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    Não tem mais areia da engorda na área próxima ao Morro do Careca, alerta professor

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    A areia colocada perto do Morro do Careca, pouco mais de um ano depois da conclusão da obra engorda da Praia de Ponta Negra, não existe mais. O alerta foi feito pelo engenheiro João Abner, professor aposentado e fundador do curso de pós-graduação de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele afirma que, sem um projeto de drenagem definitivo, o problema dos alagamentos na orla da praia e da perda de sedimentos só irá se agravar.

    O engenheiro é um dos especialistas que alertam para a perda sistemática de sedimentos no entorno do Morro do Careca desde o término da engorda da Praia de Ponta Negra. Nesta semana, o problema ficou novamente evidenciado após as chuvas intensas que atingiram a cidade, que, além de causar novos alagamentos na orla, provocou a formação de uma nova voçoroca, que levou parte da areia que protege o bem natural para o mar.

    A Prefeitura de Natal afirma que concluiu a drenagem, mas, segundo o professor, as caixas dissipadoras instaladas para reduzir a velocidade da água durante o escoamento não aguentam volumes elevados de chuva. Por isso, terminam transbordando e formando lagoas na faixa de areia que foi alargada ao custo de mais de R$ 100 milhões.

    “Construíram caixas de descarga para permitir que a água saísse por cima do aterro, o que terminou provocando dois problemas: a criação das lagoas e a pressurização da rede de drenagem. Isso vai se inviabilizar com grandes chuvas e interferir no esgotamento sanitário, porque os reservatórios são conectados e transbordam para o sistema de drenagem’, explicou o professor.

    João Abner disse que o problema começou ainda na fase de elaboração dos estudos sobre a engorda, com ausência de informações sobre como seria feita a drenagem da praia. Ele afirmou que faltou um “projeto sério” da Prefeitura de Natal.

    Saiba Mais: Perda de areia pode comprometer engorda de Ponta Negra, alerta professor

    A gestão do prefeito Paulinho Freire (União) tentou resolver o problema posteriormente com a construção dos dissipadores, mas, como observou o professor, as estruturas não comportam chuvas superiores a 40 milímetros.

    A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) disse que os alagamentos na engorda são uma “situação esperada” e que, para resolver o problema em definitivo, está elaborando um “projeto complementar” de drenagem.

    Engenheiro propõe construção de canais de terra

    Foto: Reprodução

    Enquanto a Prefeitura de Natal não apresenta o prometido “projeto complementar”, João Abner sugeriu a construção de oito canais de terra de 50m x 60m, intercalados por áreas secas de 350m, ao longo de uma área que vai do Hotel Serhs até o Morro do Careca.

    Ele explicou que isso liberaria 90% dos terrenos da praia para circulação das pessoas, livres do contato com as águas poluídas do sistema de drenagem.

    Além disso, ele sugere a construção de um mini-emissário submarino de 200m de comprimento, com baixa declividade, próximo ao Morro do Careca.

    “Isso vai impedir a formação da voçoroca, recobrir adequadamente as tubulações numa área em que o aterro existente pode ser mais elevado e também implementar uma bacia de dissipação, estruturas de contenção e proteção contra a erosão”, detalhou.

    O professor também recomendou desenvolver estudo topográfico em toda a área do aterro hidráulico da Praia de Ponta Negra; elaborar estudo hidrológico das microbacias de drenagem; avaliar as condições operacionais das infraestruturas de microdrenagem; e criar projetos de adequação da macrodrenagem da região às condições atuais decorrentes do aterro hidráulico.

    Perda de areia pode comprometer engorda de Ponta Negra

    Foto: Canal Carla Belke

    O professor de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Laboratório de Geotecnologias Aplicadas Modelagem Costeira e Oceânica (GNOMO), Venerando Eustáquio, também manifestou preocupação com a perda de sedimentos na área da engorda da Praia de Ponta Negra.

    Ele alertou que a situação pode comprometer o aterro hidráulico. Para o professor, afirmar que essa é uma “situação prevista”, como fez a gestão municipal, não é tecnicamente aceitável.

    “O que a Prefeitura de Natal chama de ‘situação esperada’, na verdade, não deveria ser avaliada desse modo, uma vez que o alagamento que aconteceu imediatamente após a finalização da engorda, em março do ano passado, causou uma fragilização imensa no aterro, sobretudo ali nas proximidades do Morro do Careca. Isso jamais poderia ser considerado algo esperado”, enfatizou.

    De acordo com o professor, devido à perda desse volume de areia sem a devida reposição, a engorda não se sustentará por muito tempo, uma vez que as previsões apontam para a ocorrência de eventos climáticos cada vez mais extremos.

    “Pelas evidências de emergência climática que temos, provavelmente esse aterro não vai sustentar por muito tempo a defesa do litoral e, com isso, nós vamos perdendo cada vez mais areia na medida em que temos esse grau de alagamento a cada chuva”, ressaltou.

    Ele também pontuou que os chamados “espelhos d’água”, nome dado aos alagamentos pela Prefeitura de Natal, “na verdade é uma situação muito complexa, que está provocando a perda de sedimentos da praia devido ao escoamento da areia usada no aterro hidráulico em direção ao mar”.

    “Os sedimentos”, continuou o professor, “tendem a ser carreados em direção ao mar”, o que pode levar à destruição do aterro hidráulico de Ponta Negra.

    Fonte: saibamais.jor.br

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