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Em tempos de Copa, é difícil escrever sobre outros assuntos!

Planejei escrever sobre a morte terrível da moça que pulou da ponte em Limeira fazendo bungee jump, e também sobre o machismo e misoginia que ela sofreu mesmo após vir a óbito. Também pensei em escrever sobre as supostas delações de Vorcaro, envolvendo os repasses milionários referentes ao filme “Dark horse”, que de trunfo poderá se tornar a pá de cal política na família Bolsonaro.

Havia outros temas recorrentes em mente, como comportamento masculino, uso de redes sociais e excessos de IA. Contudo, abro minhas redes sociais e confiro os famigerados grupos de zap, e lá está um único assunto; a Copa do Mundo de futebol, em andamento nos EUA, México e Canadá.

O que é curioso, afinal, semanas antes do torneio muita gente garantiu que estava totalmente desinteressada sobre o campeonato. Reportagens atestavam a indiferença de grande parte da população com a copa em geral e desconfiança e descrença com a seleção brasileira em específico. eu mesmo, com,o já escrevi aqui, jurei que não levaria a sério boa parte dos jogos e que só acompanharia de verdade a partir das oitavas de final.

Pois é, tudo isso antes do torneio começar. Foi só a bola rolar a partir do jogo de abertura, México 2×0 África do Sul, para aquela velha empolgação coletiva cair sobre nossas cabeças, como uma mágica. Com menos de uma semana de copa, ainda na primeira rodada da primeira fase, vejo aqueles amigos que desprezavam o torneio me convidando para assistir a qualquer Holanda x Japão no meio da tarde. Ou donos de bares que torciam o nariz para o torneio comprando mais uma tv e decorando o estabelecimento de verde e amarelo.

Daria para investigar mais a fundo esse envolvimento coletivo que a Copa do Mundo gera. Que não tem a ver necessariamente com o futebol em si, afinal, muita gente empolgada com o torneio mal sabe a diferença entre primeira fase e semifinal ou conhece a regra do impedimento. Mas todos se sentem felizes em participar de algo tão coletivo, em escala global, diga-se, embora a princípio o conceito do campeonato celebre nacionalismos.

Esse envolvimento acaba eclipsando outros assuntos. Pesquisas eleitorais envolvendo Lula e Flávio, por exemplo, ficaram em segundíssimo plano no noticiário e em grupos de zap. As pré-campanhas idem, a não ser que envolvam diretamente a copa, como pré-candidatos vem fazendo, postando fotos com camisas da seleção brasileira e em momentos de torcida.

Portanto, voltaremos à programação normal, ou seja, textos diversos sobre comportamento humano, análises sócio-políticas, cultura, mais para a frente, lá pelas oitavas de final, quando o fervor pela copa começa a esmorecer (ou o Brasil já eliminado jogue água fria no torcedor médio). Até lá, trocaremos todos polarização política por Vozinha, o goleiro de Cabo Verde que fechou o gol contra a Espanha. Ou por Messi, craque argentino que na noite da terça-feira marcou 3 gols contra a Argélia e se tornou, ao lado do alemão Klose, o maior artilheiro da história das copas. Mesmo se eu não tivesse assistido ao jogo, teria ficado informado da façanha pela senhorinha do Bloco G que ao me encontrar no caminho de deixar o lixo, sorriu para mim e comentou: “E o Messi ontem, meu filho!?”

Fonte: saibamais.jor.br

Cefas Carvalho

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