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Orelhões deixam as ruas do Brasil e do RN após décadas de uso

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Orelhões deixam as ruas do Brasil e do RN após décadas de uso

O Brasil começa a se despedir, de forma definitiva, de um dos símbolos mais reconhecíveis de suas cidades. A partir de 2026, os telefones públicos passam a ser retirados das ruas após o encerramento das concessões da telefonia fixa, processo conduzido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A retirada marca não apenas o fim de um equipamento urbano, mas o encerramento de um modelo de comunicação que atravessou décadas.

Levantamento da Anatel indica que dezenas de orelhões seguem instalados em municípios do interior e do litoral do estado. Eles resistem, sobretudo, em cidades de menor porte, onde o telefone público ainda simboliza um tempo em que a comunicação dependia de fichas, cartões e da famosa ligação a cobrar. Em locais como Mossoró, Touros, Baraúna, Caraúbas, Apodi, Ceará-Mirim e São Miguel do Gostoso, os equipamentos ainda fazem parte da paisagem urbana, embora já sem a função central que tiveram no passado.

A retirada ocorre após o término dos contratos de concessão da telefonia fixa, encerrados em dezembro de 2025. Com a mudança do regime jurídico, o serviço deixou de ser tratado como concessão pública e passou a operar sob autorizações privadas. Na prática, isso significa que as operadoras não têm mais obrigação legal de manter os telefones públicos em funcionamento, inclusive no Rio Grande do Norte. A exceção são localidades sem cobertura de telefonia móvel, onde alguns aparelhos poderão permanecer ativos, de forma temporária, até 2028.

Dados nacionais da Anatel apontam que ainda existem cerca de 38 mil orelhões no Brasil, sendo pouco mais de 33 mil em funcionamento. Em 2020, esse número ultrapassava 200 mil. A redução expressiva reflete a consolidação da telefonia móvel e da internet, além da redefinição das políticas públicas para o setor. Os recursos que antes sustentavam a telefonia pública estão sendo redirecionados para investimentos em banda larga, ampliação do sinal móvel e infraestrutura digital, incluindo áreas do interior potiguar.

No Rio Grande do Norte, o desaparecimento dos orelhões não é apenas uma mudança tecnológica, mas também afetiva. Helena Batista, funcionária pública, lembra que, durante a infância, o telefone público era a única forma de falar com os pais enquanto passava as férias na casa dos avós em Florânia, no interior do estado. Sem telefone em casa, os avós dependiam do orelhão da cidade:

“Eu caminhava até lá com o número escrito na palma da mão. Era rápido, porque a ficha não durava muito, mas era o momento mais esperado da minha semana”, relembra. Para ela, o som da ligação completada ainda representa cuidado e proximidade.

Sobre a remoção dos orelhões, ela comenta que o processo é inevitável, mas não isento de perdas simbólicas: “Hoje todo mundo tem celular, a comunicação ficou mais fácil e rápida. Mas o orelhão tinha um significado diferente, principalmente para quem morava no interior”, afirma.

Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão se tornou um marco do design urbano brasileiro. O formato oval, pensado para melhorar a acústica e reduzir o ruído externo, marcou gerações e também esteve presente em cidades potiguares por décadas. Mais do que um equipamento funcional, o telefone público ajudou a moldar a experiência urbana em municípios do estado, sendo ponto de encontro, referência geográfica e espaço de comunicação coletiva.

No Rio Grande do Norte, a maior concentração de orelhões está em poucos municípios. Baraúna, Caraúbas e Governador Dix-Sept Rosado lideram a lista, com seis aparelhos cada. Em seguida aparecem Touros, com cinco, e Mossoró, Ipanguaçu, Jucurutu e Pureza, que ainda mantêm quatro telefones públicos em funcionamento em seus territórios, segundo levantamento do g1.

Assim como no restante do país, o adeus aos orelhões não é apenas administrativo ou regulatório. É o encerramento de um capítulo da vida urbana, marcado por chamadas rápidas, fichas contadas e histórias que agora passam a existir apenas na lembrança de quem viveu.

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Fonte: saibamais.jor.br

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