O fator Lula na eleição do Rio Grande do Norte
Por Alan Vasconcelos – Foto/Divulgação
A política ensina uma lição que muitos insistem em ignorar: eleição não se ganha apenas com números de hoje, mas com a capacidade de crescer durante a campanha. E é justamente por isso que considero um equívoco subestimar a candidatura de Cadu Xavier na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.
É verdade que parte das pesquisas divulgadas até aqui mostra cenários competitivos, com diferentes nomes disputando a preferência do eleitorado. Mas existe um elemento que ainda não entrou completamente em campo e que, na minha avaliação, poderá alterar significativamente o rumo da corrida eleitoral: o presidente Lula.
Gostem ou não os adversários, Lula continua sendo uma das maiores lideranças políticas do país e mantém uma conexão histórica com o eleitor nordestino. No Rio Grande do Norte, essa identificação é ainda mais perceptível. Seu nome desperta sentimentos que vão além da política partidária. Para muitos, Lula representa inclusão social, oportunidades e proximidade com as camadas mais populares da população.
Quando a campanha ganhar as ruas, os programas eleitorais, as agendas conjuntas e a mobilização das lideranças estaduais e nacionais, a tendência é que essa força política passe a ser transferida de forma mais intensa para o candidato apoiado pelo presidente.
Vejo muitos analistas olhando para os números atuais e tirando conclusões definitivas. A experiência mostra que isso pode ser um erro. Campanhas eleitorais são organismos vivos. Crescem, encolhem, surpreendem e, muitas vezes, desmontam previsões feitas meses antes da votação.
Cadu Xavier possui um ativo que poucos candidatos têm: a condição de representar simultaneamente a continuidade do governo estadual e o alinhamento com o governo federal. Em um estado que depende fortemente de investimentos públicos, programas sociais e obras estruturantes, esse discurso tende a ganhar força à medida que a população passa a comparar projetos e perspectivas para os próximos anos.
Não estou afirmando que a eleição está decidida. Muito pelo contrário. A disputa permanece aberta e competitiva. Mas estou convencido de que quem aposta na irrelevância eleitoral de Cadu Xavier pode estar cometendo um erro estratégico.
A política nordestina já mostrou diversas vezes que lideranças nacionais conseguem impulsionar candidaturas que inicialmente pareciam ter menos força. E, quando falamos de Lula, estamos tratando de alguém que continua influenciando diretamente o comportamento de uma parcela significativa do eleitorado.
Por isso, faço uma previsão política, não baseada em torcida, mas na leitura do cenário que observo: ninguém deveria subestimar o peso do presidente Lula nesta eleição. Se a transferência de apoio ocorrer na intensidade que imagino, Cadu Xavier chegará muito mais forte ao período decisivo da campanha.
Quem hoje trata sua candidatura como secundária poderá se surpreender quando as urnas falarem. Afinal, no Rio Grande do Norte, o fator Lula continua sendo uma variável que nenhum adversário pode ignorar.



