O senador Rogério Marinho (PL-RN) protagonizou um dos momentos mais polêmicos do ato bolsonarista realizado em Brasília (DF), no domingo (1º), ao utilizar uma expressão de cunho racista para atacar o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do alto do carro de som, o parlamentar se referiu ao líder petistas afirmando que era preciso “virar essa página negra da história do Brasil”.
A declaração foi dada durante a manifestação intitulada “Acorda, Brasil”, convocada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em São Paulo, o ato contou com a participação do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No discurso, em tom exaltado, Rogério Marinho proclamou que Jair Bolsonaro “nos inspira, nos lidera e nos dá esperança” para que a extrema direita volte ao poder. O ex-presidente cumpre pena na Papudinha, após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por ter sido considerado o líder da organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Em breve, vamos virar essa página negra da história do Brasil e vamos reconquistar o Brasil para os brasileiros”, disse o senador, sob aplausos dos poucos bolsonaristas que compareceram ao ato em Brasília.
A expressão utilizada pelo senador potiguar reproduz um uso historicamente associado à ideia de que o termo “negro” simboliza algo ruim ou indesejável, o que é apontado por especialistas como uma forma de racismo estrutural, ainda que muitas vezes naturalizado no discurso político.
Ataques ao STF
Durante a fala, o senador também fez ataques ao STF, acusando seus integrantes de estarem acima da lei, numa referência, apesar de não citá-lo nominalmente, ao ministro Alexandre de Moraes, um dos alvos da manifestação bolsonarista.
Ele afirmou que “não é normal quando o ministro do Supremo Tribunal Federal transgride a lei em nome de um corporativismo para se defenderem mutuamente como se estivessem acima da lei da sociedade e do país”.
Além de Alexandre de Moraes, a manifestação da extrema direita também reivindicava o impeachment do ministro Dias Toffoli e a prisão do presidente Lula.
Rogério também criticou o que chamou de “banalização dos ataques à liberdade de expressão” e “naturalização do encarceramento de inocentes”, em referência às condenações dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e julgadas pelo STF apontaram que os ataques às sedes dos Três Poderes, naquele ano, configuraram tentativa de golpe de Estado.
Os envolvidos foram condenados por crimes como associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado ao patrimônio público.
No discurso, Rogério Marinho afirmou ainda que o grupo político “não será calado” e que seus adversários “já perderam a relação com o povo brasileiro”.
“Eles não vão nos vencer, não vão nos derrotar. Na verdade, eles já perderam”, declarou.
Manifestação teve pouca adesão popular
Apesar do tom inflamado, os atos convocados pelas lideranças bolsonaristas tiveram baixa adesão em diversas capitais do país.
Em Brasília, palco do discurso de Rogério Marinho, o público ficou aquém das mobilizações realizadas em outros momentos no auge do bolsonarismo.
Na Avenida Paulista, a manifestação reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político, que tem o apoio de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) em parceria com a organização More in Common.
Já no Rio de Janeiro, 4,7 mil pessoas participaram da manifestação na Praia de Copacabana, segundo estimado pelo Monitor do Debate Político.
Em Natal, ausência sentida foi do ex-prefeito Álvaro Dias

Em Natal, a manifestação reuniu poucas pessoas em frente ao Midway Mall. A ausência mais sentida no ato foi do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), que é o pré-candidato do grupo ao Governo do Estado e deve se filiar ao PL.
Nos bastidores políticos, comenta-se que ele evitou aderir publicamente às pautas defendidas pelos aliados bolsonaristas, como a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas, beneficiando diretamente o próprio Jair Bolsonaro.
Participaram da manifestação em Natal a deputada federal Carla Dickson (União), o deputado estadual Coronel Azevedo (PL), o pré-candidato a senador Coronel Hélio (PL) e o pré-candidato a vice-governador na chapa de Álvaro Dias, Babá Pereira (PL).
Extrema direita pediu liberdade de “criminoso condenado”, diz Natália Bonavides

A deputada federal Natália Bonavides (PT) criticou a manifestação bolsonarista afirmando que a extrema direita foi às ruas “pedir liberdade para um criminoso condenado”.
“A extrema-direita foi para a rua pedir liberdade para um criminoso condenado, líder de quadrilha e da tentativa de golpe de Estado contra o Brasil. Foram para a rua pedir liberdade para um traidor da pátria”, declarou a petista.
A parlamente disse ainda que “o movimento não ganhou força no país”, citando que nem o próprio Rogério Marinho “ficou para organizar um ato no nosso estado, foi embora para Brasília”.
“Jair Bolsonaro está preso e assim seguirá, pagando pelos crimes que cometeu contra o povo brasileiro”, comentou.
Fonte: saibamais.jor.br








