relacionadas ao ambiente também podem contribuir para o conforto. Manter o espaço arejado, por exemplo, é uma das orientações que podem fazer parte dos cuidados.
A proposta é reduzir o sofrimento e oferecer melhores condições para que o paciente atravesse as diferentes fases da doença com o máximo de conforto possível.
Atendimento integra cuidado multidisciplinar
A fisioterapia não atua de forma isolada no acompanhamento de pacientes com câncer. O trabalho é integrado à equipe multidisciplinar responsável pela assistência, especialmente quando o quadro clínico apresenta maior complexidade.
Com o avanço da doença, os objetivos terapêuticos podem ser revistos. A prioridade passa a ser, muitas vezes, o controle dos sintomas e a preservação da funcionalidade que ainda existe, em vez da busca exclusiva pela recuperação de capacidades já comprometidas.
Para Cinthia Moreno, esse cuidado deve estar presente independentemente do sintoma apresentado ou do estágio da doença.
“Independente do sintoma ou queixa, a fisioterapia deve contribuir com a equipe multidisciplinar que cuida do paciente com câncer, promovendo funcionalidade, alívio do sofrimento e manejo adequado dos sintomas mais comuns em fim de vida, para que o paciente atravesse esse processo natural, com conforto e dignidade.”
Nesse contexto, a continuidade do acompanhamento fisioterapêutico pode assumir diferentes finalidades ao longo do tratamento. Em vez de representar apenas uma tentativa de recuperar movimentos, a assistência pode contribuir para que o paciente mantenha, dentro de suas possibilidades, atividades importantes para sua rotina, tenha sintomas controlados e permaneça confortável.
A avaliação individual é fundamental para definir quais recursos podem ser utilizados e quais objetivos são possíveis em cada momento.
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Fonte: O Poti