Fortes chuvas que caíram durante a madrugada e início da manhã desta sexta-feira (14) causaram alagamento e transbordamento de pelo menos quatro lagoas de captação em Natal. Com isso, a população teve suas casas invadidas pela água.
As precipitações acumularam 86,7 milímetros em 24 horas, segundo dados atualizados às 8h pela Empresa de Pesquisas Agropecuárias do Rio Grande do Note (Emparn). Em Parnamirim, na Grande Natal, o volume foi de 149 mm.

Segundo a Defesa Civil, registraram tranbordamento as lagoas do loteamento Sarney, do Panatis, Cidade da Esperança e Jardim Primavera.
No loteamento José Sarney, a água invadiu imóveis. Moradores relataram que passaram a noite acordados temendo pelos alagamentos em suas casas.
Em algumas ruas, a água estava acima dos joelhos. Cícera de Aquino e Silva, 64 anos, mora em uma casa na frente da lagoa e saiu do imóvel apenas com documentos e uma muda de roupas.
“A minha casa não tem nada, porque já passei por três cheias nela, já perdi tudo. Não sou aposentada, estou nessa casa de favor até me aposentar. Quando começou a encher a lagoa, tirei meu filho que tem problema mental. As portas estão lá abertas. Não é fácil, mas eu creio que Deus vai tocar no coração do poder público para fazer algo por nós. Acordei quando começou a chuva e estou até agora”, disse.
Antes das 7h da manhã, a Avenida Nevaldo Rocha, que cruza as zonas Leste e Oeste da capital já estava alagada perto do cruzamento com Rua Manoel Miranda. Passageiros subiram nos bancos das paradas de ônibus para tentar evitar os alagamentos.
A água também alagou o túnel e a marginal da BR-101 perto do campus da UFRN. Na subida do viaduto do complexo do 4º Centenário, em Potilândia, o alagamento causou congestionamento na rodovia.
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Às margens da BR, próximo à Governadoria do Estado, a estrutura de um outdoor desabou sobre uma parada de ônibus durante a madrugada. Não há informação sobre feridos. Mesmo com o material sobre a parada, passageiros continuaram usando o abrigo.
Outra via alagada na cidade foi a avenida Interventor Mário Câmara, em Cidade da Esperança, Zona Oeste da cidade.

A faixa de areia da praia de Ponta Negra, na área que recebeu a obra de engorda, também voltou a registrar acúmulo de água.
“Essas chuvas estão sendo produzidas pela zona de convergência intertropical que estava com uma certa dificuldade de entrar no continente por conta de um vento sul que tem castigado o litoral e o agreste nos últimos dias. Como essa chuva aconteceu na madrugada, foi incrementada pelo sistema de brisa, que é um sistema local de vento que traz a umidade, intensifica”, afirmou Gilmar Bristot, chefe do setor de meteorologia da Emparn.
O meteorologista ainda destacou havia previsão de chuva desde a última terça-feira (11), acompanhada de trovoadas.

Fonte G1RN