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o mundo alucinado da seita de extrema-direita brasileira

O crescimento da extrema-direita no mundo inteiro nos últimos anos é um fenômeno político concreto e não deve ser subestimado ou relativizado. As vitórias de Giorgia Meloni e, principalmente Donald Trump, nos EUA mostram isso, por mais intempéries que suas gestões enfrentem. E extremistas são eleitos porque parte da população dos países aceita e gosta das pautas radicais e de cerceamento e grupos, um fenômeno sócio-cultural e comportamental, além de político, portanto.

Porém, no Brasil, a coisa é um pouco diferente. No país das “jabuticabas” sócio-culturais, a extrema-direita tem comportamentos bem próprios. Verdade que em terras tropicais esse grupo foi “sequestrado” pelo bolsonarismo, que de um movimento familiar com mero oportunismo se transformou em um sentimento comportamental e até mesmo cultural, com estética e particularidades bem distintas da direita tradicional e do conservadorismo como o conhecemos.

Indo direto ao assunto: enquanto no mundo quase todo a extrema-direita, embora agressiva, conservadora e tradicionalista (antiimigração, portanto) é essencialmente nacionalista (já que tradicionalista, portanto, antiglobalista). No Brasil a extrema-direita (refém do bolsonarismo, como já concluímos) é “patriota”, mas de países alheios. Defende mais os interesses dos EUA e de Israel do que os nacionais. Entreguistas, já sugeriram entregar as riquezas naturais para os States, entregar a Amazônia para os gringos e até que os EUA bombardeassem a Baía de Guanabara. Fazem continência para a bandeira norte-americana, vejam só.

Mas percebemos ainda, além do viralatismo e patriotismo de araque, uma nuance ainda mais estranha: a alopração comportamental, o que deixa esse grupo com status de uma seita. É fácil explicar. Seitas são definidas como “grupo religioso, filosófico ou político, geralmente pequeno e fechado, que se dissocia de uma tradição principal (ortodoxia) para seguir doutrinas próprias e exclusivas. Caracteriza-se por uma estrutura autoritária, crenças atípicas e, frequentemente, controle rígido sobre os membros”.

Pelo que observamos, a definição de encaixa bem naquele seu vizinho que acampou na porta de quartel, ou aquele concunhado que rezou para pneu. Como exemplos públicos deste comportamento de seita temos o caminhoneiro chorando de alegria porque “Alexandre de Moraes estava preso junto com Lula” e o “patriota” do caminhão, que se agarrou ao veículo e saiu carregado por quilômetros.

Como o bolsonarismo não é um movimento político, como insisto desde 2018, e sim comportamental, ele se agarra não a pautas políticas (o que seria cansativo e tedioso para seus líderes e principalmente para seus eleitores) mas sim a questões comportamentais (atreladas a tal “pauta moral” e “guerra cultural”). Precisam de um estopim, de um apito para cachorro por semana, para manter seus apoiadores em eterno estado de frenesi (como nas seitas).

A pauta aloprada da semana está sendo o caso do detergente Ypê. Como o leitor e a leitora devem saber, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação e recolhimento de uma série de produtos Ypê, como detergentes e lava-roupas, devido a falhas na fabricação e embalagem e a possibilidade dos produtos conterem uma superbactéria. Ou seja, uma decisão técnica por parte de um órgão técnico e com histórico de profissionalismo e discrição. Acontece que lembraram que o dono da Ypê é bolsonarista e apoiou campanhas da família do Jair. Foi o suficiente para desencadearem uma campanha de valorização dos detergentes, em oposição aos esquerdistas que pregavam boicote à marca (para além da retirada dos produtos das lojas).

Mas para o bolsonarismo, como para qualquer seita que atrai fanáticos, nada precisa ser tão simples e lógico. Para uns militantes radicais, não bastava manter os produtos em casa (mesmo com a bactéria) ou mesmo dizer nas redes sociais que apoiam a marca. Começaram a gravar vídeos tomando banho e lavando cabelo com detergentes Ypê. Outros ainda simulando bebe-los, como em uma mamadeira (aí Freud explica). Há notícias que dois ou três já foram parar no hospital por realmente ingerir detergente.

É isso. De rezar para pneu e pedir intervenção de OVNIs até beber detergente. Falta pouco, como nas piadas mais infames, esse pessoal começar a comer cocô.

Gente qualificada aponta que a “polêmica” do Ypê não passa de cortina de fumaça para Ciro Nogueira, Vorcaro e o Master. Sim, pode e deve ser. Mas para os líderes da extrema-direita, não para os “zé manés’”, que ao contrário dos bolsonaros e caciques do PL, levam a sério a cartilha extremista e volta e meia tentam explodir aeroportos, se amarram em estátuas, cagam no STF. Ou seja, Jair, Dudu, Valdemar, Malafaia, não passam de picaretas oportunistas que encontraram um filão de poder e dinheiro no antipetismo “conservador”. Já os apoiadores “pau mandados”, o vizinho brucutu, o tio racista, o primo homofóbico, o tiozão da piada do pavê, esses incorporaram o sentimento de seita. Não têm dinheiro nem poder, mas se veem como “ungidos”, “diferentes” em um mundo cada vez mais dinâmico e que eles não conseguem compreender. Com esse caldo cultural e religioso não surpreende que bebam detergente. Ou que façam merda, às vezes literalmente, como a ilustre dona Fátima, de Tubarão.

Fonte: saibamais.jor.br

Cefas Carvalho

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