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    Perda de areia pode comprometer engorda de Ponta Negra, alerta professor

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    O professor de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Laboratório de Geotecnologias Aplicadas Modelagem Costeira e Oceânica (GNOMO), Venerando Eustáquio, alertou que a perda de sedimentos, provocada pelo escoamento da areia para o mar, podem comprometer a engorda da Praia de Ponta Negra.

    Ele fez o alerta ao rebater a justificativa da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), que afirmou que o alagamento na área da engorda era uma “situação prevista”, que ocorre porque a região sofre com “espelhos d’água” que se formam “sempre que chove acima de 40 milímetros”.

    Para o professor, essa justificativa não é tecnicamente aceitável. “O que a Prefeitura de Natal chama de ‘situação esperada’, na verdade, não deveria ser avaliada desse modo, uma vez que o alagamento que aconteceu imediatamente após a finalização da engorda, em março do ano passado, causou uma fragilização imensa no aterro, sobretudo ali nas proximidades do Morro do Careca. Isso jamais poderia ser considerado algo esperado”, enfatizou.

    De acordo com o professor, devido à perda desse volume de areia sem a devida reposição, a engorda não se sustentará por muito tempo, uma vez que as previsões apontam para a ocorrências de eventos climáticos cada vez mais extremos.

    “Pelas evidências de emergência climática que temos, provavelmente esse aterro não vai sustentar por muito tempo a defesa do litoral e, com isso, nós vamos perdendo cada vez mais areia na medida em que temos esse grau de alagamentos a cada chuva”, ressaltou.

    Ele também pontuou que os chamados “espelhos d’água”, nome dado aos alagamentos pela Prefeitura de Natal, “na verdade é uma situação muito complexa, que está provocando a perda de sedimentos da praia devido ao escoamento da areia usada no aterro hidráulico em direção ao mar”.

    “Os sedimentos”, continuou o professor, “tendem a ser carreados em direção ao mar”, o que pode levar à destruição do aterro hidráulico de Ponta Negra.

    Saiba Mais: Ponta Negra: alagamentos não são normais, afirmam especialistas

    Não é normal que engorda fique alagada a cada chuva, rebate professor

    Ele explicou que, mesmo considerando que a faixa de areia alargada seja molhada em condições de marés extremas e de precipitações intensas, não é normal que o aterro hidráulico fique “saturado” a cada chuva, como ocorre desde a conclusão oficial da obra pela Prefeitura de Natal, no final de janeiro de 2025.

    “Quando você faz um aterro hidráulico para preservar um espaço na praia, uma largura de faixa de areia seca, essa é uma situação que a gente não gostaria de ter do ponto de vista da engenharia”, observou.

    O professor contou que já observou essa situação em alguns pontos da praia, mesmo quando não ocorrem chuvas muito intensas como a dessa semana, o que preocupa ainda mais. “Imagine quando tivermos chuvas mais extremas aqui na nossa região costeira”, alertou.

    Venerando defendeu que é preciso adotar “soluções combinadas” para resolver o problema. “Essas soluções precisam combinar um sistema mais apropriado de drenagem capaz de suportar eventos extremos com a diminuição da impermeabilização cada vez mais acelerada da região de Ponta Negra”.

    Saiba Mais: Prefeitura diz que alagamento na praia de Ponta Negra foi “situação prevista”

    Estudos prévios apontavam necessidade de drenagem

    Foto: Alisson Almeida

    O professor lembrou que esse cenário foi aventado ainda na fase de elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da obra da engorda de Ponta Negra.

    “Pelas características do terreno de Ponta Negra, era necessário que o sistema de drenagem fosse construído para evitar que um volume excessivo de água chegasse até o aterro, mas isso só foi feito depois da conclusão da engorda”, observou.

    Venerando pontou que, além de ter sido feita antes, a drenagem da engorda precisaria considerar “as situações extremas”, para que a obra comportasse o volume de água das chuvas e das marés intensas.

    “A gente não pode fazer essa avaliação contando com as chuvas médias que caíram nos últimos 40 anos em Natal. Tínhamos que avançar e projetar essa situação na expectativa de chuvas mais intensas, mais severas, com um volume de precipitação maior. Precisávamos de um sistema de drenagem melhor elaborado, para que não acontecesse esse ‘espelhamento d’água’ como é chamado pela Prefeitura de Natal”, comentou.

    Para o professor, os alagamentos recorrentes na área da engorda comprovam que o atual sistema de drenagem “não atende às variáveis que atualmente ocorrem na cidade de Natal”.

    Venerando foi direto ao afirmar que a justificativa da Prefeitura de Natal, no sentido de minimizar o problema, “não contribui nada”, além de revelar que “o trabalho foi executado de maneira inapropriada, fora daquilo que seria adequado para as condições que temos na praia e no aterro de Ponta Negra”.

    Prefeitura de Natal prometeu “projeto complementar” para resolver problema

    De acordo com a Seinfra, a situação “já está sendo objeto de um projeto complementar de drenagem para que o problema seja sanado”. O citado “projeto complementar” de drenagem vem sendo prometido desde os primeiros alagamentos na obra da engorda, no início de 2025.

    A engorda da Praia de Ponta Negra foi oficialmente concluída no dia 25 de janeiro de 2025. A obra, orçada em mais de R$ 100 milhões, ampliou a faixa de areia em até 100 metros na maré baixa ao longo de 4,6 km, desde a Via Costeira até o Morro do Careca, um dos principais cartões-postais de Natal.

    Foram usados aproximadamente 1,3 milhão de metros cúbicos de areia na obra. Desde a sua inauguração, no entanto, a engorda apresentou problemas, principalmente com os alagamentos, em razão da falta de drenagem do projeto.

    Saiba Mais: Área da engorda da praia de Ponta Negra volta a alagar após chuvas

    Fonte: saibamais.jor.br

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