O pré-candidato a governador Álvaro Dias (PL) disse que vai manter a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) como está, após ter deixado o futuro da instituição em aberto ao ser questionado sobre uma possível privatização ou federalização. Já sobre a Companhia de Águas e Esgotos (Caern), o ex-prefeito de Natal afirmou que “a princípio” não pretende privatizá-la, embora aliados defendam a venda da Companhia.
O recuo nas declarações ocorreu nesta quarta-feira (13) em entrevista ao programa Contraponto, da 96FM. Álvaro afirmou que suas falas em Mossoró sobre a Uern e Caern, que geraram reação negativa entre o meio político e a população, foram distorcidas.
“Nós pretendemos fazer um estudo aprofundado sobre a Caern. A princípio eu não pretendo privatizar a Caern. A princípio eu pretendo modernizar. Você vê que a Caern hoje tem reclamações em todos os lugares que você vai. Realmente presta um serviço deficitário à população. A equipe técnica que está fazendo um estudo sobre o nosso programa de governo já detectou que para a Caern funcionar como deveria, prestando um serviço de excelência ao estado do Rio Grande do Norte, nós precisamos fazer um investimento de algo em torno de R$ 10 bilhões para recuperar a capacidade da Caern, enfrentar todos os problemas que existem hoje e prestar um serviço que possa atender as necessidades e as expectativas da população”, afirmou.
No último final de semana, em passagem por Mossoró, Dias afirmou à imprensa que a venda da Companhia de Águas e Esgotos é estudada por sua equipe.“É uma das propostas que existem, que foi encaminhada, que está sendo discutida, debatida, mas precisa ser aprofundada”.
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A proposta de privatização da Caern já foi tratada pelo senador Rogério Marinho (PL) em outros momentos. O parlamentar é aliado de Álvaro e esteve com o pré-candidato na agenda política em Mossoró. Marinho já defendeu vender a Caern totalmente, ao invés de fazer uma Parceria Público-Privada (PPP). Em 2024, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,8 bilhões devem ser investidos.
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“Você pega, por exemplo, essa questão da Caern, outra questão que vai desagradar muita gente. Por que fazer PPP com uma empresa que hoje não dá o serviço adequado à sociedade? Quantos norte-grandenses não têm esgoto tratado? Não têm água tratada? Vá para o Seridó. Se não fosse a doutora que nós estamos fazendo, a situação continuaria parecida. Vá para a região Agreste. Municípios passando seis meses sem água, quatro meses sem água, como Santo Antônio, como Nova Cruz. Municípios que têm o seu tratamento de esgoto praticamente concluído e a Caern não complementa. Então, é evidente que você precisa melhorar o serviço que vai ser ofertado à população. Tem que vender a Caern, tem que fazer a concessão da Caern”, justificou Rogério no ano passado.
Uern
Em relação à Universidade do Estado, Álvaro Dias tinha deixado o futuro da instituição em aberto na passagem por Mossoró. Após a repercussão negativa no final de semana, o pré-candidato emitiu nota em que disse que respeita a Uern. O texto, no entanto, não se posicionou firmemente contra a federalização ou privatização da universidade.
“Em nenhum momento eu falei em privatizar ou federalizar a Uern. Pelo contrário, eu disse que tinha uma equipe técnica fazendo um estudo no sentido de melhorar, de modernizar, de ver que proposta nós podemos fazer ou trazer e implantar sendo eleito governador para melhorar a Uern”, justificou Álvaro nesta quarta, ao jornalista Diógenes Dantas.
Ele classificou a instituição como um “patrimônio” e disse que vai procurar melhorá-la caso seja eleito para o Governo do RN.
“Vou manter a Uern como ela está, vou procurar formas de ampliar os investimentos, de modernizar cada vez mais, se possível ampliar os campi avançado que existe da Uern aqui no estado do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Reação negativa
Após as declarações de Álvaro no final de semana, a reitora da Uern, Cicília Maia, disse que a universidade precisa ser defendida permanentemente e afirmou que falas contra a Uern não serão aceitas pela comunidade acadêmica.
“Nossa postura primeira é a da defesa permanente da nossa universidade, sempre. Postura de trabalho, apresentação de resultados concretos de desenvolvimento do estado, de apresentar cada vez mais a nossa qualidade institucional e de defender o que nossa comunidade realiza dia a dia seja no ensino, na pesquisa e na extensão”, posicionou-se.
“Qualquer pessoa ou projeto que fale contra a Uern, não será aceito por nossa comunidade, assim como pelas milhares de famílias potiguares que sabem o impacto transformador da Uern. Continuaremos defendendo quem defende a Uern. Porque nós somos prova viva da transformação que a educação causa na vida das pessoas. Vamos com coragem, assim como os reitores e reitoras que me antecederam, defendendo o maior patrimônio vivo do povo potiguar, a nossa Uern”, declarou.
O professor e Pró-Reitor de Extensão da Uern, Esdras Marchezan, disse que quem fala em federalização da Uern, “pensa nisso”.
“Os que agem assim tem um objetivo: desobrigar o Estado do compromisso com a única instituição pública de ensino superior estadual do RN. A Uern resiste há 57 anos. E seguirá assim”, afirmou.
Fala gera munição para adversários
Em ano eleitoral, a declaração do governadorável logo repercutiu entre os adversários nas eleições de outubro. Cadu Xavier (PT) falou que Álvaro tratou a universidade “como um problema para o nosso Estado”.
“É isso que nos diferencia. Nós valorizamos a educação, nós entendemos que a Uern é uma ferramenta de transformação social e econômica. 80% dos alunos da Uern são provenientes da rede pública do nosso estado. São filhos de zeladores, filhos de agricultores, filhos de trabalhadores que estão estudando na nossa Uern e tendo a sua vida transformada. Esse discurso é o discurso da direita, da extrema-direita. E a gente tem que ter muito cuidado também com oportunistas que defendem a Uern só pela ocasião de um ano eleitoral.”
O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União) disse que a Uern é solução para o RN.
“Essas pessoas que, de forma tão preconceituosa, se manifestam, não têm o mínimo conhecimento de Brasil, não têm conhecimento do Rio Grande do Norte, não têm conhecimento da nossa educação”, reagiu.
Fonte: saibamais.jor.br




