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Cineasta potiguar Rodrigo Sena conquista o Júri Popular em Tiradentes

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Cineasta potiguar Rodrigo Sena conquista o Júri Popular em Tiradentes

Entre 53 curtas-metragens exibidos na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um filme do Nordeste, feito sem patrocínio e movido a afeto, conquistou o público e saiu vencedor do Júri Popular. “Recife tem um Coração”, dirigido pelo fotógrafo e cineasta potiguar Rodrigo Sena, tornou-se o curta mais votado do festival, um dos mais importantes do cinema brasileiro.

Além do diretor, integram a equipe Wallace Santos, Adolfo Ramos, Arlindo Bezerra e Jota Marciano.

Para Sena, o prêmio carrega um sentido que vai além do troféu.

“É a confirmação de que estamos caminhando na direção certa”, resume.

Selecionado entre mais de mil filmes inscritos, o curta avançou até a mostra competitiva e, ali, encontrou o olhar e a sensibilidade do público.

“A gente faz filmes, mas nunca sabe, de fato, como eles vão chegar às pessoas. Ser escolhido pelo Júri Popular é uma alegria imensa e simbólica”, afirma o diretor.

Com menos de 15 minutos de duração, “Recife Tem um Coração” mergulha na vida de Silvo Silva, cantor de música brega e figura carismática das redes sociais. O ponto de partida é simples: após perder sua caixa de som, Silvo mobiliza seguidores para conseguir outra. Mas o filme vai muito além do registro desse episódio. O que se constrói na tela é um retrato sensível de um personagem e de um território, atravessado por camadas sociais, emocionais e afetivas do Recife popular.

Segundo Rodrigo Sena, a força do filme está justamente nessa simplicidade.

“Vivemos um tempo de relações cada vez mais artificiais. Silvo chega com uma verdade desarmada, olha o mundo com autenticidade, e isso toca profundamente”, diz.

Para ele, o afeto é a palavra-chave para entender a identificação do público com o curta.

Existe uma beleza enorme no que é simples e verdadeiro”, diz.

A trajetória do filme também carrega a marca do cinema feito no Nordeste. O prêmio em Tiradentes se soma a um reconhecimento anterior, no Festival de Brasília, em 2020, e reforça um movimento coletivo que vem ganhando corpo.

“Essa validação não é só minha. Ela atravessa uma trajetória de realizadores, técnicos e artistas da região. O Nordeste vive um momento muito potente no cinema”, avalia.

Esse movimento é especialmente perceptível no Rio Grande do Norte. Por muito tempo discreto no cenário nacional, o cinema potiguar começa a ocupar novos espaços. Rodrigo aponta a democratização da tecnologia e o papel das políticas públicas como fatores decisivos.

Hoje vemos colegas finalizando seus primeiros longas, festivais atentos ao que produzimos e uma cena criativa pulsando. Esse prêmio chega como parte desse movimento coletivo”, destaca.

A própria existência de “Recife Tem um Coração” é resultado dessa força coletiva. O curta não contou com nenhum tipo de apoio financeiro. A equipe decidiu se tornar sócia do projeto, apostando no filme desde o início. “O maior desafio foi o orçamento”, relembra Rodrigo. “Criativamente, o desafio era condensar a intensidade de Silvo e daquele território em tão pouco tempo. A escuta e a entrega de todos foram fundamentais.”

A gênese do filme também passa pelas redes sociais. Rodrigo conheceu Silvo por meio de vídeos publicados na internet e se emocionou de imediato. Já existia um youtuber, Domel, que registrava o cotidiano do cantor. A partir dessas imagens e das vivências compartilhadas, o diretor desenvolveu a dramaturgia do curta.

Cinco estrelas

A recepção crítica acompanhou o entusiasmo do público. O crítico Frank Carbone, do portal Vertentes do Cinema, atribuiu cinco estrelas ao filme e destacou o olhar atento de Rodrigo Sena para a “geografia marginal do Recife”, além da construção de um dos personagens mais sensíveis exibidos em Tiradentes nesta edição. Para ele, o curta articula personagem, cidade e afeto com uma artesania rara no cinema contemporâneo.

Com o prêmio, surgem também novas perguntas. A história de Silvo Silva pode virar um longa-metragem? Rodrigo não descarta a possibilidade, mas prefere manter os pés no chão.

“O curta é um campo de experimentação. No Rio Grande do Norte, estamos atravessando agora essa fronteira e produzindo nossos primeiros longas”, observa.

O universo do brega, segundo ele, segue despertando interesse. “É uma expressão popular muito forte, sensível, capaz de emocionar profundamente.”

Mais do que uma conquista individual, a vitória de “Recife Tem um Coração” em Tiradentes reafirma o vigor do cinema potiguar e nordestino no circuito nacional. Um cinema feito com poucos recursos, mas com escuta, entrega e afeto. Um cinema que, como o próprio filme sugere, pulsa a partir do coração.

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Fonte: saibamais.jor.br

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