Allyson lança pré-candidatura ao governo do RN com “velha política” no palanque

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), lançou oficialmente no sábado (7) sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do...
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O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), lançou oficialmente no sábado (7) sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte em um evento realizado em um hotel de Natal. O governadorável será o principal nome do palanque que terá o apoio de nomes conhecidos da política potiguar, como João Maia (PP), Zenaide Maia (PSD), Walter Alves (MDB), José Agripino Maia (União), Kelps Lima (Solidariedade) e até de um ex-governador que já enfrentou rejeição no seu mandato, Robinson Faria (PP), atualmente deputado federal.

O anúncio aconteceu durante o evento “RN do Futuro”. Outros parlamentares do Rio Grande do Norte também participaram, como os deputados estaduais Hermano Morais (de saída do PV para o MDB), que será o vice de Allyson, Nelter Queiroz (PSDB) e Galeno Torquato (PSDB), o ex-governador Garibaldi Alves Filho (MDB), e o deputado federal Benes Leocádio (União).

O evento ocorreu duas semanas após o próprio Allysson Bezerra ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema criminoso de desvio de recursos públicos, pagamentos de propina a agentes públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde na Prefeitura de Mossoró.

“Esse é um projeto de mudança, não é um projeto de continuidade. É um projeto desafiador, mas com muita coragem de fazer diferente”, declarou Allyson, se colocando como nome da oposição.

Nas redes sociais, o ex-governador Robinson Faria escreveu que o dia foi “de diálogo, reencontros e construção do RN do Futuro”. “Estamos juntos, meus amigos!”, declarou.

Robinson foi eleito governador em 2014, numa disputa contra o ex-deputado federal Henrique Alves. A gestão logo acumulou rejeição e atingiu altos níveis de impopularidade. O então vice-governador, Fábio Dantas, rompeu politicamente com o governador no último ano. Faria ainda tentou a reeleição em 2018, mas ficou em terceiro lugar com 11,85% dos votos e não chegou sequer ao segundo turno.

Quatro folhas de salário atrasada

Um dos principais problemas da gestão Robinson foi o atraso no pagamento de servidores. Ao fim do mandato, Robinson Faria e Fábio Dantas deixaram quatro folhas de pagamento dos trabalhadores da rede estadual em atraso, relativas aos meses de novembro e dezembro de 2018, e aos décimos de 2017 e 2018. Os salários só foram quitados em 2022 pela governadora Fátima Bezerra (PT).

Em 2020, a Justiça do Rio Grande do Norte condenou o ex-governador por improbidade administrativa, pelo descumprimento às normas da Lei de Responsabilidade Fiscal no período em que administrou o Estado.

Pela sentença definida pelo juiz da 12ª Vara Civil de Natal, o ex-governador fica com direitos políticos suspensos por três anos, sem poder contratar com o serviço público por igual período e deveria pagar multa equivalente a 25 vezes o valor do último salário recebido.

Em 2021, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) concluiu que houve abuso de poder econômico pelo ex-governador no ano de 2018, quando buscava sua reeleição. Assim, a Justiça suspendeu por oitos anos os direitos políticos do ex-governador.

Robinson teria desenvolvido ações enquanto governador para favorecê-lo no processo eleitoral, infringindo a lei eleitoral, a partir do desvirtuamento de programas sociais de financiamento e de segurança alimentar; uso político da doação de duas ambulâncias ao município de Santo Antônio; inauguração de leitos de UTI em Currais Novos; veiculação de publicidade institucional em período vedado mediante a permanência de outdoors em São Gonçalo do Amarante; veiculação de publicidade institucional em período vedado, pelo Detran; e uso elevado de recursos financeiros com publicidade.

Mas, em março de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu acatar recurso e restabelecer direitos políticos de Robinson, que, com a decisão, conseguiu se candidatar e se eleger deputado federal.

Agripino

Junto a Allyson no evento também estava o ex-governador José Agripino Maia, presidente do União Brasil no Rio Grande do Norte. Apesar de estar sem mandato desde 2018, quando perdeu a eleição para deputado federal, continua comandando articulações políticas e é o principal fiador do nome de Allyson para o governo dentro do União Brasil. 

Agripino foi prefeito biônico de Natal indicado pela ditadura militar, governou o Rio Grande do Norte duas vezes, dessa vez eleito pelo voto popular, e venceu quatro eleições para o Senado, permanecendo 32 anos no Parlamento. No período, liderou a oposição aos governos Lula e Dilma.

A trajetória partidária dele começa nos anos 1970 na Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar. Com a redemocratização e a volta do pluripartidarismo no Brasil, fundou o PFL, estava entre os caciques que defenderam a mudança do nome da legenda para DEM e também foi um dos avalistas da fusão do DEM com o PSL, criando o União Brasil, partido no qual também possui grande influência política na direção nacional.

Allyson foi alvo de operação da PF

Allyson Bezerra foi alvo de busca e apreensão em sua casa, há duas semanas, durante a Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).

A operação teve como objetivo desarticular um suposto esquema criminoso voltado de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde na Prefeitura de Mossoró. As investigações tiveram início em 2023.

Allyson Bezerra é suspeito de ser um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina que foi batizado de “Matemática de Mossoró” pela Polícia Federal.

A expressão refere-se especificamente a um percentual de 15% de propina que seria cobrado da empresa Dismed, pivô do esquema desarticulado pela PF e pela AGU, para facilitar os pagamentos dos contratos de fornecimento de medicamentos firmados com a Prefeitura de Mossoró.

O modus operandi da propina foi revelado através de uma escuta ambiental instalada pela Polícia Federal no escritório da Dismed. Nas conversas gravadas, o sócio da Dismed, o empresário Oseas Monthalggan Fernandes Costa, explica a um interlocutor como funcionava a “Matemática de Mossoró”.

A Prefeitura de Mossoró, segundo a transcrição da conversa que consta na decisão judicial que autorizou a operação, havia emitido uma ordem de compra de medicamentos no valor de R$ 400 mil. No entanto, a empresa entregou apenas o equivalente a R$ 200 mil. A diferença seria distribuída entre os participantes do esquema.

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Fonte: saibamais.jor.br

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    Valcidney Soares

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