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7×0 para todos, já! (a começar pelo seu proponente)

A proposta de igualar a jornada de trabalho de todos os trabalhadores brasileiros à dos servidores públicos, que raramente trabalham aos sábados e domingos, aprovada pela Câmara dos Deputados até com os votos da oposição, incomodou a muita gente.

Uma dessas incomodadas figuras foi o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, que contra atacou apresentando uma proposta que segue na contramão da medida aprovada e amplia a jornada de trabalho no Brasil para 7 dias de trabalho por nenhum de folga semanal.

Claro que o objetivo do coordenador da pre-campanha do filho do ex-presidente de quem foi ministro do trabalho e da previdência, além de mui amigo do banqueiro Daniel Vorcaro e dos milicianos do Rio de Janeiro, era conseguir manchetes e desviar a atenção do debate sobre o envolvimento do colega senador carioca com o caminhão de escândalos em que ele está envolvido

Marinho quis tumultuar o debate diante da aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta do 5 dias trabalhados por 2 de folga e já entrou em campo junto ao presidente do Senado, o colega Davi Alcolumbre, outro mui amigo de Vorcaro, para colocar uma pedra em cima do projeto aprovado pelos deputados.

Tudo para desviar o foco da crise do Bolsomaster, que envolve um ônibus de amigos deles com o banqueiro Daniel Vorcaro e suas tenebrosas transações.

Na prática, a ideia de Rogério tem sido comparada com a postura do avô dele, o deputado Djalma Marinho que, num momento difícil da vida nacional, notabilizou-se ao citar Calderón de La Barca (“Ao rei, tudo; menos a honra”), em resposta à exigência do governo militar para que ele desse seguimento a um processo de cassação contra o deputado Márcio Moreira Alves.

Era dezembro de 1968 e Djalma presidia a respeitável Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O jurista potiguar recusou-se a curvar às pressões dos militares e preferiu renunciar à presidência da CCJ como forma de defender a independência e a dignidade do Poder Legislativo e entrou para a história da democracia brasileira com seu ato.

Rogério também tem feito história… não pelos seus atos em favor da democracia, mas por suas maldades contra o povo brasileiro. Quando foi ministro de Bolsonaro puniu trabalhadores e aposentados com força, elegendo como inimigo quem trabalhou a vida inteira e quem segue resistindo no trabalho.

No Senado, desde que assumiu seu mandato, conquistado graças a uma manobra eleitoral moralmente questionável, o ex-chefe da Seção de Pessoal da STTU tem se dedicado a perseguir o povo brasileiro com suas propostas.

A mais nova, além de ampliar a jornada para sete dias de trabalho por semana, cria o regime de pagamento por horas trabalhadas e diminui verbas rescisórias como férias, 13º salário e FGTS. Em outras palavras, a PEC de Rogério Marinho rasga a Lei Áurea da princesa Isabel e restituiu a escravidão no Brasil.

Pensando direitinho, porém, a proposta de Rogério sugere um precedente interessante: a necessidade de, por dever de justiça, submeter todos os brasileiros natos, naturalizados ou viventes neste país continente nessa nova regra, a começar por ele próprio e seus parceiros de maldades.

Até porque o exemplo à nação deve ser dado pelo próprio autor e os signatários de sua proposta de Emenda Constitucional. Justo eles que recebem milhões dos cofres públicos todo mês por algumas horas trabalhadas.

Para ser justo, Rogério deveria instituir em seu projeto que, a exemplo dos trabalhadores do Brasil, senadores e deputados também deveriam trabalhar de domingo a domingo e ganhar por hora trabalhada.

A propósito, adotada a regra sugerida por Rogério, de quanto seria o salário dele e de seus colegas de Congresso?…

A medida também deveria valer para os senadores e deputados relâmpagos, pais de senadores com alguns dias de mandato que, na condição de suplentes, assumiram uma cadeira por algumas horas só para garantir uma polpuda aposentadoria paga por nós. Esse tipo de aposentadoria, aliás, deveria ser proibida, já que a maioria dos políticos acumulam várias delas com a da previdência oficial.

Outro condicionante deveria ser inserido na proposta pelo ex-presidente da Urbana: além de trabalhar, no mínimo, oito horas por dia, durante sete dias, sem direito a folga, senadores e deputados não poderiam apresentar nenhuma nova proposta enquanto não votarem os milhares de projetos que estão parados na fila de votação no Senado e na Câmara.

Outra restrição diz respeito a patrões e herdeiros esbanjadores que costumam sair no meio do expediente para um almoço ou um happy-hour na quarta-feira e só voltaram às empresas na semana seguinte…

Com isso, o Brasil daria um salto enorme em termos de produtividade, melhoria das condições de vida, aumento do PIB e viraríamos, finalmente, para tristeza de Marinho e seus parceiros, a maior potência mundial, a frente de Estados Unidos, China, Alemanha e outros gigantes.

Porque já temos tudo para isso, o que nos atrapalha são os gênios do mal como eles, que vivem de legislar em calça (ou causa) própria, exercendo um prazer sádico de entregar sua honra aos reis e desonrar os votos que receberam do povo brasileiro.

Fonte: saibamais.jor.br

Ciro Pedroza

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